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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O PODER DO SANTO ROSÁRIO.


São Luís Maria Grignion de Montfort (1673 –1716), grande apóstolo de Maria Santíssima, escreveu:
“A Santíssima Virgem revelou ao Bem-aventurado Alain de la Roche que, depois do Santo Sacrifício da Missa, que é o primeiro e mais vivo memorial da Paixão de Jesus Cristo, não havia devoção mais excelente e meritória que o Rosário, que é como que um segundo memorial e representação da vida e da Paixão de Jesus Cristo”.
Assim sendo, depois da Santa Missa o Santo Rosário é a mais poderosa arma de eficácia comprovada contra Satanás e seus sequazes, que procuram perder as almas.
É um meio de salvação dos mais poderosos e eficazes que nos foi oferecido pela Divina Providência.
O Rosário soluciona inúmeros problemas, assegura a salvação eterna e antecipa a implantação no mundo do Reino do Imaculado Coração de Maria.
O Rosário, Instrumento de Salvação.
(Extraído do livro: A eficácia maravilhosa do Santo Rosário,
de São Luís Maria Grignion de Montfort)
A Santíssima Virgem revelou ao Beato Alano que, quando São Domingos pregou o Rosário, pecadores endurecidos foram tocados e choraram amargamente seus crimes, e até crianças fizeram penitências incríveis.
O fervor foi tão grande, por toda a parte onde ele pregava, que os pecadores mudaram de vida e edificaram todo o mundo por suas penitências.
Se vós sentis vossa consciência carregada de pecados, tomai o Rosário e rezai uma parte dele em honra de alguns dos mistérios da vida, da paixão ou da glória de Jesus Cristo.
Convencei-vos de que, enquanto estiverdes meditando e honrando esses mistérios, no céu Ele mostrará suas chagas sagradas ao Pai, tomará a vossa defesa e obterá a contrição e o perdão dos vossos pecados. Ele mesmo disse um dia ao Beato Alano: "Se esses míseros pecadores rezassem frequentemente o Rosário, participariam dos méritos da minha paixão e Eu, como seu advogado, aplacaria a Justiça divina".
Nossa vida é uma guerra e uma tentação contínuas, na qual não temos que combater inimigos de carne e de sangue, mas as próprias potências do inferno.
Armai-vos, pois, com a arma de Deus que é o santo Rosário. Esmagareis assim a cabeça do demônio e permanecereis inabaláveis diante de todas as suas tentações.
É por isso que o Rosário, ainda que considerado materialmente, é tão terrível ao demônio, e os Santos dele se serviram para expulsá-lo dos corpos de possessos, como testemunham muitas narrativas.
O Beato Alano atesta que livrou grande número de possessos colocando o Rosário em seu pescoço.
Santo Agostinho assegura que não há exercício mais frutuoso e mais útil para a salvação do que pensar frequentemente nos sofrimentos de Nosso Senhor.
Santo Alberto Magno, mestre de São Tomás, soube por revelação que a simples lembrança ou meditação da paixão de Jesus Cristo é mais meritória ao cristão do que jejuar a pão e água todas as sextas-feiras de um ano inteiro, ou tomar a disciplina até o sangue todas as semanas, ou recitar todos os dias os cento e cinqüenta Salmos.
O Padre Dorland conta que a Santíssima Virgem declarou ao venerável Domingos, cartuxo devoto do santo Rosário, que residia em Trèves no ano de 1481, que "todas as vezes que um fiel recita o Rosário com as meditações dos mistérios da vida e da paixão de Jesus Cristo em estado de graça, ele obtém plena e inteira remissão de todos os seus pecados".
Ao Beato Alano, Ela disse: "Grande quantidade de indulgências foram concedidas ao meu Rosário, mas fica sabendo que Eu acrescentarei ainda muitas mais, aos que rezarem o terço em estado de graça, de joelhos e devotamente. E a quem nas mesmas condições perseverar nessa devoção, Eu lhe obterei no fim da vida, como recompensa por esse bom serviço, a plena remissão da pena e da culpa de todos os seus pecados".
Por que Nossa Senhora insiste tanto na Oração do Rosário?
Em 1945 os americanos lançaram a bomba atômica sobre duas cidades japonesas: Nagasaki e Hiroshima. Nesta última, num raio de um quilômetro e meio do centro da explosão, ficou tudo arrasado e todos os habitantes morreram carbonizados. A casa paroquial, com oito moradores jesuítas, que distava apenas 800 metros da explosão, ficou de pé e os seus moradores ficaram ilesos.
O Pe. Hubert Shiffer era um deles e tinha então 30 anos. Depois viveu mais 33 completamente com saúde e nenhum dos moradores da casa sofreu as conseqüências da radioatividade. Ele contou a sua experiência no Congresso Eucarístico da Filadélfia (EUA) em 1976. Então todos os membros daquela comunidade ainda viviam.
O Pe. Shiffer foi examinado e interrogado por mais de 200 cientistas e não puderam explicar como, no meio de milhares de mortos, ele e seus companheiros tinham podido sobreviver. O Pe. Shiffer afirmou que centenas de cientistas e pesquisadores por vários anos continuaram a investigar por que a casa paroquial não foi atingida quando tudo ao redor ficou arrasado. E o padre explicou, dizendo: "Naquela casa se rezava todos os dias, em comum, o Santo Rosário. Por isso, foi protegida por Nossa Senhora".
Nossa Senhora, a partir principalmente de Lourdes, dá uma ênfase toda especial à oração do Rosário. Em Lourdes aparece sempre com o ROSÁRIO. Em outras aparições, pede sempre que se reze o Rosário. Em Fátima, em cada uma das aparições, ela insiste: "Rezem o ROSÁRIO DIARIAMENTE".

O Papa, no 80º aniversário das aparições em Fátima, disse: "Caríssimos irmãos, rezai o Rosário todos os dias! Peço vivamente aos pastores para rezar o Rosário nas suas comunidades cristãs. Ajudai o povo de Deus a retornar à oração cotidiana do Rosário".
A Origem da Ave-Maria
É bom lembrar que, a segunda parte da Ave-Maria ("Santa Maria, Mãe de Deus"), foi introduzida na oração por ocasião da vitória sobre a heresia nestoriana, deflagrada no ano de 429.
O bispo Nestório, Patriarca de Constantinopla, afirmava ser Maria mãe de Jesus e não Mãe de Deus. O episódio tomou feições tão sérias que culminou no Concílio de Éfeso convocado pelo Papa Celestino I. Sob a presidência de São Cirilo (Patricarca de Alexandria), a heresia foi condenada e Nestório, recusando a aceitar a decisão do conselho, acabou sendo excomungado. (Leia o artigo XVI do livro Oriente para saber mais sobre a heresia nestoriana).
Conta-se que no dia de encerramento do Concílio, onde os Padres Conciliares exaltaram as virtudes e as prerrogativas especiais da VIRGEM MARIA, o Santo Padre Celestino ajoelhou-se diante da assembléia e saudou Nossa Senhora, dizendo: "SANTA MARIA, MÃE DE DEUS, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém."
Na continuidade dos anos, esta saudação foi unida àquela que o Arcanjo Gabriel fez a Maria, conforme o Evangelho de Jesus segundo São Lucas 1,26-38 "Ave cheia de graça, o Senhor está contigo!" e também, a outra saudação que Isabel fez a Maria, para auxiliá-la durante os últimos três meses de sua gravidez: "Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre." (Lucas1, 42) Estas três saudações deram origem a AVE MARIA.
Como surgiu a oração do Santo Rosário
A oração do Santo Rosário surge aproximadamente no ano 800 à sombra dos mosteiros, como Saltério dos leigos. Dado que os monges rezavam os salmos (150), os leigos, que em sua maioria não sabiam ler, aprenderam a rezar 150 Pai Nossos. Com o passar do tempo, se formaram outros três saltérios com 150 Ave Marias, 150 louvores em honra a Jesus e 150 louvores em honra a Maria.
Posteriormente fez-se uma combinação dos quatro saltérios, dividindo as 150 Ave Marias em 15 dezenas e colocando um Pai nosso no início de cada uma delas. Em 1500 ficou estabelecido, para cada dezena a meditação de um episódio da vida de Jesus ou Maria, e assim surgiu o Rosário de quinze mistérios.
Rosa das rosas, Rainha das rainhas.
A palavra Rosário vem do latim Rosarium, que significa 'Coroa de Rosas'.
Nossa Senhora é a Rosa Mística (como é invocada na Ladainha Lauretana), e em sua homenagem o nome Rosário, que vem de Rosas. A Virgem Maria revelou a muitas pessoas que cada vez que rezam uma Ave Maria lhe é entregue uma Rosa espiritual, e por cada Rosário completo, lhe é entregue uma Coroa de Rosas.
A rosa é a rainha das flores, Rosa das rosas, como é a Rainha das rainhas. sendo assim o Rosário a Rosa de todas as devoções e, portanto, a mais importante.
O Santo Rosário é considerado a oração perfeita porque junto com ele está a majestosa história de nossa salvação. Com o rosário, meditamos os mistérios de gozo, de dor e de glória de Jesus e Maria. É uma oração simples, humilde como Maria. É uma oração que podemos fazer com ela, a Mãe de Deus. Com o Ave Maria a convidamos a rezar por nós. A Virgem sempre nos dá o que pedimos. Ela une sua oração à nossa. Portanto, esta é mais poderosa, porque Maria recebe o que ela pede, Jesus nunca diz não ao que Sua Mãe lhe pede. Em cada uma de suas Aparições, nos convida a rezar o Rosário como uma arma poderosa contra o maligno, para nos trazer a verdadeira paz.
São Domingos e o Santo Rosário.
A difusão e posterior expansão do Rosário, a Igreja atribui à São Domingos de Gusmão (século XII), conhecido como o "Apóstolo do Rosário", cuja devoção propagou aos católicos como arma contra o pecado e contra a heresia albigense , que assolava Toulose (França).
Segundo respeitosa tradição, Nossa Senhora numa Aparição revelou a devoção ao Rosário a São Domingos de Gusmão, em 1214, como meio para salvar a Europa de uma heresia.
Eram os albigenses, que, como uma epidemia maldita, contagiavam com seus erros outros países, a partir do norte da Itália e da região de Albi, no sul da França. De onde o nome de albigenses atribuído a esses hereges, conhecidos também como cátaros (do grego: puros), pois assim soberbamente se auto nomeavam.
Eram lobos disfarçados com pele de ovelha, infiltraram-se nos meios católicos para melhor enganar e captar simpatia. Tais hereges pregavam, entre outros erros, o panteísmo, o amor livre, a abolição das riquezas, da hierarquia social e da propriedade particular — salta aos olhos a semelhança com o comunismo.
Várias regiões da Europa do século XIII ficaram infestadas pela heresia albigense, e toda a reação católica visando contê-la mostrava-se ineficaz. Os hereges, após conquistar muitas almas, destruir muitos altares e derramar muito sangue católico, pareciam definitivamente vitoriosos.
São Domingos (mais tarde fundador da Ordem Dominicana) intrepidamente empenhou-se no combate à seita albigense, não conseguindo, porém, sobrepujar o ímpeto dos hereges, que continuavam pervertendo os fiéis católicos. E os que não se pervertiam eram massacrados.
Desolado, São Domingos suplicou à Virgem Santíssima que lhe indicasse uma eficaz arma espiritual capaz de derrotar aqueles terríveis adversários da Santa Igreja.
A Aparição da Santíssima Virgem
Quando tudo parecia perdido, Nossa Senhora interveio nos acontecimentos para salvar a Cristandade desse mal.
O Bem-aventurado Alain de la Roche (1428 – 1475), célebre pregador da Ordem Dominicana, no livro Da dignidade do Saltério, narra a aparição de Nossa Senhora a São Domingos, em 1214. Nessa aparição, Ela ensina aquele Santo a pregar o Rosário (também chamado Saltério de Maria, em lembrança dos 150 salmos de Davi) para salvação das almas e conversão dos hereges.
Na obra de São Luís Grignion de Montfort acima citada, ele transcreve tal narração:
Vendo São Domingos que os crimes dos homens criavam obstáculos à conversão dos albigenses, entrou em um bosque próximo a Toulouse e passou nele três dias e três noites em contínua oração e penitência, não cessando de gemer, de chorar e de macerar seu corpo com disciplinas para aplacar a cólera de Deus, até cair meio morto.
A Santíssima Virgem, acompanhada de três princesas do Céu, lhe apareceu e disse:
— Sabes tu, meu querido Domingos, de que arma se serviu a Santíssima Trindade para reformar o mundo?
— Ó Senhora! – respondeu ele – Vós o sabeis melhor do que eu, porque depois de vosso Filho Jesus Cristo, fostes o principal instrumento de nossa salvação’.
Ela acrescentou:
— Saiba que a peça principal da bateria foi a saudação Angélica, que é o fundamento do Novo Testamento; e portanto, se queres ganhar para Deus estes corações endurecidos, reza meu Saltério.
Rosário esmaga heresia albigense
O Santo se levantou muito consolado e abrasado de zelo pelo bem daquela gente; entrou na igreja catedral; no mesmo momento os sinos tocaram, pela intervenção dos anjos, para reunir os habitantes. No princípio da pregação, formou-se uma espantosa tormenta; a terra tremeu, o sol se obscureceu, os repetidos trovões e os relâmpagos fizeram estremecer e empalidecer os ouvintes; e aumentou seu terror ao ver uma imagem da Santíssima Virgem, exposta em lugar proeminente, levantar os braços três vezes ao Céu para pedir a Deus vingança contra eles, se não se convertessem e não recorressem à proteção da Santa Mãe de Deus.
O Céu queria por esses prodígios aumentar a nova devoção do santo Rosário e torná-la mais notória.
A tormenta cessou por fim, pelas orações de São Domingos. Ele continuou seu sermão, e explicou com tanto fervor e entusiasmo a excelência do santo Rosário, que os moradores de Toulouse (um dos principais focos da heresia) o abraçaram quase todos e renunciaram a seus erros, vendo-se em pouco tempo uma grande mudança na vida e nos costumes da cidade.
Melhor artilharia contra o demônio e sequazes.
Empunhando a potente arma do Rosário, São Domingos retornou ao combate, pregando incansavelmente na França, Itália e Espanha a devoção que a própria Senhora do Rosário lhe ensinara, e por todas as partes reconquistava as almas: os católicos tíbios se afervoravam, os fervorosos se santificavam; as ordens religiosas floresciam; convertia os hereges, que, abjurando seus erros, voltavam à Igreja aos milhares; os pecadores se arrependiam e faziam penitência; expulsava os demônios de possessos; operava milagres e curas. Somente na Lombardia, o ardoroso cruzado do Rosário converteu mais de 100 mil hereges albigenses.
Tudo por meio da melhor artilharia contra o demônio e seus seguidores: o Santo Rosário.
O herói Conde Simão de Montfort.
Mas restavam ainda aqueles hereges empedernidos, que não se convertiam de nenhum modo, e procuravam reverter a derrota fazendo estragos em alguns outros países. Para resolver o problema, Nossa Senhora, além do heróico São Domingos, suscitou outro herói para erradicar da Europa a heresia: o admirável Conde Simão de Montfort. O primeiro empunhou como arma o Rosário, o segundo empunhou a espada. Uma combinação perfeita: o espírito de oração com o espírito de cruzada em defesa da Fé Católica.
A história de Simão de Montfort é, além de admirável, extensa. Citemos a propósito, apenas de passagem, um trecho extraído do livro de São Luís Grignion de Montfort (o sobrenome de ambos é o mesmo, embora, segundo parece, não fossem parentes – pelo menos não há dados concludentes a respeito):
Quem poderá contar as vitórias que Simão, Conde de Montfort, obteve contra os albigenses sob a proteção de Nossa Senhora do Rosário? Foram tão notáveis, que jamais se viu no mundo coisa parecida. Com quinhentos homens, desbaratou um exército de dez mil hereges.
Outra vez, com trinta homens, venceu a três mil. Depois, com mil infantes e quinhentos cavaleiros, fez em pedaços o exército do rei de Aragão, composto de cem mil homens, perdendo somente oito soldados de infantaria e um de cavalaria.
Livre a França da heresia albigense, a devoção ao Santo Rosário atravessou as fronteiras. São Domingos pregou incansavelmente, até o fim de seus dias, esta milagrosa e eficientíssima devoção nos países vizinhos, colhendo neles semelhantes frutos. Atravessou não somente as fronteiras européias, mas os continentes e também os séculos, uma vez que, até os presentes dias, o Rosário é rezado com grande fruto em todos os países do mundo.
Os Papas recomendam o Rosário
Pio IX: “Assim como São Domingos se valeu do Rosário como de uma espada para destruir a nefanda heresia dos albigenses, assim também hoje os fiéis exercitando o uso desta arma — que é a reza cotidiana do Rosário — facilmente conseguirão destruir os monstruosos erros e impiedades que por todas as partes se levantam” (Encíclica Egregiis, de 3 de dezembro de 1856).
Leão XIII: “Queira Deus — é este um ardente desejo Nosso — que esta prática de piedade retome em toda parte o seu antigo lugar de honra! Nas cidades e aldeias, nas famílias e nos locais de trabalho, entre as elites e os humildes, seja o Rosário amado e venerado como insigne distintivo da profissão cristã e o auxílio mais eficaz para nos propiciar a divina clemência” (Encíclica Jucunda semper, de 8 de setembro de 1894).
São Pio X: “O Rosário é a mais bela e a mais preciosa de todas as orações à Medianeira de todas as graças: é a prece que mais toca o coração da Mãe de Deus. Rezai-o todos os dias”.
Bento XV: “A Igreja, sobretudo por meio do Rosário, sempre encontrou nEla a Mãe da graça e a Mãe da misericórdia, precisamente conforme tem o costume de saudá-La. Por isso, os Romanos Pontífices jamais deixaram passar ocasião alguma, até o presente, de exaltar com os maiores louvores o Rosário mariano, e de enriquecê-lo com indulgências apostólicas”.
Pio XI: “Uma arma poderosíssima para pôr em fuga os demônios .... Ademais, o Rosário de Maria é de grande valor não só para derrotar os que odeiam a Deus e os inimigos da Religião, como também estimula, alimenta e atrai para as nossas almas as virtudes evangélicas” (Encíclica Ingravescentibus malis, de 29 de setembro de 1937).
Pio XII: “Será vão o esforço de remediar a situação decadente da sociedade civil, se a família, princípio e base de toda a sociedade humana, não se ajustar diligentemente à lei do Evangelho. E nós afirmamos que, para desempenho cabal deste árduo dever, é sobretudo conveniente o costume do Rosário em família” (Encíclica Ingruentium malorum, de 15 de setembro de 1951).
João XXIII: “Como exercício de devoção cristã, entre os fiéis de rito latino, .... o Rosário ocupa o primeiro lugar depois da Santa Missa e do Breviário, para os eclesiásticos, e da participação nos Sacramentos, para os leigos” (Carta Apostólica Il religioso convegno, de 19 de setembro de 1961).
Paulo VI: “Não deixeis de inculcar com toda a diligência e insistência o Rosário marial, forma de oração tão grata à Virgem Mãe de Deus e tão freqüentemente recomendada pelos Romanos Pontífices, pela qual se proporciona aos fiéis o mais excelente meio de cumprir de modo suave e eficaz o preceito do Divino Mestre: ‘Pedi e recebereis, buscai e achareis, batei e abrir-se-vos-á’ (Mt. 7, 7) (Encíclica Mense maio, de 19 de abril de 1965).
João Paulo II: “O Rosário, lentamente recitado e meditado — em família, em comunidade, pessoalmente — vos fará penetrar pouco a pouco nos sentimentos de Jesus Cristo e de sua Mãe, evocando todos os acontecimentos que são a chave de nossa salvação (Alocução de 6 de maio de 1980).
Inimigos internos e externos vencidos pelo Rosário
Como acabamos de ver, São Domingos, com a cruzada de orações que empreendeu por meio do Rosário, derrotou os inimigos internos da Igreja vencendo a seita albigense infiltrada entre os católicos. Veremos agora um exemplo histórico de como o Santo Rosário derrotou inimigos externos da Cristandade.
No século XVI, o poderio otomano (sobretudo o Império turco, de religião muçulmana) crescia espantosamente e tudo empreendia para aniquilar e dominar a Europa cristã. Os turcos já haviam conquistado Constantinopla e ocupado a ilha de Chipre, de onde pretendiam marchar em direção ao Ocidente.
Em face do iminente perigo para a Cristandade, o Sumo Pontífice de então, o Papa São Pio V, conclamou os príncipes europeus a se unirem numa frente comum contra o inimigo. Reuniu uma pequena esquadra composta com o apoio de Felipe II da Espanha, das Repúblicas de Veneza e de Gênova e do Reino de Nápoles, além de um contingente dos Estados Pontifícios.
São Pio V não desanimou ante a desproporção das forças, pois confiava mais na proteção de Deus e de sua Santíssima Mãe. Entregou ao generalíssimo D. João d’Áustria o comando da esquadra e deu-lhe um estandarte com a imagem de Nossa Senhora, pedindo-lhe que partisse logo ao encontro do inimigo.
Na batalha de Lepanto: A vitória salvadora.
Há 436 anos, em 7 de outubro de 1571, a esquadra católica, composta de aproximadamente 200 galeras, concentrou-se no golfo de Lepanto. D. João d’ Áustria mandou hastear o estandarte oferecido pelo Papa e bradou: “Aqui venceremos ou morremos”, e deu a ordem de batalha contra os seguidores de Maomé. Os primeiros embates foram favoráveis aos muçulmanos, que, formados em meia-lua, desfecharam violenta carga. Os católicos, com o Terço ao pescoço, prontos a dar a vida por Deus e tirar a dos infiéis, respondiam aos ataques com o máximo vigor possível.
Mas, apesar da bravura dos soldados de Cristo, a numerosíssima frota do Islã, comandada por Ali-Pachá, parecia vencer. Após 10 horas de encarniçado embate, os batalhadores católicos receavam a derrota, que traria graves conseqüências para a Civilização Cristã européia. Mas, ó prodígio! Ficaram surpresos ao perceberem que, inexplicavelmente e de repente, os muçulmanos, apavorados, bateram em retirada...
Obtiveram mais tarde a explicação: aprisionados pelos católicos, alguns mouros confessaram que uma brilhante e majestosa Senhora aparecera no céu, ameaçando-os e incutindo-lhes tanto medo, que entraram em pânico e começaram a fugir.
Logo no início da retirada dos barcos muçulmanos, os católicos reanimaram-se e reverteram a batalha: os infiéis perderam 224 navios (130 capturados e mais de 90 afundados ou incendiados), quase 9.000 maometanos foram capturados e 25.000 morreram. Ao passo que as perdas católicas foram bem menores: 8.000 homens e apenas 17 galeras perdidas.
Vitória alcançada pelo Rosário.
Enquanto se travava a batalha contra os turcos em águas de Lepanto, a Cristandade rogava o auxílio da Rainha do Santíssimo Rosário. Em Roma, o Papa São Pio V pediu aos fiéis que redobrassem as preces. As Confrarias do Rosário promoviam procissões e orações nas igrejas, suplicando a vitória da armada católica.
O Pontífice, grande devoto do Rosário, no momento em que se dava o desfecho da famosa batalha, teve uma visão sobrenatural, na qual ele tomou conhecimento de que a armada católica acabara de obter espetacular vitória. E imediatamente, exultando de alegria, voltou-se para seus acompanhantes exclamando: “Vamos agradecer a Jesus Cristo a vitória que acaba de conceder à nossa esquadra”.
A milagrosa visão foi confirmada somente na noite do dia 21 de outubro (duas semanas após o grande acontecimento), quando, por fim, o correio chegou a Roma com a notícia. São Pio V tinha meios mais rápidos para se informar...
Em memória da estupenda intervenção de Maria Santíssima, o Papa dirigiu-se em procissão à Basílica de São Pedro, onde cantou o Te Deum Laudamus e introduziu a invocação Auxílio dos Cristãos na Ladainha de Nossa Senhora. E para perpetuar essa extraordinária vitória da Cristandade, foi instituída a festa de Nossa Senhora da Vitória, que, dois anos mais tarde, tomou a denominação de festa de Nossa Senhora do Rosário, comemorada pela Igreja no dia 7 de outubro de cada ano.
Ainda com o mesmo objetivo, de deixar gravado para sempre na História que a Vitória de Lepanto se deveu à intercessão da Senhora do Rosário, o senado veneziano mandou pintar um quadro representando a batalha naval com a seguinte inscrição: “Non virtus, non arma, non duces, sed Maria Rosarii victores nos fecit”. (Nem as tropas, nem as armas, nem os comandantes, mas a Virgem Maria do Rosário é que nos deu a vitória).
Milagre: tropas soviéticas retiram-se da Áustria
Expulsos pelo Rosário Sem armas e sem sangue, Áustria se liberta dos comunistas.
Após a II Guerra Mundial, parte do território austríaco ficou sob domínio comunista. Tudo foi feito para que os russos se retirassem, todos os meios diplomáticos foram empregados. Contudo parecia impossível obter a retirada dos tiranos soviéticos que oprimiam o país católico.
Através da recitação do Rosário, a nação austríaca inteira implorou a libertação a Nossa Senhora de Fátima, pois só um milagre a salvaria.
Foi constituído um movimento chamado Rosenkranzsühnekreuzzug (Cruzada Reparadora do Santo Rosário), por iniciativa do Padre capuchinho Petrus Pavlicek (1902 – 1982). Em todas as cidades, vilas e aldeias crescia o número de pessoas que aderiam ao movimento, comprometendo-se a rezar o Rosário numa determinada hora. De tal modo que, 24 horas por dia, sempre havia austríacos rezando, rogando à Virgem Santíssima pela libertação do país do jugo comunista.
Muitas procissões foram organizadas nessa intenção. A maior delas talvez tenha sido a realizada em 12 de setembro de 1954: uma enorme procissão “aux flambeaux” (com tochas) em homenagem a Nossa Senhora de Fátima, da qual participaram muitas autoridades.
500 mil austríacos já haviam aderido a essa Cruzada de orações em 1955. A Senhora do Rosário atendeu as insistentes súplicas, e o impossível – naturalmente falando – ocorreu: em maio de 1955 as tropas soviéticas abandonaram o território austríaco. Um autêntico milagre!
O que é o Terço ?
Cada Terço corresponde (a terça parte de um Rosário) e compõe-se de cinco Mistérios, ou cinco dezenas; cada dezena corresponde a um Pai-Nosso, dez Ave-Marias e um Glória ao Pai (é aconselhável que se reze após o Glória a oração: “Ó meu Jesus perdoai-nos...”, que Nossa Senhora em Fátima recomendou aos três pastorinhos de Fátima).
Antes de iniciar cada dezena, enuncia-se o Mistério correspondente e nele devemos MEDITAR, ou seja, PENSAR, enquanto rezamos as Ave-Marias. No final de cada Terço (que equivale a 50 Ave-Marias), é recomendável rezar uma Salve Rainha ou um Lembrai-Vos.
O Terço e também o Rosário inicia-se com a recitação do Credo (resumo das principais verdades cristãs, nas quais todo católico deve crer), mas antes de começar a rezá-lo convém enunciar as intenções pelas quais estamos pedindo. Pode-se colocar quantas intenções se desejar, bem como pedir a graça de orar com piedade, fervorosamente e sem distrações.
Qual é o conteúdo do Rosário?
O Rosário se organizou tendo como referência os 150 salmos contidos na Sagrada Escritura. A cada salmo, corresponde a uma Ave-Maria. A cada dezena de Ave-Marias, intercalou-se um fato da vida de Jesus, um “mistério”. Mistérios da alegria, da dor e da glória. Portanto 15 Mistérios ou 15 dezenas, equivale a 150 Ave-Marias (lembram os 150 salmos — poemas religiosos — de Davi, como já se mencionou acima). Assim o Rosário é a soma dos três Terços.
Quando rezar o Rosário, pode-se — e por vezes é até conveniente — recitar os três Terços separadamente, como, por exemplo, rezando um Terço no período da manhã, outro à tarde e o terceiro à noite. No final recomenda-se recitar a Ladainha lauretana.
No primeiro Terço contemplam-se os Mistérios Gozosos (as alegrias da Virgem Santíssima), no segundo os Mistérios Dolorosos (as dores de Nosso Senhor Jesus Cristo na Paixão e Morte) e no terceiro os Mistérios Gloriosos (os triunfos de Nosso Senhor e de Nossa Senhora).
Quando a pessoa reza apenas um Terço (e não o Rosário inteiro), o costume é, nas segundas e quintas-feiras, meditar os Mistérios Gozosos; nas terças e sextas-feiras os Dolorosos; e nas quartas, sábados e domingos os Gloriosos.
Esses 15 Mistérios correspondem aos principais acontecimentos da Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor e aos principais acontecimentos da vida de sua Santíssima Mãe.
A simbologia do Rosário.
O próprio Rosário é um símbolo. Ele forma um círculo. Sua saída coincide com a chegada. Lembra o que Jesus falou: saí do Pai e volto ao Pai (Jo 16, 28). Nós também viemos do Pai e devemos voltar a Ele. A forma de fazê-lo é seguir Cristo, que se declarou nosso caminho (Jo 14, 8) e convida a cada um a segui-lo (Mt 19,21).
Pelo Rosário, meditamos na peregrinação que Jesus fez por este mundo unindo-nos pelo fio da fé. Sem a fé, os dias de nossa vida viram um amontoado de contas perdidas no chão, como acontece com as contas do terço quando se quebra o fio que as mantém unidas.
O centro do Rosário é Cristo crucificado. Tendo-o nas mãos, recorda que nossa vida e nossa oração devem ter seu centro em Cristo, em união com a Mãe de Deus e Nossa Mãe, Maria Santíssima.
O Pai-Nosso.
O Rosário ensinado diretamente por Nossa Senhora compõe-se das mais sublimes orações. A começar pelo Pai-Nosso, ensinado pelo próprio Nosso Senhor Jesus Cristo aos Apóstolos, quando estes pediram: “Ensinai-nos a rezar” (Lucas 11, 1). O Divino Redentor pronunciou as palavras do Pai-Nosso, indicando-nos o meio de glorificar a Deus. É claro que Ele não deixará de ouvir-nos, uma vez que suplicamos com as próprias palavras que Ele nos ensinou.
A Ave-Maria.
Sem dúvida, uma das mais belas orações é a Ave-Maria, composta com a saudação do Arcanjo São Gabriel, “Ave, ó cheia de graça, o Senhor é contigo”; com as palavras de Santa Isabel, “Bendita sois Vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre”; e com o acréscimo inserido pela Igreja, “Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém”. Em poucas palavras essa oração encerra as principais grandezas de Nossa Senhora.
Diz São Luís Grignion de Montfort:
“A saudação angélica resume na mais concisa síntese toda a teologia cristã sobre a Santíssima Virgem. Há nela um louvor e uma invocação: encerra o louvor da verdadeira grandeza de Maria; a invocação contém tudo que devemos pedir-Lhe e o que de sua bondade podemos alcançar”.
Este mesmo santo, e grande apóstolo do Rosário, conta que os hereges têm horror à Ave-Maria. Eles podem até aprender a recitar o Pai-Nosso, mas nunca a Ave-Maria: “Todos os hereges que são filhos do diabo.... prefeririam carregar sobre si uma serpente antes que um rosário”.
Não há graças que Deus não nos possa alcançar por meio de Maria a quem peça por meio do Rosário. No entanto é bom lembrar que devemos nos preparar para alcançar as graças que tanto pedimos.
Como devemos nos preparar.
Fazendo uma boa confissão a um Sacerdote com um arrependimento profundo e repeti-la periodicamente ao menos uma vez por mês, receber a Santíssima Eucaristia sempre que possível e que estivermos preparados para a receber, rezar o Creio que é a profissão de Fé nas verdades católicas.
Rezar nas intenções do Santo Padre o Papa. Ao menos 01 Pai Nosso 01 Ave Maria e 01 Glória ao Pai.
Também procurar estar dentro dos 7 Sacramentos da Igreja, próprio da condição de cada um, e observar os 10 Mandamentos da Lei de Deus.
Há inúmeros documentos pontifícios exaltando a excelência do Santíssimo Rosário. Neles os Papas recomendam empenhadamente essa devoção. Devemos nos preparar para receber estas graças (indulgências), pois o Rosário foi enriquecido ao longo dos séculos pelos Pontífices com inúmeras indulgências.
Perseverar, em todos os dias na Oração, para que Maria interceda a Jesus que na Sua infinita Misericórdia nos conceda os meios de alcançar estas graças.
O que é rezar ?
Rezar é falar com Deus. Se dirigir a Deus, se expressar; seja com o pensamento ou com a voz.
Como rezar bem.
Agora que já tomamos conhecimento da importância do Santo Rosário, de sua maravilhosa história e em que orações consiste, veremos não apenas como rezá-lo — o que é muito fácil —, mas como rezar bem, o que não é muito difícil, bastando um pouco de atenção.
Rezar bem o Rosário é simples e está ao alcance de todos. Não é necessário ser um sábio ou um doutor em teologia. Além das singelas orações acima indicadas, precisamos apenas contemplar os mistérios e as palavras da cada oração, algo que até crianças podem fazer.
Oração vocal e oração mental.
A oração vocal é a recitação piedosa das cinco dezenas de Ave-Marias (no caso do Terço), ou das 15 dezenas (no caso do Rosário). No início de cada conjunto de 10 Ave-Marias reza-se o Pai-Nosso, e no final o Glória ao Pai.
Em que consiste a oração mental ?
Enquanto se pronuncia as orações, em PENSAR OU CONTEMPLAR os Mistérios (pode-se também MEDITAR, PENSAR nas palavras da Ave-Maria, do Pai-Nosso ou do Glória).
O Rosário é um colóquio (uma conversa) com Deus e Nossa Senhora. Enquanto com a voz Os louvamos, com o PENSAMENTO MEDITAMOS nos sublimes mistérios, pois, sendo o homem composto de corpo e alma, com a boca e com a mente deve glorificar seu Criador. O que equivale ao nosso dito popular: “Não falar só da boca pra fora”, ou seja, sem amor, sem coração, sem meditação. Se isso não acontecer poderá ser em vão nossa oração.
Claro que tanto mais eficácia terá essa arma quanto maior nosso envolvimento e devoção a utilizarmos. Assim, evitar de rezar o Rosário despachadamente e distraído; procurar recitá-lo piedosamente e com atenção, se possível de joelhos diante do Tabernáculo (sacrário) ou de uma imagem de Jesus e/ou Nossa Senhora, vestido decentemente (homens e mulheres e crianças) com respeito máximo e humildade a quem se dirige como a Santa Igreja antigamente e hoje sempre ensinou.
Pode-se, porém, rezá-lo também sentado ou de pé — até mesmo deitado, em caso de enfermidade, muito cansaço ou outra causa proporcionada —, mesmo andando, mas evitando o quanto possível as distrações. Devemos criar condições ambientais para facilitar nossa concentração no que estamos fazendo.
Por isso Jesus levantava de madrugada para rezar. Subia as montanhas para buscar o silêncio. Saía das cidades para rezar. Muitos santos faziam isso.
Nós podemos nos fechar no quarto, no escritório ou nas Igrejas em qualquer lugar em que ajude a nos concentrar; tirar tempo para Deus.
Entretanto, a distração involuntária, mesmo freqüente, não invalida o valor da oração. Nunca se deve deixar de rezar o Terço por causa de distrações. Pelo contrário, se temos dificuldade de rezar com perfeição, rezemos ainda mais, para compensar um tanto pela quantidade o que faltou à qualidade. Nosso Senhor elogia no Evangelho a oração insistente.
O demônio inventará artifícios para nos distrair com bobagens, mas precisamos rejeitá-las e concentrar nossa atenção. Se fizermos esforços para rezar bem, ainda que não o consigamos inteiramente, isto já é agradável a Nossa Senhora.
Rezar com Fé.
Fé significa acreditar, ter confiança que algo se realizará, ter confiança no que estamos fazendo.
Quando rezamos (pedimos, agradecemos, louvamos) temos a CERTEZA ABSOLUTA que Deus com a Santíssima Virgem e todo os Céus está nos ouvindo e vendo tudo. Pode Deus por intercessão de Maria não nos conceder aquilo que pedimos, mas pode nos conceder outras graças que não as pedimos e que são mais importantes para nós naquele momento. Pode também não nos conceder quando desejamos, mas sim quando realmente necessitamos.
As vezes para testar nossa fé e perseverança pode demorar um pouco em nos atender, mas é de ABSOLUTA CERTEZA que nos atenderá, só não o sabemos quando; pode ser na hora ou mais adiante...
Devemos lembrar: rezamos todos os dias no Pai Nosso seja feita a TUA VONTADE...
“Quem reza se salva, quem não reza se condena”.
Que oração será a mais eficaz a fim de alcançar toda espécie de graças para nós, tão necessitados? E para a humanidade, tão depravada? Os Papas, os Santos e a Igreja em geral incentivam de todos os modos esta devoção, que a própria Medianeira de todas as graças nos ensinou.
Rezar o Santo Rosário é ser atendido com segurança, pois o Divino Filho de Maria Santíssima sempre ouve os rogos de sua Mãe. Boníssima Mãe nossa, que é também a Mãe do Juiz que nos julgará em nosso último dia. Assim sendo, nada melhor que termos como advogada Aquela que nos obterá toda espécie de graças para chegarmos bem diante do supremo Juiz.
Está portanto em nossas mãos a arma para a salvação, tanto nossa como deste caótico e desmoralizado mundo de hoje.
As Indulgências.
Devoção tão recomendada pelos Papas e tão aprovada pela Igreja, é o Rosário da Virgem Santíssima cumulado de indulgências.
Indulgência é uma remissão da pena temporal dos pecados. Com a confissão que fazemos de nossos pecados, somos perdoados de nossas culpas, mas permanecem as penas temporais devidas ao pecado.
O cumprimento da penitência imposta pelo sacerdote, após a absolvição, satisfaz parcialmente as penas temporais. Os sofrimentos que padecemos ajudam também a pagar tais penas. Contudo podem ainda aliviar as penas temporais as indulgências que a Igreja concede às almas em estado de graça, pelos méritos de Nosso Senhor e de Sua Santíssima Mãe e dos santos.
Mas as indulgências são concedidas, sob certas condições, por determinados atos de piedade. Um deles é a recitação do Rosário. Quando o rezamos em igreja, em oratório público ou em família, ou ainda em comunidade religiosa, lucramos uma indulgência plenária (libera no todo a pena temporal), e quando rezamos o Rosário em outras circunstâncias, lucramos indulgência parcial (libera em parte a pena).
Mesmo rezando apenas um Terço do Rosário podemos lucrar a indulgência plenária, mas as cinco dezenas devem ser recitadas (oração vocal) sem interrupção e meditando (oração mental) cada um dos cinco mistérios.
Nossa Senhora do Rosário, terror dos demônios.
Por imposição de Deus, o próprio demônio, em algumas circunstâncias, foi obrigado a confessar — muito a contragosto em alguns exorcismos... — que a Santíssima Virgem era sua maior inimiga, pois Ela conseguia salvar almas que estavam já em suas garras, praticamente condenadas ao inferno.
Nossa Senhora é o Terror dos demônios, Aquela que esmaga a cabeça da serpente infernal, como é representada em muitas de suas imagens – na Medalha Milagrosa, por exemplo. Em seu famosíssimo Tratado da Verdadeira Devoção, São Luís Maria Grignion de Montfort escreve: "Maria é a mais terrível inimiga que Deus armou contra o demônio”.
E, ainda nesse mesmo sentido: “Armai-vos, pois, com estas armas de Deus, armai-vos do santo Rosário e esmagareis a cabeça do demônio, e vivereis tranqüilos contra todas suas tentações. Daí vem que o Rosário, mesmo o objeto material, seja tão terrível ao diabo, que os Santos se tenham servido dele para encadear o demônio e expulsá-lo do corpo dos possessos, segundo testemunham várias histórias”.
De onde se vê que é excelente ter sempre consigo o Terço no bolso, durante o dia, e à noite ao pescoço ou sob o travesseiro.
Uma arma por excelência da vitória sobre o mal.
Depois da Santa Missa o Rosário é a arma secreta mais poderosa que Deus coloca nas mãos de seus fiéis soldados, na luta contra Satanás e seus sequazes que andam pelo mundo para perder as almas. Esta poderosíssima arma está à disposição de todos os católicos devotos do Rosário da Santíssima Virgem. Com ela receberemos proteção nos assaltos do demônio e estaremos prontos a enfrentar todas as dificuldades desta vida.
Quem nos garante isto é o próprio São Luís Grignion de Montfort:
“Ainda que vos encontrásseis à beira do abismo ou já tivésseis um pé no inferno; ainda que tivésseis vendido vossa alma ao diabo, ainda que fôsseis um herege endurecido e obstinado como um demônio, cedo ou tarde vos converteríeis e salvaríeis, desde que (vos repito, e notai as palavras e os termos de meu conselho) rezeis devotamente todos os dias o Santo Rosário até a morte, para conhecer a verdade e obter a contrição e o perdão de vossos pecados”.
Benefícios e graças que podemos conseguir rezando o Santo Rosário com a meditação dos mistérios:
> Eleva-nos insensivelmente ao perfeito conhecimento de Jesus Cristo;
> purifica nossas almas do pecado;
> permite-nos vencer a nossos inimigos;
> facilita-nos a prática das virtudes;
> abrasa-nos no amor de Jesus Cristo;
> habilita-nos a pagar nossas dívidas para com Deus e os homens;
> por fim, obtém-nos de Deus toda espécie de graças.
São Luís Grignion de Montfort
(Obras de San Luis Maria Grignion de Montfort, El secreto admirable del Santissimo Rosario, Biblioteca de Autores Cristianos, Madrid, 1954, p. 353).
As orações do Rosário.
Credo. (Creio)
“Creio em um só Deus, Pai todo poderoso, Criador do Céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis. Creio em um só Senhor, JESUS CRISTO, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, luz de luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Por ele todas as coisas foram feitas. E por nós, homens, e para nossa salvação desceu dos Céus. E se encarnou pelo ESPÍRITO SANTO, no seio da Virgem MARIA e se fez homem. Também por nós homens, foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as escrituras; e subiu aos Céus, onde está sentado à direita do PAI. De novo há de vir em Sua Glória, para julgar os vivos e os mortos; e o Seu Reino não terá fim. Creio no ESPÍRITO SANTO, Senhor que dá a vida, e procede do PAI e do FILHO. Com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: ELE que falou pelos profetas. Creio na Igreja uma, santa, católica e apostólica. Professo um só batismo para a remissão dos pecados. E espero a ressurreição dos mortos, e a vida do mundo que há de vir. Amém.”
Pai-Nosso.
Pai nosso que estais no Céu, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade assim na Terra como no Céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos os nossos devedores; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Ave-Maria.
Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois Vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus e nossa mãe, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.
Glória.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Assim como era no princípio, agora e sempre e por todos os séculos dos séculos. Amém.
Ó meu bom Jesus... (oração ensinada na Aparição de Fátima - Portugal.)
Ó meu bom Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o Céu, principalmente as que mais precisarem.
Salve Rainha.
Salve, Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve! A vós bradamos, degredados filhos de Eva. A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. E, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei, e depois deste desterro mostrai-nos Jesus, bendito fruto de vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria.
Rogai por nós, Santa mãe de Deus.
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.
Lembrai-Vos.
Lembrai-Vos, ó puríssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que têm recorrido à Vossa proteção, implorado a Vossa assistência e reclamado o Vosso socorro fosse por Vós desamparado. Animado eu, pois, de igual confiança, a Vós, ó Virgem entre todas singular, como a Mãe recorro, de Vós me valho, e gemendo sob o peso de meus pecados, me prostro a Vossos pés. Não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus humanado, mas dignai-Vos de as ouvir propícia e de me alcançar o que Vos rogo. Assim seja. Amém.

OS 15 MISTÉRIOS DO SANTO ROSÁRIO

Para rezar o Rosário:

Inicia-se com o sinal da Cruz; ato de contrição (pedido de perdão a Deus), uma invocação ao Divino Espírito Santo (Vinde Espírito Santo... coloca-se as intenções por quem que é oferecido); reza-se o Creio...; 1 Pai Nosso 3 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai...; anuncia-se o Mistério e segue com 1 Pai Nosso e 10 Ave-Marias em cada, até completar os 15 Mistérios; termina com uma Salve Rainha.
No final de cada Mistério reza-se a Jaculatória ensinada por N.Senhora em Fátima, (Ó Meu Bom Jesus Perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente as que mais precisarem.)
A reza de cada dez Ave-Marias está acompanhada pela meditação do mistério respectivo.

Mistérios Gozosos

Segundas e Quintas

Primeiro Mistério Gozoso: A Anunciação do Anjo Gabriel à Maria. (São Lucas 1:28)
Segundo Mistério Gozoso: A Visita de Maria à sua prima Isabel. (São Lucas 1:41,42)
Terceiro Mistério Gozoso: O Nascimento de Jesus (São Lucas 2:7)
Quarto Mistério Gozoso: A Apresentação do Menino Jesus no templo (São Lucas 2:22-23)
Quinto Mistério Gozoso: O Encontro de Jesus no templo (São Lucas 2:46)

Mistérios Dolorosos

Terças e Sextas

Primeiro Mistério Doloroso: A Oração de Jesus no Horto (São Lucas 22:43-44)
Segundo Mistério Doloroso: A Flagelação de Jesus Cristo (São João 19:1)
Terceiro Mistério Doloroso: A Coroação de Espinhos (São Mateus 27:28-29)
Quarto Mistério Doloroso: Jesus Cristo leva a Cruz (São João19:17)
Quinto Mistério Doloroso: A Crucificação e Morte de N.S.J.C. (São Lucas 23:46)

Mistérios Gloriosos

Quartas, Sábados, e Domingos

Primeiro Mistério Glorioso: A Ressurreição de N.S.J.C, (São Marcos 16:6)
Segundo Mistério Glorioso: A Ascensão de Jesus Cristo ao Céu. (São Marcos 16:19)
Terceiro Mistério Glorioso: A Vinda do Divino Espírito Santo (Atos dos Apóstolos 2:4)
Quarto Mistério Glorioso: A Assunção da Virgem Maria (Judite 15:10-11)
Quinto Mistério Glorioso: A Coroação de Maria Santíssima (Apocalipse 12:1)
A Virgem Santíssima em Fátima e o pedido ao Santo Rosário.
Quando Lúcia perguntou à Santíssima Virgem, na aparição de 13 de outubro de 1917, em Fátima, o que desejava, Ela respondeu:
“Quero dizer-te que façam aqui uma capela em minha honra; que sou a Senhora do Rosário; que continuem sempre a rezar o Terço todos os dias”.
“Rezar o Terço todos os dias” — Que conselho mais excelente que este? Que criatura mais elevada que a Virgem Santíssima poderia transmiti-lo? Sendo que a própria Mãe de Deus – e também nossa Mãe – nos faz esse pedido, como poderemos recusá-lo? Impossível seria! Atendendo-A, seremos atendidos e alcançaremos todas as graças que suplicarmos com fé e confiança.
Em várias outras aparições Nossa Senhora recomendou a devoção ao Rosário, mas especialmente em Fátima Ela insistiu nessa prática marial como meio para se obter a conversão do mundo.
Apresentando-se como a Senhora do Rosário, Ela veio alertar o mundo para os terríveis castigos que ocorreriam caso não se desse uma conversão geral; caso os homens não deixassem de ofender a Deus com seus pecados e não houvesse uma reparação por esses pecados.
Isto se passou no início do século XX. Neste início do século XXI, quem se atreveria a dizer que tais pedidos foram atendidos? Claro que ninguém! Basta olhar um pouco em torno de nós, para ver justamente o contrário: a decadência moral acentua-se dia a dia; os Mandamentos de Deus são abandonados; os pecados aumentam; as ofensas a Nosso Senhor tornam-se ainda mais agressivas. Basta abrir os jornais, para constatar a alarmante dissolução da família, as modas imorais, o nudismo, o aborto, a prostituição, as drogas, o homossexualismo etc.
Em vista disso, a Senhora de Fátima pede-nos “oração, penitência e reparação”. Insiste na recitação diária do Rosário, para a conversão das almas pecadoras e do mundo.

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Algumas fotos do 12 e 13 de Outubro no Santuário de Fátima


















# 12 e 13 ottobre: L’Arcivescovo di Mosca presiede a... # October 12/13 : Archbishop of Moscow presides over... # 12 et 13 octobre 2011: Archevêque de Moscou présid... # 12 y 13 de Octubre de 2011: Arzobispo de Moscú pre... # 2011.10.13 Homilia de D. Paolo Pezzi, arcebispo d... # D. Paolo Pezzi, arcebispo de Moscovo, Federação Ru...

 http://02varvara.files.wordpress.com/2008/02/paolo-pezzi.jpg?w=400&h=600


L’Arcivescovo di Mosca, Federazione Russa, presiede il pellegrinaggio anniversario nei giorni 12 e 13 ottobre 2011. Il tema del pellegrinaggio sarà “Eccomi, Signore”.
Mons. Paolo Pezzi  afferma nell’intervista: «L´invito a concludere il pellegrinaggio annuale al Santuario di Fatima mi ha trovato grato perché in questo invito ho percepito una possibilità di riscoprire per me e per la nostra chiesa in Russia la chiamata alla conversione per il bene del mondo».

 
«La devozione alla Madonna di Fatima è viva all`interno della comunità cattolica (in Russia)», riferisce l’Arcivescovo di Mosca

October 12/13 : Archbishop of Moscow presides over the Anniversary Pilgrimage . “The devotion to Our Lady of Fatima is alive inside the Catholic community”, the Archbishop says

http://www.tempi.it/sites/default/files/imagecache/home_view_category/article-image/400px-Paolopezzi.jpg
The Archbishop of Moscow, Russian Federation, presides over the Anniversary Pilgrimage of October 12/13. The theme of the pilgrimage will be: “Here I am, Lord!”
Archbishop Paolo Pezzi, in short declarations from Moscow to the Shrine of Fatima, speaks of his trip to Fatima as if it were a discovery: “The invitation to take part in the annual pilgrimage of October to the Shrine of Fatima made me feel very grateful, because this invitation made me realize that I may be able to discover for myself and for our Church in Russia the call to conversion for the good of the world”.

http://www.santuario-fatima.pt/portal/index.php?id=45799
 
“The devotion to Our Lady of Fatima is alive inside the Catholic community”, the Archbishop says

2011-09-23

12 et 13 octobre 2011: Archevêque de Moscou préside le pèlerinage anniversaire à Fátima . La dévotion à la Vierge de Fatima est vivante au sein de la communauté catholique », dit l`archevêque de Moscou.

 http://www.catholicnewsagency.com/images/3_29_2010_Russians.jpg

L’archevêque de Moscou, de la Fédération Russe, préside le pèlerinage anniversaire d’octobre 2011, les 12 et 13. Le thème du pèlerinage c’est : « Seigneur, me voici ».
« L´invitation à participer au pèlerinage annuel d’octobre m´a laissé reconnaissant, parce que j´ai compris dans cette invitation une occasion de découvrir par moi-même et par notre église de la Russie l’appel à la conversion pour le bien du monde », a affirmé Mgr Paolo Pezzi, dans une interview.
Source:http://www.santuario-fatima.pt/portal/index.php?id=45799
 
« La dévotion à la Vierge de Fatima est vivante au sein de la communauté catholique », dit l`archevêque de Moscou.          

12 y 13 de Octubre de 2011: Arzobispo de Moscú preside la peregrinación aniversaria.

Mgr Paolo Pezzi : Photo CNS /Yuri Mashkov, ITAR-TASS
 «La devoción a Nuestra Señora de Fátima está viva en el interior de la comunidad católica», se refiere el Arzobispo de Moscú.
2011-09-23


En breves declaraciones a la Sala de Prensa del Santuario de Fátima desde Moscú, D. Paolo Pezzi habla de este su viaje a Fátima como un descubrimiento.
“La invitación para participar en la peregrinación anual de octubre al Santuario de Fátima me dejó agradecido, porque percibí en esta invitación una posibilidad de descubrir por mi mismo y por nuestra iglesia en Rusia la invitación a la conversión para el bien del mundo”, afirmó.
D. Paolo Pezzi destaca aún la pertinencia del mensaje de Fátima, como una propuesta accesible para el mundo.
“El mensaje es interesante en la medida en que hay alguien que lo vive, que lo encarna en su vida. Por eso se vuelve tan actual, porque no es un mensaje ideológico que tal vez se contraponga a otro mensaje ideológico, si no una propuesta interesante, accesible al otro a través de mi experiencia”, considera.
El Arzobispo de Moscú revela que hablará a los peregrinos de su experiencia personal sobre “la necesidad de conversión y la gratitud por la Iglesia, el Templo del encuentro de Dios con el hombre que se vuelve deseable a la conversión”.
Hasta el inicio de la mañana del día 22 de hoy (23 de septiembre), 90 grupos de peregrinos, de 21 países, anunciaron, en la Servicio de Peregrinos (SEPE) del Santuario, la intención de participar en la peregrinación. Italia y Alemania son los países más representados, con 26 y 9 grupos inscritos, respectivamente.

El Arzobispo de Moscú vendrá a Fátima acompañado de un grupo de 40 peregrinos procedentes de Moscú y de San Petesburgo.
“La devoción a Nuestra Señora de Fátima  está viva en el interior de la comunidad católica. Para los rusos es mas familiar la devoción a Nuestra Señora a través de los iconos que caracterizaron la historia de nuestro país y que muestran la proximidad de Nuestra Señora a la vida del pueblo, a las dificultades que se viven”, destaca D. Paolo Pezzi.
 

http://www.santuario-fatima.pt/portal/index.php?id=45800

2011.10.13 Homilia de D. Paolo Pezzi, arcebispo de Moscovo na Peregrinação ao Santuário de Fátima a13 de Outubro 2011

 http://www.tracce.it/img/news/21604.jpg
 http://www.cctommasoreggio.org/wp-content/uploads/image/mons_pezzi.jpg

Excelência reverendíssima Dom António [Augusto dos Santos] Marto, bispo de Leiria-Fatima!
Excelências reverendíssimas!
Caros irmãos no sacerdócio!
Caros irmãos e irmãs!
Na primeira leitura de hoje, ouvimos novamente a narração da vocação de Samuel, o grande vidente de Israel, chamado por Deus para vigiar sobre a delicada passagem do povo de Deus a um novo período da sua história: a época dos grandes Reis. O trecho que ouvimos inicia com uma nota de tristeza, de profunda saudade: “O Senhor, naquele tempo – escreve o autor sagrado – falava raras vezes”. Isto significa, na linguagem bíblica, que havia falta de profetas, porque a profecia era a maneira habitual com que Deus continuava a falar ao seu povo: pela voz dos profetas, o Senhor permanecia uma Presença Viva, capaz de intervir e dialogar  com o seu povo sobre os acontecimentos presentes, concretos, da vida do povo. Graças aos profetas a Aliança com Deus não se reduzia à observância da Lei  que Deus tinha entregue a Moisés no Sinai.  Não, Deus não se tinha afastado de Israel, deixando-o a cumprir uma série de preceitos: Ele permanecia presente, continuava a interessar-se pelo seu povo, e precisamente através da voz dos profetas, através das imagens e dos tons das suas palavras, Deus fazia sentir a Israel quanto era real e sério o seu interesse pelo povo da Aliança.
Eis a razão pela qual a ausência  dos profetas era para Israel um sinal de extravio. Será que Deus se esqueceu de nós? Há de facto momentos na história nos quais se pode ter a impressão que Deus se esqueceu do homem. Momentos em que Deus “fica em silêncio”, e a sua voz parece ausente ou abafada por outras. Devemos constatar que é verdade: há momentos na história nos quais o Senhor, por assim dizer, fica em silêncio. Mas isto não significa que se esqueça do homem! Na realidade, também o silêncio de Deus é uma palavra. Melhor – come dizia Inácio de Antioquia  - mesmo os mistérios mais “retumbantes” Deus pronunciou-os no silêncio: a Conceição Virginal, a Incarnação, a Ressurreição … as palavras mais sonoras pronunciou-as no silêncio. E assim, do mesmo modo, também na nossa vida, também na nossa história o silêncio de Deus é sempre carregado de Logos, de palavra, isto é, de significado.
Mas qual? Antes de mais, já o entrevimos meditando sobre a tristeza que transparece das palavras do autor sagrado. Por que se cala Iavé? Porque não foi Ele mas sim o seu povo que esqueceu-se dele. E assim,  precisamente afastando-se, Iavé educa Israel a perceber quanto precisa do Senhor, quanto o povo se vai abaixo se com o coração se afasta dele. Eis então que com o seu silêncio o Senhor nos fala, antes de mais, porque nos faz tomar consciência da necessidade que temos dele. A tristeza, o vazio que toma posse do coração de quem está longe de ti, ó Senhor, é precisamente a primeira palavra com a qual Tu nos chamas, como escreveu de maneira insuperável Agostinho: Fizestes-nos para Ti, ó Deus, e o nosso coração está inquieto enquanto não encontra em Ti a verdadeira paz”.
Mas aquela expressão  - “O Senhor, naquele tempo, falava raras vezes” – além de nos falar da inapagável saudade de Deus que habita no coração do homem, sugere-nos também quanto é importante na nossa vida, mesmo nos momentos em que Deus parece ficar em silêncio, a recordação, a memória das palavras que Deus já nos disse. E deste modo, precisamente no silencio descobrimos antes de mais o valor daquela palavra que nunca falha,  aquela palavra silenciosa que Ele nos dirige em cada instante, com o próprio facto de nos criar a partir do nada, com o próprio facto de nos renovar  no nosso ser em cada instante. Sim, é paradoxalmente no silêncio, quando Deus nos deixa sem outras palavras, que podemos ouvir esta palavra que Ele sussurra nas raízes mais profundas do nosso ser, mas que geralmente não ouvimos, distraídos por causa de muitas outras palavras que parecem mais autênticas e importantes.
E em seguida, depois deste acto de memória, que podemos chamar primordial, existe a memória de todas as outras palavras que Deus nos disse, a memória de toda a história, cheia de acontecimentos, pessoas, rostos, através dos quais o Senhor falou à nossa vida.
A lembrança de Deus! Se nós não cultivamos a recordação de Deus, a memória das palavras que Deus nos disse e continua a dizer no concreto da nossa vida quotidiana, o nosso ser, sem nos apercebermos,  enfraquece, atrofia-se, perde o próprio rosto: porque toda a força  e a certeza do homem está na memória da Aliança com o Deus fiel.
O trecho da Carta de Tiago que ouvimos leva-nos a dar mais um passo: se a escuta da palavra, o dar em nós o espaço para a escuta é a primeira e fundamental tarefa, é necessário também que a palavra de Deus, uma vez ouvida, seja praticada. Na realidade entre escutar e  praticar, entre fé e obras, não há nenhuma oposição nas palavras de São Tiago. Antes, existe uma continuidade: a memória de Cristo – porque Cristo é a Palavra “resumida”, a Palavra em que todas as palavras de Deus se resumem – a memória de Cristo, vivida com fidelidade, torna-se de facto irresistivelmente fermento de mudança da nossa personalidade, impulso para uma nova vida. Um impulso tão irresistível que – como nota São Tiago – só um voluntário e deliberado esquecimento, só a recusa da própria lembrança nos faz parar no processo de mudança. Como um homem que depois de se olhar ao espelho e de ter visto quem é, e de imediato se esquece inexplicavelmente do próprio rosto, assim nos acontece a nós. A razão pela qual a nossa vida parece não se transformar é mesmo esta: a estranha falta de memória, o esquecimento do nosso verdadeiro rosto, que descobrimos só quando olhamos aquele espelho verdadeiro que é o rosto do Senhor,  e nos vemos reflectidos no seu olhar, que nos revela a nós mesmos. Quanto mais eu vivo a memória, a recordação de quem sou aos olhos do Senhor, tanto mais a minha vida se transforma, ao passo que o esquecimento deixa cair a força de lutar, de construir, e leva, enfim, a perder o gosto de viver.
De facto, não é por acaso que todo o poder totalitário – e a nossa história recente o demonstra tragicamente -  teve como fim principal precisamente este: o de remover no povo a memória, a recordação viva da própria história, e especialmente quanto desta história está ligada à dimensão religiosa. Pois é na memória da ligação ao Absoluto, ao Mistério de Deus, que reside  ultimamente a raiz da liberdade dos homens em relação a qualquer poder mundano, e por isso mesmo é esta ligação que o poder deste mundo tem interesse em cortar arrancando-o das consciências. O que o poder deste mundo odeia é mesmo a religiosidade, ou seja, a vida vivida como relação com o Mistério de Deus, como resposta ao Mistério de Deus, Senhor da história.
Para voltarmos  ao acontecimento  de Samuel, que ouvimos na primeira leitura, poderíamos dizer: é a vida vivida como religiosidade que é vocação, isto é, resposta a Deus que chama.
Deus chama-nos: chama-nos à existência dando-nos a vida, e depois chama-nos a servi-lo para colaborar na realização do seu desígno sobre a História. Esta é a verdadeira essência da vida: responder a Deus que nos chama: “Falai, Senhor, que o vosso servo escuta”; “Eis-me aqui, sou a escrava do Senhor, faça-se em mim segundo a vossa palavra” (cfr. Lc 1,38), dirá Maria ao Anjo; e nestas palavras está contido tudo aquilo que é essencial para tornar uma vida realizada, cheia de graça, bem-aventurada: “Salve, ó cheia de graça”, diz de facto o Anjo a Maria. E Ela mesma, na visita a Isabel dirá: “… chamar-me-ão bem-aventurada todas as gerações…” (cfr. Lc 1,28.48).
E nós, hoje, vindo aqui em peregrinação estamos a confirmar uma vez mais que a profecia de Maria é verdadeira. Nós hoje damos o nosso contributo para testemunhar que aquela profecia continua a ser verdadeira: chamar-te-ão bem aventurada.
Nós te agradecemos, ó Virgem, porque voltando para Ti os nossos olhos, nós hoje contemplamos uma vez mais, com admiração e encanto, o essencial para que também a nossa vida se realize: não recusar ao Senhor que chama, o nosso fiat, o nosso sim total.
A este coração do mistério de Maria nos apelam as palavras de Jesus que ouvimos no Evangelho: quem cumpre a vontade de Deus, quem “acolhe e guarda no seu coração” (cfr. Lc 2,19.51) a Palavra de Deus, esse torna-se íntimo do Senhor. Fazendo nossa, acolhendo a vontade de Deus, entramos na intimidade da relação com Deus ou, como diz Tiago, encontramos a felicidade, a realização da nossa vida em caminho.
De  Nossa Senhora nós aprendemos isto. Aprendemos a viver a vida como pertença a Deus, ao Mistério Vivo de Deus.
Perguntemo-nos agora: como é que Maria viveu esta pertença a Deus? Os Evangelhos não nos contam os detalhes. Mas alguma coisa podemos dizer com certeza: Nossa Senhora viveu a própria pertença a Deus no concreto das tarefas quotidianas que tinha para fazer. Nas pequenas ou menos pequenas decisões que tinha para tomar: isto era, para Nossa Senhora, pertencer  a Deus de modo concreto. E isto para nós significa: o pertencer da nossa vida a Deus tem que se desenvolver  nas circunstâncias quotidianas: no trabalho, no estudo, em tudo o que fazemos, quer o que queremos, quer o que temos para fazer, na fatiga e na alegria.
Se, seguindo Maria, vivermos a memória vigilante, activa, do facto de  a nossa vida ser chamada por Deus e que em cada coisa que nos é dado viver estamos a responder a Deus: quando formamos uma família, quando vamos para o trabalho, quando enfrentamos alguma coisa no nosso dia, quando respondemos ao apelo à virgindade, quando entramos no seminário, no mosteiro…, então apercebemo-nos  que é mesmo respondendo ao chamamento que Deus nos faz que cumprimos o nosso desejo de vida, bem além das nossas previsões, percebemos que nos tornamos fecundos, que estamos também nós entre aqueles que edificam o povo de Deus, que somos também nós mães, irmãs e irmãos de Jesus. E que nobreza e gosto de vida sentiremos na nossa existência!
“Os cristãos – disse o Papa Bento XVI na homilia da última Missa Crismal - deveriam tornar visível ao mundo o Deus vivo, testemunhá-Lo e levar até Ele. Somos nós verdadeiramente o santuário de Deus no mundo e para o mundo? Abrimos aos homens o acesso a Deus ou, pelo contrário, escondemo-lo? Porventura nós, povo de Deus, não nos tornamos em grande parte um povo marcado pela incredulidade e pelo afastamento de Deus? Porventura não é verdade que o Ocidente, os países centrais do cristianismo se mostram cansados da sua fé e, enfastiados da sua própria história e cultura, já não querem conhecer a fé em Jesus Cristo? Neste momento, temos motivos para bradar a Deus: «Não permitais que nos tornemos um “não povo”! Fazei que Vos reconheçamos de novo! Fazei que a força do vosso Espírito se torne novamente eficaz em nós, para darmos com alegria testemunho da vossa mensagem!».
Mas, apesar de toda a vergonha pelos nossos erros, não devemos esquecer que existem hoje também exemplos luminosos de fé; pessoas que, pela sua fé e o seu amor, dão esperança ao mundo”.
E o Papa recordou então o Beato João Paulo II, o “grande testemunha de Deus e de Jesus Cristo no nosso tempo, como homem cheio do Espírito Santo” (cfr Bento XVI, Homilia na Missa Crismal 22-04-2011). Em João Paulo II, tão ligado a Nossa Senhora, - Totus Tuus – tivemos um testemunho vivo de um “sim” total e livre à vontade de Deus. O “sim” de João Paulo II é no mundo contemporâneo o eco do “sim” de Nossa Senhora.
Antes de concluirmos, voltemos por um instante àquele momento, ao mistério daquele momento no qual Maria pronunciou o seu “sim”, o seu fiat. O que aconteceu naqueles poucos instantes? No mistério daquele momento, Nossa Senhora teve que intuir que se tratava de um verdadeiro anúncio de Deus. Que através do Anjo era verdadeiramente Deus a falar-lhe. A perturbação de que Lucas nos fala diz-nos que, de certo, nem tudo devia ser claro para Maria. Mas esta intuição foi clara. Assim acontece também em nós. De facto, nenhum de nós é cristão, senão porque de algum modo, por graça, intuiu que Cristo é verdadeiro, a Igreja é verdadeira, o mistério cristão é verdadeiro. Todos tivemos esta intuição.
Então, onde está a grandeza de Nossa Senhora? Na sua simplicidade: Ela disse: “Sim”, e basta. Nós, ao contrário, precisamos sempre de algo diferente. Somos mais complicados. Como se diante da evidência, do poder dos sinais que Deus nos dá para nos ajudar a pronunciar o nosso “sim”, nós encontrássemos sempre razões para sermos cépticos. Maria também podia encontrar razões para ser céptica. Pensemo-la por um instante, permaneceu sozinha em casa, depois  de o Anjo se retirar de junto dela: sozinha diante daquela promessa inaudita que tinha há pouco recebido. Poderia ter dito: “Talvez seja uma ilusão!
E se fosse uma ilusão?” Quantas vezes, diante de umas primeiras dificuldades, dizemos: “não foi verdade, foi uma ilusão!”. Maria está sozinha, também ela tem as suas dificuldades, mas é decidida e fiel. A sua é uma simplicidade cheia de muita força porque permanece fiel, porque se apoia na fidelidade de Deus. Deus é fiel. Até Abraão vacilou, Moisés  tremeu. Maria ao contrario é firme, mesmo na solidão. Maria é uma fortaleza, grande e simples.
Também Bernadette em Lourdes, Lúcia e os Pastorihttp://www.blogger.com/post-create.g?blogID=1968402998113362056nhos aqui em Fátima experimentaram a mesma solidão, mas foram sustentados pela mesma certeza, foram fiéis. 
Peçamos a Nossa Senhora que nos sustente como os sustentou a eles.
Peçamos-lhe que nos ajude na peregrinação, na nossa decisão de caminhar atrás de seu Filho. Peçamos-lhe que nos faça permanecer na lembrança de seu Filho, aquela memória que nela foi dimensão de cada respiro, alma de cada instante. 
Ámen.
D. Paolo Pezzi, arcebispo de Moscovo

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D. Paolo Pezzi, arcebispo de Moscovo, Federação Russa em Fátima : Peçamos a Nossa Senhora a graça da conversão ao Seu Filho, peçamos-lhe que converta o nosso olhar a Cristo, que nos atraia uma vez mais para Ele, verdadeira Beleza; peçamos-lhe que nos aproxime sempre mais dele para habitarmos constantemente nele, verdadeiro templo, lugar de toda a paz, conforto, criatividade para a nossa vida e para homens nossos irmãos.

Presidente: D. Paolo Pezzi, arcebispo de Moscovo, Federação Russa
Peregrinação Internacional de Outubro


 2011.10.12 homilia – Peregrinação ao Santuário de Fátima

(1Rs 8,22-23.27-30; Eb 10,5-7; Jo 2,13-22)

Excelência reverendíssima Dom António [Augusto dos Santos] Marto,
bispo de Leiria-Fatima!
[Excelências reverendíssimas!]
Caros irmãos no sacerdócio!
Caros irmãos e irmãs!
A primeira leitura da liturgia de hoje, festa da Dedicação da Basílica do Santuário de Fátima põe em evidência o encanto repleto de gratidão de Salomão. Ele está encantado e grato  porque Deus veio habitar no meio do Seu povo, porque está presente e age na vida do rei Salomão e do seu povo. Deus cumpriu a promessa que tinha feito a David, seu pai: a promessa de construir um templo, um lugar que seja sinal permanente da presença constante de Deus connosco. O Salmo 132 exprime o mesmo encanto, acrescentando um pormenor comovente: “o Senhor edificou uma morada e nesta morada encontra repouso”. Sim, apenas quando o Senhor encontra finalmente um lugar onde habitar no meio de nós, só então encontra repouso! Pois desde sempre Ele deseja habitar connosco!
Ao mesmo tempo, o templo de Salomão não é o lugar do definitivo repouso de Deus. É mais uma etapa. O Senhor não encontra o seu verdadeiro, definitivo repouso em templos de pedra. O templo de Salomão, de facto, seria destruído e depois reedificado por duas vezes, quase a dizer a inexorável, triste fragilidade de tudo aquilo que o homem constrói com a arte das próprias mãos, mesmo quando a sua finalidade é a glória de Deus. O poder deste mundo, de facto, odeia tudo aquilo que dá glória a Deus, que chama novamente os homens à sua presença. E odeia, por isso, sempre a beleza do templo, que desta Presença é o sinal visível.
Sim, caros amigos, não precisamos de voltar a Nabucodonosor para ter esta confirmação amarga. Também a nossa história recente é marcada pela dolorosa destruição dos templos de pedra, das igrejas. Quantas igrejas foram destruídas na Rússia no século passado, tornando invisível a humanidade nova que nasce da fé, com o único objectivo  de eliminar aquela beleza que com a sua presença atrai os homens para Deus! E quantas devem ser ainda reconstruídas!
De certa forma, a própria história de Israel, tão marcada  pela oscilação entre destruições e reconstruções, é uma história que continua na história do Israel de Deus até ao fim dos tempos.
Ao mesmo tempo, porém, aconteceu algo de novo. Deus encontrou finalmente o repouso, pois construiu-se um templo que não pode ser destruído, um templo «não construído por mãos humanas», um templo que não é de pedra. E este templo indestrutível em que Deus habita é o corpo de Cristo Ressuscitado: Ele mesmo, morto e Ressuscitado, é o templo definitivo, destruído e reedificado para sempre, e deste templo, pela graça, como pedras vivas, tomamos parte também nós. A nossa comunhão em Cristo é então o verdadeiro lugar no qual Deus repousa.  
É o que Jesus sugere no diálogo com a mulher Samaritana. «‘Os nossos pais adoraram a Deus neste monte’, disse a Samaritana a Jesus , ‘vós dizeis que o lugar onde se deve adorar está em Jerusalém’. Jesus declarou-lhe: ‘Mulher, acredita em mim: chegou a hora em que, nem neste monte, nem em Jerusalém, haveis de adorar o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus. Mas chega a hora - e é já - em que os verdadeiros adoradores hão-de adorar o Pai em espírito e verdade, pois são assim os adoradores que o Pai pretende. Deus é espírito; por isso, os que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade’»  (cfr. Jo 4,20-24).
Em espírito e verdade. Mas o que significa “adorar em verdade”? O mesmo Jesus responde no capítulo 14 do mesmo evangelho: “Eu sou a verdade!”, “Eu sou a morada do Espírito!”. Adorar a Deus na verdade significa adorar a Deus permanecendo em Cristo, o homem novo, o Adão celeste, Aquele que em tudo cumpre a vontade do Pai. Cristo é o Templo da definitiva presença de Deus entre os homens.
Mas então todo o nosso ser deve transformar-se num movimento, cheio de gratidão e encanto, para com ele, para com o Senhor Jesus. A alegria de Salomão ao contemplar a beleza do templo torna-se agora em nós a alegria e a admiração com a beleza de Cristo. O desejo do Salmista de subir ao templo para aí contemplar o rosto de Deus alcança em nós uma desconcertante  concretização: torna-se procura de um rosto humano, torna-se saudade de um Rosto humano no qual se vê o Pai: Jesus.
Já não é o templo de pedra mas a presença do Senhor Jesus que é a fonte da nossa gratidão e do nosso encanto. A intimidade com Ele é o caminho para o Pai, a fonte onde bebemos do Espírito no qual conhecemos, adoramos e oramos ao Pai: “Escuta a súplica do teu servo e do teu povo, Israel, quando aqui rezarem. Ouve-os do alto da tua morada, no céu; ouve-os e perdoa!”  (cfr. 1 Re 8,30).
Sim, o próprio Cristo é o lugar donde se eleva a nossa oração: permanecendo nele, no seu Corpo Vivo, abrimo-nos à verdadeira adoração de Deus Trindade, como canta Santa Catarina: “Ó abismo, ó Trindade eterna, ó Divindade, ó mar profundo! Que mais poderias dar-me do que a ti mesmo? Tu és de novo o fogo que faz desaparecer toda a frieza e iluminas as mentes com a tua luz, com aquela luz com que me fizeste conhecer a verdade” (cfr. S. Catarina da Sena, Diálogo sobre a Divina Providência, 167).
Sim, caros irmãos e irmãs! Quando na nossa vida quotidiana se elimina a adoração, permeada de gratidão e encanto, à Santíssima Trindade, então logo enfraquecem o sentido e o gosto da vida. 
Temos por isso sempre a necessidade de ouvir novamente a viva voz de Cristo para sermos renovados.
Diz Dionísio, o Areopagita: “Quem nos poderá falar do amor ao homem próprio de Cristo, transbordante de paz?”  Quem poderá dar alegria e força aos nossos dias, quem poderá dar conforto na dor que acompanha inevitavelmente a vida? Pois a vida, como diz um grande poeta, em partes iguais de alegrias e sofrimentos é feita. A Voz que faz ressoar o Verbo sempre de novo e em modo novo, a Luz que nos mostra Cristo Vivo e Presente agora, é o próprio Espírito Santo, que é Deus. O Espírito pelo qual o Pai ressuscitou Jesus Cristo dos mortos é o mesmo Espírito que nos faz reconhecer Cristo presente e vivo na fé.
Assim como o Corpo de Cristo é o templo que não pode ser destruído, o dom do Espírito não pode ser detido. Não existe força deste mundo que possa limitar o poder do Espírito. Por isso toda a nossa tarefa, a nossa maior responsabilidade, é a de identificar cada vez mais o nosso respiro com o grito: “Vem, Senhor”, “Vem, Santo Espírito”, como diz a oração do peregrino russo. Assim poderemos chegar a repetir, timidamente mas com sinceridade como nossas, as palavras de São Paulo: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim. E a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus que me amou e a si mesmo se entregou por mim” (cfr. Gl. 2,20).
Sem o dom do Espírito, o homem nada pode fazer, tudo se esvazia, tudo se torna mentira, tudo se torna triste. Por meio do Espírito, pelo contrário, nós entramos sempre mais no íntimo do coração de Cristo, e assim acolhemos em nós a mesma Comunhão trinitária, conforme a promessa de Jesus aos discípulos: “Se alguém me tem amor, há-de guardar a minha palavra; e o meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos morada” (cfr Jo 14,23).
Caros irmãos e irmãs! O homem de hoje espera, talvez inconscientemente, a experiência do encontro com pessoas para as quais Cristo é uma realidade tão presente que mudou a vida deles.
Peçamos a Nossa Senhora a graça da conversão ao Seu Filho, peçamos-lhe que converta o nosso olhar a Cristo, que nos atraia uma vez mais para Ele, verdadeira Beleza; peçamos-lhe que nos aproxime sempre mais dele para habitarmos constantemente nele, verdadeiro templo, lugar de toda a paz, conforto, criatividade para a nossa vida e para homens nossos irmãos.
Obra prima da Santíssima Trindade, entre todas as criaturas, é a Virgem Maria: no seu coração humilde e cheio de fé, Deus preparou para si uma digna morada para realizar o mistério da salvação. O Amor divino encontrou nela adesão perfeita e no seu seio o Filho de Deus fez-se homem. Com confiança filial dirijamo-nos a Maria, para que, com a sua ajuda, possamos progredir no amor e fazer da nossa vida um canto de louvor ao Pai por meio do Filho no Espírito Santo.
Fazemo-lo com uma antiga fórmula de oração da tradição da Igreja, que bem exprime o nosso desejo de sermos uma só realidade com seu Filho: Veni Sancte Spiritus, Veni per Mariam.
D. Paolo Pezzi, arcebispo de Moscovo

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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

«La Danza del Sol» 94 aniversario del Milagro de Fátima

 

Título: «La Danza del Sol» 94 aniversario del Milagro de Fátima
Autor: Brother Michel de la Sainte Trinité of the Little Brothers of the Sacred Heart
Original en inglés: The Dance of the Sun
Extraído del libro «The whole truth about Fatima»; § 3. El milagro del 13 de octubre; cap. 10. La danza del sol; (edición inglesa online); la traducción del original en francés al inglés la realizó John Collorafi
Traducción: Alejandro Villarreal -oct. 2011-. Notas añadidas
He aquí los hechos, brevemente desplegados por un periodista del que nadie podría sospechar o acusar de imparcialidad en este asunto, ¡y con razón! El hombre en cuestión es Avelino de Almeida, editor en jefe de O Seculo, el gran diario “liberal”, anticlerical y masónico de Lisboa:
«Desde la carretera, donde los coches quedaron estacionados y varios cientos de personas permanecieron, no teniendo el coraje de avanzar hacia el campo lodoso, uno podía observar a la inmensa multitud mirando hacia el sol, el cual apareció en su zenit, abriéndose paso entre las nubes
«Parecía un disco plateado sin adornos, y era posible fijar la mirada en éste sin el menor daño. No quemaba los ojos, no los cegaba, uno podría decir que estaba ocurriendo un eclipse.
«Un inmenso clamor se levantó, y aquellos quienes estaban más cerca de la multitud les escucharon decir: “¡Milagro!, ¡prodigio!… ¡prodigio! …”
«La actitud de la gente nos transportó a los tiempos bíblicos, estupefactos y con las cabezas descubiertas miraron a los cielos. Ante sus deslumbrados ojos el sol temblaba, el sol realizó movimientos inusuales y bruscos, desafiando todas las leyes del cosmos, y según la típica expresión de los campesinos, “el sol danzó”…» [1]
Enérgicamente confrontado por toda la prensa anticlerical, Avelino de Almeida renovó su testimonio quince días después en su reporte en Illustraçao Portuguesa. Esta vez, él ilustró su relato con una docena de fotografías de la inmensa multitud, que estaba extasiada, y en todo su artículo repitió, como si fuese estribillo: «yo lo vi… yo lo vi… yo lo vi»
Citemos su conclusión:
«¿Qué es lo que vi en Fátima que fue tan extraño? La lluvia, a una hora anunciada por adelantado, cesó de caer; la gruesa capa de nubes se disolvió; y el sol, un disco raso de plata, se dejó ver en su zenit, y comenzó a danzar en un movimiento violento y convulsivo, lo cual fue comparado por un gran número de testigos como la danza de una serpentina, debido a los colores que el sol tomaba en su superficie, tan bellos y brillantes.»
Y nuestro reportero concluye, muy apropiadamente:
«¿Milagro?, ¿cómo la gente vociferó?, ¿un fenómeno natural?, ¿como los estudiosos podrían argumentar? Por el momento no me molesto en definirlo, sino sólo en afirmar lo que vi… El resto es materia entre la ciencia y la Iglesia.»
Contenido:
 

sábado, 1 de outubro de 2011

PRIMER SÁBADO DE MES: DEVOCIÓN REPARADORA


Reparación al Inmaculado Corazón de MaríaLos cinco primeros sábados fueron pedidos por la Santísima Virgen a la Hermana Lucía con el fin de reparar las cinco formas en que es agraviado su Inmaculado Corazón.
1. Blasfemias y ofensas contra la Inmaculada Concepción de María.

2. Blasfemias y ofensas contra su Perpetua Virginidad.

3. Blasfemias y ofensas contra su Divina Maternidad y el rechazo de aceptarla como Madre de todos los hombres

4. En reparación de aquellos que tratan de infundir en los niños la indiferencia, el desprecio y aun el odio hacia esta Madre Inmaculada.

5. Por aquellos que profanan directamente en sus imágenes sagradas.

DURANTE CINCO PRIMEROS SÁBADOS DE MES

1. Confesarse y recibir la Sagrada Comunión; (La confesión puede haecerse unos días antes o después, siempre que se vaya a comulgar en gracia de Dios y formulando el propósito de reparar el Corazón Inmaculado de María. La Sagrada Comunión también se puede recibir al domingo siguiente si por algún motivo no se pudo realizar el primer sábado);
2. Recitar cinco decenas del Rosario;
3. Hacerme compañía durante quince minutos mientras meditan en los quince misterios del Rosario.

¡TODO ELLO CON EL FIN DE DESGRAVIAR EL CORAZÓN INMACULADO DE MARÍA!

GRAN PROMESA DEL INMACULADO CORAZÓN

"Mira, hija mía, mi Corazón rodeado de espinas, que los hombres ingratos en cada momento le clavan, con blasfemias e ingratitudes. Tú, al menos, haz por consolarme, y dí que a todos aquellos que durante cinco meses, en el primer sábado, se confiesen, reciban la Sagrada Comunión, recen cinco decenas del Rosario y me hagan quince minutos de compañía meditando sobre los quince misterios del Rosario, con el fin de desagraviarme, yo prometo asistirles en la hora de la muerte con todas las gracias necesarias para su salvación".

LA CONFIANZA EN LA PROTECCIÓN DE MARÍA SANTÍSIMA

Autor: San Alfonso Mª Ligorio

Quien me hallare, hallará la vida,
y alcanzará del Señor la salud.
(Pr. 8, 35)


PUNTO 1

¡Cuántas gracias debemos dar a la misericordia de Dios, exclama San Buenaventura, por habernos conseguido como abogada a la Virgen María, cuyas súplicas pueden alcanzarnos todas las mercedes que deseemos!...
¡Pecadores y hermanos míos!, aunque seamos culpables ante la divina justicia, y nos consideremos por nuestras maldades ya condenados al infierno, no desesperemos todavía. Acudamos a esta divina Madre, amparémonos bajo su manto, y Ella nos salvará. Exige de nosotros la resolución de mudar de vida. Formémosla, pues; confiemos verdaderamente en María Santísima, y Ella nos alcanzará la salvación... Porque María es abogada poderosa, abogada piadosísima, abogada que desea salvarnos a todos.
Consideremos, primeramente, que María es poderosa abogada, que todo lo puede con el soberano Juez, en provecho y beneficio de los que devotamente la sirven... Singular privilegio concedido por el mismo Juez, Hijo de la Virgen. “¡Es grande privilegio que María sea poderosísima para con su Hijo!”.
Afirma Gerson que la bienaventurada Virgen obtiene de Dios cuanto le pide con firme voluntad, y que como Reina manda a los ángeles para que iluminen, perfecciones y purifiquen a los devotos de Ella. Por eso la Iglesia, a fin de inspirarnos confianza en esta gran abogada nuestra, hace que la invoquemos con el nombre de Virgen poderosa: Virgo potens, ora pro nobis...
¿Y por qué es tan eficaz la protección de María Santísima? Porque es la Madre de Dios. Las oraciones de la Virgen María, dice San Antonino, siendo como es María Madre del Señor, son, en cierto modo, mandatos para Jesucristo; así no es posible que cuando ruega no alcance lo que pide.
San Gregorio, Arzobispo de Nicomedia, dice que el Redentor, para satisfacer la obligación que tiene con esta Santa Madre por haber recibido de Ella la naturaleza humana, concede cuanto María solicita. Y Teófilo, Obispo de Alejandría, escribe estas palabras: “Desea el Hijo que su Madre le ruegue, porque quiere otorgarle cuanto pida, para recompensar así el favor que de ella recibió”.
Con razón, pues, exclamaba el mártir San Metodio: “¡Alégrate y regocíjate, oh María, que lograste la ventura de tener por deudor al Hijo de quien todos somos deudores, porque cuanto tenemos es don suyo!...”.
Del mismo modo Cosme de Jerusalén repite que el auxilio de María es omnipotente, y lo confirma Ricardo de San Lorenzo, notando cuán justo es que la Madre participe del poder del Hijo, y que siendo Éste omnipotente, comunique a su Madre la omnipotencia. El Hijo es omnipotente por naturaleza; la Madre es omnipotente por gracia, de suerte que obtiene con sus oraciones cuanto desea, según aquel célebre verso: Quod Deus imperio, tu prece Virgo, potes. (Puedes, Virgen, con tus preces – lo que Dios con sus mandatos).
La misma doctrina consta en las Revelaciones de Santa Brígida (lib. 1, cap. 4). Oyó aquella Santa que Jesús decía a su bendita Madre que le pidiera cuanto quisiese, y que cualesquiera que fuesen sus peticiones, nunca rogaría en vano. Y el Señor manifestó el motivo de tal privilegio diciendo: “Nada me negaste nunca en la tierra; nada te negaré Yo en el Cielo”.
En resolución: no hay nadie, por malvado que sea, a quien María no pueda salvar con su intercesión... ¡Oh Madre de Dios!, exclama San Gregorio de Nicomedia, nada puede resistir a tu poder, porque tu Creador estima y aprecia tu gloria como si fuera suya... Vos, Señora, lo podéis todo, dice también San Pedro Damiano, puesto que aun a los desesperados podéis salvar.


AFECTOS Y SÚPLICAS

Amadísima Reina y Madre mía, diré con San Germán: “Vos sois omnipotente para salvar a los pecadores, y no necesitáis para con Dios de mayor encomio que el ser Madre de la verdadera Vida”. Así, pues, Señora, recurriendo a Vos, no puede todo el peso de mis pecados hacerme desconfiar de mi salvación.
Con vuestras súplicas alcanzáis cuanto queréis, y si rogáis por mí, ciertamente me salvaré. Orad, pues, por este miserable, diré como San Bernardo, ya que vuestro divino Hijo oye y concede todo lo que le pedís. Pecador soy, pero quiero enmendarme, y me complazco en ser vuestro siervo amantísimo. Indigno soy también de vuestra protección; mas bien sé que nunca desamparáis al que en Vos pone su esperanza. Podéis y queréis salvarme, y por eso confío en Vos...
Cuando vivía alejado de Dios y no pensaba en vuestra bondad, os acordabais Vos de mí y me alcanzasteis la gracia de enmendarme. ¡Cuánto más debo confiar en vuestra clemencia ahora que me consagro a vuestro servicio, y espero en Vos y a Vos me encomiendo!
¡Oh María!, rogad por mí y hacedme santo. Alcanzadme el don de la perseverancia y amor profundo a vuestro Hijo y a Vos misma. Os amo, Reina y Madre mía amabilísima, y espero que os amaré siempre. Amadme Vos también, y con vuestro amor, mudadme de pecador en santo.


PUNTO 2

Consideremos, en segundo lugar, que María es abogada tan clemente como poderosa, y que no sabe negar su protección a quien recurre a Ella. Fijos están sobre los justos los ojos del Señor, dice David. Mas esta Madre de misericordia, como decía Ricardo de San Lorenzo, tiene fijos los ojos, así en los justos como en los pecadores, a fin de que no caigan; y si hubieran caído, para ayudarlos a que se levanten.
Parecíale a San Buenaventura cuando contemplaba a la Virgen que miraba la misma misericordia, y San Bernardo nos exhorta a que en todas nuestras necesidades recurramos a esta poderosa abogada, que es en extremo dulce y benigna para cuantos se encomiendan a Ella.
Por eso la llamamos hermosa como la oliva. Quasi oliva va speciosa in campis (Ecl. 24, 19); pues así como de la oliva mana óleo suave, símbolo de piedad, así de la Virgen surgen gracias y mercedes que dispensa a todos los que se acogen a su amparo.
Bien decía, pues, Dionisio Cartusiano al llamarla abogada de los pecadores que en ella se refugian. ¡Oh Dios, qué dolor tendrá un cristiano que se condena al considerar que a tan poca costa pudiera haberse salvado acudiendo a esta Madre de misericordia, y que no lo puso por obra ni habrá ya tiempo de remediarlo!
La bienaventurada Virgen dijo a Santa Brígida (Rev. 1, 1, c. 6): “Me llaman Madre de misericordia, y en verdad lo soy, porque así lo ha dispuesto la clemencia de Dios...” Pues ¿quién nos ha dado tal abogada, que nos defienda, sino la misericordia divina, que a todos nos quiere salvar?... Desdichado será –añadió la Virgen..., eternamente desdichado, el que pudiendo acudir a Mí, que con todos soy tan piadosa y benigna, no quiere buscar mi auxilio y se condena”.
¿Tememos acaso, dice San Buenaventura, que nos niegue María el socorro que le pidamos?... No; que no sabe ni supo jamás mirar sin compasión y dejar sin auxilio a los desventurados que lo reclaman de Ella. No sabe, ni puede, porque fue destinada por Dios para ser reina y Madre de Misericordia, y como tal tiene que atender a los necesitados. Reina sois de misericordia, le dice San Bernardo; ¿y quiénes son los súbditos de la misericordia sino los miserables? Y luego el Santo, por humildad, añadía: “Puesto que sois, ¡oh Madre de Dios!, la Reina de la misericordia, mucho debéis atenderme a mí, que soy el más miserable de los pecadores”.
Con maternal solicitud, sin duda, librará de la muerte a sus hijos enfermos, pues la bondad y clemencia de María la convierten en Madre de todos los que sufren.
San Basilio la llama casa de salud, porque así como en los hospitales de enfermos pobres tiene más derecho a entrar el más necesitado, María, como dice aquel Santo, ha de acoger y cuidar con piedad más solícita y amorosa a los más grandes pecadores de todos los que a Ella recurren.
No dudaremos, pues, de la misericordia de María Santísima. Santa Brígida oyó que el Salvador decía a la Virgen: “Aun para el mismo diablo usarías de misericordia si la pidiese con humildad”. El soberbio Lucifer jamás se humillará; pero si se humillase ante esta soberana Señora y le pidiese auxilio, la intercesión de la Virgen le libraría del infierno.
Nuestro Señor con aquellas palabras nos dio a entender lo mismo que su amada Madre dijo luego a la Santa: que cuando un pecador, por muy grandes que sean sus culpas, se le encomienda sinceramente. Ella no atiende a los pecados de él, sino a la intención que le mueve; y si tiene buena voluntad de enmendarse, le acoge y sana de todos los males que le abruman: “Por mucho que el hombre haya pecado, si acude a Mí verdaderamente arrepentido, apresúrome a recibirle, no miro el número de sus culpas, sino el ánimo con que viene. Ni me desdeño de ungir y curar sus llagas, porque me llaman, y realmente soy, Madre de misericordia”.
Con verdad, pues, nos alienta San Buenaventura (In Sal. 8), diciendo: No desesperéis, pobres y extraviados pecadores; alzad los ojos a María y respirad, confiados en la piedad de esta buena Madre. Busquemos la gracia perdida, dice San Bernardo, y busquémosla por medio de María; que ese alto don, por nosotros perdido, añade Ricardo de San Lorenzo, María lo encontró, y a Ella, por tanto, debemos acudir para recuperarle.
Cuando al arcángel San Gabriel anunció a la Virgen la divina maternidad, le dijo: “No temas, María, porque hallaste gracia” (Lc. 1, 30). Mas si María, siempre llena de gracia, jamás estuvo privada de ella, ¿cómo dijo el ángel que la había hallado? A esto responde el cardenal Hugo que la Virgen no halló la gracia para sí, pero siempre la tuvo y disfrutó sino para nosotros, que la habíamos perdido; de donde infiere que debemos presentarnos a María Santísima y decirle: “Señora, los bienes han de ser restituidos a quien los perdió. Esa divina gracia que habéis hallado no es vuestra, porque Vos siempre la poseísteis; nuestra es, y por nuestras culpas la perdimos. A nosotros, Señora, debéis devolverla”. “Acudan, pues; acudan presurosos a la Virgen los pecadores que hubiesen perdido por sus culpas la gracia, y díganle sin miedo: devuélvenos el bien nuestro que hallaste...”


AFECTOS Y SÚPLICAS

He aquí a vuestros pies, ¡oh Madre de Dios!, a un pecador desdichado que, no una, sino muchas veces, voluntariamente, perdió la divina gracia que vuestro Hijo le había conquistado por su muerte. Con el alma llena de heridas y de llagas, a Vos acudo, Madre de misericordia. No me despreciéis al ver el estado en que me hallo; antes bien, miradme con más compasión y apresuraos a socorrerme. Atended a la esperanza que me inspiráis y no me abandonéis. No busco bienes terrenos, sino la gracia de Dios y el amor a vuestro divino Hijo.
Orad por mí, Madre mía; no ceséis de orar, que por vuestra intercesión, y en virtud de los méritos de Jesucristo, he de alcanzar la salvación. Y pues vuestro oficio es el de interceder por los pecadores, ejercedle para mí –como decía Santo Tomás de Villanueva–, encomendadme a Dios y defendedme. No hay causa, por desesperada que sea, que no se gane si Vos la defendéis. Sois esperanza de pecadores y esperanza mía... Nunca dejaré, Virgen Santa, de serviros y amaros y de acudir a Vos... No dejéis Vos de socorrerme, sobre todo cuando me veáis en peligro de perder nuevamente la gracia del Señor...
¡Oh María, excelsa Madre de Dios, tened misericordia de mí!


PUNTO 3

Consideremos en tercer lugar que María Santísima es abogada tan piadosa, que no sólo auxilia a los que recurren a Ella, sino que va buscando por sí misma a los desdichados para defenderlos y salvarlos.
Ved cómo nos llama a todos, con el fin de alentarnos a esperar toda suerte de bienes si a su protección nos acogemos. “En Mí toda esperanza de vida y de virtud. Venid a Mí todos” (Ecl. 24, 26). A todos nos llama, justos o pecadores, exclama el devoto Peibardo comentando ese texto. Anda el demonio alrededor de nosotros, buscando a quien devorar, dice San Pedro (1 P. 5, 8). Mas esta divina Madre, como dijo Bernardino de Bustos, va buscando siempre a quien puede salvar.
Es María Madre de misericordia, porque la piedad y clemencia con que nos atiende la obligan a compadecerse de nosotros y a tratar continuamente de salvarnos, como una cariñosa madre, que no podría ver a sus hijos en riesgo de perderse sin que se apresurase a socorrerlos.
Y, después de Jesucristo, ¿quién procura más cuidadosamente que Vos la salvación de nuestras almas?, dice San Germán. Y San Buenaventura añade que María se muestra tan solícita en socorrer a los miserables, que no parece sino que en esto se cifran sus más vivos deseos.
Ciertamente, auxilia a los que se le encomiendan, y a ninguno de ellos desampara. Tan benigna es, exclama el Idiota, que no rechaza a nadie. Mas esto no basta para satisfacer el corazón piadosísimo de María, dice Ricardo de San Víctor (In Cant. c. 23), sino que se adelanta a nuestras súplicas y nos ayuda antes que se lo roguemos. Y es tan misericordiosa, que allí donde ve miserias acude al instante, y no sabe mirar la necesidad de nadie sin darle auxilio.
Así procedía en su vida mortal, como nos lo prueba el suceso de las bodas de Caná de Galilea, donde apenas notó que faltaba el vino, sin esperar a que se le pidiese cosa alguna, y compadecida de la aflicción y afrenta de los esposos, rogó a su Hijo que los remediase, y le dijo (Jn. 2, 3): No tienen vino, alcanzando así del Señor que milagrosamente trocase en vino el agua.
Pues si tan grande era la piedad de María con los afligidos cuando estaba en este mundo, ciertamente, dice San Buenaventura, es mayor la misericordia con que nos socorre desde el Cielo, donde ve mejor nuestras miserias, y se compadece más de nosotros. Y si María, sin que se lo suplicasen, se mostró tan pronta a dar su auxilio, ¡cuánto más atenderá a los que le ruegan!...
No dejemos de acudir en todas nuestras necesidades a esta Madre divina, a quien siempre hallamos dispuesta para socorrer al que se lo suplica. Siempre la hallarás pronta a socorrerte, dice Ricardo de San Lorenzo; porque, como afirma Bernardino de Bustos, más desea la Virgen otorgarnos mercedes que nosotros mismos el recibirlas de Ella; de suerte que cuando recurrimos a María la hallamos seguramente llena de misericordia y de gracia.
Y es tan vivo ese deseo de favorecernos y salvarnos –dice San Buenaventura–, que se da por ofendida, no sólo de quien positivamente la injuria, sino también de los que no le piden amparo y protección; y, al contrario, seguramente, salva a cuantos se encomiendan a Ella con firme voluntad de enmendarse, por lo cual la llama el Santo Salud de los que la invocan.
Acudamos, pues, a esta excelsa Madre, y digámosle con San Buenaventura: In te, Domina speravi, non confundar in aeternum!... ¡Oh Madre de Dios, María Santísima, porque en Ti puse mi esperanza, espero que no he de condenarme!


AFECTOS Y SÚPLICAS

¡Oh María!, a vuestros pies se postra pidiendo clemencia este mísero esclavo del infierno. Y aunque es cierto que no merezco bien ninguno, Vos sois Madre de misericordia, y la piedad se puede ejercitar con quien no la merece.
El mundo todo os llama esperanza y refugio de los pecadores, de suerte que Vos sois mi refugio y esperanza. Ovejuela extraviada soy; mas para salvar a esta oveja perdida vino del Cielo a la tierra el Verbo Eterno y se hizo vuestro Hijo, y quiere que yo acuda a Vos y que me socorráis con vuestras súplicas. Santa María, Mater Dei, oro pro nobis peccatóribus...
¡Oh excelsa Madre de Dios!, Tú, que ruegas por todos, ora también por mí. Di a tu divino Hijo que soy devoto tuyo y que Tú me proteges. Dile que en Ti puse mis esperanzas. Dile que me perdone, porque me pesa de todas las ofensas que le hice, y que me conceda la gracia de amarle de todo corazón. Dile, en suma, que me quieres salvar, pues Él concede cuanto le pides...
¡Oh María, mi esperanza y consuelo, en Ti confío!
Ten piedad de mí.

PREPARACIÓN PARA LA MUERTE
San Alfonso Mª de Ligorio
 
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