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terça-feira, 12 de maio de 2009

Homilia da Missa Nas Vésperas da Festa Nossa Senhora do Rosário de Fátima por don Óscar Andrés Rodriguez Maradiaga, Cardeal Arcebispo nas Honduras








Fotos que já tiramos no dia 12 de Maio no Santuário de Fátima , na procissão do Santíssimo Sacramento e à noite na Procissão das Velas: há imensos peregrinos em Fátima e aqui se respira o que é ser católico , ou seja é antes de mais ser férvido devoto da Virgem Santíssima. Aqui estamos a rezar pelo nosso querido Papa Bento XVI na sua peregrinação na Terra Santa e convidamos todos os amigos que nos visitam a fazer o mesmo.

HOMILIA NO DIA 12 DE MAIO DE 2009

MISSA VOTIVA DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS


Queridas irmãs e irmãos:

Na véspera da grande festa de Nossa Senhora de Fátima, celebramos hoje a Missa votiva do Sagrado Coração de Jesus, cuja devoção tem a sua origem no amor de Deus, Uno e Trino, que nos amou primeiro:
1. Na Eucaristia, presença viva do Corpo e Sangue de Cristo, entregue para nos salvar, agradecendo a prova suprema do seu amor por nós e aceitando o Pão da Vida, o alimento que nos conduz à vida eterna.
2 – No Coração de Cristo, com a urgência de responder a duas perguntas: Cremos no amor de Deus revelado em Cristo Jesus? Como agradecemos esse amor e correspondemos a Ele?


Sabemos que o desejo mais profundo do coração humano é amar e ser amado; mas, ao mesmo tempo, damo-nos conta que o amor está exposto a tantos obstáculos que o degradam, o aviltam e até o matam. Por isso, necessitamos de ser libertados e redimidos. Devemos aprender a amar com sinceridade e plenitude, integrando o nosso amor no amor de Deus que se fez homem para nos ensinar o que é o autêntico amor.


No Calvário, tudo parecia ter acabado, e assim o criam os que tinham crucificado Jesus. Mas o verdadeiro Cordeiro de Deus imolado trouxe a verdadeira e plena libertação da escravidão que é o ódio, o mal e o pecado.


É o amor que triunfa, o coração que se abre para derramar sobre todos nós as fontes da graça, de maneira que possamos compreender finalmente com que amor Deus nos amou.


O Coração de Cristo convida-nos a vê-lo todo à luz do seu amor sacrificado e triunfador do pecado e da morte. Do seu lado aberto brotaram sangue e água, simbolizando o nascimento da Igreja.

Com esta celebração sentimos Deus muito próximo, como um de nós que nos ama totalmente e dá tudo. Celebramos a humanidade de Deus.


E agradecendo esta grande dádiva, sentimo-nos mais motivados para o amor fraterno: louvar a Deus e partilhar a experiência, comunicando-a a todos os irmãos, dentro e fora da Igreja.


Deus quis falar-nos com uma linguagem humana para nos animar a experimentar a grandeza e a ternura do seu amor e para nos convidar a ser, diante de todas as nossas irmãs e irmãos, de todo o mundo, de todas as raças, de todos os tempos, mensageiros e testemunhas desse amor.

Um amor cheio de ternura e compreensão, um Cristo Redentor, Mestre, Irmão e Amigo por quem podemos aproximar-nos livre e confiadamente de Deus.

O Coração de Jesus recorda-nos o compromisso missionário renovado, a urgência do dever de evangelizar. Já o Papa João Paulo II nos recordava que “a fé se fortalece dando-a”. Abrir-nos à fecundidade do amor de Cristo para os nossos irmãos e irmãs será a melhor medicina contra o egoísmo e a auto-suficiência.


Ao celebrar esta Eucaristia, pomo-nos em contacto com o amor do Coração de Cristo. Que este amor nos encha de confiança e nos faça corresponder a Ele com o nosso próprio amor e com o amor que mostramos aos nossos irmãos.


Que o Coração de Cristo nos introduza no Coração de sua Santíssima Mãe, cuja festa celebraremos amanhã, e nos ajude a percorrer com Ela o seu itinerário de seguimento, até nas dificuldades da obscuridade da fé.

Santuário de Fátima, 12 de Maio de 2009

Óscar Andrés Rodriguez Maradiaga, S. D. B.
Cardeal Arcebispo de Tegucigalpa, Honduras

Aniversário da primeira Aparição de Nossa Senhora na Cova da Iria







"Memórias da Irmã Lúcia" - As Aparições em Fátima

13 de Maio de 1917

Treze de Maio – Primeira Aparição
Dia 13 de Maio (de) 1917 – Andando a brincar com a Jacinta e o Francisco, no cimo da encosta da Cova da Iria, a fazer uma pequena parede em volta duma moita, vimos, de repente, como que um relâmpago.
– É melhor irmos embora para casa, – disse a meus primos – que estão a fazer relâmpagos; pode vir trovoada.
– Pois sim.
E começamos a descer a encosta, tocando as ovelhas em direção à estrada. Ao chegar, mais ou menos a meio da encosta, quase junto duma azinheira grande que aí havia, vimos outro relâmpago e, dados alguns passos mais adiante, vimos, sobre uma carrasqueira, uma Senhora, vestida toda de branco, mais brilhante que o Sol, espargindo luz, mais clara e intensa que um copo de cristal, cheio d’água cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente. Paramos surpreendidos pela aparição. Estávamos tão perto, que ficávamos dentro da luz que A cercava ou que Ela espargia, talvez a metro e meio de distância, mais ou menos.
Então Nossa Senhora disse-nos:
– Não tenhais medo. Eu não vos faço mal.
– De onde é Vossemecê? – lhe perguntei.
– Sou do Céu.
– E que é que Vossemecê me quer?
– Vim para vos pedir que venhais aqui seis meses seguidos, no dia 13 a esta mesma hora. Depois vos direi quem sou e o que quero. Depois voltarei ainda aqui uma sétima vez.
– E eu também vou para o Céu?
– Sim, vais.
– E a Jacinta?
– Também.
– E o Francisco?
– Também, mas tem que rezar muitos terços.
Lembrei-me então de perguntar por duas raparigas que tinham morrido há pouco. Eram minhas amigas e estavam em minha casa a aprender a tecedeiras com minha irmã mais velha.
– A Maria das Neves já está no Céu?
– Sim, está.
Parece-me que devia ter uns 16 anos.
– E a Amélia?
– Estará no purgatório até ao fim do mundo.
Parece-me que devia ter de 18 a 20 anos.
– Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos que Ele quiser enviar-vos, em acto de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?
– Sim, queremos.
– Ides, pois, ter muito que sofrer, mas a graça de Deus será o vosso conforto.
Foi ao pronunciar estas últimas palavras (a graça de Deus, etc.) que abriu pela primeira vez as mãos, comunicando-nos uma luz tão intensa, como que reflexo que delas expedia, que penetrando-nos no peito e no mais íntimo da alma, fazendo-nos ver a nós mesmos em Deus, que era essa luz, mais claramente que nos vemos no melhor dos espelhos. Então, por um impulso íntimo também comunicado, caímos de joelhos e repetíamos intimamente:
– Ó Santíssima Trindade, eu Vos adoro. Meu Deus, meu Deus, eu Vos amo no Santíssimo Sacramento.
Passados os primeiros momentos, Nossa Senhora acrescentou:
– Rezem o terço todos os dias, para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra.
Em seguida, começou-Se a elevar serenamente, subindo em direção ao nascente, até desaparecer na imensidade da distância. A luz que A circundava ia como que abrindo um caminho no cerrado dos astros, motivo por que alguma vez dissemos que vimos abrir-se o Céu.
Parece-me que já expus, no escrito sobre a Jacinta ou numa carta, que o medo que sentimos não foi propriamente de Nossa Senhora, mas sim da trovoada que supúnhamos lá vir; e dela, da trovoada, é que queríamos fugir. As aparições de Nossa Senhora não infundem medo ou temor, mas sim surpresa. Quando me perguntavam se tinha sentido e dizia que sim, referia-me ao medo que tinha tido dos relâmpagos e da trovoada que supunha vir próxima; e disto foi do que quisemos fugir, pois estávamos habituados a ver relâmpagos só quando trovejava.
Os relâmpagos também não eram propriamente relâmpagos, mas sim o reflexo duma luz que se aproximava. Por vermos esta luz, é que dizíamos, às vezes, que víamos vir Nossa Senhora; mas, propriamente, Nossa Senhora só A distinguíamos nessa luz, quando já estava sobre a azinheira. O não sabermos explicar e querer evitar perguntas foi que deu lugar a que umas vezes disséssemos que A víamos vir, outras que não. Quando dizíamos que sim, que A víamos vir, referiamo-nos a que víamos aproximar essa luz que, afinal, era Ela. E quando dizíamos que A não víamos vir, referíamos a que, propriamente Nossa Senhora, só A víamos quando já estava sobre a azinheira.

domingo, 10 de maio de 2009

Bento XVI:"Através da Igreja, Cristo purifica os nossos corações, ilumina as nossas mentes, une-nos ao Pai e, num único Espírito






Cristo é a pedra viva, angular. Com Ele, também nós somos pedras vivas da Igreja una: Bento XVI na bênção da primeira pedra de duas novas igrejas

Na tarde deste domingo, Bento XVI deslocou-se á área do rio Jordão onde Jesus foi baptizado. Neste local o Papa procedeu á bênção das primeiras pedras das igrejas dos latinos e dos greco-melquitas; neste lugar o rei da Jordânia autorizou a construção de 5 igrejas das várias confissões e ritos cristãos.
Na alocução pronunciada nesta circunstância, Bento XVI congratulou-se com a próxima construção destas duas novas igrejas, uma latina e a outra greco-melquita – “cada uma delas segundo as tradições da própria comunidade”, mas ambas “para edificar uma única família de Deus”. E explicou o sentido da bênção da primeira pedra de cada um dos novos edifícios religiosos:

“A pedra alicerce da igreja é um símbolo de Cristo. A Igreja assenta sobre Cristo, é sustentada por Ele e não se pode separar d’Ele. É Ele a pedra fundamento de cada comunidade cristã, pedra viva rejeitada pelos construtores, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus como pedra angular”.

“Com Cristo – prosseguiu – cada um de nós se torna pedra viva na edificação de uma casa espiritual”. “É esta a realidade da Igreja: Cristo e nós, Cristo connosco. Ele está connosco como a vinha está com os seus próprios ramos. A Igreja é, em Cristo, uma comunidade de vida nova, uma realidade dinâmica de graça que brota d’Ele. Através da Igreja, Cristo purifica os nossos corações, ilumina as nossas mentes, une-nos ao Pai e, num único Espírito, leva-nos a exercitar diariamente o amor cristão”.

Referindo depois a memória ligada ao lugar onde serão construídas estas duas novas igrejas, na localidade de Betânia além-do-Jordão, afirmou Bento XVI:

“No lugar que está diante de nós apresenta-se-nos ao vivo a memória do baptismo de Cristo. Jesus meteu-se na fila dos pecadores e aceitou o baptismo de penitência de João, como um sinal profético da sua paixão, morte e ressurreição, para o perdão dos pecados”.

O Papa concluiu fazendo votos de que “a contemplação orante destes mistérios” encha de “alegria espiritual e de coragem moral” os fiéis, aos quais deixou uma exortação final:

“Promovei o diálogo e a compreensão na sociedade civil, especialmente quando reclamais os vossos legítimos direitos. No Médio Oriente, marcado por trágicos sofrimentos, por anos de violência e tensões por resolver , os cristãos são chamados a dar o seu contributo, inspirado pelo exemplo de Jesus , da reconciliação e da paz através do perdão e generosidade”.

sábado, 9 de maio de 2009

Na sagrada liturgia fazemos explícita profissão de fé não somente com a celebração dos divinos mistérios, com o cumprimento do sacrifício e ...





III. A liturgia é regulada pela hierarquia eclesiástica

35. Para melhor compreender, ainda, a sagrada liturgia é necessário considerar outro seu carácter importante.

A Igreja é uma sociedade; exige, por isso, uma autoridade e hierarquia próprias. Se todos os membros do corpo místico participam dos mesmos bens e tendem aos mesmos uns, nem todos gozam do mesmo poder e são habilitados a cumprir as mesmas ações. O divino Redentor estabeleceu, com efeito, o seu reino sob fundamentos da ordem sagrada, que é reflexo da hierarquia celeste. (36). Somente aos apóstolos e àqueles que, depois deles, receberam dos seus sucessores a imposição das mãos, é conferido o poder sacerdotal em virtude do qual, como representam diante do povo que lhes foi confiado a pessoa de Jesus Cristo, assim representam o povo diante de Deus. Esse sacerdócio não vem transmitido nem por herança, nem por descendência carnal, nem resulta da emanação da comunidade cristã ou de delegação popular.


Antes de representar o povo, perante Deus, o sacerdote representa o divino Redentor, e porque Jesus Cristo é a cabeça daquele corpo do qual os cristãos são membros, ele representa Deus junto do povo. O poder que lhe foi conferido não tem, pois, nada de humano em sua natureza; é sobrenatural e vem de Deus: "assim como o Pai me enviou, assim eu vos envio:..' ;(40) "quem vos ouve, a mim ouve..."; (41) "percorrendo todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura; quem crer e for batizado, será salvo".(42)

37. Por isso o sacerdócio externo e visível de Jesus Cristo se transmite na Igreja não de modo universal, genérico e indeterminado, mas é conferido a indivíduos eleitos, com a geração espiritual da ordem, um dos sete sacramentos, o qual não somente confere uma graça particular, própria deste estado e deste ofício, mas ainda um caráter indelével que configura os ministros sagrados a Jesus Cristo sacerdote, demonstrando-os capazes de cumprir aqueles atos legítimos de religião com os quais os homens são santificados e Deus é glorificado, segundo as exigências da economia sobrenatural.


38. Com efeito, como o lavacro do batismo distingue os cristãos e os separa dos outros que não foram lavados na água purificadora e não são membros de Cristo, assim o sacramento da ordem distingue os sacerdotes de todos os outros cristãos não consagrados, porque somente eles, por vocação sobrenatural, foram introduzidos no augusto ministério que os destina aos sagrados altares e os constituem instrumentos divinos por meio dos quais se participa da vida sobrenatural com o corpo místico de Jesus Cristo. Além disso, como já dissemos, somente estes são marcados com caráter indelével que os configura ao sacerdócio de Cristo e somente as suas mãos são consagradas "para que seja abençoado tudo o que abençoam e tudo o que consagram seja consagrado e santificado em nome de nosso Senhor Jesus Cristo".(43)


Aos sacerdotes, pois, deve recorrer quem quer que deseje viver em Cristo, a fim de receber deles o conforto, o alimento da vida espiritual, o remédio salutar que o curará e o fortificará para que possa felizmente ressurgir da perdição e do abismo dos vícios; deles, enfim, receberá a bênção que consagra a família e por eles o último suspiro da vida mortal será dirigido ao ingresso na beatitude eterna.

39. Já que a sagrada liturgia é exercida sobretudo pelos sacerdotes em nome da Igreja, a sua organização, o seu regulamento e a sua forma não podem depender senão da autoridade da Igreja. Esta é não somente uma conseqüência da natureza mesma do culto cristão, mas é ainda confirmada pelo testemunho da história.


40. Esse direito inconcusso da hierarquia eclesiástica é provado ainda pelo fato de ter a sagrada liturgia estreita ligação com aqueles princípios doutrinários que a Igreja propõe como fazendo parte de verdades certíssimas, e por isso deve conformar-se aos ditames da fé católica proclamados pela autoridade do supremo magistério para proteger a integridade da religião revelada por Deus.

41. A esse propósito, veneráveis irmãos, fazemos questão de pôr em sua justa luz uma coisa que pensamos não ignorais, isto é, o erro daqueles que pretenderam que a sagrada liturgia fosse como uma experimentação do dogma, de modo que, se uma destas verdades tivesse, através dos ritos da sagrada liturgia, trazido frutos de piedade e de santidade, a Igreja deveria aprová-la, e repudiá-la em caso contrário. Donde o princípio: "a lei da oração é lei da fé".


42. Não é, porém, assim que ensina e manda a Igreja. O culto que ela rende a Deus é, como de modo breve e claro diz santo Agostinho, uma contínua profissão de fé católica, e um exercício da esperança e da caridade: "a Deus se deve honrar com a fé, a esperança e a caridade".(44) Na sagrada liturgia fazemos explícita profissão de fé não somente com a celebração dos divinos mistérios, com o cumprimento do sacrifício e a administração dos sacramentos, mas ainda recitando e cantando o Símbolo da fé, que é como o distintivo e a téssera dos cristãos, com a leitura de outros documentos e das sagradas letras escritas por inspiração do Espírito Santo. Toda a liturgia tem, pois, um conteúdo de fé católica enquanto atesta publicamente a fé da Igreja.


43. Por esse motivo, sempre que se tratou de definir um dogma, os sumos pontífices e os concílios, abeberando-se das chamadas "fontes teológicas", não raramente tiraram argumentos também dessa sagrada disciplina, como fez, por exemplo, o nosso predecessor de imortal memória Pio IX quando definiu a imaculada conceição de Maria virgem. Do mesmo modo, a Igreja e os santos padres, quando se discutia uma verdade controversa ou posta em dúvida, não deixaram de pedir luz também aos ritos veneráveis transmitidos pela antiguidade. Assim se tornou conhecida e venerada a sentença: "A lei da oração estabeleça a lei da fé".(45)


A liturgia, portanto, não determina nem constitui em sentido absoluto e por virtude própria a fé católica, mas antes, sendo ainda uma profissão da verdade celeste, profissão dependente do supremo magistério da Igreja, pode fornecer argumentos e testemunhos de não pouco valor para esclarecer um ponto particular da doutrina cristã. Se queremos distinguir e determinar, de modo geral e absoluto, as relações que intercorrem entre fé e liturgia, podemos afirmar com razão que "a lei da fé deve estabelecer a lei da oração". O mesmo deve dizer-se ainda quando se trata das outras virtudes teológicas: "na... fé, na esperança e na caridade oramos sempre com desejo contínuo"(46).

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Bento XVI: por favor, rezai por mim em cada dia da minha peregrinação: pela minha renovação espiritual no Senhor



Esta tarde, durante a deslocação do aeroporto para a nunciatura apostólica , Bento XVI visitou os mais pobres dentre os pobres: os portadores de deficiências, no Centro Regina Pacis".
Depois de se ter congratulado com a “notável competência profissional, os cuidados cheios de compaixão e a decidida promoção do justo lugar na sociedade” que este Centro assegura aos que têm necessidade de assistência especial”, Bento XVI sublinhou que a visita a esta Casa constitui “o primeiro passo” desta sua “peregrinação” em que, como tantos peregrinos do passado, veio para “tocar e venerar os lugares santificados com a presença de Jesus e ali encontrar conforto”.


“Cada um de nós é um peregrino. Estamos todos projectados para a frente, resolutamente, no caminho de Deus. Naturalmente, tendemos todos a dirigir o olhar para trás, ao percurso da nossa vida – por vezes com pesar ou recriminações, muitas vezes com gratidão e apreço – mas olhamos também para a frente – por vezes com trepidação e ansiedade mas sempre com expectativa e esperança, sabendo que há também outras pessoas que nos encorajam ao longo do caminho”.

Recordando os sofrimentos e provações enfrentadas pelas pessoas deficientes, o Papa reconheceu que “por vezes é difícil encontrar uma razão para aquilo que aparece como mero obstáculo a superar”. Contudo, logo acrescentou o Papa, “a fé e a razão ajudam a entrever um horizonte para além de nós próprios, imaginando a vida tal como Deus a quer”.


“O amor incondicionado de Deus, que dá vida a cada ser humano, aponta para um significado e para um objectivo para cada vida humana. O Seu amor é um amor que salva. Como os Cristãos professam é através da Cruz, que Jesus de facto nos introduz na vida eterna, indicando-nos o caminho a seguir – o caminho da esperança que nos conduz, passo a passo, ao longo da estrada , de tal modo que nós próprios nos tornemos portadores de esperança e de caridade para os outros”.

Prosseguindo a sua alocução, Bento XVI reconheceu com simplicidade não trazer consigo dons especiais, mas simplesmente uma intenção, uma esperança:

“Venho simplesmente com uma intenção, uma esperança: rezar pelo precioso dom da unidade e da paz, muito especialmente para o Médio Oriente. Paz para os indivíduos, para pais e filhos, para as comunidades, paz para Jerusalém, para a Terra Santa, para a região, paz para toda a família humana – a paz duradoura que nasce da justiça, da integridade, da compaixão, a paz que brota da humildade, do perdão e do desejo profundo de viver em harmonia como uma única realidade.”


“A oração – sublinhou Bento XVI – é a esperança em acção”. “A vossa experiência do sofrimento, o vosso testemunho de compaixão, a vossa determinação em superar os obstáculos com que vos confrontais encorajam-me a acreditar que o sofrimento pode levar a uma mudança para melhor”:

“Nas nossa provações pessoais, e mantendo-nos ao lado dos outros nos seus sofrimentos, nós captamos a essência da nossa humanidade, tornamo-nos, por assim dizer, mais humanos. E vamos aprendendo pouco a pouco que, mesmo os corações endurecidos pelo cinismo ou pela injustiça ou pela relutância em perdoar nunca se encontram fora do raio de acção de Deus, podem sempre abrir-se a um novo modo de ser, a uma visão de paz”.


E o Papa concluiu pedindo a todos que rezem para que Deus converta os corações de cada um:

“Exorto-vos todos a rezardes em cada dia por todo o mundo. E hoje peço-vos que façais vossa uma intenção concreta: por favor, rezai por mim em cada dia da minha peregrinação: pela minha renovação espiritual no Senhor e para que os corações se convertam ao perdão e à solidariedade à maneira de Deus, de tal modo que a minha esperança – a nossa esperança – de paz e unidade no mundo produza abundantes frutos”.

Santo Padre Bento XVI inicia hoje sua viagem apostólica à terra Santa



Antes de mais do nosso blog Apóstolos de Nossa Senhora de Fátima desejamos unir-nos ao santo Padre Bento XVI nesta sua viagem apostólica à Terra Santa e rezar muito pelo bom êxito da mesma e seguir passo a passo o Santo Padre na sua deslocação. Queremos que o Santo Padre sinta a força da nossa oração que é um sinal forte da nossa total comunhão e união com Ele. Que Deus o abençoe , o proteja e o defenda dos seus inimigos e lhe conceda vida longa para a glória de Deus e o bem da Santa Igreja .Que a Mãe do Céu o acompanhe e o proteja visivelmente em todos os seus passos.

- Bento XVI começa hoje, dia 8, sua viagem apostólica à Terra Santa desembarcando no aeroporto internacional de Amã.
Domingo, o papa celebra a santa missa no Estádio Internacional da capital jordaniana. "O mais bonito desta viagem é que o papa, diretamente do aeroporto, vai visitar os mais pobres dentre os pobres: os portadores de deficiências, no Centro Regina Pacis": é a declaração do bispo auxiliar e vigário episcopal para a Jordânia, do Patriarcado Latino de Jerusalém, Dom Salim Sayegh.
Neste Centro − explica o bispo − Bento XVI encontrará os jovens, "futuro da Pátria e da própria Igreja". "Os jovens – conta Dom Sayegh – prepararam uma carta para entregar ao papa, e o farão. Eles tiveram um papel fundamental nesta visita: 314 internos participaram da organização, cada um com sua aptidão.
O papa fará uma coisa muito importante para eles: abençoará a pedra fundamental da Universidade de Madaba − a primeira Universidade católica da Jordânia − que terá sete faculdades e 40 especializações." Para Dom Salim Sayegh, a visita de Bento XVI ao país representa a união entre as religiões: "Existe uma tradição de união entre cristãos e muçulmanos.
Não apenas aqui, mas no mundo todo. E a Jordânia é um exemplo de fraternidade e convivência entre povos e religiões" – ressalta o bispo, acrescentando que "a viagem é uma missão de unidade, pois coloca líderes cristãos e judeus juntos". Sobre a importância da viagem do papa à Terra Santa, a Rádio Vaticano entrevistou o núncio apostólico na Jordânia, Dom Francis Assisi Chullikat:D. Chullikat:- É muito importante esta visita que toda a Igreja na Terra Santa aguardava há um bom tempo. De fato, desde o início do pontificado de Bento XVI, toda a Igreja na região estava esperando a Igreja Mãe.
Além disso, a comunidade cristã do Oriente Médio está vivendo um período muito difícil. Neste momento, necessitam de uma palavra de encorajamento e de uma mensagem de esperança por parte do Santo Padre, e estão esperando esta mensagem ansiosamente.
Eles estão conscientes de que as palavras do papa produzirão muitos frutos e terão grande ressonância, não somente na Terra Santa, mas em toda a região. Portanto, esta visita é muito importante também para dar uma mensagem de paz e de unidade, como ele mesmo repetiu diversas vezes em vista desta viagem apostólica, que ele definiu como peregrinação.
O núncio explica ainda que a Jordânia tem um papel muito importante na região, porque o governo está tentando promover a paz no Oriente Médio, especialmente no conflito entre israelenses e palestinos.
"Também neste sentido, a Igreja na Jordânia está desempenhando um papel ativo, e a coexistência pacífica, que é muito evidente aqui na Jordânia, pode ser um sinal de esperança e de encorajamento para todas as comunidades cristãs em nível regional" – concluiu.(CM/BF)

Fonte: RV

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Nestas semanas contemplamos Nossa Senhora, Mãe de Jesus e Mãe nossa, elevada ao Céu em corpo e alma, e vemo-la na alegria e na glória da Ressurreição


Carta circular do Prelado do Opus Dei

Este mês de Maio decorre inteiramente dentro do Tempo Pascal. A alegria da Ressur­reição de Jesus Cristo enche a vida da Igreja, na Terra e no Céu. É esse gaudium cum pace que todas e todos nós já experimentamos.

Como é natural, nestas semanas contemplamos Nossa Senhora, Mãe de Jesus e Mãe nossa, elevada ao Céu em corpo e alma, e vemo-lana alegria e na glória da Ressurreição. As lágrimas derramadas ao pé da Cruz transformaram-se num sorriso que nada mais apagará, embora permaneça intacta a sua compaixão materna por nós. Atesta-o a intervenção da Virgem Maria em nosso socorro ao longo da história e não cessa de suscitar por Ela, no povo de Deus, uma confiança inabalável: a oração Memorare (“Lembrai-Vos”) exprime muito bem este sentimento. Maria ama cada um dos seus filhos, concentrando a sua atenção de modo particular naqueles que, como o seu Filho na hora da Paixão, se acham mergulhados no sofrimento. Ama-os, simplesmente porque são seus filhos, por vontade de Cristo na Cruz [1].

Meditemos nestas palavras do Papa para aprofundarmos sobre as razões da nossa devoção a Nossa Senhora e dar-lhe um novo esplendor. As razões são claras: Maria é Mãe de Deus e nossa Mãe. Por isso, é necessário cultivar uma ardente e terna devoção mariana, solidamente fundamentada na Revelação divina exposta pelo Magistério da Igreja. O queridíssimo D. Álvaro recordava-o numa carta que escreveu em 1987. Dizia-nos ele, considerando que a missão maternal de Maria corresponde a um desígnio de Deus bem determinado: «é um facto inegável que naqueles lugares em que a Igreja se estabelece, pela graça de Cristo e pela correspondência tenaz e sacrificada dos evangelizadores, a Mãe da Igreja está presente (…). Como consequência, nasce e desenvolve-se a gratidão a Santa Maria, e assim surge a fecunda planta da devoção mariana. Os templos e santuários que, como estela luminosa, povoam a geografia dos países em que a fé se enraíza, são dela um claro testemunho que dá à existência dos cristãos uma dimensão de família que só a Santíssima Virgem é capaz de suscitar» [2].

Grande verdade é esta! Os cristãos formamos uma família - a Santa Igreja - na qual Jesus Cristo é o primogénito entre muitos irmãos [3], e onde não falta a presença da Mãe, Maria Santíssima. Jesus indica-nos o caminho que é preciso percorrer para chegarmos à santidade, à plena identificação com Ele. E a Virgem Maria anima-nos, ao longo desta peregrinação, a alcançar a meta: a vida eterna com Deus e com todos os anjos e santos.

A arte cristã mostra-o de forma gráfica quando oferece a imagem de Maria com o Menino nos braços à nossa veneração. Com a sua atitude, com o seu olhar, a nossa Mãe parece sugerir-nos: “olha para o meu Filho, o teu Irmão mais velho e segue, em tudo, o Seu exemplo; anda por onde Ele andou; fomenta no teu coração as ânsias Redentoras do Seu Coração; compadece-te dos teus irmãos e irmãs, como Ele se compadeceu de todos”.

Nos próximos dias, milhares e milhares de pessoas irão em peregrinação aos mais variados lugares onde se venera a Santíssima Virgem, com o desejo de encontrar Jesus de novo, de se parecerem mais com Ele, seguindo o convite de S. Josemaria às suas filhas e filhos no Opus Dei, e a muitas outras pessoas. A Romaria de Maio aparece-nos já como uma alegre realidade em todas as latitudes, que vivemos sem ruído, seguindo os passos do nosso Fundador na sua primeira Romaria, em 1935. Respeito e amo essas outras manifestações públicas de piedade, mas pessoalmente prefiro tentar oferecer a Maria o mesmo afecto e o mesmo entusiasmo através de visitas pessoais ou em pequenos grupos, com sabor de intimidade [4].

Muitas vezes, pomos como meta dessa peregrinação um lugar próximo da nossa casa, talvez na cidade onde vivemos ou nos arredores. Noutros casos - penso, por exemplo, nos doentes e em pessoas com outras dificuldades -, nem sequer será possível sair de casa, e, contudo, também estes podem realizar a Romaria de Maio a Nossa Senhora. Porque o importante não é a deslocação física de um sítio para outro, mas a viagem interior da alma, que nos leva a colocar-nos mais perto de Maria e, portanto, mais perto de Jesus.

O Papa João Paulo II salientava que, nos locais marianos espalhados pelo mundo, se nota uma especial presença da Mãe. Sabemos que esses lugares são incontáveis e de uma enorme variedade: desde os oratórios em casas particulares e em nichos de ruas, em que a imagem da Mãe de Deus aparece luminosa, às capelas e igrejas construídas em sua honra. Todavia, saltam à vista os sítios em que os homens sentem especialmente viva a presença da nossa Mãe: os santuários marianos. «Em todos estes lugares se realiza de maneira admirável aquele testamento singular do Senhor Crucificado: aí, o homem sente-se entregue e confiado a Maria e vem para estar com Ela, como se está com a própria Mãe. Abre-lhe o seu coração e fala-lhe de tudo: “recebe-a em sua casa”, dentro de todos os seus problemas» [5].

Os fiéis recorrem a Maria naqueles lugares com o desejo de encontrarem o fortalecimento «da fé e os meios de a alimentar. Procuram os sacramentos da Igreja, sobretudo a reconciliação com Deus e o alimento eucarístico. E voltam revigorados e agradecidos à Senhora, Mãe de Deus e nossa Mãe» [6].

Todos guardamos como um tesouro esta experiência. Quem não experimenta uma maior proximidade de Deus depois de ter visitado Nossa Senhora com o espírito de oração e de penitência que o nosso Padre nos ensinou? Quem não tocou já a eficácia deste recurso a Maria: para reavivar a fé de alguém que precisava, para o ajudar a estar mais perto de Deus, para abrir horizontes mais amplos a quem resistia a aceitar o chamamento do Senhor a uma entrega generosa? Jesus Cristo quer que a Sua graça nos chegue por meio de Maria. Por isso, não é indiferente deixar de ir aos santuários que o amor dos seus filhos lhe levantou. Não é indiferente passar diante de uma imagem sua sem lhe dirigir uma afectuosa saudação. Não é indiferente que deixemos passar o tempo, sem lhe cantarmos essa amorosa serenata do Santo Rosário, canção de fé, epitalâmio da alma que, por meio de Maria, encontra Jesus [7]. Comecemos já a perguntar-nos: em que posso melhorar ao olhar para as imagens da nossa Mãe? Como saborear cada Avé-Maria, a Salvé-Rainha, o Regina Coeli? A quem me proponho falar do amor de Maria e a Maria?

Estas e outras devoções marianas podem dar relevo e cor ao mês de Maio. O essencial é aproximar-se cada vez mais de Jesus Cristo pela senda que a Sua Santíssima Mãe nos mostra. Cada encontro com Nossa Senhora é um convite a olhar para Cristo. Como dizia Bento XVI num santuário mariano: para o homem em busca, este convite transforma-se sempre de novo num pedido espontâneo, um pedido que se dirige em particular a Maria, que nos deu Cristo como seu Filho: “Mostra-nos Jesus!”. Assim rezamos hoje com todo o coração. E assim rezamos também, para além deste momento, interiormente, em busca do Rosto do Redentor. “Mostra-nos Jesus!”. Maria responde, apresentando-O diante de nós, antes de mais, como Menino. Deus fez-se pequenino para nós [8].

Detenhamo-nos mais uma vez nas frases que S. Josemaria escreveu, pelos anos 30 do século passado, que ajudaram milhares de pessoas a meter-se por caminhos de contem­plação na vida corrente: se tens desejos de ser grande, faz-te pequeno (…). O princípio do caminho, que tem por fim a completa loucura por Jesus, é um confiado amor a Maria Santíssima.

- Queres amar a Virgem? - Pois então conversa com Ela! - Como? - Rezando bem o Rosário de Nossa Senhora [9].

A meditação atenta, interiorizada, e o rezar dos mistérios do Terço fazem desfilar diante dos nossos olhos os momentos centrais da vida de Jesus e de Maria. Assim se torna mais fácil avançar pelo caminho que conduz ao Céu, rectificando o rumo, se necessário, mostrando aos que nos acompanham o atalho seguro que termina na felicidade eterna. Ao admirar estas cenas, compreendemos «que, a partir do “fiat” da humilde Serva do Senhor, a humanidade inicia o retorno a Deus e que, na glória da Toda Santa, vê a meta da sua caminhada» [10].

Podemos ainda cuidar outros detalhes de afecto à Virgem Maria. Detenho-me de novo num hábito próprio de gente apaixonada, e que S. Josemaria difundiu por todo o lado: cumprimentar afectuosamente as imagens de Nossa Senhora que vemos em cada dia - numa rua ou praça, no interior de uma igreja, numa divisão da nossa casa… - fazendo acom­panhar esse olhar de alguma jaculatória, como expressão bem pessoal do nosso amor filial. O nosso Padre fazia isso e esforçava-se particularmente por saudar as imagens de Nossa Senhora dos sítios onde trabalhava ou vivia. Eram demonstrações do seu carinho filial em que reflectia o que lhe ia na alma: olhares dolorosos, agradecidos ou suplicantes - conforme as circunstâncias - mas sempre expressões de amor verdadeiro.

Aconselhava também a usar na carteira ou no bolso uma imagem da Virgem Maria - como se usam fotografias das pessoas queridas - para a ter sempre muito presente e lhe dirigir expressões carinhosas. Sentia a alegria de ter contribuído para semear o mundo de representações marianas. No Opus Dei, dizia, mostrámos sempre o nosso amor a Nossa Senhora espalhando milhões de imagens suas por todo o mundo, promovendo práticas de piedade mariana em todos os Continentes: na Europa, na Ásia, na África, na América e na Oceânia: encaminhando por aí a juventude, com liberdade. Sem liberdade, não.

Mas tudo isto é natural: como não havemos de amar a Mãe de Deus, que é nossa Mãe? Se precisamos dela, ainda por cima! Eu preciso dela. Tal como um miúdo pequeno, quando tem medo do escuro da noite, grita “Mamã!”, assim tenho eu que clamar muitas vezes com o coração, sem ruído de palavras: “Mãe, mamã, não me abandones!”

A vida interior é assim: naturalidade, simplicidade. Eu não sei viver de outra maneira: tenho que viver como homem. E diante de Deus, que é eterno, sou uma pequena criatura que nada vale [11].

Há umas palavras de um Salmo que a Liturgia aplica à Santíssima Virgem. O Salmista, vislumbrando de longe este vínculo materno que une a Mãe de Cristo e o povo crente, profetiza a respeito da Virgem Maria: “Os grandes do povo procurarão o teu sorriso” (Sl 44, 13). E assim, solicitados pela Palavra inspirada da Escritura, sempre os cristãos procuraram o sorriso de Nossa Senhora, aquele sorriso que os artistas, na Idade Média, tão prodigiosamente souberam representar e engrandecer. Este sorriso de Maria é para todos: no entanto, dirige-se de modo especial para os que sofrem, a fim de que nele possam encontrar conforto e alívio. Procurar o sorriso de Maria não é uma questão de sentimentalismo devoto ou antiquado, é antes a justa expressão da relação viva e profundamente humana que nos liga Àquela que Cristo nos deu por Mãe [12].

Confiemos a Nossa Senhora todas as pessoas que sofrem, na alma ou no corpo: os doentes, os que se sentem abandonados, os que foram afectados por calamidades naturais, os que sofrem perseguição e violências de todo o tipo… Ninguém deve ficar fora da nossa oração.

Rezemos especialmente - recordo-vo-lo todos os meses, porque é uma necessidade sempre actual - pela Pessoa e pelas intenções do Papa. Agora, pelos frutos da sua viagem à Terra Santa, de 8 a 15 deste mês. Rezai também pelos fiéis da Prelatura que vão receber a ordenação sacerdotal no dia 23, véspera da solenidade da Ascensão, que se celebra, em muitos países, no Domingo, dia 24. Peçamos ao Espírito Santo, por ocasião da próxima festa de Pentecostes, no último dia de Maio, que derrame copiosamente os seus dons sobre a Igreja e sobre o mundo, e que disponha os corações de todos para os receber.

Regressei há dias de uma viagem ao Japão e a Taiwan, onde mais uma vez compro­vei como o espírito do Opus Dei se enraíza em pessoas de todas as raças e culturas. Nos dois países, para além de me saber acompanhado por todas e por todos, e de rezar convosco, filhas e filhos, tive duas alegrias muito especiais, entre muitas outras. Em Nagasaki, a visita a Oura, ao santuário onde se veneram os mártires daquela terra e se mantém viva a lembrança amorosa dos que conservaram a fé, apesar da dura perseguição. Em Taipé, pude assistir à Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento com o templo cheio de fiéis: tínhamos entrado na igreja onde estava uma imagem da Virgem peregrina e encontrámo-nos com esse acto eucarístico. Num e noutro lugar surgia naturalmente a ideia de que temos de levar Jesus, com Maria, até ao último recanto do mundo. Dai comigo graças à Santíssima Trindade, fonte de todos os bens, e à nossa Mãe, a Virgem Maria: pela sua mediação, recebemos todas as graças. E também a S. Josemaria - no dia 17 é o aniversário da sua beatificação -, por ter sido instrumento fidelíssimo do Senhor para realizar tão abundante sementeira de santidade, de doutrina e de caridade em toda a Terra.


Com todo o afecto, abençoa-vos


O vosso Padre

+ Javier



Roma, 1 de Maio de 2009
Fonte:Opus Dei