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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Plinio Corrêa de Oliveira : Nossa Senhora do Bom Sucesso: uma meditação sobre a invocação do Bom Sucesso e sua relação com os acontecimentos previstos por Nossa Senhora em Fátima




"Santo do Dia" de 02 de fevereiro de 1985
A D V E R T Ê N C I A
O presente texto é adaptação de transcrição de gravação de conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a sócios e cooperadores da TFP, e não foi revisto pelo autor.
Se o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:
“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.
As palavras "Revolução" e "Contra-Revolução", são aqui empregadas no sentido que lhes dá o Prof. Plínio Corrêa de Oliveira em seu livro "Revolução e Contra-Revolução", cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de "Catolicismo", em abril de 1959.

Nossa Senhora do Bom Sucesso de Quito
 
  
 A conferência se inicia com uma leitura alusiva à data da Apresentação do Menino Jesus no Templo e Purificação de Nossa Senhora, seguida de uma projeção de imagens do convento das Concepcionistas de Quito.
 *   *   *
Meus caros.
Nossa Senhora do Bom Sucesso! Nossa Senhora das Candeias, Nossa Senhora da Purificação! O que é que querem dizer essas três invocações? O que é que elas falam a respeito da vida de Nossa Senhora? Em que sentido elas devem nos fazer compreender as relações profundas que nossa piedade pode estabelecer entre a festa do Bom Sucesso, a festa das Candeias, a festa da Purificação e a TFP?
Daí nós podemos relacionar a devoção a Nossa Senhora do Bom Sucesso com as esperanças a que se aludiu há pouco. Nós teremos dado assim uma visão de conjunto de todo o assunto.
Vamos agora então, entrar na questão de Nossa Senhora do Bom Sucesso.
Do que é que se trata propriamente?
Os Srs. imaginem o Menino Jesus recém nascido. Está deitado no berço dele em Belém e não é difícil imaginar que na noite em que Ele tenha nascido, a noite fosse fria, pelo menos fresca, vivamente fresca.
Nossa Senhora prevendo tudo com o amor que nós podemos imaginar e apesar de Sua pobreza, arranjou pequenas túnicas para pôr nEle, assim que Ele nascesse. E evidentemente dispôs essas túnicas de acordo com as várias temperaturas possíveis, de maneira tal que o Menino Deus não sentisse frio.
Não sei se os Srs. imaginam bem o que pode ser o interior, o íntimo de Nossa Senhora cogitando dessas coisas..
Ela, antes dEle nascer na noite de Natal — se admite geralmente, piedosamente, que Nosso Senhor tenha nascido à meia noite — entrou num êxtase altíssimo — tão razoável — e, durante esse êxtase altíssimo, Ela deu à luz o Menino Jesus.
 De um modo maravilhoso pelo qual antes do parto, durante o parto e depois do parto Ela foi virgem. Isso se diz com esta energia de linguagem de que só o pensamento católico é capaz. Antes do parto, virgem; depois do parto, virgem. Durante o parto, virgem!
Isso é que é afirmar a virgindade mãe, a virgindade materna de um modo categórico: é assim!
Antes do parto é óbvio; depois do parto, digamos que se tivesse dado uma reconstituição. Já não seria exatamente a mesma coisa, mas enfim, digamos. Mas durante o parto, virgem! Deus pode tudo. Como é que Ele pode fazer isto?
Há no Evangelho uma cena em que Nosso Senhor atravessa uma parede. E se costuma dar isto  como explicativo da virgindade durante o parto. Ele pode atravessar todos os obstáculos materiais. Ele é Deus! E com seu corpo terreno pode atravessar tudo.
Minha memória infelizmente é má, mas parece-me que foi por ocasião da Ressurreição que Ele entrou no Cenáculo, onde Nossa Senhora estava acabrunhada, mas com pressentimentos jubilosos e triunfais de que a hora da Ressurreição estava se aproximando, pela parede do fundo.
Nós podemos imaginar que Ela tenha visto uma luz extraordinária e, sobretudo, uma voz: “Minha Mãe!”
Para Ela estava tudo dito. Voltou-se para Ele, olhando para o Deus dEla, e disse: “Meu Filho!”
Então, Nossa Senhora teve um êxtase altíssimo durante esse tempo e, durante esse tempo, nasceu o Menino Deus. Logo depois, o mais alto dos êxtases se interrompeu e Ela teve que cuidar do Menino que podia estar com frio. E olhou para Ele e, pela primeira vez, conheceu a face que tinha sonhado.
O primeiro olhar!
( Natividade - Giotto )
Os Srs. sabem que se diz que Nossa Senhora folheando as Escrituras, — que Ela conhecia perfeitamente pois, sendo concebida sem pecado original, tinha uma inteligência enorme, de que nenhum de nós pode ter idéia, e que não tinha as fraquezas que tem a nossa, a dela era perfeita, ainda mais inundada de graças de Deus para interpretar as Escrituras, — e sem saber que ia ser Mãe de Deus, chegou afinal a compor a fisionomia do Messias que Ela esperava; como seria a fisionomia do seu rosto divino, como seria o seu espírito; como seria a mentalidade santíssima do Cristo Jesus, o Messias anunciado pelos Profetas.
No momento em que, — conta-se e eu acho isto tão belo, tão razoável, que sou enfaticamente tendente a acreditar — Ela completou a imagem que formava sobre Ele em meditação, o Anjo apareceu. Ela pedia a Deus para ser a escrava dAquele que o espírito dEla tinha concebido, servidora da que seria mãe de Jesus Cristo — Ela sabia que Jesus Cristo estava para nascer, mas não tinha a idéia que devia ser a mãe dEle, — e, naquele momento, apareceu-lhe o Anjo e A convidou para ser mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ela queria ser a escrava, Deus a convidou: queres ser a dona? Queres ser a Mãe?
Então os Srs. estão vendo uma primeira tarefa na vida de Nossa Senhora: conceber, pela inteligência, como seria o Filho de Deus. Mas conceber com cuidado, evitando qualquer distração, evitando qualquer negligência, evitando qualquer coisa que pudesse fazer com que a imagem que Ela formasse do Filho divino dela — Ela não sabia que ia ser Filho dela — fosse um pouco menos nítida, menos clara, menos santíssima do que a imagem que Ela queria ter, que Ela era chamada a ter.
Os Srs. já imaginaram se artista houve ou haverá, no gênero humano, capaz de imaginar a fisionomia de Nosso Senhor Jesus Cristo? Nada! Nada é nada e absolutamente nada em comparação com isso.
Que santidade é preciso ter para imaginar o olhar do Filho de Deus, para imaginar o timbre de voz do Filho de Deus, para imaginar os gestos dEle, para imaginar o andar dEle, para imaginar o divino repouso dEle.
Como imaginar uma coisa dessas? Que alma é preciso ter para tentar uma coisa dessas? Que alma é preciso ter para chegar a ter êxito com uma coisa dessas?
Mais ainda: que alma é preciso ter para, depois de ter feito esta obra interior de composição, Deus poder dizer a Ela: “Aquele que Tu excogitaste, Tu gerarás!”
Que prêmio maravilhoso este! “Excogitaste? Dedicaste a tua mente a desvendar isto? Acertaste! Fizeste com tanto amor e com tanto acerto que Eu te respondo: Tu O gerarás!”
Nunca houve prêmio igual na história no mundo, nunca haverá prêmio igual na história do mundo.
Ele disse de Si mesmo àqueles que lhe fossem fiéis: “Serei Eu mesmo, vosso prêmio demasiadamente grande”. Ele foi o prêmio — tão perfeito é Ele — que até para Nossa Senhora Ele foi o prêmio demasiadamente grande.
Mas, mas... Ela ficava, apesar de tudo isto, encarregada de tomar conta dEle. Ou seja, em nenhum momento um arrepio de frio, ou um pouco de sofrimento com o calor que pudesse ser sentido por Ele, de maneira tal que todo o seu desenvolvimento físico e mental fosse perfeito. Ela era responsável por isso. E com isso, Ela tinha uma obrigação enorme de levar sua tarefa até o ponto perfeito.
Qual foi esse ponto perfeito? Esse ponto perfeito foi o momento gaudioso e triste, em que Ele sendo já homem, aos trinta anos, disse a Ela: “minha Mãe, estou inteiramente constituído e formado. Chegou a minha vez, meu caminho para a pregação, para a bondade, para maravilhar os homens e para ser crucificado por eles. Mãe, adeus!”
Os Srs. podem imaginar o que foi esse adeus... Pode-se imaginar Nossa Senhora indo até a porta da casa, olhando para Ele e vendo-O afastar-se pela estrada. Talvez num cair da tarde e vendo a sombra dEle, longa, se estirar pela estrada afora e Ela depois fechar a porta em casa, sozinha. Para consolá-La os Anjos começaram a cantar... a tocar música. Maravilhoso, não? Mas não valia um olhar de Seu Filho!
Não valia uma manifestação de carinho, uma manifestação de respeito do Filho. Só de ouvi-lo, por exemplo, entrar no pequeno oratório da casa santa, fechar a porta e perceber que Ele se prosternava... Só o eco de seus pés divinos sobre aquele assoalho tão pobre, já A enchiam de contentamento.
Ele está andando, olhem como é o andar dele. Que andar de rei! Que andar de general! Pobres reis, pobres generais... Que andar de mestre! Pobres mestres... O que é tudo isso com o reboar de um passo dEle sobre as pranchas de madeira da santa casa que hoje está em Loreto?
Quem haveria de remediar esta ausência?
Sobre o significado do Manto de Nossa Senhora


Excertos de conferência de 17 de agosto de 1983
 
(Membros da TFP equatoriana entregam ao Prof. Plinio um manto que fora colocado na imagem de Nossa Senhora do Bom Sucesso)  
Eu recebo esse envio encantado e comovido. Nunca imaginei receber uma coisa dessas, de tanta significação, de tanto valor simbólico, religioso, sobrenatural, etc. Nunca imaginei. Diga-se, entre parêntesis, de um valor estético muito grande também, muito bonito, uma coisa magnífica.
(Pergunta: O Sr. poderia dizer algo sobre o significado do manto?)
O manto, pela forma, dá a seguinte idéia: imaginem uma pessoa, uma dama que anda num salão, ou num corredor proporcionalmente suntuoso, e anda com um manto desse. Ou o manto se arrasta delicadamente sobre os tapetes, ou o manto é levado por lacaios, ou por senhoritas de honor.
De qualquer maneira, que impressão se tem? É que da pessoa que porta esse manto emana tanta grandeza, tanta importância, tanta dignidade, tanta respeitabilidade, que quando ela passa deixa atrás de si como que um séqüito de efeitos morais, de conseqüências, de influências favoráveis, um rastro de beleza, que é o próprio dela e que ela irradia em torno de si.
O manto simboliza, por essa forma, a importância do personagem, a dignidade e, no caso de Nossa Senhora, a santidade do personagem. Por onde Ela passa, a Virgem Mãe, como que deixa impregnado de branco, dourado, de todo lado. E na sala que Ela deixa, à medida que Ela sai, vai ficando alguma coisa que impregna: Nossa Senhora por ali passou! Não tem mais nada que dizer. Esse é o simbolismo de todo manto. E nesse aqui nós sentimos bem isso. Vejam a dignidade! Com que imensidade caem esses tecidos até este extremo, e de que alto que cai, não é? Para ver assim, lembra um pouquinho uma queda d'água muito nobre. Imaginem uma queda d'água abundante: é uma coisa extravagante e maravilhosa! Então, assim nós podemos ter uma idéia.
Bem, meus caros, com isso “fugit irreparabile tempus!” (o tempo foge irremediavelmente). Uma reunião bem aproveitada é como o manto: passa por nós, vai embora e deixa seus efeitos. Nós poderíamos rezar as orações do Grupo em louvor de Nossa Senhora do Bom Sucesso, na presença do manto, e assim encerramos a nossa conversinha de hoje.
Salve Regina, Mater Misericordiae... (depois são rezadas 10 jaculatórias a Nossa Senhora do Bom Sucesso).
Também nós vemos ao longo da narração do Evangelho que Ela aparece às vezes. E vemos sobretudo aquele encontro dEla com Ele no caminho do Calvário. A meu ver a cena mais pungente que houve jamais na terra.
Os Srs. estão vendo que Ela tinha, então, uma primeira missão: concebê-Lo. E O concebeu esplendidamente.
Tinha outra missão: gerá-Lo. Mas para gerá-lo quantos cuidados que toda mãe deve tomar com seu filho. Para que tudo se faça perfeitamente, para que esta gestação seja para o divino embrião que se formava nEla, como um sol que nasce, perfeitamente direita, adequada, conveniente, santa.
Os Srs. podem imaginar, mais do que na santa casa de Loreto, o enlevo dEla, quando sentia nas estranhas dela que Ele se movia?
Mais ainda, Ele se comunicava com Ela por oração. Ele estava dentro dela, nela, como a Eucaristia esteve hoje cedo em nós e que, pela graça de Deus, estará amanhã, de novo, e depois, e depois, e depois... até ao fim das nossas vidas, se Deus quiser.
Pois bem, os Srs. vêem aí a tarefa de gerar perfeitamente bem o Menino Jesus. A tarefa, depois de gerado, de cuidar perfeitamente dele. Acaba uma tarefa, começa outra. Acabou a tarefa de concebê-lo pelo espírito, começa a concepção... o Divino Espírito Santo que atua, age sobre Ela como Esposo e o Menino é concebido.
Depois, ao longo de todo esse tempo, Ela age com cuidado e o Menino nasce. É o termo de todo um período que começou desde a primeira reflexão que Ela fez sobre como seria o Salvador, até o momento em que Ele nasce e olha para a face dEla.
Cara pequena, de menino inocente, mas já cara de rei! Já cara de mestre, já cara de quem vai fazer milagres, porque o sobrenatural de tal maneira se irradia dele que se tem a impressão de que qualquer enfermo que dele se aproximasse, sararia imediatamente!
Ela imediatamente tem essa incumbência: — os Srs. já imaginaram essa incumbência? — vestir a Deus! Pensem a coisa extraordinária: quando Adão e Eva pecaram, Deus fez para eles os primeiros trajes. Quando o Menino nasceu é a criatura humana que veste a Deus! Como tudo isto é bonito, como tudo isto se presta a meditações.
Então, agora vem a primeira tarefa que está cumprida: O Menino nasceu.
Depois quais são as outras tarefas? Educar o Menino, formá-lo até ele vir a ser o Homem-Deus perfeito, que vai percorrer a Galiléia. Depois, outra tarefa é subir com Ele ao Calvário, acompanhá-lo até o alto da Cruz e receber o último olhar dEle. Receber o primeiro filho que Ele dá a Ela: “Mãe, eis aí o Teu Filho”- é o discípulo virgem, São João Evangelista!
E no momento em que Ele entregou a alma ao Padre Eterno, Ela recebeu o gemido dele... “Eli, Eli, lama sabactani!” — Meus Deus, meus Deus por que me abandonaste? Os Srs. podem imaginar qual é a repercussão disso no coração de uma mãe? Mais, daquela Mãe para com aquele Filho?
E inclinando a cabeça exalou o espírito... Ela recebeu no colo o corpo dele, já um cadáver, enquanto se começavam a preparar os aromas para as feridas que José de Arimatéia e Nicodemos, que eram ricos, tinham adquirido. Ela é, com Ele ali deitado, o que se chama: ”La Pietà”- A compaixão dEla para com Ele. Que compaixão!
Ela vê tudo isto, todas estas feridas se encherem ao começarem a ungi-Lo, não mais com aquele traje primeiro, inocentíssimo, quase se diria feito de raios de luz, que era a primeira túnica que Ela preparou para Ele. Não mais isso, nem aquela túnica inconsútil que Ela Lhe tinha feito e que Ele usara até o fim da vida e sobre a qual lançaram sortes, uma coisa tremenda! Não dividiram a túnica, mas o resto todo sim.
E depois, depois... vê-lo desnudo na Cruz, quase como estivera no berço ao nascer, apenas com um cíngulo e o resto desnudo... Que despojamento, que coisa tremenda! Está bem, Ela O recebe assim, O contempla e diz: tudo haveria de acabar nisso! Ao cabo de 33 anos de maravilhamento contínuo, de adoração cada vez mais ardorosa e absolutamente incessante, tudo haveria de acabar nisso.
Ele foi abandonado, apedrejado, flagelado, conspurcado, caluniado, e caluniado vilmente! Tudo isto aconteceu e, no fim, Ele ainda quis que no seu cadáver santíssimo, pendente da Cruz, entrasse uma lança, e que essa lança de Longinus fizesse sair um misto de água e de sangue. Alguma coisa o corpo dEle ainda tinha que dar: deu-o depois de morto. O seu coração ficou traspassado: Coração de Jesus traspassado pela lança, tende piedade de nós!
Os Srs. imaginem Nossa Senhora contemplando o flanco dEle ferido começar a indumentária fúnebre. Depois vai para a sepultura, fecha-se a pedra e acabou! A morte está reinando.
Ela volta a pé, certamente acompanhada pelo novo filho dEla, o Apóstolo virgem. Mas que diferença! O que, quem não era infinitamente inferior àquele Filho que Ela tinha tido? As santas mulheres vinham chorando com Ela. Mas mais precisava Ela consolá-las do que elas consolarem-na.
Entraram no Cenáculo. Ela se lembrava da primeira Missa, Ela se lembrava de sua primeira Comunhão durante a Missa. E quanta maravilha, quanta maravilha. Ela ficou silenciosa, pacífica, serena, realizando aquela palavra do profeta Isaias: Ecce in pace amaritude mea amaríssima — Eis, na paz, a minha amargura enormemente amarga. Oceanos, vós cabeis na concha da mão de tão pequenos em comparação com a amargura de Nossa Senhora naquele momento, naquele transe.
 *   *   *
 Mas nós temos que falar de Nossa Senhora do Bom Sucesso. Eu me deixei levar pelo tema... Os Srs. um tanto me levaram pelo tema afora, mas é preciso falar de Nossa Senhora do Bom Sucesso.
A primeira etapa: concepção pela inteligência; segunda, geração; terceira, nascimento. Realizada essa etapa, pela lei do Antigo Testamento, as mães que tivessem uma criança deviam, logo que possível, ir ao Templo para apresentar o menino a Deus e se purificarem. Essa era uma regra que toda boa mãe israelita cumpria. Aliás, linda regra, na qual se espelha a santidade de Deus.
Apresentação do Menino Jesus no Templo - Gravura medieval
A criança nasce, nasce no meio de perigos. Toda gestação tem perigos. Mas, afinal, ela nasceu. Ó sucesso! Ó sucesso feliz! A mãe toma a criança e logo que ela, mãe, está melhor, que pode viajar e pode ir ao Templo, vai até o Templo e oferece a Deus aquele menino que é de Deus pois que Deus o criou, para que seja filho de Deus e viva para Deus. A antiga lei tornava isso obrigatório.
Nossa Senhora era superior à antiga lei. Deus não está sujeito à lei que Ele mesmo fez. O legislador é superior à lei, entra pelos olhos. Então, Ele não era obrigado a ir e Ela não era obrigada a levá-lo ao templo de Jerusalém. Mas Ela quis. Ela quis por respeito à lei, por respeito à tradição. Era uma lei que para Ela era apenas uma tradição, mas era uma tradição.
E amando esse conceito de tradição que é a primeira palavra de nosso estandarte rubro e áureo ( o estandarte da TFP ), animada pelo intensíssimo amor de Deus que Ela tinha, leva a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade ao Templo de Jerusalém.
Episódio único na história do Templo, é o próprio Deus encarnado que entra no Templo. Valeria a pena construir um Templo mil vezes mais esplêndido do que aquele para que ali entrasse Deus encarnado. Era a hora máxima, a hora santa, a hora perfeita. Pode-se dizer que nesse momento os Anjos todos encheram o templo e se puseram a cantar. Ela entrou.
Mas... mas... ninguém notou. Ninguém ouviu os Anjos. A decadência religiosa do povo eleito era enorme. Aquilo estava cheio de barracas com gente fazendo comerciata de toda a ordem; os sacerdotes eram já ou eram próximos precursores daqueles que haveriam de trabalhar para a crucifixão dEle.
Tudo estava em ruína. O autor de todas as coisas entra naquelas ruínas espirituais. E aqueles homens de ruína não O perceberam. Ela cumpre o rito da apresentação e um profeta, Simeão, que era o profeta indicado por Deus para isso, atua para purificá-la, quer dizer, faz o rito com ela e recebendo o Menino nos braços, tem aquele cântico que começa assim, em latim: “Nunc dimittis servum tuum, Domine, secundum verbum tuum in pace, quia viderunt oculi mei salutare tuum”.... — “Agora, Senhor; deixai o vosso servo ir em paz, segundo a vossa palavra, porque os meus olhos viram a vossa salvação”... (Lc 2, 29-30).
Ela ouve encantada aquele homem velho, mas que parecia amarrado à vida por uma promessa que não se tinha cumprido: a promessa de Deus de que ele veria o Messias antes de morrer. Aquele homem vê o Messias chegar e canta: “Senhor, agora levai...”
E prevê o futuro daquele Menino, prevê a glória, prevê a cruz. Diz: “(...) Eis que este (Menino) está posto para ruína e para ressurreição de muitos em Israel, e para ser alvo da contradição. E uma espada transpassará a tua alma, a fim de se descobrirem os pensamentos escondidos nos corações de muitos” (Lc 2, 34-35).
 Tu serás pedra de escândalo para que se revelem de muitas almas as cogitações. Mas ao mesmo tempo aclama e diz que Ele é o “Lumen ad revelationem gentium et gloriam plebis tuae Israel”“luz para iluminar as nações, e glória de Israel, teu povo” (Lc 2, 32). Tudo acumulado.
E uma profetiza, Ana, também canta as glórias dEle. Dois, por inspiração divina, sabem o que até então só São José e Ela sabiam: que aquele era o Filho de Deus.
*   *   *
Nossa Senhora do Bom Sucesso - Quito
O que significa aí o comemorar o bom sucesso? Qual era o bom sucesso? O que é o sucesso? Quando é que há um sucesso?
Pode dizer que olhar daqui para o fundo e ver aquela porta é um sucesso? Não, o sucesso é um bom sucesso, é um sucesso digno de nota, quando se origina de algo que pede cuidado, empenho, dedicação, pede esforço, e dá seu resultado.
O sucesso é filho do esforço, da dedicação e do heroísmo. Aí é que há o bom sucesso. Nossa Senhora leva ao Templo aquEle que é a prova de que a gestação fora perfeita. Ali estava o Filho de Deus.
Nossa Senhora do Bom Sucesso. Nossa Senhora do Bom Sucesso no sentido mais largo da palavra, quer dizer, de todos aqueles que estão entregues a uma tarefa árdua, que tem uma responsabilidade grande, que tem uma série de coisas difíceis a fazer para chegarem àquele resultado. Ela é padroeira de todos aqueles que procuram um bom sucesso para o serviço da causa dEla.
Como merece ser chamado de bom sucesso o sucesso daqueles que, nas trevas da noite do neopaganismo de nossos dias, trabalham para que nasça o sol do Reino de Maria (*).
Não será Nossa Senhora do Bom Sucesso uma padroeira muito felizmente indicada para a hora em que o Reino de Maria, afinal, nasça na Terra?
E filhos indignos mas amorosos, transidos de enlevo da Santíssima Virgem, quando raiar a luz do Reino de Maria, não poderemos dizer a Ela: “Senhora, nós vos apresentamos o mundo que Vós iluminais com a luz de vosso reino, é o nosso sucesso, é o vosso sucesso! Vós fizestes tudo, a começar por nos fazer a nós”? Quando um de nós, menino ainda, foi levado às fontes batismais, que mérito tinha para isto? Que graça teve senão vossas orações? Que gratuidade assombrosa a desse dom!
Às vezes, às vezes, quantos pecados antes da pessoa ouvir na alma esse chamado. Nossa Senhora passa por cima dos pecados, afasta os pecados: “Meu filho, arrepende-te e eu te levo!”
Ela nos fez, neste sentido da palavra, — mas muito antes disso — Ela nos fez, quer dizer, nos obteve a graça que nos levou a sermos batizados numa ou noutra circunstância. Mas quem obteve a graça para o gênero humano senão o Filho que Ela gerou?
Ele é o autor da graça e a fonte da graça. Se Ele não tivesse morrido na Cruz, nós não teríamos a graça. Essa torrente de graças que jorra sobre o mundo, abriu-se para os homens no momento em que Ele morreu. Mas, essa graça, de algum modo começou a estar presente no mundo no momento em que Ela disse: Fiat mihi secundum verbum tuum — Faça-se em mim, segundo a tua palavra.
E jorrou sobre o mundo no momento em que o Padre Eterno, pedindo o consentimento dela para que Nosso Senhor Jesus Cristo morresse na Cruz, obteve dEla essa coisa sublimemente terrível: “Morra então Ele, por amor ao gênero humano, e para que se faça a Vossa vontade”.
*   *   *
Então, é razoável que nós pensemos naqueles acontecimentos previstos por Nossa Senhora em Fátima, ou mesmo nas profecias de Nossa Senhora do Bom Sucesso .
Aparição de Nossa Senhora à Me. Mariana, tomando Suas medidas com o cordão dela.
A luta ideológica contra a Revolução é uma lenta batalha, lenta, terrível... Os Srs. todos em proporções maiores ou menores já tiveram ocasião de lutar contra a Revolução.
Todos os que estamos aqui trabalhando a favor da Contra-Revolução, em última análise, estamos trabalhando para que nasça o sol do Reino de Maria sobre o mundo.
É algo vagamente parecido com uma geração. E o Reino de Maria se parecerá admiravelmente com um bom sucesso, um magnífico sucesso!
Talvez se encontre aí a explicação para o fato de Ela aparecer tão régia nesta Imagem — foi dito aqui de passagem — feita pelos anjos. O escultor começou a fazer a imagem, não conseguia, etc. Um belo dia ele chegou ao coro das irmãs concepcionistas, onde estava esculpindo a imagem em madeira, e a imagem apareceu toda feita.
Nossa Senhora apareceu em visão à madre Mariana de Jesus Torres e indicou, Ela mesma, o tamanho que queria que a imagem tivesse. Tomou o cordão de Madre Mariana de Jesus Torres, mediu-se a Si própria e Madre Mariana ajudou a tomar a medida dEla, para a imagem ficar da altura exata.
Outras vezes aparecia para conversar com Madre Mariana de Jesus Torres e andavam juntas por aqueles claustros. De maneira que, como prova de que não era uma visão, mas um fato real, quando chegava a manhã, às vezes o manto dEla estava todo molhando de orvalho. Que maravilha o orvalho cair sobre o manto daquela que era a Rainha do Céu e da Terra.
Ninguém, nunca, nenhum palácio de rei, nenhuma coroa, nenhum diadema, nem nada, teve a beleza destas gotas de orvalho pousando e cintilando sobre o manto da Virgem.
*   *   *
Bem, meus caros, Nossa Senhora do Bom Sucesso: que relação tem esta invocação com os acontecimentos previstos em Fátima? Precisamente a Sóror Mariana de Jesus Torres Ela apareceu fazendo impressionantes revelações que mantém uma notável proximidade com as de Fátima.
Um dia se falará a respeito disso, não é este o momento. Mas são admiráveis e impressionantes revelações (**)
.
Quanta coisa linda os senhores são chamados a ver, se perseverarem. Coisas terríveis também. Pensem nos castigos de Fátima e os senhores compreenderão. Pensem no acontecido na Venezuela recentemente e os senhores terão um antegosto destes castigos. Um amargo antegosto destes castigos, o admirável antegosto dos castigos.
Pensem em tudo isto e na festa de Nossa Senhora do Bom Sucesso, que para os calendários exorbitantes da TFP ainda é “hoje”, à uma hora da manhã. Na festa de Nossa Senhora do Bom Sucesso, espero que no Céu Ela receba como post-scriptum a nossa veneração e o nosso enlevo, pelas orações de Sóror Mariana de Jesus Torres, nossa intercessora junto a Ela. Que Ela condescenda em receber esta mensagem que chega atrasada, mas voa a Ela cheia do amor de não sei quantos jovens que enchem aqui este auditório.
Então, nesta festa peçamos a Ela que nos dê a graça de trabalhar e lutar pela implantação do Reino de Maria. E nas horas mais difíceis nós poderemos dizer a Ela: – “Minha Mãe, venha a nós o vosso reino, seja feita a Vossa vontade assim na terra como no Céu!” É o reino dEla! É o reino de Nosso Senhor Jesus Cristo na sua expressão mais perfeita, mais quintessenciada: o Reino de Maria! 
*   *   * 
Madre Mariana de Jesus Torres
Sóror Mariana de Jesus Torres para ser fiel à vocação dela, — uma espécie de profetiza do Bom Sucesso de Nossa Senhora, do Reino de Maria, — teve que passar por provações terríveis. Eu não resisto ao desejo de vos contar uma.
Havia no mosteiro dela, — em pleno tempo, do Brasil como da América hispânica, das colônias respectivamente, de Portugal e da Espanha, — sete fundadoras. Ela era a fundadora junto com 7 outras que receberam as vocações na Espanha, creio, mas também muitas outras do lugar. Eram mestiças de índias que elas aceitaram como freiras.
Uma freira péssima (Judas os há por toda a parte, e os há nos dois sexos), índia ou mestiça de índia, chefiou a revolta das índias contra as espanholas, que eram umas santas. E nessa revolta Madre Mariana de Jesus Torres chegou a ser presa na cadeia do convento, etc. Uma perseguição medonha. Ela rezou continuamente pela perseguidora.
Em determinado momento ficou claro que a perseguidora não tinha razão, que era ela quem tinha razão, e foi eleita como abadessa. A perseguidora daí a algum tempo adoeceu, entrou em agonia e ia morrer. E Sóror Mariana de Jesus Torres, que tinha cumulado esta revolucionária de bondades durante a sua doença, depois durante a sua agonia, pediu durante a agonia especialmente a Deus, por meio de Nossa Senhora, que salvasse aquela alma. A resposta que veio foi esta: “poderá ser salva, se por amor à tua perseguidora consentires em que tua alma passe cinco anos no Inferno.”
Ela consentiu e a freira se salvou. Passou por um purgatório não pequeno, mas salvou-se. A alma [de Sóror Mariana] foi posta no Inferno. O que ela sofreu durante esses cinco anos é uma coisa tremenda, inclusive — as memórias dela não me pareceram muito claras a esse respeito — parece que ela tinha se esquecido que tinha feito esse oferecimento e passou cinco anos com o pavor da idéia de ter sido condenada, e que ela sofreria o Inferno por toda a eternidade. E só pedia uma coisa a Deus: que nunca permitisse que ela deixasse de amá-lo.
Passados os cinco anos, passou o tormento. Foi revelado a ela o que era o tormento e cessou. Ela que era uma pessoa de uma grande beleza, — era um prodígio de beleza; muito rosada, corada, com cores muito saudáveis que ela conservou até o fim da vida, — durante esse tempo emagreceu, decaiu; [depois do tormento] refloresceu completamente! Por aqueles claustros que os senhores viram passou penando, por uma inimiga, Sóror Mariana de Jesus Torres. Com a alma sofrendo os tormentos do inferno. Ela ali conversou com Nossa Senhora do Bom Sucesso. Que conversas..., parecidas com as de Adão com Deus no Paraíso. Que penas e que tormentos..., que alegria quando ela voltou à luz e compreendeu que diante dela estava mais um tanto de vida e o Céu que se abria.
*   *   *
Meus caros, os castigos de Fátima vão ser assim.
Haverá momentos em que teremos a impressão: não será o Inferno? Nossa Senhora do Bom Sucesso rogai por nós!
Haverá momentos de tanta alegria interior que diremos: já não é o Céu entre nós? Nossa Senhora do Bom Sucesso rogai por nós!
Haverá afinal o momento em que toda a obra da iniqüidade cairá por terra, e não passará de casca vil de uma cobra moribunda. Começa o Reino de Maria e nós cantaremos o cântico do Bom Sucesso!
É assim que eu imagino os castigos de Fátima. Eu não estou prevendo esses castigos. Eu estou imaginando-os.


(*) São Luís Maria Grignion de Montfort (1673-1716) em seu Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem prevê a implantação na Terra de uma era “em que almas respirarão Maria como o corpo respira o ar”, e em que inúmeras pessoas “tornar-se-ão cópias vivas de Maria” (Cap. VI, art. V). A essa era ele chama Reino de Maria. Essa profecia se entronca organicamente com a de Nossa Senhora em Fátima. Com efeito, depois de prever várias calamidades para o mundo, Ela afirmou: “Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará”.
(**) Sugerimos a nossos visitantes consulta à soberba matéria que, sobre Nossa Senhora do Bom Sucesso, publicou a revista "Catolicismo", em seu número de Fevereiro de 2010 ou, para os que dominam a língua inglesa, ao site America Needs Fatima, onde encontrarão variada matéria sobre os aspectos históricos e doutrinários das aparições do Bom Sucesso. Dignos de menção são também os artigos sobre a matéria que "Catolicismo" publicou em Fevereiro de 1996 e Fevereiro de 1998

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Dulces efectos de la invocación del Nombre de María.


“El bienaventurado Herman, según refiere Surio, pronunciaba con mucha frecuencia el dulce Nombre de María, y experimentaba los más prodigiosos efectos: cuando se hallaba solo se postraba en tierra, y en esta postura se complacía en repetir mil veces: María… María… María. Un amigo suyo, que también era muy devoto de la Virgen santísima, habiéndole sorprendido en uno de los actos que consagraba en honra del Nombre de su amable Madre, se asombró al verle postrado por tanto tiempo, y tan profundamente, «¿ Qué haces? le preguntó: ¿ Cuáles son los sentimientos que ahora te ocupan?» Y Herman respondió: « Estoy recogiendo, pero con un divino consuelo, los deliciosos frutos del dulce Nombre de María. Cuando lo pronuncio me parece que todas las flores, todos los perfumes, se reúnen alrededor de mí para llenar de fragancia el aire que respiro, mientras que cierta virtud secreta inunda mi alma de un gozo celestial. Aquí estoy descansando de todos mis trabajos, olvido las amarguras de la vida; y si me fuese posible, quisiera no haber de salir jamás de esta posición, y estar repitiendo sin cesar el santo Nombre de María.» ( Surio.)
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PRÁCTICA EN HONOR DE MARÍA.
(De san Camilo de Lelis.)
 
Repetid á menudo el santo Nombre de María, y hacedlo repetir a los moribundos hasta su postrer aliento. San Camilo de Lelis no cesaba de recomendar estas dos cosas a sus súbditos: lo practicaba con otros, y experimentó los más dulces consuelos practicándolo consigo mismo. El autor de su vida nos refiere que en sus últimos momentos pronunciaba con tal ardor y eficacia los nombres de Jesús y de María, que inflamaba el corazón de todos los circunstantes. Y teniendo los ojos fijos en sus imágenes, y los brazos en cruz, espiró con el semblante sereno, en el cual se veía ya pintado el gozo del paraíso celestial.”
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ORACION Á LA VÍRGEN SANTÍSIMA.
 (De san Buenaventura.)
¡O Virgen santísima! Por la gloria de vuestro Santo Nombre os suplico, que cuando mi alma saldrá del cuerpo, os dignéis venir en busca suya para recibirla: no me rehuséis entonces la gracia de sostenerla con vuestra presencia: seáis Vos la escala y el camino para conducirla al cielo: en fin, alcanzadle el perdón y el reposo eterno. Amen.
A+M
FUENTE:
Anuario de María, ó, El Verdadero siervo de la Vírgen Santísima.Menghi d’Arville.Impr. y Libr. de Pablo Riera, 1841.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Discurso do Papa Pio XII sobre o Rosário


Rosário

São Domingos de Gusmão
O rosário, segundo a etimologia própria da palavra, é uma coroa de rosas; encantadora coisa, que em todos os povos representa uma oferta de amor e um sinal de alegria. Mas estas rosas não são aquelas das quais se adornam apressadamente os ímpios, dos quais fala a Sagrada Escritura "Coroemo-nos de rosas - exclamam eles -, antes que murchem". As flores do rosário não se envilecem; o seu frescor é incessantemente renovado pelas mãos dos devotos de Maria, e a diversidade das idades, dos países e das línguas dá àquelas rosas a variedade de suas cores e de seus perfumes.

Queremos que aumente a devoção ao Santo Rosário de Maria, devoção a que a piedade ligou-se por tantas recordações e que se harmoniza tão bem com todas as circunstâncias da vida doméstica, com todas as necessidades e disposições de cada membro da família.

Rosário dos novos esposos, que um ao lado do outro recita na aurora da nova família, diante da vida que se abre com as suas alegres previsões mas também com os seus mistérios e com as suas responsabilidades. É tão doce na alegria destes primeiros dias de intimidade total colocar em tal modo esperanças e propósitos do futuro sob a proteção de Virgem toda pura e potente, da Mãe amante e misericordiosa, cujas alegrias, dores e glórias passam diante dos olhos da alva devota, enquanto se seguem as dezenas de ave-marias, rememorando os exemplos da mais santa das famílias!

Rosários das criançasrosário dos pequenos, que tendo entre os seus minúsculos dedos ainda inexperientes os grãos da coroa, repetem lentamente, com aplicação e esforço, mas também com amor, os pai-nossos e ave-marias, que a mãe pacientemente lhes ensinou, errando, é verdade por vezes hesitem, confundem-se; mas é tão confiante o candor de seus olhares que fixam sobre a Imagem de Maria, daquela na qual já sabem reconhecer a sua grande Mãe do céu! Pois será o rosário da primeira comunhão, que tem um lugar a parte entre as recordações daquele grande dia; belo, mas não tanto quanto, por vezes devem ser. Belo rosário, mas não apenas um vão objeto de luxo, mas pelo contrário o instrumento que ajuda a orar e lembra, tornando presente ao pensamento: Maria.

Rosário da jovem, já grande, alegre e serena, mas, ao mesmo tempo, séria e pensativa do seu futuro; que confia a Maria, Virgem Imaculada, prudente e benigna, os desejos de dedicação e o dom de si, que ela sente desabrochar no coração; ora por aquele jovem, ainda desconhecido para ela mas conhecido por Deus, que a Providência lhe destina, e ela queria semelhante a si cristão fervoroso e generoso.

Este rosário, que ama recitar aos domingos, juntamente com as suas companheiras, devera durante a semana recitá-lo talvez entre os cuidados da casa, ao lado da mãe, ou entre as horas de trabalho no escritório ou no campo; quando tiver um momento para ir à humilde igreja mais próxima.

Rosário do jovem, aprendiz, estudante, agricultor, que se prepara, trabalhando corajosamente, para ganhar um dia o pão para si e para os seus, coroa que ele conserva preciosamente, como uma proteção daquela pureza que quer levar intata ao altar no dia das núpcias; rosário que recita sem respeito humano nos momentos livres para o recolhimento e a oração; que o acompanha sob o uniforme militar, em meio das fadigas e das lutas da guerra, que aperta uma última vez, no dia em que a pátria talvez lhe peça o supremo sacrifício, e que os seus companheiros de armas encontrarão comovidos entre os seus dedos frios e sangrando.

Rosário da mãe de famíliada operária ou da camponesasimples, sólido usado já desde muito tempo, que ela não poderá talvez pegar senão à tarde quando, bem cansada de sua jornada, encontrará ainda em sua fé e no seu amor a força de recitá-lo, lutando com o sono, para todos os seus caros, por aqueles especialmente que sabe mais expostos a perigos da alma ou do corpo que teme tentados ou aflitos, que vê com tanta tristeza se afastarem de Deus. Rosário da mulher do mundo, talvez mais rica, mas muitas vezes carregada de preocupações e de angústias ainda mais pesadas.

Rosário do pai de famíliado homem trabalhador e enérgico, que jamais esquece de trazer consigo a sua coroa, juntamente com a caneta-tinteiro e o caderninho de notas; que, grande professor, renomado engenheiro, célebre clínico, advogado eloqüente, genial artista, agrônomo experiente, não se envergonha de recitá-lo com devota simplicidade nos breves momentos arrancados à tirania do trabalho profissional, para ir retemperar a alma de cristão na paz de uma igreja, aos pés do tabernáculo.

Rosário dos velhosvelha vovó, que faz incansavelmente correr as contas entre os dedos enrugados, no fundo da igreja, até quando ela para ali puder arrastar-se com suas pernas enrijecidas, ou durante as longas horas de forçada imobilidade sobre a cadeira, ao lado do fogãoVelha tia, que todas as suas forças consagrou ao bem da família, e agora, aproximando-se o término de sua vida, toda empregada em boas obras, alterna, inexaurivelmente, em sua dedicação, os pequenos serviços que ainda pode prestar, com as numerosas dezenas de ave-marias, que diz sem cessar, com o seu terço.

Rosário do moribundonas horas extremas, como um último apoio apertado em suas mãos trementes, enquanto ao lado os seus caros o recitam em voz baixa; rosário que permanecerá sobre o peito dele, juntamente com o crucifixo, para atestar a sua confiança nas misericórdias divinas e na intercessão da Virgem, da qual estava pleno aquele coração que cessou de bater.

Rosário, finalmente, da família inteirarecitado em comum por todos, pequenos e grandes; que reúne à tarde, aos pés de Maria, aqueles que o trabalho do dia tinha separado e disperso; que os reúne com os ausentes e os desaparecidos; a recordação se reaviva em uma oração fervorosa, que consagra deste modo a ligação que os reúne todos sob o cuidado materno da Imaculada Rainha do Santíssimo Rosário.

Em Lourdes, como em Pompéia, Maria quis mostrar, com inumeráveis graças, quanto Lhe é agradável esta oração, à qual Ela convida Sua confidente Santa Bernadette, acompanhando as ave-marias da criança, com o lento correr de seu belo rosário, reluzente como as rosas de ouro que brilhavam sobre seus pés (1).

(1) Discurso aos esposos, 24 de novembro e 8 de outubro, 1941.

Fonte: Livro Pio XII e os problemas do mundo moderno, tradução e adaptação do Padre José Martins, 1959. 



Fonte:

 
VISTO EM:http://osegredodorosario.blogspot.com/

domingo, 4 de dezembro de 2011

Il quarto segreto di Fatima

Il quarto segreto di FatimaIl 13 maggio del 2000 il Vaticano rivela al mondo, con una ufficialità senza precedenti nella storia della Chiesa, il Terzo segreto di Fatima: la visione di un ‘vescovo vestito di bianco’ che sale in mezzo ai cadaveri verso una croce, dove viene ucciso da alcuni soldati. Subito collegato all’attentato del 13 maggio 1981, l’annuncio tanto atteso delude molti.
Possibile che un messaggio tenuto nascosto così a lungo, e con tanta cura, si riferisca a un evento già accaduto? Perché allora aspettare quasi altri vent’anni prima di comunicarne il contenuto? Chi è realmente il vescovo vestito di bianco? Perché quel lungo silenzio e quell’isolamento imposti a suor Lucia dal 1960? E come si spiegano certe sue parole? C’è un Papa martire nel futuro prossimo della Chiesa? Perché tanti particolari della ricostruzione ufficiale sono stati contestati? Pian piano le domande imbarazzanti cominciano ad accumularsi e molti indizi delineano un altro quadro, un’altra scottante verità: forse una parte del messaggio della Madonna non è mai stata pubblicata perché troppo sconvolgente. E’ la parte che inizia con una famosa frase della Santa Vergine che suor Lucia ha lasciato in sospeso. In questo libro si tenta di ricostruire queli possono essere i contenuti di questo discorso della Madre di Dio che tanto ha sconvolto chi lo ha letto e che rimane tuttora segreto.
Il 5 luglio 2006 Solideo Paolini, un giovane intellettuale cattolico marchigiano, autore di un libro su Fatima che abbiamo spesso citato, che si dedica da anni allo studio dell’apparizione portoghese, si reca a Sotto il Monte, in provincia di Bergamo. Nel paesello di papa Roncalli trascorre la vecchiaia, dopo alcuni anni di episcopato, quello che fu il segretario personale di Giovanni XXIII, cioè monsignor Loris Capovilla. L’appuntamento fra i due è per le ore 19 presso l’abitazione del prelato.
Dopo alcuni ricordi relativi agli anni trascorsi da Capovilla a Loreto, come vescovo, Paolini avanza una domanda: “Eccellenza, il motivo della mia visita deriva dal fatto che sono uno studioso di Fatima. Siccome Lei è una fonte di primissimo piano , vorrei porLe alcune domande…”. Il vescovo inizialmente si schermisce: “No guardi, anche per evitare imprecisioni, visto che nel 2000 è stato rivelato ufficialmente (il Terzo Segreto, nda), io mi attengo a quanto è stato detto. Anche se potrei sapere pure dell’altro, bisogna attenersi a quanto detto nei documenti ufficiali”. Poi sorridente aggiunge una promessa: “Lei mi scriva le domande e così io le rispondo, vado a vedere tra le mie carte – se le ho ancora, perché io ho donato tutto al museo – e le mando qualcosa, magari una frase… Lei scriva”.
Una frase? In che senso manderà “una frase”? Cosa avrà voluto dire, si chiede il giovane studioso? Intanto monsignor Capovilla continua a esternare alcuni suoi pensieri. Paolini racconta: “Il vescovo continuava a parlare toccando vari argomenti: il rischio di prendere per manifestazioni soprannaturali quelle che sono fantasie passate per la mente; il rischio che in certe situazioni si possa diventare monomaniaci, il rischio anche di montarsi la testa. Io tacevo, ascoltavo e fra me” confida Paolini “pensavo alla povera suor Lucia… Altro che ‘incline’ a quel tipo di fenomeni: per mesi, pur dopo averne ricevuto l’ordine, non riusciva a scrivere il testo del terzo segreto, tanto ne era atterrita!”.
Intanto il vescovo Capovilla continuava a parlare e cominciò a biasimare “la facilità con cui si prendono per indemoniate persone che potrebbero avere semplicemente delle malattie mentali, da cui l’imprudenza – che lui a Loreto non ebbe – di buttarsi immediatamente sugli esorcismi quando, sia pure senza escluderli come eventuale ultima possibilità, ci sarebbe invece bisogno di confessione, Messa, comunione e, se si vuole, di una bella preghiera com’è il Rosario”. Seguirono anche alcuni aneddoti e valutazioni sui papi.
Tornato a casa, sabato 8 luglio Paolini invia al prelato le sue domande scritte, come da precedente accordo. Il 18 luglio arriva in risposta un plico. “A fianco delle mie domande circa l’esistenza di un testo inedito del Terzo Segreto che non sarebbe ancora stato rivelato, verso il quale portano tanti indizi, monsignor Capovilla (che com’è noto ha letto il Terzo Segreto) aveva scritto testualmente: ‘Nulla so’. Quella risposta” confida Paolini “mi ha sorpreso. Infatti se il testo misterioso e mai svelato fosse una balla, il prelato, uno fra i pochi a conoscere il segreto, avrebbe potuto e dovuto rispondermi che è un’idea completamente campata per aria e che tutto è già stato rivelato nel 2000. Invece risponde: ‘Nulla so’. Un’espressione che immagino volesse ironicamente evocare una certa omertà siciliana…”.
Forse era quella la “frase” promessa. Ma in realtà c’era dell’altro. Nel plico di monsignor Capovilla era contenuto anche un curioso biglietto autografo, dall’apparenza normalissima che recitava:
“14.VII.2006 A.D.
Saluto cordialmente il dr. Solideo Paolini. Gli trasmetto alcuni fogli del mio archivio. Lo consiglio di procurarsi ‘Il Messaggio di Fatima’, pubblicazione della Congregazione per la dottrina della Fede, Edizione Città del Vaticano, anno 2000. Cordialità benedicenti Loris F. Capovilla”.
Era curioso che il vescovo consigliasse a uno studioso di Fatima di procurarsi la pubblicazione ufficiale del Vaticano sul terzo segreto. Era ovvio che la possedesse già. Non sarà stato allora un invito a leggere qualcosa in particolare di quella pubblicazione in relazione ai documenti inviati dallo stesso Capovilla? Così l’ha interpretato Paolini e infatti ha trovato il punto, o meglio: “la frase”.
“Confrontando appunto tale opuscolo con le carte d’archivio che il segretario di Giovanni XXIII mi ha mandato, balza agli occhi” dice Paolini “principalmente questa contraddizione: nelle sue ‘Note riservate’ con tanto di timbro, si certifica che papa Paolo VI lesse il segreto nel pomeriggio di giovedì 27 giugno 1963; mentre il documento ufficiale vaticano afferma: ‘Paolo VI lesse il contenuto con il sostituto Sua Ecc.za monsignor Angelo Dell’Acqua, il 27 marzo 1965, e rinviò la busta all’Archivio del Sant’Uffizio, con la decisione di non pubblicare il testo’. Mi chiedo dunque: 27 giugno 1963 o 27 marzo 1965 ?”.
Potrebbe forse trattarsi di un errore? O la discrepanza nasconde la soluzione del giallo che fin qui abbiamo indagato? Con queste stesse domande Paolini prende il telefono e quello stesso giorno, alle ore 18.45, chiama direttamente monsignor Capovilla. Dopo alcuni saluti “gli faccio presente” racconta lo studioso “il contrasto tra le sue ‘Note riservate’ e quanto asserito nel ‘Messaggio di Fatima’, cui egli stesso mi aveva rinviato. Risposta: ‘Ah, ma io le ho detto la verità. Guardi che sono ancora lucido!’. ‘Per carità, Eccellenza, ma come si spiega questa certificata discrepanza?’. A questo punto mi risponde con delle considerazioni che sembrano far riferimento a eventuali lapsus della memoria, interpretazioni di quanto si intendeva dire, al fatto che non stiamo parlando di Sacra Scrittura… Obietto: ‘Sì, Eccellenza, ma il mio riferimento è a un testo scritto (il documento ufficiale vaticano), chiaro e, a sua volta, basato su appunti d’Archivio!’. Monsignor Capovilla: ‘Ma io giustifico, forse il plico Bertone non è lo stesso del plico Capovilla…’. E io subito, interrompendolo: ‘Quindi entrambe le date sono vere perché del terzo segreto ci sono due testi?’. Qui c’è stata una breve pausa di silenzio, poi monsignor Capovilla riprese: ‘Per l’appunto!’ ”.
Nota
Monsignor Capovilla non solo era presente al momento in cui Giovanni XXIII, nel 1959, fece aprire e leggere il terzo segreto, ma fu addirittura l’estensore materiale della sentenza (di “condanna”) emessa dallo stesso papa Roncalli. E’ stato inoltre, nel corso degli anni, un importante testimone per ricostruire alcuni particolari relativi all’atteggiamento dei papi sul terzo segreto. In qualche modo – per il suo legame personale con Giovanni XXIII – è lui stesso un protagonista di questa vicenda.
Cronologia
13 maggio 1917: a Fatima (in Portogallo) la Madonna appare a tre bambini
13 luglio 1917: nel corso della terza apparizione la Madonna consegna ai bambini il Segreto
1942 : vengono rivelate la prima parte (la visione dell’inferno) e la seconda del Segreto che prediceva la rivoluzione sovietica, la seconda guerra mondiale, l’espansione del comunismo e le persecuzioni alla Chiesa. La terza parte del Segreto rimane avvolta nel mistero.
1957 : il Vaticano fa inviare la busta con il Terzo Segreto a Roma.
1959 : Giovanni XXIII legge il Terzo Segreto e decide di segretarlo mentre la Madonna aveva chiesto di rivelarlo pubblicamente nel 1960.
2000 : Giovanni Paolo II rivela il Terzo Segreto (la visione del “vescovo vestito di bianco”). Ma da allora sono cresciuti i dubbi sull’interezza del Segreto rivelato

http://www.antoniosocci.com/libri/il-quarto-segreto-di-fatima/

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Roma: discurso de Dom Manoel Pestana Filho, bispo emérito de Anápolis, em conferência sobre Fátima.

Roma, 7 de maio de 2010. Dom Manoel Pestana Filho discursa em conferência sobre Fátima e apresenta o livro de Monsenhor Gherardini - Concilio Vaticano II, un discorso da fare.
Roma, 7 de maio de 2010. Dom Manoel Pestana Filho discursa em conferência sobre Fátima e apresenta o livro de Monsenhor Gherardini - Concilio Vaticano II, un discorso da fare.
Apresentamos nossa transcrição do discurso proferido por Sua Excelência Reverendíssima Dom Manoel Pestana Filho, bispo emérito de Anápolis (Goiás), no “The Fatima Challenge Conference”, em Roma, no último dia 7. De antemão agradecemos as possíveis correções feitas ao nosso trabalho.
* * *
Excelências, irmãos padres, religiosos e religiosas,
Não esperem muito de mim, pois sou baixinho, mas, em suma, devo falar alguma coisa e me pediram que, ao menos,  eu me comunicasse com vocês.
Roma, 7 de maio de 2010. Dom Manoel Pestana Filho discursa em conferência sobre Fátima e apresenta o livro de Monsenhor Gherardini - Concilio Vaticano II, un discorso da fare.
Roma, 7 de maio de 2010. Dom Manoel Pestana Filho discursa em conferência sobre Fátima e apresenta o livro de Monsenhor Gherardini - Concilio Vaticano II, un discorso da fare.
Algo que me parece sempre incerto é a questão do Concílio Vaticano II. Na última sessão, da qual participei, uma comissão foi até a Irmã Lucia, em Coimbra, e eu lhe encaminhei uma pergunta por escrito. Minha pergunta foi a seguinte: o terceiro segredo de Fátima tem alguma relação com o Concílio Vaticano II? A Irmã Lucia respondeu — não a mim, mas a um padre que fora com a comissão — “não estou autorizada a responder esta pergunta”. Isso é muito interessante. [...] é um sinal de alguma reserva no terceiro segredo e esta reserva tinha alguma relação com o Concílio Vaticano II.
Mas, como reversas com o Concílio Vaticano II? Estudei aqui em Roma, estudei Teologia, e isso me impressionava muito. Eu também tinha lido dois livros sobre Fátima, um do padre Marc, e um outro de um padre português, que tinha sido diretor espiritual num seminário brasileiro. E uma coisa interessante para mim era entender esta razão. E nesse meio tempo, soube que o Santo Padre Pio XI desejava reabrir o Concílio do Vaticano. O Cardeal Billot o advertiu: “Santidade, me parece que isso é um perigo, porque estamos no tempo dos modernistas e esses modernistas criaram muita confusão na Igreja. Se o concílio for aberto agora, todos estarão em condição de participar, porque muitos também eram hierarcas da Igreja e creio que isso seria uma magnífica confusão entre os teólogos, sacerdotes, religiosos e até o povo, porque todas estas questões que já haviam sido esclarecidas e algumas condenadas pela Igreja desde Pio X e também um pouco por Bento XV, estas questões estariam livres para discussão e creio que não seria bom para a comunicação e para a opinião católica”. Soube que o Papa levou em consideração o que havia dito o Cardeal Billot – o Cardeal Billot foi retirado do cardinalato alguns anos depois, mas esta é outra questão – mas o Papa teria dito sim, [o Cardeal] tem razão.
Soube também que Pio XII teve uma idéia [sobre um concílio] – estudei quatro anos em Roma quando ele era Pontífice – mas estas razões [mesmas] lhe fizeram pensar e naqueles anos ele havia escrito uma carta encíclica Humani Generis, onde ele condena aberta e duramente todas as posições modernistas, citando, inclusive, muitos teólogos de seu tempo. Eu depois fiz [...] um trabalho [...] sobre esta encíclica e situei muitas de suas citações [de autores] que eram anônimas, mas eram citações, nesta encíclica. Por exemplo, Padre Congar, por exemplo, Padre Schillebeecxs, e outros. [...], mas o Santo Padre havia denunciado muitos teólogos que depois fariam sucesso com os seus escritos.
E por isso creio que o Papa Bento XVI, com sua prudência e sabedoria, não tenha citado nas obras do Papa Pio XII esta encíclica. É interessante, pois me perguntaram uma vez: por que o Papa não cita a Humani Generis? Pensei, pensei, e disse: creio que se o Papa tivesse citado esta encíclica ele criaria um ambiente de oposição a Pio XII por parte de teólogos famosos que continuam tendo muita influência nas questões da Igreja e haviam sido grandes homens famosos, aplaudidos, no Concílio Vaticano II. Para mim foi uma decisão de muita prudência e sabedoria [...]. Depois, quando a questão da canonização tivesse avançado, eles tomariam certamente outra posição.
Mas retornemos. Seria possível que Nossa Senhora tivesse dito que não era de seu gosto, que não lhe agradava uma realização do Concílio? Eu não sei, mas se pode pensar. Com isso eu não quero dizer que o Concílio Vaticano não seja legítimo… e não seja também uma benção para a Igreja.
Não sei se vocês conhecem este livro de Brunero Gherardini, Concilio Vaticano II – Un discorso da fare – publicado pelos Franciscanos da Imaculada, aquela congregação fundada pelo padre Manelli, que é interessantíssimo… terrível este livro… mas mantém uma posição muito justa, muito bem fundamentada. Ele diz que no Concílio foram ditas muitas coisas  que não são boas. Um comentarista francês dizia que era necessário distinguir aquilo que foi dito no Concílio, e foram ditas tantas coisas tolas, por exemplo, quando se discutia – e com todo respeito – a maternidade divina de Maria e também Maria mãe da Igreja; um bispo mexicano, Méndez Arceo, provocou risos, muitos risos, quando disse: “isso não me agrada, pois, se Maria é mãe da Igreja, e se a Igreja é nossa mãe, Maria não será nossa mãe, mas nossa avó”. Uma piada fora de lugar, mas, em suma, tudo era possível, e era uma Excelência que falava. E outras coisas que foram ditas; evidentemente, num ambiente de discussão, pode-se dizer tanta coisa tola [...] o delito que o homem usa e abusa de dizer o que pensa. Portanto, é necessário compreendê-lo.
Mas é ainda mais interessante que muitos daqueles que foram condenados por Pio XII – De Lubac, De Le Blond, Danielou, Congar, etc – eram homens do dia, atuais, durante o Concílio.
Mas, verdadeiramente, eu soube de uma coisa interessante: um professor da  Universidade Gregoriana, que fora responsável pela comissão para os textos preliminares para o Concílio – Padre Tromp – um teólogo magnífico… Falei com ele um pouco antes de sua morte. Ele era meu professor na Gregoriana e eu até fiz um curso especial com ele. E eu perguntei como ele avaliava esta situação e ele me respondeu o seguinte: o Concílio foi um concílio bastante difícil, muito difícil, tanta energia desperdiçada, mas, em suma, uma coisa que se deve dizer é que o Concílio Vaticano II, com todas estas discussões, declarações, documentos, etc, etc, é também a indicação dada por João XXIII de ser um concílio pastoral. Até hoje não se compreende bem este sentido, sentido bem profundo de concílio pastoral. Mas sabemos que não era um concílio de definições, que terminava assim: “todos que disserem o contrário sejam anátemas, etc, etc,” como era praxe. Mas era um concílio que tratava questões católicas, religiosas e mesmo questões não religiosas, mas não concluía mais como os outros concílios, com condenações, excomunhões. Não era um concílio dogmático.
Este sacerdote, que fora nomeado chefe da comissão de redação dos textos preliminares por João XXIII, me disse: “É incrível que um Concílio assim, complexo, heterogêneo, no final das contas tenha contribuído para um dos documentos mais seguros, fundamentais da Igreja. Sim, e ele aludia ao Capítulo 8º da Lumen Gentium. Para o Padre Tromp, este documento seria um dos maiores documentos de toda a história da Igreja.
Bem, nesse Concílio havia um homem que eu admirava muito, muitíssimo, tinha lido várias vezes um de seus livros: “Teologia do Apostolado”, Cardeal Suenens e que, em suma, me fez sofrer[...]. Ele tomou a posição de comando, um comando externo, dos bispos da Alemanha e Holanda. Mas, em suma, ele era um mariólogo, um devoto de Maria e certamente ele é quem inspirou e acompanhou a redação do capitulo 8º. Bem, por que digo isso? Porque quando Suenens disse: “Santidade, não somos crianças [...]”. Recebemos uma carta, para logo ler e assinar. Nós somos bispos, nós somos sucessores dos apóstolos. Sabemos o que fazemos. [... ]. Temos que ler os esquemas e depois vamos discuti-los.
E João XXIII, vocês sabem disso, se amedrontou e disse: “sim sim, faremos um Concílio pastoral” Não há Constituições Dogmáticas num Concílio Pastoral. Faremos um Concílio para discutir as questões do momento, e não as questões de sempre, e dar a resposta convencida pela prudência e sabedoria evangélica.
O estudo feito por Gherardini considera todas essas questões e diz claramente: o Concílio é uma grande graça para o mundo, e também é este concílio, tantas coisas são ditas, mas não há nenhum peso dogmático. [..] Há coisas que podemos chamar de incertas… até alguns teólogos depois do Concílio Vaticano II disseram que a linguagem da teologia de hoje é uma linguagem de incertezas, não há nenhuma certeza em suas declarações.
Assim, me parece que isso explica que tantas coisas tenham chegado a nós com muito pouco fruto. Pelo contrário. Vejamos. Dentro do Concílio Vaticano II, não nas reuniões, foram feitos acordos com os representantes da Rússia para que não se falasse do comunismo, não se falasse de Rússia. Mas isso é o contrário da mensagem de Fátima. O centro da mensagem [...] era a Rússia, da qual virão grandes males para a Igreja e para o mundo. Mas fizeram um acordo. Ah sim! Porque havia bispos ortodoxos [para participar do Concílio]. E nós sabemos hoje que muitos bispos não só na Rússia, mas na Polônia e outros lugares, para não terem obstáculos da parte do governo comunista, faziam vistas grossas a certas coisas. Por exemplo: nós sabemos que este escândalo ocorreu na Polônia de um arcebispo que fora nomeado e que no momento de tomar posse da diocese ele simplesmente disse: “não, não posso tomar posse, porque encontraram um documento assinado por mim que me permitia sair da Polônia para estudar em Roma com a condição de colaborar com o governo sobre as coisas da Igreja que lhe interessavam.”. Este é o problema. [...] O arcebispo de Kiev, que era um homem que se aproximou muito de João Paulo I, na última audiência, morreu lá diante do Papa. Ele não era ninguém menos que um chefe da KGB e era arcebispo de Kiev. Coronel da KGB. [...] É um trabalho de muito tempo de infiltração na Igreja Católica, e se pode dizer que também o fato de Judas fazer parte do colégio apostólico, não disse nada contra Cristo, e no último momento quis lhe trair: “amigo, a que viestes?”. [...] Há momentos extremos de traição e por isso o Senhor tem muitos e muitos caminhos. [...]
Por outro lado, por exemplo, nós sabemos da influência da maçonaria no último Concílio não foi pouca, porque o próprio Monsenhor encarregado da liturgia – Bugnini – tinha escrito uma carta ao chefe da maçonaria italiana, dizendo que pela liturgia havia feito tudo que era possível; tudo aquilo, segundo recebeu instruções, mais não poderia ser feito. [...]  Um padre polonês que encontrou este ofício o levou imediatamente a Paulo VI, que o mandou para fora de Roma, na nunciatura no Irã. Até Monsenhor Benelli, que era o braço direito do Papa, também foi retirado de Roma e estranhamente ambos morreram pouco depois em circunstâncias misteriosas. Dizíamos que era uma queima de arquivo. Entendem, não?
Quero dizer que mesmo os inimigos estando presente dentro da Igreja, isso não deve nos atemorizar, pois o próprio Cristo já contou aquela parábola [...] do trigo e do joio juntos e o Senhor disse “deixai crescer”, depois, na hora da colheita se separará os dois. Pois os maus, como diz Santo Agostinho, ou existem para se converter ou para nos santificar. E isso é verdade. [...] O Senhor, no antigo testamento, deixava os povos bárbaros e desumanos presentes e próximos do povo eleito para garantir a sua fidelidade e seu espírito de sacrifício. E por isso não devemos de maneira alguma pensar que estes problemas possam abalar a nossa fé. Absolutamente!
Uma vez, quando disse um pouco dessas coisas num encontro de bispos, um deles se levantou e me disse: “Você não crê no Espírito Santo?”. Eu disse: “Creio sim, e por isso estou aqui, porque creio no Espírito Santo e sei que as portas do inferno não prevalecerão”. “Eu estarei convosco até o fim do mundo”, tenhamos esta certeza absoluta, não podemos duvidar daquilo que Cristo disse. Isso seria um suicídio religioso. Se não creio em Cristo, em que acreditaria? Em meu pai, em minha mãe, em meu amigo, no Papa? Se não creio em Cristo… e por isso estou seguro, seguro com armas, com sofrimentos, com sangue, sim, sim, é verdade. Quando penso, por exemplo, no Pe. Gruner, vejo nele um mártir da Igreja moderna, sem dúvida. Não se pode compreender a sua vida sem a palavra de Deus que diz: “o reino dos céus é sofre violência, e são os violentos que o alcançam”.
Creio que poderia dizer – digo como uma palavra minha — e suspeitar que o Concílio Vaticano II está relacionado [...] com o terceiro segredo de Fátima. Alguns de vocês me dirão: “mas isso não é atual”. Mas é atual sim, pois se nós publicamos isso, teremos que enfrentar o temor de nossos fiéis que dirão: “O que? Vocês não acreditaram?”… Porque me dirão que eu fui fraco, que eu fui estúpido… essas não são justificativas para que eu possa dizer: “não sou responsável” ou “não estava nessas coisas”.
[...] victoria quae vincit mundum: fides nostra. A nossa fé é a vitória que vence o mundo. Que vence o mundo! Eu estarei convosco até a consumação dos séculos. As portas do inferno com ela. Nem a maçonaria que é o corpo místico de Satanás, nem as heresias são realmente a lepra da nossa Igreja, mas que encontram sempre na graça de Maria e no amor de Cristo um remédio salutar para todos os males, nada disso me deve fazer perder a coragem ou deixar de lutar.
Um dia eu falava na conferência dos bispos do Brasil contra o aborto, porque eu trabalho muito – poderia e deveria ter trabalhado ainda mais. E um bispo me disse: “Mas Dom Pestana, o senhor tem que entender que não podemos perder tempo [...] com uma batalha perdida. O aborto vem! Como veio para quase todas as nações. Não se pode perder tempo com essas coisas”. E eu disse: “Excelência, Deus não te julga se ganhamos ou não a batalha, mas se lutamos e se lutamos bem”. E assim penso que vocês estão fazendo, e por isso estou aqui com a alma renovada, encorajado [...] mesmo com o meu joelho com duas placas de metal.
Deve-se pensar nisso: eu devo lutar. [...]. Sempre recordo de uma estória, e gosto de contar estorinhas [...] para ensinar o catecismo. Um elefante corria na África e, de repente, uma formiga na sua orelha lhe diz: “Elefante, olhe para trás, veja quanta poeira estamos fazendo”. Nós estamos fazendo. E pensamos que somos nós que estamos fazendo. E por isso o personalismo no apostolado é um grande perigo. É Deus quem faz, e só quando os homens se convencerem que Deus faz aquilo que nós fazemos é que acreditarão em nós. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, Amém.
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