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terça-feira, 20 de julho de 2010

Dom Alberto do Amaral, bispo emérito de Fátima, numa conferência de 1984, afirma: “O segredo de Fátima não fala nem de bomba atômica nem de artefatos nucleares [...]. A perda da fé de um continente é pior que a destruição de uma nação; e é verdade que a fé diminui continuamente na Europa. A perda da fé católica na Igreja é bem mais grave que uma guerra nuclear” (declaração desmentida em 1986, mas depois confirmada em março de 1995).

O SEGREDO DE FÁTIMA

Em maio de 2000, o Vaticano revelava o terceiro segredo de Fátima. Uma revelação que parecia pôr fim a décadas de polêmicas e indiscrições. Parecia. Porque, na realidade, as coisas não foram bem assim...

Davide Malacaria
Imagem de Nossa Senhora de Fátima
A imagem de Nossa Senhora de Fátima
     Estamos no dia 13 de maio de 2000 quando o cardeal Angelo Sodano comunica que o Santo Padre decidiu revelar o terceiro segredo de Fátima. A oportunidade é dada da beatificação, realizada em Portugal, de Francisco e Jacinta Marto, dois dos pastorinhos aos quais, no distante ano de 1917, Nossa Senhora havia aparecido. O anúncio corre o mundo imediatamente: aquele segredo, guardado com tanto zelo pelo Vaticano, havia estado por décadas no centro de indiscrições, polêmicas e intrigas internacionais.
     Na ocasião, o cardeal Sodano toca de leve o conteúdo do segredo, mas, para conhecê-lo em sua integridade, é ainda preciso esperar cerca de um mês, quando é publicado pela Congregação para a Doutrina da Fé. O texto vem acompanhado de uma rápida apresentação assinada pelo então secretário da Congregação, dom Tarcisio Bertone, e por um breve comentário teológico do prefeito do mesmo organismo, o cardeal Joseph Ratzinger. Em seguida, anexos e notas.
     Sintetizando ao máximo, o segredo consiste na visão desoladora de uma cidade em ruínas pela qual estão espalhados os cadáveres dos mártires, na qual caminha, aflito, “um bispo vestido de branco” (a respeito do qual irmã Lúcia escreve: “Tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre”), seguido por bispos e religiosos. O cortejo sobe até o topo de uma colina, na qual se encontra uma cruz, e aos pés dela o Papa é assassinado.
     Desde o anúncio do cardeal Sodano, o Vaticano identificou o “bispo vestido de branco” com o papa João Paulo II, e seu assassinato com o atentado sofrido por obra de Ali Agca, em 1981. Mas, desde o princípio, essa revelação e a interpretação oficial que a acompanha despertaram perplexidade. Entre outras coisas, muitos observaram uma discordância entre o que havia dito o cardeal Sodano um mês antes, em Fátima, quando falara de um papa que “cai por terra como se estivesse morto”, e o texto divulgado, no qual se lê a respeito de um papa inequivocamente “assassinado”.
     Para complicar as coisas, para os lados do Vaticano, somam-se as várias associações de fiéis nascidas em torno de Fátima, formadas de leigos, sacerdotes e estudiosos que conhecem a vida, a morte e, é o caso de dizer, os milagres de tudo o que aconteceu ao redor daquela aparição prodigiosa. E foi desses ambientes, justamente, que se levantaram as críticas mais pungentes.
     Entre 2006 e 2007, essas críticas foram condensadas em dois livros-reportagem: Il quarto segreto di Fatima, de Antonio Socci, e La profezia di Fatima, de Marco Tosatti. A seguir, falaremos sinteticamente do conteúdo dessas obras.
     Nossa Senhora previu Ali Agca?
     Uma das controvérsias mais acesas está relacionada com a identificação do bispo vestido de branco com Karol Wojtyla. Em outras palavras: Nossa Senhora profetizou realmente o atentado a João Paulo II? Em seu livro, Socci observa que a interpretação vaticana do segredo, na realidade, não é tão unívoca. E isso já desde o anúncio do cardeal Sodano, cujas palavras são transcritas no documento dedicado ao segredo de Fátima: o prelado explica que os episódios descritos na visão “parecem já pertencer ao passado”. “A Senhora da mensagem parece ler com singular perspicácia os ‘sinais dos tempos’” [os itálicos não são dos textos, ndr.]. Enfim, segundo Socci, parece que o prelado tem um certo medo de usar expressões afirmativas demais.
     Não é o único. Na nota teológica, o cardeal Ratzinger explica a coincidência entre o papa da mensagem e Wojtyla por meio de uma “elegante” expressão interrogativa: “Não era razoável que o Santo Padre, quando, depois do atentado de 13 de maio de 1981, mandou trazer o texto da terceira parte do ‘segredo’, tivesse lá identificado seu próprio destino?”.
     Indo além dessas anotações, que podem parecer meras sutilezas, é óbvio que, em se tratando de revelações particulares, não estamos diante de conteúdos de fé. O próprio cardeal Ratzinger explica, numa entrevista concedida em 19 de maio de 2000 ao jornal italiano La Repubblica, que não existem “interpretações obrigatórias”. Por outro lado, basta observar o documento oficial vaticano (que pode ser baixado da internet) para que se afaste qualquer dúvida a esse respeito. De fato, um capítulo do comentário teológico se intitula significativamente: “Uma tentativa de interpretação do ‘segredo’ de Fátima”. O itálico é nosso.
     Em todo caso, e prescindindo de outras considerações, os detratores da versão oficial têm uma boa margem para se perguntar: se o segredo fazia referência apenas às perseguições sofridas pelos cristãos no século XX e ao atentado contra o Papa ocorrido em 1981, por que esperar tanto para torná-lo público?
     Segredos públicos e dúvidas secretas
As capas dos três livros mais recentes sobre o Segredo de Fátima
     Se a interpretação do segredo suscitou tantas controvérsias, é bem pouco, se comparado às polêmicas que nasceram em torno do próprio texto. Para sermos mais claros, é melhor partirmos do início, ou seja, de quando irmã Lúcia, na clausura do carmelo de Coimbra, recebe de seu bispo a solicitação de escrever sobre a revelação.
     A religiosa redige diversas memórias do que viu e sentiu naquele distante ano de 1917, na Cova da Iria: a primeira é de 1935, a segunda de 1937, a terceira de agosto de 1941. Nesse terceiro escrito, explica Socci, a irmã “revela as primeiras duas partes do segredo [...], e informa que existe também uma ‘terceira parte’, que por ora não revela. Alguns meses depois, escreve a quarta memória (datada de 8 de dezembro de 1941), na qual transcreve exatamente a anterior, mas, quando chega ao fim do segundo segredo [...], acrescenta uma nova frase, que não existia no texto de agosto: ‘Em Portugal se conservará sempre o dogma da fé, etc.’”. Enfim, em janeiro de 1944, anotará o chamado terceiro segredo.
     Os dois primeiros segredos, nos quais eram previstas a Revolução Russa e a Segunda Guerra Mundial, foram tornados públicos na década de 1940, ao passo que o terceiro segredo, dirá Lúcia, deverá ser revelado apenas em 1960. Em 1957, porém, a Santa Sé ordena que o texto seja enviado a Roma e pede silêncio à irmã. Esse silêncio será mantido até 2000, ano da publicação do documento A mensagem de Fátima pela Congregação para a Doutrina da Fé.
     Uma publicação realmente um tanto infeliz. Os críticos da versão oficial têm bons motivos para observar uma anomalia bem visível. Ao publicar o segredo em sua totalidade, o Vaticano não publica a quarta memória, de 8 de dezembro de 1941, última na ordem cronológica, mas a terceira, de agosto de 1941, acrescentando a ela o escrito de janeiro de 1944, onde está anotado o terceiro segredo. A terceira e a quarta memória são semelhantes, como vimos antes, mas, na quarta, encontramos aquela pequena frase: “Em Portugal se conservará sempre o dogma da fé, etc.”, que na terceira não existe. É claro que essa expressão não é omitida por completo, mas transcrita numa nota marginal, sem nenhuma explicação. Só que essa linha, justamente, está no centro de grandes controvérsias...
     “É possível que as palavras de Nossa Senhora, dadas em pessoa pela Mãe de Deus, possam acabar com um ‘etc.’?” Socci transcreve essa pergunta, certamente não banal, de Paul Kramer, autor de La battaglia finale del diavolo. O que esconderia esse etc.? Os críticos observam como não há nenhum nexo lógico entre essa frase e o segredo revelado em 2000. E que a frase incompleta traz palavras de Nossa Senhora, parte de um discurso direto, ao passo que o segredo consiste numa visão, sem nenhuma palavra da Virgem.
     Padre José dos Santos Valinho, salesiano, é sobrinho de irmã Lúcia e tinha com ela uma relação preferencial. Numa entrevista, concedida pouco antes da revelação do segredo, confidenciou: “Na minha opinião aquela parte do segredo diz respeito à Igreja, a seu interior. Talvez dificuldades doutrinais, crises de unidade, lacerações, revoltas, divisões. A última frase do escrito de minha tia, que precede a parte ainda desconhecida do segredo, diz: ‘Em Portugal se conservará sempre o dogma da fé’. Depois, começa o trecho que não conhecemos. Porém, ela dá a entender que o tema da parte que falta poderia estar ligado à última afirmação que conhecemos. Portanto, em outras partes da Igreja esse dogma poderia vacilar”.
     Ele não foi o único que apresentou uma hipótese como essa.
     A grande apostasia
Paulo VI e Irmã Lúcia em Fátima
Paulo VI e irmã Lúcia, em Fátima, em 13 de maio de 1967
     A respeito do segredo de Fátima, ao longo dos anos, circularam os mais diversos boatos, entre os quais o mais recorrente é aquele que fala de uma multidão de cristãos que perde a fé. Em outras palavras, Nossa Senhora teria previsto uma grande apostasia. Lendas, apenas?
     É o que poderia parecer, à luz da revelação vaticana. O problema, porém, é que essas lendas, com o passar dos anos, foram corroboradas por declarações de pessoas que, por sua função, tinham conhecimento do segredo. Tosatti dedica um capítulo inteiro a “Cinqüenta anos de indiscrições excelentes”. Vamos falar de algumas.
     Dom Alberto do Amaral, bispo emérito de Fátima, numa conferência de 1984, afirma: “O segredo de Fátima não fala nem de bomba atômica nem de artefatos nucleares [...]. A perda da fé de um continente é pior que a destruição de uma nação; e é verdade que a fé diminui continuamente na Europa. A perda da fé católica na Igreja é bem mais grave que uma guerra nuclear” (declaração desmentida em 1986, mas depois confirmada em março de 1995).
     O cardeal Alfredo Ottaviani, numa conferência de 1967, diz: “Eu tive a graça e o dom de ler o texto do terceiro segredo. [...] Posso lhes dizer apenas isto: que virão tempos muito difíceis para a Igreja e que é preciso muita oração para que a apostasia não seja grande demais”.
     Indiscrições excelentes são documentadas também no livro de Socci. Dom Loris Capovilla, secretário de João XXIII, que certamente também conhecia o segredo, responde uma entrevista por escrito em 1978. Quando lhe perguntam se o segredo se refere expressamente à hierarquia eclesiástica, à Rússia ou a uma “crise religiosa no mundo”, responde negando as duas primeiras hipóteses, mas nada diz da terceira. Ainda mais explícito é o conteúdo de uma carta do cardeal Luigi Ciappi, por muito tempo teólogo da Casa Pontifícia, endereçada ao professor Baumgartner. Na missiva, escrita em 2000 mas tornada pública em março de 2002, o purpurado revela: “No terceiro segredo se prevê, entre outras coisas, que a grande apostasia na Igreja começará do seu ponto mais alto”.
     São todos mentirosos? E, se não for assim, isso significa que foi o Vaticano que publicou uma mentira? As coisas são um pouco mais complexas. Com base numa série de indícios e testemunhos concordantes, muitos dos críticos da versão oficial estão convencidos de que o segredo na realidade seria constituído de duas partes distintas. E que a revelada em 2000, escrita em quatro páginas, seria apenas uma das partes e teria estado sempre guardada nos arquivos do Santo Ofício. A outra parte, ainda secreta, escrita numa única folha, teria ficado sempre no apartamento dos papas.
     Como confirmação dessa hipótese, haveria também um indício de tipo lógico. Tosatti apresenta a tese de Andrew M. Cesanek, outro estudioso que se aventurou a entender o segredo de Fátima. Este, comparando as duas primeiras revelações e a que foi tornada pública em 2000, registra como as duas primeiras são caracterizadas por um esquema do gênero visão-explicação, ao passo que a outra não contém explicações. Tosatti escreve: “Certamente, é curioso que, das três partes, aquela que mais necessita de um ‘guia de leitura’ seja, na realidade, a única que não tem um”.
     As atas de irmã Lúcia
     O Vaticano, obviamente, não podia deixar de interpelar irmã Lúcia, a última dos pastorinhos ainda viva na época (morreu em fevereiro de 2005). Para tanto, o atual secretário de Estado vaticano, cardeal Bertone, foi duas vezes a Coimbra: uma primeira em 27 de abril de 2000 e uma segunda em 17 de novembro de 2001 (na realidade, o prelado revelou ter encontrado a religiosa também em 9 de dezembro de 2003, mas para conversar sobre episódios relativos a Albino Luciani). Possuímos relatos desses dois encontros, algo semelhante a atas, uma das quais, a segunda, assinada pela própria irmã Lúcia. Em ambas, é comprovada a linha do Vaticano: para a religiosa também, o segredo teria sido revelado em sua integridade e a cena do papa assassinado representaria o atentado de 1981. Mas essas “atas”, fruto de horas de conversa, segundo os críticos, seriam excessivamente sintéticas, no limite do tom lacônico, e genéricas demais.
     Para sermos breves, transcrevemos apenas a observação do padre Paul Kramer, contida no livro de Socci, o qual calculou que, da segunda conversa, que durou cerca de duas horas, o cardeal Bertone “conseguiu extrair apenas quarenta e duas palavras importantes (quarenta e duas) que deveriam ser atribuídas entre aspas à religiosa”. Ainda a propósito dessa segunda ata, Socci, partindo da premissa de que a religiosa fala apenas português, se pergunta: “Se é assim, por que não existe um texto em português? E, se existe e – como parece óbvio – irmã Lúcia só assinou esse texto, por que ele não foi publicado? E por que a versão em inglês não tem a assinatura da irmã?”. Tampouco serviu para dissipar as dúvidas o livro publicado pela religiosa pouco antes de morrer, Os apelos da mensagem de Fátima, no qual a autora evita entrar em questões relacionadas ao segredo.
     Mas Tosatti assinala uma frase particularmente significativa desse livro: “Deixo inteiramente à Santa Igreja a liberdade de interpretar o sentido da mensagem, porque lhe pertence e lhe compete: por isso, humildemente e de bom grado me submeto a tudo o que ela disser ou quiser corrigir, modificar ou declarar”.
     De fato, impressiona que a religiosa tenha usado verbos como “modificar” e “corrigir”.
     O cardeal Bertone e papa Luciani
João Paulo II
João Paulo II em Fátima, por ocasião da beatificação de Jacinta e Francisco Marto, em 13 de maio de 2000
     Pouco depois da saída do livro de Tosatti, a editora italiana Rizzoli publicou outra obra sobre Fátima, dessa vez um livro-entrevista com o cardeal Bertone, organizado pelo vaticanista Giuseppe De Carli. No livro, o purpurado volta a frisar a versão oficial, enriquecendo-a de pormenores inéditos, mas evita responder às perguntas levantadas pelos críticos.
     Aqui, nós nos limitamos a evidenciar uma passagem do livro de De Carli que, a um leitor comum, poderia levantar novas perguntas.
     O cardeal Bertone é interrogado sobre a relação entre Fátima e Albino Luciani. A questão é conhecida: o então patriarca de Veneza, pouco antes de ser eleito Papa, foi fazer uma visita a irmã Lúcia. Esta, como alguns imaginaram, lhe teria profetizado o pontificado e a morte dentro de pouco tempo. O cardeal Bertone responde negando que a irmã tenha feito semelhante profecia. E, para confirmar, apresenta um escrito do próprio Luciani, datado de janeiro de 1978, no qual é relatado sinteticamente o conteúdo da conversa.
     Irmã Lúcia, anota o patriarca de Veneza, lhe havia falado da necessidade de haver “cristãos e especialmente seminaristas, noviços e noviças seriamente decididos a serem de Deus sem reservas”, e por aí afora. Em seguida, Luciani, após ter contado que havia perguntado sobre a dança do sol (espetacular milagre de Fátima), se questiona: “[...] alguém pode perguntar: um cardeal tem interesse em revelações particulares?”. Sim, responde, explicando que o “Evangelho contém tudo”, mas aos cristãos é necessário também “perscrutar os sinais dos tempos”. “E, atrás do sinal, é oportuno ter cuidado com as coisas sublinhadas por esse sinal. Quais?”, pergunta-se ainda, com seu estilo simples e linear. E relaciona as quatro coisas que, diz ele, foram indicadas por Nossa Senhora naquele distante ano de 1917, explicando uma por uma: arrepender-se, rezar, recitar o rosário e, por último, ter em mente que o inferno existe.
     Nas linhas que o patriarca dedica à oração, porém, há uma observação que chama a atenção. Luciani anota a dificuldade que essa prática encontra entre seus contemporâneos. E conclui: “Não fui eu, mas Karl Rahner quem escreveu: ‘Vive-se também dentro da Igreja uma dedicação exclusiva do homem às realidades temporais, que não é mais uma opção legítima, mas apostasia e queda total da fé’”. Apostasia?
     Enfim, apesar da revelação de 2000, continua a se projetar uma aura de mistério em torno do segredo de Fátima. E, para muitos, a palavra mistério é cheia de enigmas ameaçadores. Não é o caso do simples fiel, para quem essa palavra parece cheia de conforto e de esperança, quando orienta e acompanha a oração do rosário. Uma oração que em Fátima, precisamente, foi enriquecida pela jaculatória de doce misericórdia que Nossa Senhora quis ensinar às três crianças e, por meio delas, à Igreja inteira. E foi justamente por isso, nós acreditamos, que a aparição de Fátima, com o passar dos anos, se tornou cara ao povo cristão. Para terminar este artigo, faz bem lembrar disso.
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     O artigo de Davide Malacaria foi publicado na edição de junho/julho da revista 30 Giorni com o título O Segredo de Fátima.
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    MATÉRIAS RELACIONADAS DE INTERESSE:
Novo texto do Terceiro Segredo que circula nos meios católicos reacende controvérsia por Ronaldo Ausone Lupinacci.
Testemunhos de autoridades da Igreja e da própria Irmã Lúcia esclarecem este aspecto do misterioso assunto por Marian T. Horvat.
Por que desde o ano de 1960 não se revela o verdadeiro conteúdo do Terceiro Segredo? por André F. Falleiro Garcia.
Comentário sobre o livro de Antonio Socci, “Il quarto segreto di Fátima” por Julio Alvear Téllez.
Algumas das mais altas figuras da Igreja reduziram ao silêncio a própria Mãe de Deus. Para sempre? por Julio Alvear Téllez.
O depoimento do Cardeal Oddi, de Mons. Loris Capovilla e de outros estudiosos sobre o tema da autenticidade do Terceiro Segredo por Julio Alvear Téllez.
fonte:Sacralidade

segunda-feira, 19 de julho de 2010

O Terceiro Segredo



Capítulo 4
O Terceiro Segredo
       Precisamente como a Virgem Maria predisse em 1917, a 2ª Guerra Mundial começou no pontificado de Pio XI, na altura em que Josef Stálin estava a liquidar os Católicos e a exportar o comunismo mundial a partir da Rússia Soviética. Em Junho de 1943, a Irmã Lúcia, já com 36 anos de idade, adoeceu com pleurisia. Este facto alarmou muito o Bispo de Leiria, D. José Alves Correia da Silva, e o seu grande amigo e conselheiro Cónego Galamba. Ambos receavam que a Irmã Lúcia morresse sem escrever o Terceiro Segredo.
Tão terrível que nem conseguia escrevê-lo
       Assim, sugeriram-lhe em Setembro de 1943 que o escrevesse, mas ela escusou-se a fazê-lo porque não queria assumir por si própria a responsabilidade de uma tal iniciativa. Disse, porém, que obedeceria a uma ordem expressa do Bispo de Leiria. A Irmã Lúcia estava extremamente preocupada com o facto de, sem esta autorização, não ter ainda licença de Nosso Senhor para revelar o Terceiro Segredo.
       Em meados de Outubro de 1943, durante uma visita à Irmã Lúcia no Convento de Tuy, em Espanha (a cerca de 400 quilómetros de Fátima e não longe da fronteira portuguesa), D. José Alves Correia da Silva deu-lhe uma ordem formal para escrever o Segredo. A Irmã Lúcia tentou então obedecer à ordem do Bispo, mas foi incapaz de o fazer nos dois meses e meio que se seguiram.
A própria Virgem Santíssima autoriza
a Irmã Lúcia a revelar o Segredo
       Finalmente, a Santíssima Virgem Maria apareceu de novo a Lúcia em 2 de Janeiro de 1944, para lhe dar forças e lhe confirmar que era realmente da vontade de Deus que ela revelasse a parte final do Segredo. Só então conseguiu a Irmã Lúcia superar a sua perturbação e escrever o Terceiro Segredo de Fátima1. Mas, mesmo assim, só em 9 de Janeiro de 1944 escreveu a seguinte nota ao Bispo D. José Alves Correia da Silva, informando-o de que o Segredo tinha sido finalmente escrito:
       Já escrevi o que me mandou; Deus quis provar-me um pouco [,] mas afinal era essa a sua vontade: Está lacrada [a parte que me falta do segredo] dentro dum envelope e este dentro dos cadernos (…)2.
Uma só folha de papel
       Depreende-se imediatamente que o Segredo implicava dois documentos: um, fechado num envelope; e o outro, contido num caderno de apontamentos da Irmã Lúcia (não sendo assim, por que razão teria ela entregado o caderno, além do envelope?). Para já, concentremo-nos no que estava contido no envelope fechado.
       Lúcia estava ainda tão perturbada com o conteúdo do Segredo que não confiava a ninguém o envelope fechado (juntamente com o caderno de apontamentos), a não ser a um Bispo que o levasse a D. José Alves Correia da Silva. Em 17 de Junho de 1944, a Irmã Lúcia deixou Tuy, atravessou o Rio Minho e chegou ao Asilo Fonseca, onde entregou ao Arcebispo titular de Gurza, D. Manuel Maria Ferreira da Silva, o caderno em que tinha inserido o envelope com o Terceiro Segredo. No mesmo dia, o Arcebispo entregou o Segredo ao Bispo de Leiria na sua casa de campo, não longe de Braga; e este levou-o para o Paço Episcopal em Leiria. Estes pormenores são muito importantes, em vista do que se lê no comentário ao Terceiro Segredo que o Vaticano publicou em 26 de Junho de 2000.
       Desde o início que o testemunho unânime era que o Terceiro Segredo estava escrito em forma de carta, numa só folha de papel. O Padre Joaquín Alonso, arquivista oficial da documentação sobre as aparições de Fátima, relata que tanto a Irmã Lúcia como o Cardeal Ottaviani afirmaram que o Segredo estava escrito numa só folha de papel:
       A Lúcia diz-nos que o escreveu numa folha de papel. O Cardeal Ottaviani, que o leu, diz-nos a mesma coisa: “Ela escreveu-o numa folha de papel” (…)3.
       O Cardeal Ottaviani, então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, declarou que lera o Terceiro Segredo e que este estava escrito numa só folha de papel. Testemunhou este facto em 11 de Fevereiro de 1967, numa conferência de imprensa por ocasião de uma reunião da Academia Pontifícia Mariana em Roma. Disse o Cardeal:
       E então, o que fez ela [a Lúcia] para obedecer à Santíssima Virgem? Escreveu numa folha de papel, em português, o que a Santa Virgem lhe pedira que dissesse (…)4.
       O Cardeal Ottaviani é testemunha deste facto. Na mesma conferência de imprensa, disse:
       Eu, que tive a graça e o dom de ler o texto do Segredo - embora também esteja obrigado a mantê-lo secreto, por tal me ser imposto pelo Segredo (...)5.
       Temos igualmente o testemunho de D. João Venâncio, na altura Bispo Auxiliar de Leiria-Fátima, que, em meados de Março de 1957, tinha ordens do Bispo D. José Alves Correia da Silva para entregar cópias de todos os escritos da Irmã Lúcia - incluindo o original do Terceiro Segredo - ao Núncio Apostólico em Lisboa, para este os transferir para Roma. Antes de entregar os escritos da Irmã Lúcia ao Núncio, D. João Venâncio pegou no envelope com o Terceiro Segredo, olhou para ele a contra-luz e reparou que o Segredo estava «escrito numa pequena folha de papel»6. Frère Michel identifica em primeiro lugar a natureza deste testemunho:
       Todavia, graças às revelações do Bispo [D. João] Venâncio, na altura Bispo Auxiliar de Leiria e intimamente envolvido nestes acontecimentos, estamos hoje na posse de muitos factos fidedignos que nós teremos cuidado em não esquecer. Eu próprio os recebi da boca do Bispo [D. João] Venâncio em 13 de Fevereiro de 1984, em Fátima. A este propósito, o antigo Bispo de Fátima repetiu-me, quase palavra por palavra, o que já dissera antes ao Padre Caillon, que disso deu um relato muito pormenorizado nas suas conferências7.
       Aqui está o testemunho de D. João Venâncio, segundo Frère Michel:
       O Bispo [D. João] Venâncio contou que, logo que se viu sòzinho, pegou no envelope grande do Segredo e tentou ver o seu conteúdo à transparência. Dentro do envelope grande do Bispo vislumbrou um envelope mais pequeno, o da Lúcia, e dentro deste envelope uma folha de papel vulgar, com margens, de cada lado, de uns 7,5 milímetros. Teve o cuidado de anotar o tamanho de tudo. Logo, o último Segredo de Fátima foi escrito numa pequena folha de papel8. [ênfase acrescentada].
       Os indícios mostram ainda que esta folha de papel tinha de 20 a 25 linhas de texto. Os testemunhos da Irmã Lúcia, do Cardeal Ottaviani, do Bispo D. João Venâncio, do Padre Alonso, de Frère Michel e de Frère François concordam todos sobre este ponto:
       (…) temos a mesma certeza de que as vinte ou trinta linhas do Terceiro Segredo (…)9.
       O último Segredo de Fátima, escrito numa pequena folha de papel, não é, portanto, muito longo. Provavelmente vinte ou vinte e cinco linhas (…)10.
       D. João Venâncio olhou “para o envelope [contendo o Terceiro Segredo] que segurava contra a luz. Pôde ver dentro dele uma pequena folha, cujo tamanho exacto mediu. Sabemos, assim, que o Terceiro Segredo não é muito longo, provavelmente 20 a 25 linhas (…)”11.
Escrito em forma de carta
       É igualmente claro que o Terceiro Segredo foi escrito em forma de uma carta ao Bispo D. José Alves Correia da Silva. A própria Irmã Lúcia diz-nos que o Terceiro Segredo foi escrito como uma carta. Temos, sobre este ponto, o depoimento escrito do Padre Jongen, que interrogou a Irmã Lúcia em 3 e 4 de Fevereiro de 1946 desta maneira:
       ‘Já revelou duas partes do Segredo. Quando chegará a altura da terceira parte?’ ‘Comuniquei a terceira parte numa carta ao Bispo de Leiria’, respondeu ela12. [ênfase acrescentada]
       Temos em seguida as palavras decisivas do Cónego Galamba:
       Quando o Bispo se recusou a abrir a carta, Lúcia fê-lo prometer que esta seria definitivamente aberta e lida ao Mundo ou por altura da sua morte, ou em 1960, conforme o que sucedesse primeiro13. [ênfase acrescentada]
Para ser revelado ao Mundo em 1960
       Porquê 1960? Em 1955, o Cardeal Ottaviani perguntou à Irmã Lúcia por que razão a carta não devia ser aberta antes de 1960. Respondeu-lhe ela: «porque então parecerá mais claro». Tinha feito com que o Bispo de Leiria prometesse que o Segredo seria lido ao Mundo aquando da sua morte, mas nunca mais tarde que 1960, «porque a Santíssima Virgem assim o quer»14. E escreveu o Cónego Barthas: «Além disso, [o Terceiro Segredo] não tardará a ser conhecido, porque a Irmã Lúcia afirma que é o desejo de Nossa Senhora que ele seja publicado a partir de 1960».
       Este depoimento introduz um terceiro facto crucial a respeito do Segredo: que devia ser revelado em 1960. De facto, o Cardeal Patriarca de Lisboa declarou em Fevereiro de 1960:
       O Bispo D. José Alves Correia da Silva meteu [o envelope fechado por Lúcia] noutro envelope, no qual escreveu que a carta devia ser aberta em 1960 por ele, D. José Alves Correia da Silva, se ainda fosse vivo, ou, em caso contrário, pelo Cardeal Patriarca de Lisboa15. [ênfase acrescentada]
       Diz-nos o Padre Alonso:
       Outros Bispos também falaram - e com autoridade - sobre o ano de 1960 como sendo a data indicada para abrir a famosa carta. Assim, quando o então Bispo titular de Tiava e Bispo Auxiliar de Lisboa perguntou a Lúcia quando deveria ser aberto o Segredo, recebeu sempre a mesma resposta: em 196016. [ênfase acrescentada]
       E em 1959, D. João Venâncio, novo Bispo de Leiria, declarou:
       Penso que a carta não será aberta antes de 1960. A Irmã Lúcia pediu que não fosse aberta antes da sua morte, ou antes de 1960. Estamos agora em 1959 e a Irmã Lúcia está de boa saúde17. [ênfase acrescentada]
       Finalmente, temos a declaração do Vaticano, de 8 de Fevereiro de 1960 (divulgada num comunicado da agência noticiosa portuguesa ANI), sobre a decisão de suprimir o Segredo - documento a que nos voltaremos a referir no Capítulo 6. Lê-se na declaração do Vaticano:
       (…) é muito possível que nunca venha a ser aberta a carta em que a Irmã Lúcia escreveu as palavras que Nossa Senhora confiou aos três pastorinhos, como segredo, na Cova da Iria18. [ênfase acrescentada]
       Assim, todos os depoimentos indicam que o Segredo foi escrito como uma carta, numa só folha de papel com 20 a 25 linhas de texto manuscrito e margens de 7,5 milímetros de cada lado - Segredo esse que devia ser revelado em 1960 e não mais tarde; e particularmente nesse ano porque, então, “seria muito mais claro”.
       Foi este documento que o Bispo D. João Venâncio transferiu para o Núncio Papal que, por sua vez, o transferiu para o Santo Ofício (hoje chamado Congregação para a Doutrina da Fé) em 1957:
       Chegado ao Vaticano em 16 de Abril de 1957, o Segredo foi certamente colocado pelo Papa Pio XII na sua secretária pessoal, numa caixinha de madeira com a inscrição Secretum Sancti Officii (Segredo do Santo Ofício)19.
       É importante notar que o Papa estava à frente do Santo Ofício antes da reorganização do Vaticano, feita pelo Papa Paulo VI em 1967. Por isso, era apropriado que o Papa ficasse com o Terceiro Segredo na sua posse e que a caixa em que o colocara fosse rotulada como “Segredo do Santo Ofício”. Estando o Papa à frente do Santo Ofício, esta caixa ficou a fazer parte do respectivo arquivo. Não esqueça estes factos, leitor, pois são cruciais para quando nos referirmos a eles mais adiante.
Uma predição de apostasia na Igreja
       E com respeito ao conteúdo do Segredo? Voltamos agora à frase reveladora «Em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé etc.», que, como indicámos num capítulo anterior, aparece no fim do texto integral das duas primeiras partes do Grande Segredo na Quarta Memória de Lúcia.
       Sobre este ponto, devemos recordar o depoimento crucial do Padre Joseph Schweigl, a quem o Papa Pio XII confiou uma missão secreta: interrogar a Irmã Lúcia sobre o Terceiro Segredo. E foi o que ele fez no Carmelo de Coimbra, em 2 de Setembro de 1952. Ao regressar a Roma, o Padre Schweigl dirigiu-se à sua residência no Russicum e disse a um colega no dia seguinte:
       Não posso revelar nada do que ouvi sobre Fátima no que respeita ao Terceiro Segredo, mas posso dizer que tem duas partes: uma fala do Papa. A outra, logicamente (embora eu não deva dizer nada) teria de ser a continuação das palavras: ‘Em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé’20.
       Confirma-se assim o que concluímos: que uma parte do Segredo é, de facto, a continuação da frase cuja conclusão o Vaticano tem ainda por revelar: «Em Portugal se conservará sempre o dogma da Fé etc.»
       Esta conclusão é corroborada por muitas outras testemunhas, incluindo as seguintes:
O Padre Agustín Fuentes
       Em 26 de Dezembro de 1957, o Padre Fuentes entrevistou a Irmã Lúcia. A entrevista foi publicada em 1958 com um imprimatur do seu Prelado, o Arcebispo Sánchez, de Veracruz, México. Entre outras coisas, a Irmã Lúcia disse o seguinte ao Padre Fuentes:
       Padre, a Santíssima Virgem está muito triste, por ninguém fazer caso da Sua Mensagem, nem os bons nem os maus: os bons, porque continuam no seu caminho de bondade, mas sem fazer caso desta Mensagem; os maus, porque, não vendo que o castigo de Deus já paira sobre eles por causa dos seus pecados, continuam também no seu caminho de maldade, sem fazer caso desta Mensagem. Mas - creia-me, Senhor Padre - Deus vai castigar o Mundo, e vai castigá-lo de uma maneira tremenda. O castigo do Céu está iminente.
       Senhor Padre, o que falta para 1960? E o que sucederá então? Será uma coisa muito triste para todos, não uma coisa alegre, se, antes, o Mundo não fizer oração e penitência. Não posso detalhar mais, uma vez que é ainda um segredo. (…)
       Esta é a Terceira parte da Mensagem de Nossa Senhora que ficará em segredo até 1960.
       Diga-lhes, Senhor Padre, que a Santíssima Virgem repetidas vezes - tanto aos meus primos Francisco e Jacinta como a mim - nos disse que ‘muitas nações desaparecerão da face da terra, que a Rússia seria o instrumento do castigo do Céu para todo o Mundo, se antes não alcançássemos a conversão dessa pobre nação’.
       Senhor Padre, o demónio está travando uma batalha decisiva contra a Virgem Maria. E como sabe que é o que mais ofende a Deus e o que, em menos tempo, lhe fará ganhar um maior número de almas, trata de ganhar para si as almas consagradas a Deus, pois que desta maneira deixa também o campo das almas desamparado e mais facilmente se apodera delas.
       O que aflige o Imaculado Coração de Maria e o Sagrado Coração de Jesus é a queda das almas dos Religiosos e dos Sacerdotes. O demónio sabe que os Religiosos e os Sacerdotes que caem na sua bela vocação, arrastam numerosas almas para o inferno. (…) O demónio quer tomar posse das almas consagradas. Tenta corrompê-las para adormecer as almas dos leigos e levá-las deste modo à impenitência final21.
O Padre Alonso
       Antes de falecer em 1981, o Padre Joaquín Alonso, que foi o arquivista oficial de Fátima durante dezasseis anos, testemunhou o seguinte:
       Seria, então, de toda a probabilidade que (…) o texto faça referências concretas à crise da Fé na Igreja e à negligência dos Seus próprios Pastores [e às] lutas intestinas no seio da própria Igreja e de graves negligências pastorais por parte das altas Hierarquias22.
       No período que precede o grande triunfo do Imaculado Coração de Maria, sucederão coisas tremendas que são objecto da terceira parte do Segredo. Que coisas serão essas? Se “em Portugal, se conservará sempre o dogma da Fé”, (…) pode claramente deduzir-se destas palavras que, em outros lugares da Igreja, estes dogmas vão tornar-se obscuros ou chegarão mesmo a perder-se23.
       Falaria o texto original (e inédito) de circunstâncias concretas? É muito possível que não só fale de uma verdadeira ‘crise de fé’ na Igreja durante este período intermédio, mas ainda, como acontece com o segredo de La Salette, por exemplo, que haja referências mais concretas às lutas internas dos Católicos ou às deficiências de Sacerdotes e Religiosos. Talvez se refira, inclusivamente, às próprias deficiências da alta Hierarquia da Igreja. Por isso, nada disto é alheio a outros comunicados que a Irmã Lúcia tenha feito sobre este assunto24.
O Cardeal Ratzinger
       Em 11 de Novembro de 1984, o Cardeal Ratzinger, chefe da Congregação para a Doutrina da Fé, deu uma entrevista à revista Jesus, uma publicação das Irmãs Paulinas. Intitulava-se “Aqui está o motivo de a Fé estar em crise”, e foi publicada com a autorização explícita do Cardeal. Nesta entrevista, o Cardeal Ratzinger admite que uma crise da Fé está a afectar a Igreja em todo o Mundo. Neste contexto, revela que leu o Terceiro Segredo, e que este se refere a «perigos que ameaçam a Fé e a vida do Cristão, e, consequentemente, do Mundo».
       O Cardeal confirma assim a tese do Padre Alonso, segundo a qual o Segredo se refere a uma apostasia generalizada na Igreja. Na mesma entrevista, o Cardeal Ratzinger diz que o Segredo também se refere à «importância dos Novissimi [os últimos tempos / as últimas coisas]», e que, «se não foi tornado público, pelo menos por agora, foi para impedir que a profecia religiosa viesse a descambar no sensacionalismo (…)» O Cardeal mais revela que «o conteúdo deste ‘Terceiro Segredo’ corresponde ao que é anunciado nas Sagradas Escrituras e que tem sido dito, muitas e muitas vezes, em várias outras aparições de Nossa Senhora, a começar por esta, de Fátima, no seu conteúdo já conhecido»25.
D. Alberto Cosme do Amaral
       Completamente de acordo com o Cardeal Ratzinger está D. Alberto Cosme do Amaral, terceiro Bispo de Fátima. Num discurso em Viena de Áustria, em 10 de Setembro de 1984, disse o seguinte:
       O conteúdo [do Terceiro Segredo] diz respeito, unicamente, à nossa Fé. (…) Identificar o [Terceiro] Segredo com anúncios catastróficos ou com um holocausto nuclear é deformar o sentido da mensagem. A perda de Fé de um continente é pior do que o aniquilar de uma nação; e a verdade é que a Fé está continuamente a diminuir na Europa26. [ênfase acrescentada]
O Cardeal Oddi
       Em 17 de Março de 1990, o Cardeal Oddi fez a seguinte declaração ao jornalista italiano Lucio Brunelli, publicada no jornal Il Sabato:
       Ele [o Terceiro Segredo] não tem nada a ver com Gorbachev. A Santíssima Virgem estava a avisar-nos contra a apostasia na Igreja.
O Cardeal Ciappi
       A estas testemunhas devemos acrescentar as palavras do Cardeal Mario Luigi Ciappi, que era, precisamente, o Teólogo pessoal do Papa João Paulo II. Numa comunicação particular com um certo Professor Baumgartner, em Salzburgo, o Cardeal Ciappi revelou que:
       No Terceiro Segredo prediz-se, entre outras coisas, que a grande apostasia na Igreja começará pelo cimo27.
       Todos estes testemunhos concordam com o que a própria Irmã Lúcia disse repetidas vezes - não só ao Padre Fuentes, acima citado, mas a muitas outras testemunhas fidedignas. Embora esteja limitada pelo seu compromisso de não divulgar o conteúdo preciso do Terceiro Segredo, os seus comentários, feitos a testemunhas de crédito, estão cheios de referências a homens da Igreja ... «engana[dos] por falsas doutrinas»; a uma «desorientação diabólica» que afecta «tantas pessoas que ocupam lugares de responsabilidade» na Igreja; a «Sacerdotes e (...) almas consagradas» que «andam tão iludidas e tão transviadas» porque o demónio «tem conseguido infiltrar o mal com capa de bem (...) tem consegiudo iludir e enganar almas cheias de responsabilidade, pelo lugar que ocupam! (...) São cegos a guiar outros cegos!»28.
Pio XII confirma
que o Segredo prevê a apostasia na Igreja
       Mas o testemunho talvez mais notável de todos, quanto a este assunto, embora de uma relevância indirecta, é o do Cardeal Eugenio Pacelli - antes de se tornar o Papa Pio XII - quando ainda era Secretário de Estado do Vaticano durante o reinado de Pio XI. Falando ainda antes de a Irmã Lúcia ter escrito o Terceiro Segredo, o futuro Pio XII fez uma profecia espantosa sobre uma futura convulsão na Igreja:
       As mensagens da Santíssima Virgem a Lúcia de Fátima preocupam-me. Esta persistência de Maria sobre os perigos que ameaçam a Igreja é um aviso do Céu contra o suicídio de alterar a Fé na Sua liturgia, na Sua teologia e na Sua alma. (…) Ouço à minha volta inovadores que querem desmantelar a Capela-Mor, destruir a chama universal da Igreja, rejeitar os Seus ornamentos e fazê-lA ter remorsos do Seu passado histórico.
       O biógrafo do Papa Pio XII, Monsenhor Roche, anotou que neste momento da conversa, Pio XII disse então (em reposta a uma objecção):
       Chegará um dia em que o Mundo civilizado negará o seu Deus, em que a Igreja duvidará como Pedro duvidou. Ela será tentada a acreditar que o homem se tornou Deus. Nas nossas igrejas, os Cristãos procurarão em vão a lamparina vermelha onde Deus os espera. Como Maria Madalena, chorando perante o túmulo vazio, perguntarão: “Para onde O levaram?”29.
       É realmente espantoso notar que o futuro Papa relacionava esta intuição aparentemente sobrenatural da devastação que se aproximava da Igreja especificamente com «as mensagens da Santíssima Virgem a Lúcia de Fátima» e com «esta persistência de Maria sobre os perigos que ameaçam a Igreja». Uma tal predição não teria qualquer sentido se se baseasse nas primeiras duas partes do Grande Segredo, que não mencionam coisas como «o suicídio de alterar a Fé na Sua liturgia, na Sua teologia e na Sua alma», ou «inovadores que querem desmantelar a Capela-Mor, destruir a chama universal da Igreja, rejeitar os Seus ornamentos e fazê-lA ter remorsos do Seu passado histórico.» E também não há qualquer indicação, nas duas primeiras partes, de que «Nas nossas igrejas, os Cristãos procurarão em vão a lamparina vermelha onde Deus os espera».
       Como é que o futuro Papa Pio XII sabia estas coisas? É evidente que lhe foi concedido um vislumbre sobrenatural, ou que tinha conhecimento directo de que uma parte das «mensagens da Santíssima Virgem a Lúcia de Fátima», que até então não tinha sido revelada, previa estes acontecimentos futuros na Igreja.
       Em resumo, todos os testemunhos acerca do conteúdo do Terceiro Segredo, desde 1944 até pelo menos 1984 (a data da entrevista de Ratzinger), confirmam que este se refere a uma perda catastrófica da Fé e da disciplina na Igreja, abrindo uma brecha às forças há tanto tempo alinhadas contra Ela - os “inovadores” que o futuro Papa Pio XII ouvia “à minha volta”, clamando pelo desmantelamento da Capela-Mor e por mudanças na liturgia e na teologia católicas.
       Como demonstraremos, esta brecha começou a ter lugar em 1960, precisamente no ano em que, como a Irmã Lúcia tinha insistido, a terceira parte do Segredo devia ser revelada. Mas, antes de voltarmos àquele ano decisivo - quando começou a dar-se o grande crime de que falamos -, temos de discutir primeiro o motivo que precedeu o crime. É o que iremos agora fazer.

Notas
1. Frère Michel, The Whole Truth About Fatima - Vol. III: The Third Secret (tradução inglesa, Immaculate Heart Publications, Buffalo, NY, 1990), p. 47.
2. Ibid., Cf. Padre Joaquín Alonso, “O Segredo de Fátima”, Fátima 50, Ano l -Nº 6, 13 de Outubro de 1967, p. 11.
3. Padre Joaquín Alonso, La verdad sobre el Secreto de Fátima (Centro Mariano, Madrid, Espanha, 1976), p. 60. Cf. também Frère Michel, The Whole Truth About Fatima - Vol. III, p. 651.
4. The Whole Truth About Fatima - Vol. III, p. 725.
5. Ibid., p. 727.
6. Frère François de Marie des Anges, Fatima: Tragedy and Triumph (Immaculate Heart Publications, Buffalo, NY, 1994), p. 45.
7. The Whole Truth About Fatima - Vol. III, p. 480.
8. Ibid., p. 481.
9. Ibid., p. 626.
10. Fatima: Tragedy and Triumph, p. 45.
11. Frère Michel de la Sainte Trinité, The Secret of Fatima ... Revealed (Immaculate Heart Publications, Buffalo, NY), p. 7.
12. Revue Médiatrice et Reine, Outubro de 1946, pp. 110-112. Cf. também The Whole Truth About Fatima - Vol. III, p. 470.
13. Padre Joaquín Alonso, La verdad sobre el Secreto de Fátima, pp. 46-47. Cf. também The Whole Truth About Fatima - Vol. III, p. 470.
14. Barthas, Fatima, merveille du XXe siècle, Fatima-Éditions, 1952, p. 83. Note-se que o Cónego Barthas publicou este relato depois de ter tido o privilégio de se encontrar novamente com a Irmã Lúcia, em 15 de Outubro de 1950, na companhia de Monsenhor Bryant, O.M.I., Vigário Apostólico de Athabasca-Mackenzie. Cf. The Whole Truth About Fatima - Vol. III, p. 472.
15. Novidades, 24 de Fevereiro de 1960, citado por La Documentation Catholique de 19 de Junho de 1960, col. 751. Cf. também The Whole Truth About Fatima - Vol. III, p. 472.
16. Padre Joaquín Alonso, La verdad sobre el Secreto de Fátima, p. 46. Cf. também The Whole Truth About Fatima - Vol. III, p. 475.
17. Ibid., p. 46. Cf. também The Whole Truth About Fatima - Vol. III, p. 478.
18. The Whole Truth About Fatima - Vol. III, p. 578.
19. Fatima: Tragedy and Triumph, p. 45.
20. The Whole Truth About Fatima - Vol. III, p. 710.
21. A tradução inglesa da entrevista dada pela Irmã Lúcia ao Padre Fuentes encontra-se na obra de Frère Michel The Whole Truth About Fatima - Vol. III, pp. 503-508. Frère Michel explica que o texto foi tirado da obra do erudito de Fátima, Padre Joaquín Alonso, La verdad sobre el Secreto de Fátima (pp. 103-106) e do texto do Padre Ryan, publicado na edição de Junho de 1959 de Fatima Findings e no Nº 8-9, Agosto-Setembro de 1961, da revista italiana Messaggero del Cuore di Maria. A entrevista da Irmã Lúcia ao Padre Fuentes foi publicada com o Imprimatur do Arcebispo Sanchez, de Veracruz (México).
22. The Whole Truth About Fatima - Vol. III, p. 704.
23. Padre Joaquín Alonso, La verdad sobre el Secreto de Fátima, Cf. The Whole Truth About Fatima - Vol. III, p. 687.
24. Ibid., pp. 705-706.
25. Ibid., pp. 822-823. Cf. também a revista Jesus, 11 de Novembro de 1984, p. 79, e ainda The Fatima Crusader, Nº 37, Verão de 1991, p. 7.
26. Fatima: Tragedy and Triumph, pp. 243-244. Cf. também The Whole Truth About Fatima - Vol. III, p. 676.
27. Cf. Padre Gerard Mura, “The Third Secret of Fatima: Has It Been Completely Revealed?”, na publicação periódica Catholic (publicada pelos Redentoristas Transalpinos, Ilhas Órcades, Escócia, Grã-Bretanha), Março de 2002.
28. Estas citações foram condensadas a partir de numerosas cartas que a Irmã Lúcia escreveu no início da década de 70 a dois sobrinhos que eram Sacerdotes, e a outros religiosos que conhecia. Padre S. Martins dos Reis, Uma vida ao serviço de Fátima (Escola tipografica das missões cucujães, Cucujães 1974), pp. 371-379. Cf. The Whole Truth About Fatima - Vol. III, pp. 754-758.
29. Roche, Pie XII Devant l'Histoire, pp. 52-53.

domingo, 18 de julho de 2010

O Cardeal Ratzinger sobre o Terceiro Segredo



Transcrito de “Le Troisième Secret” por Frère Michel de la Sainte Trinité

Em Novembro de 1984, apareceu numa revista italiana uma entrevista concedida em Agosto anterior pelo Cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, ao jornalista Vittorio Messori. Neste longo artigo, intitulado “Eis porque a Fé está em crise”, uma parte importante era dedicada a Fátima e ao Terceiro Segredo.1
Há alguns anos, esta entrevista do Cardeal ao jornalista italiano apareceu em livro,2 depois de ter sido alterada e revista a sua apresentação. As poucas páginas dedicadas ao Segredo de Fátima3 foram profundamente modificadas.
Nota do Editor: As passagens idênticas nas duas versões estão em itálico. As passagens na primeira versão que foram suprimidas na segunda estão em maiúsculas. Reproduzimos aqui apenas a versão de 11 de Novembro de 1984 das afirmações do Cardeal Ratzinger que foram publicadas — seguida pela análise que Frère Michel fez de ambas as versões.

VERSÃO DE NOVEMBRO DE 19844

NOSSA SENHORA COMO DEFESA DA FÉ. PORQUE É NECESSÁRIO VOLTARMO-NOS PARA MARIA.

“SIM, LI-O”
Novembro de 1984

A uma das quatro secções da Congregação cabe ocupar-se das aparições de Nossa Senhora.
«Cardeal Ratzinger, o Senhor Cardeal leu o chamado ‘Terceiro Segredo de Fátima’, que a Irmã Lúcia enviou ao Papa João XXIII e que este, não o querendo revelar, ordenou que fosse depositado nos arquivos [do Vaticano]?»
«Sim, li-o.»

PORQUE É QUE O SEGREDO NÃO FOI REVELADO?

«Porque não foi, então, revelado?»

1. «NÃO ACRESCENTARIA NADA»

«Porque, de acordo com a apreciação dos Papas, não acrescenta nada de novo àquilo que cada Cristão deve saber com respeito à Revelação: uma chamada radical à conversão; a absoluta seriedade da História; OS PERIGOS QUE AMEAÇAM A FÉ E A VIDA DO CRISTÃO, E, CONSEQUENTEMENTE, DO MUNDO. E, TAMBÉM, A IMPORTÂNCIA DOS ‘NOVÍSSIMOS’.»

2. O PERIGO DO «SENSACIONALISMO»

«Se [o Segredo] não foi tornado público — pelo menos por agora — foi para impedir que a PROFECIA RELIGIOSA viesse a descambar no sensacionalismo. MAS O CONTEÚDO DESTE ‘TERCEIRO SEGREDO’ CORRESPONDE AO QUE É ANUNCIADO NAS SAGRADAS ESCRITURAS e que tem sido dito, muitas vezes, em várias outras aparições marianas, a começar por esta, de Fátima, no seu conteúdo já conhecido. Conversão e penitência são condições essenciais para a salvação

I. As razões para a não-divulgação:
Dois pretextos inconsistentes

«Porque é que o Terceiro Segredo não foi revelado?» A resposta do Cardeal a esta pergunta não variou — e é um desapontamento. Com efeito, o Cardeal Ratzinger dá-nos duas razões para esta não-divulgação, e tanto uma como a outra são insignificantes. Ainda por cima, são contraditórias.

Um Segredo que não nos diria nada

«O Santo Padre acha (trata-se aqui da opinião pessoal de João Paulo II, expressa pelo Cardeal) que não acrescenta nada de novo àquilo que cada Cristão deve saber com respeito à Revelação, e também ao que se sabe do conteúdo das aparições marianas aprovadas pela Igreja, que apenas reconfirmaram a urgência da penitência, conversão, perdão, jejum.»
É incrível! O Segredo final de Nossa Senhora de Fátima não nos diria nada que nós já não soubéssemos . . . E é esta a razão para os Papas obstinadamente se recusarem a revelá-lo em quase trinta anos? Então a mensagem da Santíssima Virgem, que, segundo a Sua vontade expressa, devia ter sido revelada em 1960, será inútil e supérflua, ao contrário do resto da mensagem, que é, sem margem de dúvida, significativo e urgente?
É impensável, e ficamos espantados ao ver um Cardeal da Santa Igreja ousar apresentar uma argumentação tão improvável em nome do Papa. A não ser que o Cardeal apenas quisesse dizer que «as coisas contidas neste Terceiro Segredo» «correspondem», estão em harmonia, em perfeita coerência com os elementos da Revelação e com as mensagens de outras aparições marianas autênticas. Mas neste caso, há mais uma razão, e bem poderosa, para que os fiéis o conheçam!

O perigo do sensacionalismo

«Para evitar confundir profecia religiosa com sensacionalismo», para evitar «o perigo do sensacionalismo, da exploração do conteúdo» — eis o segundo motivo para justificar a não-revelação do Segredo!
Desta vez, a argumentação é completamente incrível. O nosso Padre [Abbé de Nantes] sublinhou o facto na sua “Carta Aberta ao Cardeal Ratzinger”, em Janeiro de 1985: «Como é que uma “profecia religiosa”, sem cor, odor ou sabor particular, pode levar ao “sensacionalismo”? E se este Segredo não traz nada de novo, por que razão foi ocultado nos últimos trinta e cinco anos? Se é do Céu, como é que pode ser inconsistente, ou inútil, ou inoportuno?! Porque é que adoptaram a posição indefensável — e, a longo prazo, a posição inaceitável, escandalosa e criminosa! — de, manhosamente, no-la recusar, de querer que caia no esquecimento do mundo, e ainda por cima depois do sinal recente de 13 de Maio de 1981! E novamente durante a peregrinação a Fátima em 13 de Maio de 1982? Não será porque este Terceiro Segredo comporta, em vinte linhas de um pequeno caderno de apontamentos, uma condenação e anulação de tudo o que tem acontecido na Igreja desde 1960 . . .?
«Insignificante, este Segredo vindo do Céu? Ora vamos! Sensacional é um termo pejorativo, e não é o mais apropriado. “Apocalíptico” é o único termo justo. Sabemo-lo de boa fonte: revela a parte do Apocalipse que deve acontecer no nosso tempo.»5
Sim, é certo: porque a grande profecia de Fátima anuncia não só a crise da Fé que começou em 1960, mas também as deficiências dos membros mais importantes da hierarquia, e porque denuncia — de maneira mais ou menos explícita, mas com suficiente clareza — as “grandes orientações conciliares” que abriram a Igreja à apostasia enquanto os Papas quiserem continuar a governar a Igreja no espírito do Concílio — exaltando a liberdade religiosa, heresia abominável, o ecumenismo, os ideais de 1789 e o culto do Homem —, eles nunca poderão revelar ao mundo as palavras da Rainha do Céu, que os condenam.
As modificações introduzidas pelo Cardeal Joseph Ratzinger à primeira versão da sua entrevista são, neste ponto preciso, altamente significativas.

II. O conteúdo do Terceiro
Segredo: a Verdade atraiçoada

De facto, em Novembro de 1984, certamente ainda impressionado pela leitura do Segredo, o Cardeal Ratzinger, ao mesmo tempo que tentava — de forma bastante desajeitada! — justificar a não-revelação, deu ao mesmo tempo uma ideia de verdades importantes a respeito do seu conteúdo. Já dissemos que, enquanto explicava que, «de acordo com a apreciação dos Papas, [o Terceiro Segredo] não acrescenta nada de novo àquilo que cada Cristão deve saber com respeito à Revelação», indicou quatro temas importantes desta Revelação, que também pertencem à Mensagem de Fátima. Mas nesta enumeração, qualquer leitor bem informado pode discernir facilmente o que corresponde à mensagem já conhecida: «uma chamada radical à conversão», que é a essência da mensagem pública, e igualmente do Primeiro Segredo; «a absoluta seriedade da História», que é o conteúdo do Segundo Segredo; e finalmente, o que exprime sem dúvida os temas essenciais e específicos do Terceiro Segredo: «Os perigos que ameaçam a fé e a vida do Cristão, e, consequentemente, do mundo. E, também, a importância dos ‘Novíssimos’.» Mais adiante, o Cardeal apontou mais outro elemento positivo do último Segredo: «Mas o conteúdo deste ‘Terceiro Segredo’ corresponde ao que é anunciado nas Sagradas Escrituras . . .» Já antes, referindo-se ao Segredo, empregara a expressão «profecia religiosa». Estava a dizer-nos que se trata realmente de uma profecia — o que sabemos por outras vias — e que corresponde às das Sagradas Escrituras.
Embora agrupados numa enumeração que pode parecer banal, vários temas importantes do Terceiro Segredo foram assim mencionados explicitamente pelo Cardeal.
Ora se tornarmos a ler a “versão aumentada”, o Cardeal apagou cuidadosamente — e com certeza não foi por falta de espaço! — aqueles poucos elementos precisos que nos informavam sobre o verdadeiro conteúdo do Segredo: «Os perigos que ameaçam a fé» . . . desapareceram. «A importância dos ‘Novíssimos’» também desapareceu. A concordância das profecias do Terceiro Segredo com as das Sagradas Escrituras já não é mencionada.
Mas, acima de tudo, o Cardeal houve por bem modificar, do princípio ao fim, o contexto em que falou sobre Fátima. É como se, num primeiro movimento de franqueza e lealdade, já tivesse dito de mais, infringindo a lei do silêncio — para não dizer dissimulação e mentira — que os Papas impuseram a Roma desde 1960, em relação a este terrível Segredo que lhes queima as mãos.
Seis meses antes, o Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé tinha-se referido à questão do Terceiro Segredo, num artigo intitulado «Eis porque a Fé está em crise». A secção dedicada ao Segredo tinha este duplo título: «Nossa Senhora como Defesa da Fé. Porque é necessário voltarmo-nos para Maria.» E começou assim:
«Se o discurso sobre Maria foi sempre essencial à Fé Cristã, hoje é indispensável e urgente, talvez mais do que em qualquer outro período da história da Igreja. No início do Concílio (admitiu o Cardeal Ratzinger), eu não compreendia certas fórmulas antigas, como, por exemplo, “Maria é inimiga de todas as heresias”. Outras, como de Maria, numquam satis (sobre Maria, nunca se pode dizer o bastante) pareciam-me excessivas. À medida que a situação mudava durante o Concílio, e depois, e à medida que estudava mais profundamente este tema, tive de mudar de opinião...» O nosso Padre comentou, na sua Carta Aberta ao Cardeal:
«Palavras espantosas, que em seguida Vossa Eminência justificaria luminosamente. Todos os grandes dogmas da nossa Fé estão tão intimamente ligados às glórias e privilégios de Maria que acreditar nestes é evitar todo o erro naqueles. Os dois dogmas mais antigos, a Virgindade Perpétua e a Maternidade Divina de Maria, tais como os dois mais recentes, a Imaculada Conceição e a Assunção, praticamente garantem a fé em Jesus, o Homem-Deus, e conservam os privilégios do Pai Todo Poderoso, Que pode intervir na própria matéria, etc. Reconhecem-se as preocupações actuais de Vossa Eminência em relação à Fé: levaram-no a considerar a fé em Maria simplesmente como a defesa da Fé. Como é, de facto!
«Vossa Eminência também considera favoravelmente a devoção mariana, se for correcta, de modo a garantir para a Fé a sua dimensão do coração, usando “coração” no sentido que Pascal lhe dava. Isto reconcilia a razão com o sentimento. E também, acrescenta Vossa Eminência, corresponde às expectativas das mulheres modernas, confrontadas com um certo feminismo, mostrando-lhes a dimensão feminina da sua profunda natureza, iluminada e singularmente valorizada pela Virgindade e Maternidade de Maria.
«Os verdadeiros devotos de Nossa Senhora acharão estas considerações teológicas um pouco secas. Não terão razão em as considerar supérfluas.»6
Neste contexto, onde se trata, acima de tudo, de uma questão de Fé, evoca-se Fátima. E a Santíssima Virgem foi proposta — exactamente na linha do Terceiro Segredo, acrescentemos — como o remédio para a presente crise da Fé.
É curioso, muito curioso, ver como, na nova versão, trata-se de Fátima no capítulo intitulado: «Mulheres, Uma Mulher».7 A Santíssima Virgem é agora apresentada como remédio . . . para os problemas das mulheres! Trata-se da ordenação das mulheres, da «“banalização” do sexo», do “feminismo no convento” e das Irmãs que agora vão ao psicanalista em vez de se confessarem, da queda vertiginosa das vocações religiosas femininas, do aggiornamento da vida religiosa, e chegamos, por fim, a . . . «Um remédio: Maria».8 Nesta altura, o Cardeal expõe «seis razões para não esquecer», antes de chegar, finalmente, às três páginas sobre Fátima. Estas páginas são colocadas sob um título inócuo, que não dá margem para qualquer interpretação «sensacionalista»: «Fátima e o seu meio».
Há aqui, pelo menos, uma mudança de perspectiva, e deu-se à primeira exposição uma série de retoques. Adivinha-se facilmente a razão oculta, deplorando-a ao mesmo tempo . . .

O Cardeal falou de mais!

Não há dúvida que a interpretação óbvia das declarações originais do Cardeal não foi muito apreciada em Roma, o que foi claramente expresso pelo nosso Padre na “Carta Aberta” que dirigiu ao Cardeal Ratzinger em Janeiro de 1985:
«Estamos imensamente gratos a Vossa Eminência por ter sido o primeiro a revelar-nos con franchezza — pelo menos até onde a reserva exigida pelo seu alto cargo, que o obriga a guardá-las, lhe permite — estas coisas que sempre nos foram ocultadas. E até depois do Padre Alonso (e nós, por nossa parte) as ter adivinhado, descoberto e publicado, continuaram a ser obstinadamente negadas e postas de lado! Portanto, este Segredo existe, Vossa Eminência leu-o, os Papas entenderam que não trazia nada de novo, e Vossa Eminência repete esta opinião sem a fazer sua.
«E enquanto éramos iludidos sobre o seu conteúdo, Vossa Eminência encontrou palavras tão precisas e colocadas em tal sequência que, para os especialistas, foi como se quisesse dizer-lhes que não se tinham enganado. O Padre Alonso tinha razão, nós temos razão: o Segredo não está “estritamente reservado ao Santo Padre” (Declaração do Cardeal Ottaviani, 11 de Fevereiro de 1967), não se refere apenas a Portugal (a tese do Padre Geraldes Freire)... Vou dizê-lo claramente: “Está a esgotar-se o tempo; se não nos convertermos depressa, cairemos na apostasia e morreremos em castigos terríveis, que se encontram entre os cataclismos, guerras, fomes e perseguições que os Livros Santos anunciam para a chegada do Tempo do Fim.”»
«Aqui está uma notícia de interesse prodigioso, dada pela primeira vez por uma pessoa de autoridade. Vossa Eminência leu o Segredo final, o único Segredo que, presentemente, tem uma importância absoluta e vital para a Igreja e para todo o mundo, implicando simultaneamente a salvação temporal e eterna de todos. Tenho a certeza de que foi a leitura deste extraordinário Segredo que mudou a maneira como Vossa Eminência encara o estado da Igreja e do mundo, e lhe deu a força de alma para dar este grande grito de alarme, este dossier sobre a crise da Fé...»
«Continuando as suas revelações, Vossa Eminência diz: “Se não foi tornado público, pelo menos por agora” (almeno per ora. Oh, como esta frase fraz bater os nossos corações com uma esperança maravilhosa!) . . .
«E, assim, estamos a dirigir-nos para a altura da sua indispensável revelação ao mundo. Vossa Eminência está intimamente persuadido disso, não está? Este Segredo, vindo do Céu, deve ser revelado como um derradeiro acto de misericórdia, uma derradeira oração, para que os homens se convertam!»9
Mas não! Seis meses mais tarde, Roma fechou de novo a porta — inexoravelmente — a esta grande esperança. É necessário continuar calado, dissimular, até mesmo mentir — mas não se pode permitir que os Fiéis adivinhem as palavras da sua Mãe Celestial, palavras essas que não concordam, de modo nenhum, com a nova linguagem que os Papas e Bispos reformadores usam há mais de trinta anos!
Ai de nós! Parece que tudo o que o Cardeal — cujo dever principal que lhe foi atribuído é precisamente a defesa da Fé — decidiu acrescentar, no seu livro, à sua exposição anterior sobre Fátima tem apenas um fim: confundir, enganar os seus leitores sobre o conteúdo autêntico do Terceiro Segredo, e distrair a sua atenção para longe da profecia que trata precisamente da perda da Fé, que era o seu dever remediar!
NOTAS:

  1. “Ecco perché la fede è in crisi”, na revista Jesus, p. 79.
  2. The Ratzinger Report, Ignatius Press, 1985.
  3. Ibid., p. 109-111, 118.
  4. Os subtítulos ao centro são da nossa responsabilidade.
  5. CRC 207, Janeiro de 1985, p. 12.
  6. CRC 207, Janeiro de 1985, p. 11-12.
  7. The Ratzinger Report, p. 93.
  8. Ibid., p. 104.
  9. CRC 207, Janeiro de 1985, p. 12.
fonte: http://www.fatima.org/port/crusader/cr64/cr64pg35.asp

L’11 novembre 1984, il Cardinale Ratzinger, allora a capo della Congregazione per la Dottrina della Fede, rilasciò un intervista alla rivista Jesus, pubblicata dalle Suore Paoline. L’intervista si intitolava: “Ecco perché la Fede è in Crisi”, e fu pubblicata con il permesso esplicito del Cardinale. In quest’intervista, il Cardinale Ratzinger rivelò di aver letto il Terzo Segreto, e che esso si riferiva ai “pericoli che incombono sulla fede e la vita del cristiano e quindi (la vita) del mondo. In quella stessa intervista, il Cardinale Ratzinger disse che il Segreto si riferiva anche all’ “importanza dei novissimi [gli Ultimi Tempi/ le ultime Cose]” e che “se non lo si pubblica – almeno per ora – è per evitare di far scambiare la profezia religiosa con il sensazionalismo…” Il Cardinale rivelò inoltre che “i contenuti di quel ‘Terzo Segreto’ corrispondono all’annuncio della scrittura e sono ribaditi da molte altre apparizioni Mariane, a cominciare da quella stessa di Fatima…”


Testimonianze Pubblicate:

Cardinal Ratzinger
(novembre 1984)

L’11 novembre 1984, il Cardinale Ratzinger, allora a capo della Congregazione per la Dottrina della Fede, rilasciò un intervista alla rivista Jesus, pubblicata dalle Suore Paoline. L’intervista si intitolava: “Ecco perché la Fede è in Crisi”, e fu pubblicata con il permesso esplicito del Cardinale. In quest’intervista, il Cardinale Ratzinger rivelò di aver letto il Terzo Segreto, e che esso si riferiva ai “pericoli che incombono sulla fede e la vita del cristiano e quindi (la vita) del mondo.
In quella stessa intervista, il Cardinale Ratzinger disse che il Segreto si riferiva anche all’ “importanza dei novissimi [gli Ultimi Tempi/ le ultime Cose]” e che “se non lo si pubblica – almeno per ora – è per evitare di far scambiare la profezia religiosa con il sensazionalismo…” Il Cardinale rivelò inoltre che “i contenuti di quel ‘Terzo Segreto’ corrispondono all’annuncio della scrittura e sono ribaditi da molte altre apparizioni Mariane, a cominciare da quella stessa di Fatima…”

Foto dell’originale estratto dalla rivista “Jesus”



Ecco una riproduzione fotografica della parte fondamentale dell’intervista al Cardinale Ratzinger, riguardante il Terzo Segreto, approvata da Sua Eminenza in persona nei primi giorni di ottobre e pubblicata nell’edizione dell’11 novembre 1984 della rivista Jesus. Il testo originale in Italiano riprodotto nella fotografia è stato pubblicato sul The Fatima Crusader, nell’edizione 37, Estate 1991. La traduzione in lingua inglese fu pubblicata sul The Fatima Crusader, numero 18 dell’ottobre-dicembre 1985, e sul The Fatima Crusader, Numero 37, Estate 1991 (con una tiratura di 1 milione di copie) – a tutt’oggi non è stata contestata da nessuno.


Ecco quindi il testo dell’intervista, approvata dallo stesso Cardinale Ratzinger nei primi giorni di ottobre del 1984.
A una delle quattro sezioni della Congregazione (per la Dottrina della Fede) spetta l’occuparsi di apparizioni mariane.

“Cardinal Ratzinger, lei ha letto il cosiddetto “Terzo Segreto di Fatima”, quello inviato da suor Lucia a papa Giovanni che non volle rivelarlo e ordinò di depositarlo negli archivi?” (nella risposta, il Cardinale Ratzinger disse:)

“Si, l’ho letto” (a questa risposta sincera fece seguito un’altra domanda:)

“Perché non viene rivelato?” (A questa domanda, il Cardinale dette la seguente risposta, assai indicativa:)

Perché, stando al giudizio dei Pontefici, non aggiunge nulla di diverso a quanto un cristiano deve sapere della rivelazione: una chiamata radicale alla conversione, l’assoluta serietà della storia, i pericoli che incombono sulla fede e la vita del cristiano e dunque del mondo. E poi, l’importanza dei “Novissimi” (gli ultimi eventi alla fine dei tempi). Se non lo si pubblica – almeno per ora – è per evitare di far scambiare la profezia religiosa con il sensazionalismo. Ma i contenuti di quel “Terzo Segreto” corrispondono all’annuncio della Scrittura e sono ribaditi da molte altre apparizioni mariane, a cominciare da quella stessa di Fatima, nei suoi contenuti noti. Conversione, penitenza, sono condizioni essenziali alla ‘salvezza’.
Nella parte dell’intervista mostrata qui sopra nella foto, il Cardinale afferma che il Terzo Segreto contiene una “profezia religiosa” che non può essere rivelata “per evitar di farla scambiare con il sensazionalismo”. Eppure il 26 giugno 2000, lo stesso Cardinale Ratzinger disse che il Terzo Segreto si riferisce solo ad eventi che sono già accaduti (culminati nel tentato omicidio del Papa avvenuto nel 1981) e non contiene alcuna profezia riguardante il futuro. Cosa ha spinto il Cardinale Ratzinger a cambiare la sua precedente testimonianza? Perché il 26 giugno 2000 egli ha suggerito che forse il Terzo Segreto potrebbe essere solo un parto dell’immaginazione di Suor Lucia? Il Cardinale crede realmente nel Messaggio di Fatima? Se non vi crede, allora la sua interpretazione personale del Messaggio di Fatima può essere considerata valida?
Nel giugno 1985, l’intervista apparsa il novembre dell’anno prima sulla rivista Jesus, venne pubblicata in un libro intitolato Il Rapporto Ratzinger. Riferimenti essenziali all’intervista, riguardanti i contenuti del Terzo Segreto, furono misteriosamente rimossi dal libro. Tale libro venne pubblicato in inglese, francese, tedesco ed italiano,   e raggiunse la tiratura di oltre 1 milione di copie. Malgrado le rivelazioni riguardanti il Terzo Segreto fossero state censurate, il libro ammetteva che la crisi della Fede, della quale Padre Alonso ci rivelò essere predetta dal Terzo Segreto, incombe già su di noi, e che essa avviluppa nelle sue spire il mondo intero.1
Per ulteriori informazioni sui temi ai quali alluse il Cardinale Ratzinger in questa intervista, vedi l’articolo “Il Vero Terzo Segreto”.
Note:

  1. Padre Paul Kramer, ed., La Battaglia Finale del Diavolo, (The Missionary Association, Terryville, Connecticut, 2002) pp. 33, 274-275. Vedi Frère Michel de la Sainte Trinité, Tutta la Verità su Fatima – Volume III: Il Terzo Segreto, (Immaculate Heart Publications, Buffalo, New York, U.S.A., 1990) pp. 822-823. Vedi inoltre la rivista Jesus, 11 novembre 1984, p. 79. Vedi anche The Fatima Crusader, numero 37, estate 1991, p. 7.
  2. Articoli Collegati: Il Vero Terzo Segreto Il Cardinale Ratzinger parla del Terzo Segreto di Fatima Nella serie delle “Testimonianze Pubblicate”: Padre Fuentes (1957) Neues Europa (1963) Padre Alonso (1975-1981) Papa Giovanni Paolo II a Fulda, Germania (1980) Lettera di Suor Lucia (1982) Il Vescovo di Fatima (10 settembre 1984) Altri Testimoni (1930 - 2003)

Il terzo segreto di Fatima

Nonostante l'intenzione dichiarata dal Papa di rivelarlo, a tutt'oggi ben 25 righe che suor Lucia Do Santos scrisse di suo pugno non sono ancora state rivelate. Cosa vogliono nascondere? Leggete le ipotesi, e il testo autentico del terzo segreto trapelato grazie a indiscrezioni diplomatiche (e mai smentito dal Vaticano).
SOMMARIO:
Vedi anche: Vaticano & dintorni



IL SEGRETO DI FATIMA È ANCORA TALE
un'inchiesta di JB
Lucia, 
Giacinta e Francesco Il 13 Ottobre 1917, dopo una serie di apparizioni cominciate a Maggio, la Madonna visita per l'ultima volta i bambini di Fatima: Lucia Do Santos e i suoi cuginetti Giacinta e Francisco Marto. Dopo il miracolo della "danza del sole", la Madre di Dio rivelò a Lucia un Messaggio speciale - il cosiddetto "segreto di Fatima". Le prime due parti (la predizione della Seconda Guerra Mondiale e l'ascesa e il crollo del comunismo in Russia) furono rese noti sùbito, mentre la terza parte, messa per iscritto già nel 1944, non doveva essere svelata prima del 1960.
Bisognerà invece aspettare il 13 Maggio 2000 quando, dopo quarant'anni di rinvii da parte dei diversi pontefici che da allora si sono succeduti, Giovanni Paolo II annuncia a sorpresa l'intenzione di pubblicare il testo del terzo segreto: "entro pochi giorni", aveva dichiarato il portavoce ufficiale della Santa Sede, Joaquin Navarro. Invece la pubblicazione slitta al 26 Giugno, dopo una lunga serie di ripetuti rinvii col pretesto di dover redigere un commento ufficiale (come osserva padre Paul Kramer del Centro di Fatima: "Le prime due parti del Segreto sono sufficientemente chiare in ciò che affermano e predicono. Non sembra credibile che la Terza Parte sia tanto oscura da richiedere una squadra di esperti che la decifri. La Madonna di Fatima non parlava per enigmi.").
LA VERSIONE UFFICIALE
dal Documento ufficiale del Vaticano
Suor Lucia Do
 Santos e Papa Giovanni Paolo II Scrivo in atto di obbedienza a Voi mio Dio, che me lo comandate per mezzo di sua Ecc.za Rev.ma il Signor Vescovo di Leiria e della Vostra e mia Santissima Madre.  Dopo le due parti che già ho esposto, abbiamo visto al lato sinistro di Nostra Signora un poco più in alto un Angelo con una spada di fuoco nella mano sinistra; scintillando emetteva fiamme che sembrava dovessero incendiare il mondo; ma si spegnevano al contatto dello splendore che Nostra Signora emanava dalla sua mano destra verso di lui: l'Angelo indicando la terra con la mano destra, con voce forte disse: Penitenza, Penitenza, Penitenza! E vedemmo in una luce immensa che è Dio: "qualcosa di simile a come si vedono le persone in uno specchio quando vi passano davanti" un Vescovo vestito di Bianco "abbiamo avuto il presentimento che fosse il Santo Padre". Vari altri Vescovi, Sacerdoti, religiosi e religiose salire una montagna ripida, in cima alla quale c'era una grande Croce di tronchi grezzi come se fosse di sughero con la corteccia; il Santo Padre, prima di arrivarvi, attraversò una grande città mezza in rovina e mezzo tremulo con passo vacillante, afflitto di dolore e di pena, pregava per le anime dei cadaveri che incontrava nel suo cammino; giunto alla cima del monte, prostrato in ginocchio ai piedi della grande Croce venne ucciso da un gruppo di soldati che gli spararono vari colpi di arma da fuoco e frecce, e allo stesso modo morirono gli uni dopo gli altri i Vescovi Sacerdoti, religiosi e religiose e varie persone secolari, uomini e donne di varie classi e posizioni. Sotto i due bracci della Croce c'erano due Angeli ognuno con un innaffiatoio di cristallo nella mano, nei quali raccoglievano il sangue dei Martiri e con esso irrigavano le anime che si avvicinavano a Dio.
Fatto alquanto strano, nel testo non figura il minimo accenno al vescovo vestito di bianco che "cade a terra come morto" di cui Sodano aveva parlato il 13 Maggio - quando tutti i mass-media avevano semplicisticamente (o sbrigativamente?) intitolato: "Il terzo segreto di Fatima era l'attentato al Papa del 1981". "Il 13 Maggio mi sono sbagliato.", rettifica il cardinale Sodano - come se fosse plausibile che avesse preso un'abbaglio, mentre stava leggendo una dichiarazione ufficiale davanti alle migliaia di pellegrini radunàti a Fatima in occasione della visita pastorale del Papa, e ai milioni di persone che lo seguivano in televisione!
Forse ancora più strano, la conclusione del messaggio non combacia affatto con l'ultima parte del terzo segreto che invece era già nota (il segreto riguardava solo 25 righe) - dove si affermava che "la Chiesa Cattolica sopravviverà in Portogallo ed altre nazioni" (il che peraltro stava ad indicare che altrove non sarebbe sopravvissuta).
Nè pare avere niente in comune col testo del terzo segreto che il Vaticano aveva inviato ad alcuni capi di stato negli anni '50 - testo che era stato reso noto grazie a un'indiscrezione diplomatica, e mai smentito dalla Santa Sede:
IL TESTO NON UFFICIALE MAI SMENTITO
da Videosoft
Non aver timore, cara piccola. Sono la Madre di Dio, che ti parla e ti domanda di rendere pubblico il presente Messaggio per il mondo intero. Ciò facendo, incontrerai forti resistenze. Ascolta bene e fa' attenzione a quello che ti dico:
Gli uomini devono correggersi. Con umili suppliche, devono chiedere perdono dei peccati commessi e che potrebbero commettere. Tu desideri che Io ti dia un segno, affinché ognuno accetti le Mie Parole che dico per mezzo tuo, al genere umano. Hai visto il Prodigio del Sole, e tutti, credenti, miscredenti, contadini, cittadini, sapienti, giornalisti, laici, sacerdoti, tutti lo hanno veduto. Ora proclama a Mio Nome:
Un grande castigo cadrà sull'intero genere umano, non oggi, né domani, ma nella seconda metà del Secolo XX. Lo avevo già rivelato ai bambini Melania e Massimino, a "La Salette", ed oggi lo ripeto a te, perché il genere umano ha peccato e calpestato il Dono che avevo fatto. In nessuna parte del mondo vi è ordine, e satana regna nei più alti posti, determinando l'andamento delle cose. Egli effettivamente riuscirà ad introdursi fino alla sommità della Chiesa; egli riuscirà a sedurre gli spiriti dei grandi scienziati che inventano le armi, con le quali sarà possibile distruggere in pochi minuti gran parte dell'umanità. Avrà in potere i potenti che governano i popoli, e li aizzerà a fabbricare enormi quantità di quelle armi. E, se l'umanità non dovesse opporvisi, sarò obbligata a lasciar libero il braccio di Mio Figlio. Allora vedrai che Iddio castigherà gli uomini con maggior severità che non abbia fatto con il diluvio.
Verrà il tempo dei tempi e la fine di tutte le fini, se l'umanità non si convertirà; e se tutto dovesse restare come ora, o peggio, dovesse maggiormente aggravarsi, i grandi e i potenti periranno insieme ai piccoli e ai deboli. Anche per la Chiesa, verrà il tempo delle Sue più grandi prove. Cardinali, si opporranno a Cardinali; Vescovi a Vescovi. Satana marcerà in mezzo alle Loro file, e a Roma vi saranno cambiamenti. Ciò che è putrido cadrà, e ciò che cadrà, più non si alzerà. La Chiesa sarà offuscata, e il mondo sconvolto dal terrore. Tempo verrà che nessun Re, Imperatore, Cardinale o Vescovo, aspetterà Colui che tuttavia verrà, ma per punire secondo i disegni del Padre mio.
Una grande guerra si scatenerà nella seconda metà del XX secolo. Fuoco e fumo cadranno dal Cielo, le acque degli oceani diverranno vapori, e la schiuma s'innalzerà sconvolgendo e tutto affondando. Milioni e Milioni di uomini periranno di ora in ora, coloro che resteranno in vita, invidieranno i morti. Da qualunque parte si volgerà lo sguardo, sarà angoscia, miseria, rovine in tutti i paesi. Vedi? Il tempo si avvicina sempre più, e l'abisso si allarga senza speranza. I buoni periranno assieme ai cattivi, i grandi con i piccoli, i Principi della Chiesa con i loro fedeli, e i regnanti con i loro popoli. Vi sarà morte ovunque a causa degli errori commessi dagl'insensati e dai partigiani di satana il quale allora, e solamente allora, regnerà sul mondo, in ultimo, allorquando quelli che sopravviveranno ad ogni evento, saranno ancora in vita, proclameranno nuovamente Iddio e la Sua Gloria, e Lo serviranno come un tempo, quando il mondo non era così pervertito.
Va, mia piccola, e proclamalo. Io a tal fine, sarò sempre al tuo fianco per aiutarti.
In sostanza: crisi della chiesa cattolica, grandi cambiamenti e Apocalisse di Giovanni. Questo testo sì, che combacia con quanto la stessa Lucia (prima che un ordine del Santo Uffizio le ingiungesse di non parlare se non con chi possedesse un permesso scritto) aveva consigliato alla nipote Maria Do Fetal: "Rileggi con particolare attenzione il capitolo XII dell'Apocalisse e avrai tutto". (Il che peraltro ha trovato riscontro nel successivo monito espresso da Giovanni Paolo II durante il suo secondo viaggio in Germania nel 1984: "Il mondo sta vivendo il XII capitolo dell'apocalisse".)
I mass-media banalizzano ("Chi si aspettava l'Apocalisse, rimarrà deluso") e rassicurano l'opinione pubblica (RAINEWS24, nel dare la notizia, censura la parte finale del terzo segreto, quella più spaventosa), e tornano a dare la questione per risolta - come peraltro avevano già fatto il 13 Maggio, liquidando la faccenda dicendo che il terzo segreto era l'attentato al Papa e stop.
Invece, la vicenda è tutt'altro che chiarita. L'hanno solo complicata un po', dimostrando nel contempo - con tutti questi sotterfugi, ritardi, contraddizioni, etc. - che sotto ci dev'essere qualcosa di grosso.
IPOTESI SUI REALI CONTENUTI DEL TERZO SEGRETO
Anni addietro, fu lo stesso Giovanni Paolo II a spiegare che il terzo segreto non veniva rivelato "per il contenuto impressionante e per non animare la forza del comunismo mondiale a certe ingerenze.. Inoltre, dovrebbe bastare ad ogni cristiano quanto segue: .. si legge (nel segreto), che oceani inonderanno interi continenti, che gli uomini verranno tolti alla vita, repentinamente, da un minuto all'altro, e cioè a milioni...", e molto giustamente aggiungeva: "Molti vogliono sapere solo per curiosità e sensazione; ma costoro dimenticano che il sapere porta con sé responsabilità... ma essi vogliono solo accontentare la curiosità."
Queste parole del Papa confermano che il messaggio diffuso ufficialmente è un falso (non vi figurano infatti accenni a catastrofi), e allo stesso tempo confermano il testo dilpomatico mai smentito. Ma neppure quello è completo, come ha dimostrato il prof. Francisco Sanchez Ventura y Pasqual - manca ancora qualcosa: "Potrebbe essere una rivelazione o profezia, tanto potente, da compromettere e abbattere totalmente il potere temporale della chiesa", dice l'autore.
Come osserva Bongiovanni:

.. Il terzo segreto di Fatima mette in chiara luce il profondo scisma che esiste all'interno della chiesa cattolica. Da una parte esiste un fortissimo potere economico legato agli scandali bancari, al riciclaggio del denaro sporco, e la corruzione che si è annidata all'interno della chiesa cattolica dagli inizi del Medio Evo fino ad oggi e dall'altra esiste la vera chiesa di Cristo fatta dai missionari e da coloro che dedicano anima e corpo al prossimo servendosi degli introiti economici a fin di bene. Rendere palese una tale divisione farebbe crollare il potere che la Chiesa temporale di oggi esercita indisturbata. La Madonna profetizza chiaramente la fine di questo tipo di chiesa e preannuncia la nascita di una chiesa spirituale in obbedienza profonda a ciò che il Cristo insegnò e per la quale donò la sua vita con la PASSIONE e la RESURREZIONE. .. Coloro che detengono il potere temporale ed economico dello Stato del Vaticano non vogliono che la gente sappia che il ritorno del Maestro Gesù è prossimo, anzi, che spiritualmente egli è già tornato, e che presto personificherà un essere umano per manifestarsi come promise egli stesso nelle sacre scritture. ..Anche la misteriosa morte di Giovanni Paolo I, è da ricondursi alle stesse motivazioni di interesse. Come noto, Papa Luciani fu trovato morto nel suo letto dopo soli 33 giorni di pontificato. La spiegazione che venne fornita di un presunto attacco cardiaco non ha mai convinto nessuno e le teorie avanzate sono molteplici. Tutti le ipotesi fino ad ora fatte e le relative indagini, portano a concludere che il neo papa fu assassinato e che anche in questo caso il movente è legato sia alla corruzione che esiste all’interno del Vaticano che al Terzo Segreto di Fatima.
Infatti, quando Giovanni Paolo I era ancora cardinale incontrò Lucia do Santos che lo avvertì che se avesse rivelato il Terzo Segreto di Fatima lo avrebbero ucciso. Pare invece che il Papa volesse proprio renderlo pubblico, ma solo dopo aver messo ordine all’interno della istituzione vaticana. Ciò significava liquidare tutti coloro che erano coinvolti in affari illeciti, primo fra tutti, il cardinale Marcinkus. Solo allora tutto il mondo avrebbe potuto comprendere il vero significato del Segreto di Fatima e la sua importanza. La chiesa sarebbe potuta risorgere sotto la giuda di un autentico vicario di Cristo che avrebbe potuto dimostrare a tutte le genti la grandezza del messaggio cristiano e la reale e concreta presenza della Madre Celeste nella vita di ognuno di noi e non solo come figura evanescente sulle cui apparizioni si specula da sempre.
Perchè Papa Giovanni Paolo II che è a conoscenza di tutto questo, tace?
Si avanza addirittura un'ipotesi extraterrestre:

Durante l'apparizione della Madonna a Fatima alla quale assistettero 70.000 persone, si manifestò il miracolo dei due soli, ciò ci dà ragione di credere che forze di natura superiore presenziarono all'evento. Con questo non si intende dire che la Madonna sia un extraterrestre, ma che ben presto l'uomo scoprirà che esseri che dimorano in altri pianeti ed universi sono devoti alle forze divine a Gesù Cristo e alla Madonna e che per questo sono redenti e sono coloro che nel passato venivano identificati anche come gli angeli. In questo modo si andrebbe incontro ad una rivoluzione filosofica per cui il nostro pensiero si sposterebbe da un'impostazione antropocentrica ad una cosmocentrica per cui l'uomo non appare più il centro dell'universo.
Come ha affermato padre Balducci (demonologo della Santa Sede) in un'intervista, confermando parzialmente il testo del terzo segreto (quello circolante da trent'anni ma mai avvallato dalla Chiesa):

Nel Terzo Segreto di Fatima si parla di due cose. Alla prima vi hanno fatto caso tutti, alla seconda pochissimi. La prima è una guerra nucleare prima della fine del millennio, e dal contesto si evince chiaramente. Infatti il testo parla dell'impiego di armi più potenti di mille soli. È chiaro di quali armi si tratta tenendo conto che il testo continua dicendo "i sopravvissuti invidieranno i morti". Si tratta di coloro che, sopravvivendo alle armi nucleari, soffriranno per le radiazioni. L'altro aspetto, meno noto, è la crisi dottrinale della Chiesa. .. "Sì, la Madonna nel Terzo Segreto di Fatima dice questo, ma nessuno ha notato che, prima di ogni cosa, Lei premette che tutto succederà se l'umanità non si ravvede". Quindi è tutto condizionato a questa premessa. Ma io sono ottimista. Noi, come uomini, possiamo influire nell'avverarsi di una profezia, spostandone la data e nell'intensità degli eventi profetizzati, mitigandoli. [..Per quanto riguarda un possibile intervento di intelligenze non terrestri nel caso che un simile cataclisma si verificasse,] Ho già detto che c'è la possibilità che questi esseri vengano in aiuto dell'umanità. In ogni caso non aspettiamoci l'aiuto di nessuno, deve essere l'uomo a cambiare e maturare.
Insomma: l'unica, triste verità circa la terza profezia è la seguente: probabilmente non ne verremo mai a capo.



IL MIRACOLO DELLA DANZA DEL SOLE
da Fatima.org
"Il Miracolo del Sole, si verificò nell'esatto momento annunciato da Lucia, quando più di 70.000 persone, inclusi massoni, comunisti e atei, videro il sole rotolare nel cielo contro ogni legge cosmica, spargere colori e discendere sulla terra. L'evento fu riportato dai giornali di tutto il mondo, compreso il New York Times." (Fatima.org)
Un'altra ragione per cui il messaggio di Fatima non può essere ignorato dai Cattolici, continua Padre Gruner, "è il grande Miracolo del Sole, verificatosi il 13 ottobre 1917, quando il sole ha danzato nel cielo per oltre 12 minuti. A questo miracolo pubblico, predetto con tre mesi di anticipo, assistettero oltre 70.000 persone, compresi alcuni non credenti, come il direttore del quotidiano portoghese O Seculo, che descrisse l'evento nel numero del 15 ottobre 1917. Questo miracolo conferma la veridicità del messaggio di Fatima e ci dà la certezza morale che esso proviene veramente da Dio. Quando 70.000 persone sono invitate con tre mesi di anticipo ad assistere a un miracolo pubblico che ha effettivamente luogo all’istante prefissato", conclude Padre Gruner, "abbiamo la certezza morale che è stato veramente il Cielo a parlare. Non abbiamo a che fare con una semplice rivelazione privata che chiunque sarebbe libero di disconoscere."



IL XII CAPITOLO DELL'APOCALISSE
Puoi scaricare gratuitamente l'intera Bibbia (e, se desideri, pure la versione originale in greco dell'Apocalisse di Giovanni) nell'area downloads
Nel cielo apparve poi un segno grandioso: una donna vestita di sole, con la luna sotto i suoi piedi e sul suo capo una corona di 12 stelle. [Poi] apparve un enorme drago ..: la sua coda trascinava giù un terzo delle stelle del cielo e le precipitava sulla terra. (è quello che hanno visto a fatima) .. Essa partorì un figlio maschio, destinato a governare TUTTE le nazioni con scettro di ferro, e il figlio fu subito rapito verso Dio e verso il suo trono. La donna invece fuggì nel deserto, ove Dio le aveva preparato un rifugio perchè vi fosse nutrita per 1260 giorni. .. Or quando il drago si vide precipitato sulla terra, si avventò contro la donna .. ma furono date alla donna le due ali della grande aquila [la fenice], per volare nel deserto [Gizah?] verso il rifugio preparato per lei [la camera segreta della Sfinge?] per esservi nutrita [nutrire lo spirito = "studiare", apprendere..]



IL TESTO SECONDO RAINEWS24
da RaiNEWS24
"6/26/00 14:57 Vaticano. Il terzo segreto non è l'Apocalisse. Chi si aspetta rivelazioni apocalittiche e definitive sulla rivelazione del terzo segreto di Fatima è destinato a restare deluso. Ratzinger: "non è obbligatorio crederci".
[Poi riportano quello che definiscono il testo completo:] "Dopo le due parti che ho gia' esposto abbiamo visto al lato sinistro di Nostra Signora un poco più in alto un Angelo con una spada di fuoco nella mano sinistra. Scintillando emetteva fiamme che sembrava dovessero incendiare il mondo; ma si spegnevano al contatto dello splendore che Nostra Signora emanava dalla sua mano destra verso di lui: l'Angelo,  indicando la terra con la mano destra, con voce forte disse: Penitenza, Penitenza, Penitenza. E vedemmo, in una luce immensa che è Dio: "Qualcosa di simile a come si vedono le persone in uno specchio quando vi passano davanti' un Vescovo vestito di Bianco 'abbiamo avuto il presentimento che fosse il Santo Padre'. Vidi altri Vescovi, Sacerdoti, religiosi e religiose salire una montagna ripida, in cima alla quale c'era una grande Croce di tronchi grezzi come se fosse di sughero con la corteccia".
[In realtà hanno tagliato l'ultimo paragrafo, "guarda caso" quello più impressionante: "il Santo Padre, prima di arrivarvi, attraversò una grande città mezza in rovina e mezzo tremulo con passo vacillante, afflitto di dolore e di pena, pregava per le anime dei cadaveri che incontrava nel suo cammino; giunto alla cima del monte, prostrato in ginocchio ai piedi della grande Croce venne ucciso da un gruppo di soldati che gli spararono vari colpi di arma da fuoco e frecce, e allo stesso modo morirono gli uni dopo gli altri i Vescovi Sacerdoti, religiosi e religiose e varie persone secolari, uomini e donne di varie classi e posizioni. Sotto i due bracci della Croce c'erano due Angeli ognuno con un innaffiatoio di cristallo nella mano, nei quali raccoglievano il sangue dei Martiri e con esso irrigavano le anime che si avvicinavano a Dio."]



"WE MAY NEVER KNOW FOR SURE"
from Parascope.com
.. At first, Lucia, Francisco and Jacinta had great difficulty trying to share what they had seen, because the government of Portugal was heavily opposed to religion at that time. The children were imprisoned and threatened with torture in a fruitless attempt to make them confess that their stories were lies.
Lucia said the first secret shown to them by Mary began with a terrifying vision of hell. Mary then indicated that the war would soon end, as World War I did in the following year. But Mary foresaw that a "night illuminated by an unknown light" would precede a "worse war" in which "The good will be martyred" and "The Holy Father will have much to suffer." On January 25, 1938, a remarkable display of aurora borealis was visible across Europe, the year before World War II began.
The second secret involved the future of Russia. Lucia says Mary revealed that Russia would "spread her errors throughout the world, promoting wars," and that "Various nations will be annihilated." Many believe this is a direct prophecy of the spread of communism. "I shall come to ask for the consecration of Russia to My Immaculate Heart," continues the account of Mary's revelation. "If people attend to My requests, Russia will be converted and the world will have peace." Some interpret Pope John Paul II's 1984 consecration of Russia as fulfilling the prophecy, and paving the way for the subsequent collapse of the Soviet Union as the "conversion" of Russia.
Lucia wrote down the third secret, sealed it, and entrusted it to Portugal's Bishop of Leiria, with instructions that it was not to be read until 1960. The Bishop turned the envelope over to the Vatican. Pope John XXIII reportedly opened the envelope when 1960 arrived, but refused to divulge its contents, saying, "This prophecy does not relate to my time." Pope John Paul II is said to have also read the it, and refuses to reveal it on the grounds that its true spiritual message has been obscured by sensationalism.
And so the prophecy remains a mystery to this day. It has been speculated that the third secret must be truly horrifying in nature, perhaps detailing the end of the world in nuclear war. Russia is likely to be involved in the prophecy, and 1960 was the year in which the U.S. nuclear stockpile reached its highest level, with the Cuban Missile Crisis bringing the world to the brink of destruction two years later. Another theory is that the third secret intimates dangers posed to the Catholic Church by corruption from within, news that an indignant Vatican would be reluctant to disclose. We may never know for sure.



IL TERZO SEGRETO RIVELATO!
di Frère Michel della Santa Trinità
Suor Lucia .. rivelò le prime due parti nel 1941. La terza parte venne scritta tra il 2 e il 9 gennaio del 1944, .. dopo che Nostra Signora di Fatima le apparve confermando che Dio voleva veramente che la terza parte del Segreto (comunemente chiamata il Terzo Segreto) venisse scritta in quel momento. .. Nostra Signora aveva chiesto che la terza parte del Segreto fosse conosciuta dai fedeli non oltre il 1960. .. Noi ora stiamo vivendo nell'era del Terzo Segreto.
.. Il Terzo Segreto è stato svelato da Frère Michel.. La sua conclusione è la stessa di Padre Alonso, per 16 anni archivista ufficiale di Fatima. .. Il Messaggio di Fatima .. una volta conosciuto da tutti preserverà la Chiesa e il mondo dai poteri dell'Anticristo. Al momento attuale questi poteri satanici cercano di trascinare milioni di anime alla rovina eterna e di rendere il mondo intero schiavo dell'Anticristo, mentre varie nazioni saranno "annientate" e "cancellate dalla faccia della terra". .. Questo segreto è la chiave per evitare ciò che Papa Giovanni Paolo II a Fatima ha chiamato "le minacce più apocalittiche che sovrastano le nazioni e l'intero genere umano".
[Sebbene il testo del terzo segreto non sia stato ancora rivelato..], dopo più di 40 anni, siamo venuti a conoscenza di alcuni fatti che lo riguardano. Essi formano oggi un'impressionante quantità di informazioni sicure nelle quali lo storico può rintracciare con precisione la sua storia completa ed esporne il contenuto essenziale con un considerevole grado di certezza.
.. Fu nel luglio-agosto del 1941, nella terza parte delle sue Memorie, che Suor Lucia menzionò per la prima volta la divisione in tre parti distinte del Segreto di Fatima. "Il segreto è composto da tre argomenti distinti", scrive "e io ne posso svelare solo due". Il primo è la visione dell'inferno e la designazione dell'Immacolato Cuore di Maria come supremo rimedio offerto da Dio all'umanità per la salvezza delle anime. "Al fine di salvarle, Dio vuole stabilire nel mondo la devozione al Mio Cuore Immacolato". Il secondo è la grande profezia riguardante una pace miracolosa che Dio vuole garantire al mondo attraverso la Consacrazione della Russia al Cuore Immacolato di Maria e la pratica della Comunione Riparatrice il Primo Sabato del mese "Se la gente presta ascolto ai miei ordini, la Russia sarà convertita e il mondo avrà pace". E c'è anche l'annuncio di terribili punizioni se si persiste nel non ubbidire alle Sue richieste. Riguardo alla terza parte del Segreto, nel 1941, Suor Lucia dichiara che per il momento non le è permesso di rivelarlo.
Suor Lucia .. Nel giugno del 1943 improvvisamente cadde gravemente ammalata. .. Monsignor da Silva, Vescovo di Leiria e Fatima, iniziò a preoccuparsi: temeva che Suor Lucia morisse senza aver prima rivelato il Terzo Segreto .. Il 15 settembre 1943, il Vescovo da Silva andò quindi a Tuy e chiese a Suor Lucia di scrivere il Segreto "se essa voleva farlo davvero". Ma la veggente, indubbiamente sotto l'impulso dello Spirito Santo, non si accontentò di questo ordine così vago e chiese al suo Vescovo un ordine scritto, formale e perfettamente chiaro .. Infine a metà ottobre del 1943, il Vescovo da Silva si decise e scrisse a Suor Lucia, dandole l'ordine espresso che essa aveva ardentemente desiderato. Nuove difficoltà sarebbero comunque sorte. Suor Lucia quella volta soffrì di un dolore terribile e misterioso per almeno tre mesi. Essa riferì che ogni volta che si sedeva al suo tavolo di lavoro e prendeva la penna per scrivere il Segreto, si trovava nell'impossibilità di farlo. .. La Vigilia di Natale, Suor Lucia confidò alla sua guida di non essere ancora in grado di ubbidire all'ordine che le era stato dato. Infine il 2 gennaio 1944 (ciò è poco conosciuto) la Stessa Beata Vergine Maria apparve nuovamente a Lucia. Ella le confermò che questa era veramente la Volontà di Dio e le diede la luce e la forza di portare a termine il compito che le era stato ordinato. .. Essa non voleva affidarlo ad altri che non fosse un Vescovo. E fu Monsignor Ferreira, Arcivescovo di Gurza, a ricevere dalle mani di Suor Lucia la busta sigillata con la ceralacca contenente il prezioso documento. Egli lo consegnò la sera stessa al Vescovo da Silva.
La prima persona a ricevere il Segreto fu il Vescovo da Silva ed egli avrebbe potuto leggerlo immediatamente. Suor Lucia gli disse di farlo per ordine della Beata Vergine. Ma egli, spaventato dalla responsabilità che avrebbe dovuto assumersi, non osò, non desiderava conoscerlo. Cercò allora di affidarlo al Sant'Uffizio, ma Roma rifiutò di riceverlo. Ci fu allora un accordo in base al quale, nel caso il Vescovo da Silva fosse morto, la busta sarebbe stata affidata al Cardinale Cerejeira, Patriarca di Lisbona. E' quindi falso sostenere, come è stato ripetuto così spesso dopo il 1960, che il Terzo Segreto è destinato esplicitamente ed esclusivamente al Santo Padre!
.. Suor Lucia voleva che Papa Pio XII conoscesse il Segreto senza ulteriore indugio. Sfortunatamente ciò non accadde.
Constatando il rifiuto del Vescovo da Silva di aprire la busta, Suor Lucia "gli promise "secondo le parole del Canonico Galamba" che il Terzo Segreto sarebbe stato aperto e letto al mondo dopo la di lei morte o nel 1960, qualsiasi cosa fosse accaduta prima". ..
Infine, questa promessa di svelare il Segreto immediatamente dopo la morte di Suor Lucia, o in ogni caso "non oltre il 1960", corrisponde sicuramente a una richiesta fatta dalla Stessa Vergine Maria. Infatti, quando nel 1946, il Canonico Barthas chiese alla veggente perché fosse necessario aspettare fino al 1960, Suor Lucia gli rispose, in presenza del Vescovo da Silva, "perché la Beata Vergine desidera così".
.. Dio desiderava e voleva che il Segreto finale di Nostra Signora venisse infine creduto dai Pastori della Chiesa e reso pubblico ai fedeli. Ciò doveva avvenire o nel 1944 o al più tardi nel 1960 perché come Suor Lucia spiegò ulteriormente, "in quel momento sarebbe divenuto più chiaro".
.. nel 1957, il Sant'Uffizio (che l'aveva rifiutato nel 1944, vedi sopra) ne richiese il testo, conservato fino ad allora nel palazzo del Vescovo di Leiria e Fatima. Chi prese questa iniziativa? Con quale intenzione? Un'analisi dettagliata dei fatti mi rende possibile formulare un'ipotesi plausibile, ma non sono arrivato ad alcuna certezza.
A metà del marzo del 1957 il Vescovo da Silva affidò al Vescovo Ausiliario Venancio la responsabilità di consegnare il prezioso documento al Vescovo Cento, a quel tempo Nunzio Apostolico a Lisbona. Il Vescovo Venancio implorò il suo Vescovo di leggere il Segreto e di farne una copia prima di mandare il manoscritto a Roma, ma l'anziano vescovo persisté nel suo rifiuto. Il Vescovo Venancio, che mi aveva riferito ciò il 13 febbraio 1983 a Fatima, si era limitato a osservare la busta mettendola controluce. Potè vedervi dentro un piccolo foglio del quale misurò l'esatta dimensione. In questo modo sappiamo che il Terzo Segreto non è molto lungo, probabilmente da 20 a 25 righe, circa la stessa lunghezza del Secondo Segreto. ..Il 16 aprile 1957, la busta sigillata giunse a Roma. Cosa accadde di essa? Venne riposta nello studio di Papa Pio XII in un piccolo stipo recante la scritta "Segreto del Sant'Uffizio".
.. Papa Pio XII Ha Letto il Segreto? Per quanto possa sembrare sorprendente, la risposta è quasi certamente "No". .. notevoli le testimonianze del Cardinale Ottaviani e di Monsignor Capovilla, Segretario di Papa Giovanni XXIII, che ci confermarono che la busta era ancora sigillata quando il Santo Padre l'aprì nel 1959, un anno dopo la morte di Papa Pio XII. Si comprendono, quindi, le solenni parole che Suor Lucia indirizzò il 26 dicembre 1957 a Padre Fuentes.. : "la Beata Vergine è molto triste, perché nessuno attribuisce alcuna importanza al Suo Messaggio ... Né i buoni, né i cattivi ....
I buoni continuano per la propria strada senza prestare attenzione al Messaggio ... Io non posso fornire altri dettagli, poiché è ancora un segreto ... Solo il Santo Padre e Sua Eccellenza il Vescovo di Fatima potrebbero venirne a conoscenza secondo la Volontà della Beata Vergine ....Ma essi non desiderano conoscerlo perché non vogliono esserne influenzati".
..All'avvicinarsi del 1960 .. l'intera Cristianità aspettava fiduciosamente la promessa di rivelare pubblicamente il Segreto. [In Italia..] nel 1959 vi fu in tutto il paese un grande movimento di devozione all'Immacolato Cuore di Maria. Per diversi mesi la Vergine di Fatima percorse in tutti i sensi la penisola .. Il 13 settembre 1959 tutti i Vescovi della nazione consacrarono solennemente l'Italia all'Immacolato Cuore di Maria. Purtroppo questo movimento fu così poco incoraggiato da Papa Giovanni XXIII che il suo silenzio e le sue riserve non poterono passare inosservate.
Sappiamo che Papa Giovanni XXIII ricevette la lettera del Terzo Segreto a Castelgandolfo il 17 agosto 1959, portata da Monsignor Philippe, allora funzionario del Sant'Uffizio. .. Papa Giovanni XXIII non aprì subito la lettera. Egli si accontentò di dichiarare "Sto aspettando di leggerla con il mio confessore". "La lettura del Segreto", affermò con precisione Monsignor Capovilla,"avvenne pochi giorni dopo". "Ma a causa di difficoltà sorte davanti ad alcune espressioni peculiari alla lingua straniera, fu richiesta l'assistenza del traduttore portoghese del Segretariato di Stato, Monsignor Paulo Jose Tavarez", che in seguito divenne Vescovo di Macao. Papa Giovanni XXIII la lesse al Cardinale Ottaviani, Prefetto del Sant'Uffizio.
.. Nel 1960 era evidente che la Chiesa aveva già ufficialmente riconosciuto la Divina autenticità delle apparizioni di Fatima .. Secondo l'ordine della Beatissima Vergine trasmesso per mezzo di Suor Lucia, i due prelati in carica, il Vescovo di Leiria e il Patriarca di Lisbona hanno iniziato a rivelare pubblicamente il completo contenuto di esso al più tardi dal 1960. Per più di 15 anni, non è apparsa alcuna dichiarazione autorevole a smentire queste ripetute promesse rese note in tutto il mondo da Cardinali, Vescovi e famosi esperti di Fatima quali il Canonico Galamba, il Canonico Barthas o Padre Messias Dias Coelho.
.. Purtroppo l'8 febbraio 1960, improvvisamente si apprese da un semplice comunicato stampa che il Terzo Segreto di Fatima non sarebbe stato rivelato. Fu una decisione anonima, per sua stessa natura assolutamente irresponsabile. .. Il comunicato ufficiale del Vaticano aveva presentato soltanto scuse inconsistenti e persino contraddittorie. Questo anonimo comunicato stampa terminava anche in modo ingannevole: "Benché la Chiesa riconosca le apparizioni di Fatima, essa non desidera assumersi la responsabilità di garantire la veridicità delle parole che i tre pastorelli dissero che furono indirizzate loro dalla Vergine Maria" [- il che] getta, pubblicamente e senza alcuna valida ragione, il più ignominioso sospetto sulla credibilità di Suor Lucia e sull'intero Messaggio di Fatima! ..le Autorità portoghesi in carica furono trascurate in modo odioso. Né il Vescovo Venancio né il Cardinale Cerejeira erano stati consultati o avvisati da Roma.
.. ci si scoraggia davanti ai massicci esempi di incoerenza, inaccuratezza e falsità che sono stati espressi riguardo a Fatima dalle autorità responsabili nella stessa Roma. Questo vi dice quanto la decisione di disattendere l'espressa volontà dell'Immacolata Vergine .. fosse ingiustificata e ingiustificabile..: ignorando le profezie e le richieste di Fatima, la Vergine Maria e Dio Stesso sono stati ignorati, e sono stati scherniti di fronte al mondo.
Il Cardinale Ottaviani riferì che Papa Giovanni XXIII collocò il Segreto "in uno di quegli archivi che sono come un pozzo profondissimo e oscuro, nel fondo del quale le carte cadono e nessuno può vederle più". .. Paolo VI adottò senza esitazione lo stesso atteggiamento. Eletto il 21 giugno 1963, qualche tempo dopo richiese il testo del Segreto. .. Poiché nessuno sapeva cosa ne avesse fatto Papa Giovanni XXIII, venne interrogato il suo segretario, Monsignor Capovilla, che indicò il luogo dove il manoscritto era stato riposto. A questo punto Papa Paolo VI lo lesse sicuramente, ma non disse nulla. .. l'11 febbraio 1967 .. il Cardinale Ottaviani fece, in nome del Papa, una lunga dichiarazione sul Terzo Segreto di Fatima, per spiegare che esso non sarebbe stato ancora rivelato. .. per giustificare a ogni costo la mancata rivelazione del Segreto, il Prefetto del Sant'Uffizio, supremo garante della verità nella Chiesa, fu costretto ad accumulare una massa di menzogne evidenti e incoerenti.
.. Papa Giovanni Paolo I era molto devoto a Nostra Signora di Fatima: egli andò in pellegrinaggio a Cova da Iria nel 1977 e, fatto molto strano, Suor Lucia stessa chiese di incontrarlo. Il Cardinale Luciani andò quindi al Carmelo di Coimbra e conversò a lungo con la veggente. .. Suor Lucia parlò con lui del Terzo Segreto e gliene rivelò il contenuto essenziale. Egli ne fu fortemente impressionato e, al momento del suo ritorno in Italia, informò il suo entourage di quanto ne fosse stato commosso e quanto serio fosse il Messaggio. Diventando Papa, egli desiderava senza dubbio, prima di agire, preparare l'opinione pubblica. Sfortunatamente ci fu tragicamente portato via prima di poter dire qualcosa.
Papa Giovanni Paolo II, prima di andare in pellegrinaggio a Fatima il 13 maggio 1982, chiese alla Curia un interprete portoghese che gli traducesse alcune espressioni del Segreto peculiari a questa lingua. Anch'egli, quindi, ha letto il Terzo Segreto, ma ha scelto di non renderlo pubblico. Sappiamo infine che anche il Cardinale Ratzinger lo ha letto, poiché ne parlò al giornalista italiano Vittorio Messori. Il Cardinale Ratzinger ne ha anche scritto in due occasioni, nel novembre del 1984 e nel giugno 1985, alludendo al suo contenuto in termini molto diversi.
.. sicuramente non siamo ancora giunti al momento annunciato dalla conclusione del Segreto .. perché la Russia non è stata ancora consacrata all'Immacolato Cuore di Maria come dovrebbe essere, e come sarà un giorno. Suor Lucia lo ha fatto sapere con chiarezza perfino dopo l'Atto del 25 marzo 1984 [In questa data Papa Giovanni Paolo II consacrò il mondo all'Immacolato Cuore di Maria, menzionando indirettamente la Russia (senza citarne il nome), dopo aver chiesto a tutti i vescovi del mondo di unirsi a questo atto dalle rispettive diocesi. In realtà non tutti i vescovi si unirono al Papa e l'atto di Consacrazione celebrato non era quanto richiesto da Nostra Signora.]. .. Per questa ragione, non siamo ancora al termine della profezia.
La Vergine aveva chiesto che il Segreto venisse reso pubblico nel 1960, perché Lucia disse al Cardinale Ottaviani: "Nel 1960 il Messaggio apparirà più chiaramente". Ora, la sola ragione che può rendere una profezia più chiara da una data specifica in poi, senza alcun dubbio, è l'inizio del suo avverarsi.
.. il "Segreto" messo in circolazione nel 1963 dalla rivista tedesca "Neues Europa" e che è stato continuamente ristampato su innumerevoli riviste, è un falso: .. per essere semplici "estratti" del vero Segreto sono almeno quattro volte troppo lunghi per adattarsi al foglio di carta sul quale Lucia scrisse l'intero Terzo Segreto.
Si possono scartare anche una gran quantità di false ipotesi. Certamente non si tratta di un semplice "invito alla preghiera e alla penitenza", come Padre Caprile osa proclamare! La Vergine Maria non avrebbe chiesto a Lucia di attendere il 1944 o il 1960 per divulgare un messaggio che avrebbe ripetuto parola per parola il Suo Messaggio pubblico del 13 ottobre 1917!
Non si tratta nemmeno di un soggetto che riguarda la felicità: .. "Se fosse stato piacevole" disse giustamente il Cardinal Cerejeira, "ci sarebbe stato detto. Poiché non ci è stato detto riferito nulla, deve trattarsi di una cosa dolorosa". ..Nemmeno può trattarsi dell'annuncio della fine del mondo .. questa predizione di castighi materiali, di nuove guerre e di persecuzioni contro la Chiesa costituiscono lo specifico contenuto del Secondo Segreto. .. tutte le punizioni materiali che ancora ci minacciano, persino le più spaventose come la guerra nucleare, o l'espansione del comunismo sull'intero pianeta, sono già state predette da Nostra Signora nel Suo Secondo Segreto.. Possiamo essere certi, secondo Padre Alonso, che nessuno di questi castighi materiali è ripetuto nella terza parte del Segreto. O almeno, aggiungerei, se qualche allusione a esso viene ripetuta (come è proprio possibile), questa non sarà il messaggio essenziale del Terzo Segreto: .. si può essere certi che la terza parte del Segreto non ripeterà in uno spazio di poche righe lo stesso soggetto della seconda parte.
Indubbiamente il Terzo Segreto si riferisce principalmente a un castigo spirituale. Di gran lunga peggiore, ancora più spaventoso delle carestie, delle guerre e delle persecuzioni, perché riguarda le anime, la loro salvezza o la loro eterna dannazione. Il defunto Padre Alonso, nominato nel 1966 archivista ufficiale di Fatima dal Vescovo Venancio, ha dimostrato che ciò è quanto contiene il Terzo Segreto.
.. Il 10 settembre 1984, il Vescovo Cosme do Amaral, attuale Vescovo di Leiria e Fatima, nell'Aula Magna dell'Università della Tecnica di Vienna, dichiarò ..: "Il Terzo Segreto di Fatima non parla né di bombe atomiche né di testate nucleari, né di missili SS20. Il suo contenuto", ha aggiunto "riguarda solamente la nostra Fede. Identificare il Segreto con annunci catastrofici o con un olocausto nucleare vuol dire distorcere il significato del Messaggio. La perdita della Fede di un continente è cosa peggiore dell'annientamento di una nazione; ed è vero che, in Europa, la Fede è in continua diminuzione" [Il Vescovo poteva fare questa affermazione così grave perché è un dogma della Chiesa Cattolica che per essere salvato dalle fiamme eterne dell'inferno ogni Cattolico non deve perdere la Fede. Ovviamente l'annientamento fisico non è un male così grave come la perdita eterna delle anime nell'inferno. Ecco perché questa punizione proclamata nel Terzo Segreto è peggiore della guerra e della morte.]. .. Ciò significa che la tesi di Padre Alonso è ora confermata pubblicamente dal Vescovo di Fatima: concerne la terribile crisi all'interno della Chiesa. Si tratta della perdita della Fede nella nostra era predetta dall'Immacolata Vergine ..
.. "In Portogallo il dogma della Fede sarà sempre custodito, ecc.". Questa breve frase che la veggente aggiunse intenzionalmente e con sicurezza quando scrisse per la seconda volta .. la conclusione del [terzo] Segreto nelle sue Memorie .. ci fornisce in modo molto discreto la chiave del Terzo Segreto. Ecco il ragionevole commento di Padre Alonso: "In Portogallo il dogma della fede sarà sempre custodito". Questa frase implica in tutta chiarezza lo stato di crisi della Fede che avverrà nelle altre nazioni. Vi sarà quindi una crisi della Fede, mentre il Portogallo la salverà. .. Se 'In Portogallo i dogmi della Fede saranno sempre custoditi' si può dedurre con assoluta chiarezza che in altre parti della Chiesa questi dogmi stanno diventando oscuri o potranno persino andare perduti".
.. Aggiungeremo che il Cardinale Ratzinger stesso ha parlato in tal senso a Vittorio Messori, affermando che il Terzo Segreto riguarda "i pericoli che minacciano la Fede e la vita dei Cristiani".
.. il Terzo Segreto insiste sulle pesanti responsabilità delle anime consacrate, dei preti e persino degli stessi Vescovi in questa crisi della Fede senza precedenti che da 25 anni ha colpito la Chiesa. [Per] citare Padre Alonso: "E' quindi assolutamente probabile che il testo del Terzo Segreto faccia allusioni concrete alla crisi della fede nella Chiesa e alla negligenza degli stessi pastori". Egli parla inoltre di "lotte interne proprio in seno alla Chiesa e di gravi negligenze pastorali da parte delle alte gerarchie", e di "deficienze da parte della più alta gerarchia della Chiesa". [Questo..] spiega infine perché i Papi, fin dall'ottimista Giovanni XXIII, hanno esitato, ritardato e incessantemente rimandato la sua pubblicazione, cercando a ogni costo di tenerlo nascosto.
.. Già nel 1957 [suor Lucia] aveva confidato a Padre Fuentes: "La Santissima Vergine mi ha detto che il demonio sta per ingaggiare una battaglia decisiva contro di Lei. .. Egli compie qualsiasi cosa per conquistare anime consacrate a Dio, perché in tal modo riuscirà a fare in modo che le anime dei fedeli vengano abbandonate dalle loro guide e per lui sarà quindi più facile impadronirsene".
.. Il 16 settembre 1970, Suor Lucia scrive a un religioso suo amico:"E' doloroso vedere una confusione così grande, e in tante persone che occupano posti di responsabilità! .. Il fatto è che il demonio riesce a presentare il male sotto l'apparenza del bene, e i ciechi stanno cominciando a guidare gli altri. .. Con gioia mi sacrifico e offro la mia vita a Dio per la pace nella Sua Chiesa, per i preti e per tutte le anime consacrate, specialmente per coloro che sono così ingannati, fuorviati!"
.. Il male si trova anche nella Chiesa stessa, dove il demonio ha i suoi "seguaci" e i suoi "partigiani" che stanno sempre "avanzando con intrepida audacia". Vi sono troppi "pavidi" che non hanno il coraggio di affrontarli. E Suor Lucia non teme di affermare che tra di essi vi sono molti Vescovi. [Suor Lucia] deplora che tanti pastori "si lascino dominare dall'ondata diabolica che sta invadendo il mondo".
.. Suor Lucia .. ha anche confidato a Padre Fuentes che la Vergine Maria le ha fatto vedere chiaramente che "Stiamo vivendo negli ultimi tempi del mondo". .. Il Cardinale Ratzinger stesso, alludendo con discrezione al contenuto del Segreto di Fatima, ha menzionato tre elementi importanti: "I pericoli che minacciano la fede", "L'importanza degli ultimi tempi" e il fatto che le profezie "contenute in questo Terzo Segreto corrispondono a quanto annunciato nelle Scritture". Sappiamo anche che un giorno Lucia indicò i Capitoli 8 e 13 dell'Apocalisse.
.. Non ci venga detto, come una recente e falsa notizia vuole farci credere, che il Segreto di Fatima non può essere svelato perché "rischia di essere erroneamente interpretato"! E' possibile che la Regina dei Profeti che previde e annunciò nel 1917 tanti eventi allora imprevedibili di cui siamo stati poi testimoni, abbia errato nel prevedere questo rischio, fino al punto di rendere il Suo Segreto inutile per la Chiesa? Questo è incredibile! No, il Suo Segreto è chiaro, senza alcuna ambiguità e senza alcuna difficoltà di interpretazione, possiamo esserne certi. Noi osiamo persino dirlo! Non è piuttosto che a causa della sua estrema chiarezza i nostri pastori si sentono a disagio?



COLLOQUIO COL CARDINALE ODDI
da Il Sabato del 17 Marzo 1990, riportato da Fatima.org
.. I knew John XXIII quite well: .. By temperament he did not hesitate to communicate joyful things. .. But when I asked him ..why.. he had not made public the last part of the message of Fatima, he responded with a weary sigh. He then said: "Don't bring that subject up with me, please."
Sister Lucia said that in May 1982 she had spoken about it with John Paul II .. Together they had decided that it was more opportune not to reveal the Secret. For fear .. that it might be "misinterpreted."
What happened in 1960 that might have been seen in connection with the Secret of Fatima? The most important event is without a doubt the launching of the preparatory phase of the Second Vatican Council. Therefore I would not be surprised if the Secret had something to do with the convocation of Vatican II... .. John XXIII had convened the Council with the precise intention of directing the forces of the Church toward the solution of the problems that concern all of humanity, beginning from within. .. But we all know that, despite the great merits of the Council, many sad things have also taken place. .. I am thinking, for example, of the number of priests who have abandoned the priesthood: it is said that there have been 80,000. But one only has to recall the anguish with which the Holy Father, Paul VI, in 1968 cried out against the "autodemolition" taking place in the Church .. And again: "It is as if from some mysterious crack, no, it is not mysterious, from some crack the smoke of satan has entered the temple of God." .. I would not be surprised if the Third Secret alluded to dark times for the Church: grave confusions and troubling apostasies within Catholicism itself ... If we consider the grave crisis we have lived through since the Council..



THIRD SECRET "COMMENTARY" RAISES CONCERNS OVER "WHITEWASH"
da Fatima.org
Fort Erie, Ontario - June 27,2000. The vision described in the text is a scene in which the Pope is shot dead by soldiers, and then bishops, priests and so forth are killed in the same way, one by one, after they have all gone through a half-ruined city. This clearly has nothing to do with Pope John Paul II not being shot dead by Ali Agca. Furthermore, the Vatican’s own official booklet containing the text of Sister Lucia’s vision demolishes the Vatican’s claim, via Cardinal Ratzinger’s commentary, that the Secret relates only to 20th Century events culminating in the 1981 assassination attempt... If Sister Lucia told the Pope, a year after the attempt on his life, that the prophecy of the Secret is not yet fulfilled, .. how can the Vatican possibly say that the vision in the Secret describes the assassination attempt a year earlier? Sister Lucia made no such connection in her letter [May 12, 1982] to the Pope, which does not even mention the assassination attempt.
Sister Lucia’s memoirs .. end with the crucial phrase ‘In Fatima the dogma of the Faith will always be preserved, etc. . . .’ That phrase just hangs there, out of all context with the previous paragraphs, leading everyone to assume that the thought would be completed in the text of the Third and final part of the Secret, following the ‘etc.’ .. Where is the rest of what Our Lady of Fatima had to say?



CONGREGAZIONE PER LA DOTTRINA DELLA FEDE - IL MESSAGGIO DI FATIMA
NdJB: sebbene Lucia lo chiamasse segreto (un segreto vero e proprio), la congregazione per la dottrina della fede lo scrive sempre «segreto» (un segreto per modo di dire, in senso lato): implicitamente, non ammettono di averlo tenuto nascosto - vale a dire, appunto, segreto.
PRESENTAZIONE
di Tarcisio Bertone, SDB, Arcivescovo emerito di Vercelli, Segretario della Congregazione per la Dottrina della Fede
.. La busta sigillata fu custodita dapprima dal Vescovo di Leiria. Per meglio tutelare il «segreto», la busta fu consegnata il 4 aprile 1957 all'Archivio Segreto del Sant'Uffizio.
.. Secondo appunti d'Archivio, d'accordo con l'Em.mo Card. Alfredo Ottaviani, il 17 agosto 1959 il Commissario del Sant'Uffizio, Padre Pierre Paul Philippe, O.P., portò a Giovanni XXIII la busta contenente la terza parte del «segreto di Fatima». Sua Santità «dopo talune esitazioni» disse: «Aspettiamo. Pregherò. Le farò sapere ciò che ho deciso».(1) 
In realtà Papa Giovanni XXIII decise di rinviare la busta sigillata al Sant'Uffizio e di non rivelare la terza parte del «segreto». 
Paolo VI lesse il contenuto con il Sostituto Sua Ecc.za Mons. Angelo Dell'Acqua, il 27 marzo 1965, e rinviò la busta all'Archivio del Sant'Uffizio, con la decisione di non pubblicare il testo.  
Giovanni Paolo II, da parte sua, ha richiesto la busta contenente la terza parte del «segreto» dopo l'attentato del 13 maggio 1981. Sua Eminenza il Card. Franjo Seper, Prefetto della Congregazione, consegnò a Sua Ecc.za Mons. Eduardo Martinez Somalo, Sostituto della Segreteria di Stato, il 18 luglio 1981, due buste: - una bianca, con il testo originale di Suor Lucia in lingua portoghese; - un'altra color arancione, con la traduzione del «segreto» in lingua italiana. L'11 agosto seguente Mons. Martinez ha restituito le due buste all'Archivio del Sant'Uffizio.(2) 
.. il 25 marzo 1984 in piazza San Pietro .. il Papa affida al Cuore Immacolato di Maria gli uomini e i popoli. .. Suor Lucia confermò personalmente che tale atto solenne e universale di consacrazione corrispondeva a quanto voleva Nostra Signora («Sim, està feita, tal como Nossa Senhora a pediu, desde o dia 25 de Março de 1984»: «Sì, è stata fatta, così come Nostra Signora l'aveva chiesto, il 25 marzo 1984»: lettera dell'8 novembre 1989). Ogni discussione perciò ed ogni ulteriore petizione sono senza fondamento. 
Nella documentazione che viene offerta si aggiungono ai manoscritti di Suor Lucia quattro altri testi: 1) la lettera del Santo Padre a Suor Lucia in data 19 aprile 2000; 2) una descrizione del colloquio avuto con Suor Lucia in data 27 aprile 2000; 3) la comunicazione letta per incarico del Santo Padre, a Fatima il 13 maggio c.a. da Sua Eminenza il Card. Angelo Sodano, Segretario di Stato; 4) il commento teologico di Sua Eminenza il Card. Joseph Ratzinger, Prefetto della Congregazione per la Dottrina della Fede. 
Un'indicazione per l'interpretazione della terza parte del «segreto» era già stata offerta da Suor Lucia in una lettera al Santo Padre del 12 maggio 1982. In essa dice: 
«La terza parte del segreto si riferisce alle parole di Nostra Signora: "Se no [la Russia] spargerà i suoi errori per il mondo, promuovendo guerre e persecuzioni alla Chiesa. I buoni saranno martirizzati, il Santo Padre avrà molto da soffrire, varie nazioni saranno distrutte" (13-VII-1917). 
La terza parte del segreto è una rivelazione simbolica, che si riferisce a questa parte del Messaggio, condizionato dal fatto se accettiamo o no ciò che il Messaggio stesso ci chiede: "Se accetteranno le mie richieste, la Russia si convertirà e avranno pace; se no, spargerà i suoi errori per il mondo, ecc.". 
PRIMA E SECONDA PARTE DEL «SEGRETO» DI FATIMA
nella redazione fattane da suor Lucia nella «Terza memoria» del 31 Agosto 1941, destinata al vescovo di Leiria-Fatima
Dovrò, perciò parlare un po' del segreto e rispondere al primo punto interrogativo.  Cos'è il segreto. Mi pare di poterlo dire, perché dal Cielo ne ho già il permesso. I rappresentanti di Dio in terra mi hanno pure autorizzata, varie volte in varie lettere, una delle quali credo sia conservata dall'Ecc. V. Rev.ma, quella del P. Giuseppe Bernardo Gonçalves, nella quale mi ordina di scrivere al Santo Padre. Uno dei punti che mi indica, è la rivelazione del segreto. Qualcosa ho detto, ma per non allungare troppo quello scritto, che doveva essere breve, mi limitai all'indispensabile lasciando a Dio l'opportunità d'un momento più favorevole. 
Ho già esposto nel secondo scritto, il dubbio che mi tormentò dal 13 giugno al 13 luglio, e che in quest'apparizione svanì. 
Bene. Il segreto consta di tre cose distinte, due delle quali sto per rivelare. 
La prima dunque, fu la visione dell'inferno. 
La Madonna ci mostrò un grande mare di fuoco, che sembrava stare sotto terra. Immersi in quel fuoco, i demoni e le anime, come se fossero braci trasparenti e nere o bronzee, con forma umana che fluttuavano nell'incendio, portate dalle fiamme che uscivano da loro stesse insieme a nuvole di fumo, cadendo da tutte le parti simili al cadere delle scintille nei grandi incendi, senza peso né equilibrio, tra grida e gemiti di dolore e disperazione che mettevano orrore e facevano tremare dalla paura. I demoni si riconoscevano dalle forme orribili e ributtanti di animali spaventosi e sconosciuti, ma trasparenti e neri. Questa visione durò un momento. E grazie alla nostra buona Madre del Cielo, che prima ci aveva prevenuti con la promessa di portarci in Cielo (nella prima apparizione), altrimenti credo che saremmo morti di spavento e di terrore. 
In seguito alzammo gli occhi alla Madonna che ci disse con bontà e tristezza: 
Avete visto l'inferno dove cadono le anime dei poveri peccatori. Per salvarle, Dio vuole stabilire nel mondo la devozione al Mio Cuore Immacolato. Se faranno quel che vi dirò, molte anime si salveranno e avranno pace. La guerra sta per finire; ma se non smetteranno di offendere Dio, durante il Pontificato di Pio XI ne comincerà un'altra ancora peggiore. Quando vedrete una notte illuminata da una luce sconosciuta, sappiate che è il grande segno che Dio vi dà che sta per castigare il mondo per i suoi crimini, per mezzo della guerra, della fame e delle persecuzioni alla Chiesa e al Santo Padre. Per impedirla, verrò a chiedere la consacrazione della Russia al Mio Cuore Immacolato e la Comunione riparatrice nei primi sabati. Se accetteranno le Mie richieste, la Russia si convertirà e avranno pace; se no, spargerà i suoi errori per il mondo, promovendo guerre e persecuzioni alla Chiesa. I buoni saranno martirizzati, il Santo Padre avrà molto da soffrire, varie nazioni saranno distrutte. Finalmente, il Mio Cuore Immacolato trionferà. Il Santo Padre Mi consacrerà la Russia, che si convertirà, e sarà concesso al mondo un periodo di pace. [Nella citata «quarta memoria» Suor Lucia aggiunge: «In Portogallo si conserverà sempre il dogma della fede, ecc.».]
NdJB: perchè hanno scelto la terza memoria, anzichè la quarta che era più aggiornata? Perchè così non erano obbligati ad aggiungere il punto più compromettente - appunto, quello riportato in nota.
INTERPRETAZIONE DEL «SEGRETO»
Lettera di Giovanni Paolo II a suor Lucia (19 Aprile 2000)
..Sarò lieto di poterLa incontrare nell'atteso giorno della beatificazione di Francesco e Giacinta che, a Dio piacendo proclamerò il 13 maggio p.v. Siccome però in quel giorno non ci sarà il tempo per un colloquio, ma solo per un breve saluto, ho incaricato appositamente di venire a parlare con Lei Sua Eccellenza Monsignor Tarcisio Bertone, Segretario della Congregazione per la Dottrina della Fede .. accompagnato dal Vescovo di Leiria, Sua Eccellenza Monsignor Serafim de Sousa Ferreira e Silva ..: viene a mio nome per fare qualche domanda sull'interpretazione della «terza parte del segreto».
NdJB: qui il Papa non usa "segreto", ma segreto. Domanda: perchè non le ha telefonato, o non l'ha fatta venire a Roma? Data l'importanza dell'evento, perchè il Papa non se n'è occupato personalmente? (Che sia stato obbligato a delegare?)
COLLOQUIO AVUTO CON SUOR MARIA LUCIA DE JESUS E DO CORAÇÃO IMACULADO
.. A questo punto Sua Ecc.za Mons. Tarcisio Bertone le presenta le due buste: quella esterna e quella con dentro la lettera contenente la terza parte del «segreto» di Fatima ed essa dice subito, toccandola con le dita: «è la mia carta», e poi leggendola: «è la mia scrittura».  .. Quanto al passo concernente il Vescovo vestito di bianco, cioè il Santo Padre ù come subito percepirono i pastorelli durante la «visione» ù che è colpito a morte e cade per terra, Suor Lucia condivide pienamente l'affermazione del Papa: «fu una mano materna a guidare la traiettoria della pallottola e il Papa agonizzante si fermò sulla soglia della morte» (Giovanni Paolo II, Meditazione dal Policlinico Gemelli ai Vescovi Italiani, 13 maggio 1994). 
Poiché Suor Lucia, prima di consegnare all'allora Vescovo di Leiria-Fatima la busta sigillata contenente la terza parte del «segreto», aveva scritto sulla busta esterna che poteva essere aperta solo dopo il 1960, o dal Patriarca di Lisbona o dal Vescovo di Leiria, Sua Ecc.za Mons. Bertone le domanda: «perché la scadenza del 1960? È stata la Madonna ad indicare quella data?». Suor Lucia risponde: «Non è stata la Signora, ma sono stata io a mettere la data del 1960 perché secondo la mia intuizione, prima del 1960 non si sarebbe capito, si sarebbe capito solo dopo. Ora si può capire meglio. Io ho scritto ciò che ho visto, non spetta a me l'interpretazione, ma al Papa». 
NdJB: contraddittorio! Se l'interpretazione non spettava a lei, tantomeno spettava a lei la decisione di non farla leggere prima del 1960.

Infine viene menzionato il manoscritto non pubblicato che Suor Lucia ha preparato come risposta a tante lettere di devoti della Madonna e di pellegrini. L'opera reca il titolo «Os apelos da Mensagen de Fatima» e raccoglie pensieri e riflessioni che esprimono i suoi sentimenti e la sua limpida e semplice spiritualità, in chiave catechistica e parenetica. Le è stato chiesto se era contenta che fosse pubblicato, ed ha risposto: «Se il Santo Padre è d'accordo, io sono contenta, altrimenti obbedisco a ciò che decide il Santo Padre». Suor Lucia desidera sottoporre il testo all'approvazione dell'Autorità ecclesiastica..
NdJB: insomma, devono censurarlo, rendendolo compatibile con il terzo segreto falsificato, e magari redigere un ennesimo "commentario".
COMUNICAZIONE DI SUA EMINENZA IL CARD. ANGELO SODANO, SEGRETARIO DI STATO DI SUA SANTITÀ
Fatima, 13 Maggio 2000
.. La visione di Fatima riguarda soprattutto la lotta dei sistemi atei contro la Chiesa e i cristiani e descrive l'immane sofferenza dei testimoni della fede dell'ultimo secolo del secondo millennio. È una interminabile Via Crucis guidata dai Papi del ventesimo secolo. .. il "Vescovo vestito di bianco" che prega per tutti i fedeli è il Papa. Anch'Egli, camminando faticosamente verso la Croce tra i cadaveri dei martirizzati (vescovi, sacerdoti, religiosi, religiose e numerosi laici) cade a terra come morto, sotto i colpi di arma da fuoco.
Dopo l'attentato del 13 maggio 1981, a Sua Santità apparve chiaro che era stata "una mano materna a guidare la traiettoria della pallottola", permettendo al "Papa agonizzante" di fermarsi "sulla soglia della morte"
.. le vicende a cui fa riferimento la terza parte del segreto di Fatima sembrano ormai appartenere al passato
COMMENTO TEOLOGICO
di Joseph Card. Ratzinger, Prefetto della Congregazione per la Dottrina della Fede
Il commento si apre nientemeno che avanzando l'ipotesi che ciò che è stato visto sia frutto della fantasia dei pastorelli: "..sono forse solamente proiezioni del mondo interiore di bambini, cresciuti in un ambiente di profonda pietà, ma allo stesso tempo sconvolti dalle bufere che minacciavano il loro tempo? Come dobbiamo intendere la visione, che cosa pensarne?" Poi si opera un distunguo tra "rivelazione pubblica" (le Scritture e i Vangeli e basta, cui bisogna credere per Fede inquantochè rivelati da Dio) e "rivelazione privata" (che serve a rafforzare la fede, ma non è oggetto di fede: ci si può credere o non credere).
.. Vedere interiormente non significa che si tratta di fantasia, che sarebbe solo un'espressione dell'immaginazione soggettiva. Piuttosto significa che l'anima viene sfiorata dal tocco di qualcosa di reale anche se sovrasensibile e viene resa capace di vedere il non sensibile, il non visibile ai sensi ù una visione con i «sensi interni». Si tratta di veri «oggetti», che toccano l'anima, sebbene essi non appartengano al nostro abituale mondo sensibile. Per questo si esige una vigilanza interiore del cuore, che per lo più non c'è a motivo della forte pressione delle realtà esterne e delle immagini e pensieri che riempiono l'anima. La persona viene condotta al di là della pura esteriorità e dimensioni più profonde della realtà la toccano, le si rendono visibili. Forse si può così comprendere perché proprio i bambini siano i destinatari preferiti di tali apparizioni: l'anima è ancora poco alterata, la sua capacità interiore di percezione è ancora poco deteriorata. «Dalla bocca dei bambini e dei lattanti hai ricevuto lode», risponde Gesù con una frase del Salmo 8 (v. 3) alla critica dei Sommi Sacerdoti e degli anziani, che trovavano inopportuno il grido di osanna dei bambini (Mt 21, 16). 
La «visione interiore» non è fantasia, ma una vera e propria maniera di verificare, abbiamo detto. Ma comporta anche limitazioni. Già nella visione esteriore è sempre coinvolto anche il fattore soggettivo: non vediamo l'oggetto puro, ma esso giunge a noi attraverso il filtro dei nostri sensi, che devono compiere un processo di traduzione. Ciò è ancora più evidente nella visione interiore, soprattutto allorché si tratta di realtà, che oltrepassano in se stesse il nostro orizzonte. Il soggetto, il veggente, è coinvolto in modo ancora più forte. Egli vede con le sue possibilità concrete, con le modalità a lui accessibili di rappresentazione e di conoscenza. Nella visione interiore si tratta in modo ancora più ampio che in quella esteriore di un processo di traduzione, così che il soggetto è essenzialmente compartecipe del formarsi, come immagine, di ciò che appare. L'immagine può arrivare solo secondo le sue misure e le sue possibilità. Tali visioni pertanto non sono mai semplici «fotografie» dell'aldilà, ma portano in sé anche le possibilità ed i limiti del soggetto che percepisce. 
Ciò lo si può mostrare in tutte le grandi visioni dei santi; naturalmente vale anche per le visioni dei bambini di Fatima. Le immagini da essi delineate non sono affatto semplice espressione della loro fantasia, ma frutto di una reale percezione di origine superiore ed interiore, ma non sono neppure da immaginare come se per un attimo il velo dell'aldilà venisse tolto ed il cielo nella sua pura essenzialità apparisse, così come un giorno noi speriamo di vederlo nella definitiva unione con Dio. Le immagini sono piuttosto, per così dire, una sintesi dell'impulso proveniente dall'Alto e delle possibilità per questo disponibili del soggetto che percepisce, cioè dei bambini.
.. «Cuore» significa nel linguaggio della Bibbia il centro dell'esistenza umana, la confluenza di ragione, volontà, temperamento e sensibilità, in cui la persona trova la sua unità ed il suo orientamento interiore. Il «cuore immacolato» è secondo Mt 5, 8 un cuore, che a partire da Dio è giunto ad una perfetta unità interiore e pertanto «vede Dio». «Devozione» al Cuore Immacolato di Maria pertanto è avvicinarsi a questo atteggiamento del cuore, nel quale il fiat ù «sia fatta la tua volontà» ù diviene il centro informante di tutta quanta l'esistenza.
.. Tutta quanta la visione avviene in realtà solo per richiamare sullo scenario la libertà e per volgerla in una direzione positiva. Il senso della visione non è quindi quello di mostrare un film sul futuro irrimediabilmente fissato. Il suo senso è esattamente il contrario, quello di mobilitare le forze del cambiamento in bene. Perciò sono totalmente fuorvianti quelle spiegazioni fatalistiche del «segreto», che ad esempio dicono che l'attentatore del 13 maggio 1981 sarebbe stato in definitiva uno strumento del piano divino guidato dalla Provvidenza e che pertanto non avrebbe potuto agire liberamente, o altre idee simili che circolano. La visione parla piuttosto di pericoli e della via per salvarsi da essi. 
.. Nella visione anche il Papa viene ucciso sulla strada dei martiri. Non doveva il Santo Padre, quando dopo l'attentato del 13 maggio 1981 si fece portare il testo della terza parte del «segreto», riconoscervi il suo proprio destino? Egli era stato molto vicino alla frontiera della morte ed egli stesso ha spiegato la sua salvezza con le seguenti parole: «... fu una mano materna a guidare la traiettoria della pallottola e il Papa agonizzante si fermò sulla soglia della morte» (13 maggio 1994). Che qui una «mano materna» abbia deviato la pallottola mortale, mostra solo ancora una volta che non esiste un destino immutabile, che fede e preghiera sono potenze, che possono influire nella storia e che alla fine la preghiera è più forte dei proiettili, la fede più potente delle divisioni. 
NdJB: come si fa a dire che Agca ha agito liberamente, visto che la Madonna ha vanificato i suoi piani? Eppoi il Papa sosteneva che Agca era solo lo strumento di Satana.



COLLEGAMENTI AD ALTRI SITI
fonte:http://www.fenice.info/start.asp?p=/x-files/fatima.asp