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segunda-feira, 28 de junho de 2010

Nossa Senhora: privilégios reais.

  

Extraído da Revista Catolicismo
Um dos temas que mais atrai a ira dos protestantes é a devoção devida a Nossa Senhora. Incompreensões e calúnias de todo gênero circulam a esse propósito.

Discutindo com protestantes, acabei constatando que, na raiz dessa posição, está sempre presente o orgulho. E este vício manifesta-se num ponto fundamental: o igualitarismo. Para uma pessoa orgulhosa, tudo aquilo que o outro possui, e ele não, é considerado um rebaixamento. Segundo tal mentalidade, para se evitar isso dever-se-iam suprimir todas as desigualdades. Aceitar-se-ia, quando muito, Deus como único ser diferente, mas nada de santos e criaturas privilegiadas.

Essa é uma mentalidade anti-católica. Para uma pessoa de mentalidade católica, o fato de outro possuir algo que ela não tem não representa uma afronta, não constitui uma agressão. Mas, pelo contrário, sentimo-nos felizes reconhecendo e amando a hierarquia estabelecida por Deus.

Arquitetonia da criação

Isto dito, compreende-se que um católico, quanto mais conheça privilégios de Nossa Senhora, sinta-se especialmente comprazido. E realmente Deus Nosso Senhor A cumulou com uma série de privilégios altíssimos. O que é perfeitamente arquitetônico no plano da criação.

O primeiro privilégio, do qual decorrem muitos outros, é a Imaculada Conceição, mediante a qual Nossa Senhora foi preservada do pecado original. Convinha que a Mãe de Deus fosse isenta de qualquer mancha de pecado.

Desse privilégio decorre a ausência da inclinação para praticar o mal. A Mãe de Deus não experimentava nenhuma das más inclinações que podem levar ao pecado, e, graças à sua fidelidade, não cometeu jamais a mínima imperfeição.

Igualmente — e este é o terceiro privilégio — Nossa Senhora teve um parto miraculoso e sem dor. Quando Adão e Eva pecaram, Deus disse a Eva: “Darás à luz com dor os filhos” (Gen 3,16). Sendo Nossa Senhora isenta do pecado original, compreende-se que o parto d´Ela não pagasse tributo à dor. O que é explicável, pois não convinha que a vinda do Salvador — alegria do Universo — ocorresse em meio à dor, mas sim numa atmosfera de júbilo.

Um quarto privilégio foi sua santa morte. A morte é fruto do pecado original. Disse Deus a Adão: “Tu és pó e em pó te hás de tornar” (Gen 3,19). Como a Virgem Santíssima foi concebida sem pecado original, não havia razão para Ela morrer. Poderia ir diretamente para o Céu, sem passar pela morte. Entretanto, Nossa Senhora desejou não ficar isenta dessa provação, pela qual até seu Divino Filho tinha passado. Por isso faleceu, mas de morte tão suave que, na linguagem católica, fala-se em Dormição da Beatíssima Virgem Maria. Sua morte não foi causada por doença ou velhice. Dominava-a tal amor de Deus, que Ela morreu mais propriamente devido a esse amor.

Um quinto privilégio: Seu corpo não se corrompeu no túmulo. A perda da vida acarreta a destruição da matéria, mas no caso d´Ela a morte não teve poder sobre a matéria. Nada se alterou, nada se perdeu. Por isso sua morte é comparada ao sono, à Dormição.

Obra-prima da criação

Um sexto privilégio é a plenitude das graças recebidas. Deus é grandioso, generoso, porquanto cria sem nenhuma necessidade de criar, fazendo-o porque assim o quer. E, ao criar, Deus decidiu que ao menos uma mera criatura recebesse tudo o que é possível a um ente criado receber. Assim, recebeu Ela já no primeiro instante de seu ser todas as graças possíveis.

Então manifesta-se um sétimo privilégio. Em tese, seria possível Ela a receber e rejeitar. Mas Nossa Senhora foi inteiramente fiel à graça, que A preservou de toda imperfeição.

Um oitavo privilégio foi a maternidade divina. Deus é a Sabedoria, e tudo o que faz decorre de uma razão altíssima. Qual seria o sentido de existir uma criatura a mais perfeita possível, isenta do pecado original e cheia de graça, e não lhe tocar uma vocação superior? Seria como uma obra de arte que não fosse exposta ao público e permanecesse fechada num cofre. Nossa Senhora é a obra-prima da criação, sendo lógico, portanto, que recebesse uma vocação proporcional à sua especialíssima situação. E que vocação pode haver mais alta do que a de ser Mãe de Deus?

Maternidade e virgindade

Tratemos de um nono privilégio. Deus quis que sua Mãe fosse Virgem. Por quê? Não é regra comum da vida que maternidade e virgindade sejam incompatíveis? A virgindade não é apenas algo físico, mas corresponde também a um estado de alma. Quis Deus que as mães votem um amor especial, do ponto de vista natural, pelos seres que geraram. Mas para Nossa Senhora Ele almejava mais. Ela devia ser dotada de todo o amor possível de Mãe, mas concomitantemente, de todo desapego das coisas do mundo que a virgindade produz nas almas. E Nossa Senhora, a mais perfeita das mães, devia ter alma de Virgem, a fim de fazer o mais perfeito sacrifício possível e praticar o supremo desapego: entregar seu próprio Filho para ser imolado, com vistas a redimir nossos pecados.

Um décimo privilégio de Nossa Senhora: sua Assunção aos céus, em corpo e alma. Compreende-se igualmente que, segundo o plano divino, um ser tão perfeito deveria receber um prêmio perfeito. Em contraste com os outros seres mortais, Ela está no Céu em corpo e alma.

Dispensadora das graças

Tendo-a chamado a Si, de forma tão privilegiada, compreende-se que Deus A tenha coroado como Rainha do Céu e da Terra. Este é o décimo-primeiro privilégio.

Finalmente, o décimo-segundo: a onipotência que Jesus Cristo lhe concedeu, estabelecendo-a como dispensadora de todas as graças. Tal privilégio, altíssimo sem dúvida alguma, é também um extraordinário prêmio para todos nós. Afinal, quem se beneficia dele? Nossa Senhora recebe todas as graças para as distribuir aos outros. Ela é a dispensadora, Aquela que entrega.

Voltamos ao início do artigo. Poderia alguém, com espírito de fé, lamentar tais privilégios? Posso eu sentir-me diminuído pelo fato de ser Ela a dispensadora de todas as graças? Como não ficar jubiloso ao saber que tão perfeita Mãe dispõe do poder de espargir entre seus filhos as graças divinas? Peçamos então o poderoso auxílio d’Ela. E rezemos pela conversão daqueles a quem o orgulho cega, não querendo entender a beleza de uma Mãe tão cheia de privilégios, que a todos eleva.
visto em:Confraria de S.João Baptista

sábado, 26 de junho de 2010

Foi revelado o Terceiro Segredo de Fátima? o Cardeal Pacelli, quando ele ainda era Secretário de Estado de Pio XI, no final de 1936, falando a pessoa de sua confiança, a respeito do Terceiro Segredo de Fátima. Disse ele então: “Estou obcecado pelas confidências da Virgem à pequena Lúcia de Fátima. Essa obstinação de Nossa Senhora diante do perigo que ameaça a Igreja, é um aviso divino contra o suicídio que representaria a alteração da fé, em sua liturgia, sua teologia e sua alma”.


 Publicamos, na semana passada um texto altamente revelador do Cardeal Pacelli, quando ele ainda era Secretário de Estado de Pio XI, no final de 1936, falando a pessoa de sua confiança, a respeito do Terceiro Segredo de Fátima. Disse ele então:

“Estou obcecado pelas confidências da Virgem à pequena Lúcia de Fátima. Essa obstinação de Nossa Senhora diante do perigo que ameaça a Igreja, é um aviso divino contra o suicídio que representaria a alteração da fé, em sua liturgia, sua teologia e sua alma”.

      Essa citação foi publicada em várias ocasiões, sem jamais ser feita relação com o conteúdo do Terceiro Segredo de Fátima: (Cfr. Monsenhor Georges Roche e Philippe St. Germain, Pie XII devant l´Histoire, Laffont, Paris, 1972, pp 52 – 53; idem Abbé Daniel Le Roux, Pierre m´aimes-tu?, edit Fideliter, Brout Vernet 1986. p. 1; idem Padre Dominique Bourmaud, Cien Años de Modernismo, Ed Fundación San Pio X Buenos Aires, 2006, p. 312; apud Dom Bernard Fellay, Superior Geral da FSSPX, Resposta de 22 de junho de 2001 à carta do Cardeal Castrillon Hoyos de 7 de maio de 2001.
Communicantes, Août 2001, http://www.sspx.ca/Communicantes/Aug2001/French/Monseigneur_Fellay_repond.htm)  

     
Ora, essa declaração do Cardeal Pacelli atribui a Nossa Senhora um aviso profético que não consta de nenhum livro sobre as revelações de Fátima. Portanto, Pio XII só pode ter sabido disso por ter lido o famoso Terceiro Segredo de Fátima, que o Vaticano sempre insistiu em não revelar, e que se nega que exista.
Em julho de 1917, na terceira aparição às três crianças de Fátima Nossa Senhora revelou três segredos: o primeiro sobre a perda de inúmeras almas durante a primeira guerra mundial da qual Ela anunciou o fim próximo.
O segundo segredo tratava de uma possível segunda guerra que espalharia os erros da Rússia pelo mundo e o aniquilamento de várias nações.
De que poderia tratar o Terceiro Segredo?
Evidentemente, seguindo a ordem lógica crescente, depois das almas, e das nações, deveria tratar da Igreja.
Estranha, aliás, é a ausência do tema Igreja nas revelações de Fátima. Nelas Nossa Senhora tratava de fatos muito concretos: Primeira Guerra Mundial, Segunda Guerra, Rússia. E da Igreja, que atravessava a crise imensa do Modernismo, Nossa Senhora não diria nada?
Estranho...
Por demais estranho!
 
Com efeito, em 1914, repentinamente, morrera São Pio X, o único Papa santo do século XX. Ele havia condenado a heresia do Modernismo. Sua morte – muito brusca-- acarretou a expulsão dos que lhe estavam ligados, na Cúria, e o retorno de seus inimigos modernistas aos postos mais importantes da Igreja.
O Pontificado de Bento XV favoreceu muito os hereges que São Pio X condenara, e que, desde então, só viram sua influência crescer, na Igreja, até o seu triunfo completo no Concílio Vaticano II e com a Missa Nova de Paulo VI.
Espanta, então, que Nossa Senhora não tratasse da situação da Igreja.
 
Entretanto, a pequena Jacinta teve, uma vez, uma visão em que aparecia um Papa, rezando e chorando, sozinho, num Palácio, enquanto uma multidão lhe atirava pedras. Jacinta perguntou então à Lúcia, se podia contar ao povo “aquilo” a respeito do Papa .  
E Lúcia lhe respondeu:

Não! Não vê você que contar aquilo sobre o Papa, ficaria fácil descobrir o segredo?

      Portanto, o segredo tratava de um Papa.
E de um Papa que seria apedrejado...
 
Nenhum Papa, no século XX, foi apedrejado pelo povo, antes tiveram tanta popularidade...
 
Consta que João XXIII, ao ler o segredo — que ele fez traduzir do português para o italiano – teria afirmado, que isso não seria com ele, mas com outro Papa. Portanto, no segredo se falaria de um Papa, e se diria uma característica dele que não existia em João XXIII, e, por isso, ele podia dizer que os fatos previstos não eram atinentes à sua pessoa.
 
Paulo VI leu o segredo, e o fez ler por outros. Fez também o Concílio Vaticano II e a Missa Nova. E confessou que, depois disso, a fumaça de Satanás entrara no templo de Deus, e que se dera um misterioso processo de auto demolição da Igreja. Auto demolição a que assistimos até hoje, todos os dias.
Desgraçadamente.
E auto demolição é uma forma de suicídio...
Paulo VI confirmou indiretamente o que o Cardeal Pacelli dissera que havia no Terceiro Segredo: alusão insistente a um futuro “suicídio” da Igreja.
Paulo VI deixou que vários Cardeais e elementos da Cúria romana lessem o Terceiro Segredo de Fátima. Os Cardeais Silvio Oddi, Ottaviani, Siri, Ciappi, foram dos que leram o Segredo.
João Paulo II o leu e o fez ler por outros prelados, entre os quais o então Cardeal Ratzinger.
Este, inicialmente, se manifestou dizendo que o segredo de Fátima jamais seria publicado por “não conter nada que não estivesse já na revelação”...
Restava saber o que entendia o Cardeal Ratzinger, aí, por Revelação... Seria a Bíblia ou o Apocalipse, pois Apocalipse significa Revelação...
Sobre o Terceiro Segredo de Fátima, o Cardeal Oddi observou que o segredo:

Não tem nada a ver com Gorbachev. A Virgem Abençoada nos alertou contra a apostasia na Igreja.”

      Mas, então, são bem certos os raciocínios de que Nossa Senhora teria falado da Igreja de um suicídio e de uma apostasia na Igreja. 
No artigo de Solideo Paolini (http://www.unavox.it/ArtDiversi/div042.htm) há uma citação do Cardeal Ciappi (falecido em 1996) falando a mesma coisa.

“E se o Cardeal Oddi, que teve uma conversa com a Irmã Lúcia, trouxe dela a convicção “que o Terceito Segredo predizia algo terrível feito pela Igreja”, obviamente no sentido impróprio aos homens da Igreja, o Cardeal Ciappi, que foi por decênios e sob vários Pontífices “teólogo do Papa”, foi absolutamente lapidar ao escrever pouco antes de morrer: “No terceiro segredo se profetiza, entre outras coisas, que a grande apostasia na Igreja partirá de seu cume”.
 
Ou o Cardeal Ciappi mentiu, ou ele leu isso mesmo no Terceiro Segredo de Fátima. Mas, se o Terceiro Segredo disse tal coisa, Nossa Senhora teria predito uma apostasia levada a cabo pelo cume da Igreja, isto é, por um Papa.
É natural, então, que os Papas responsáveis por esse suicídio e apostasia não o quisessem publicar
Isso mesmo é confirmado por outros testemunhos ainda
Sobre tudo isso, escreveu ainda recentemente Antonio Socci:

O Cardeal Ottaviani e o Cardeal Ciappi (“no terceiro segredo se profetiza, entra outras coisas, que a grande apostasia na Igreja partirá da sua cúpula”). Um conceito análogo transparece das palavras de Lucia ao padre Fuentes e de duas declarações do Cardeal Ratzinger. Eu noticiei isso só como jornalista, explicando que muitos interpretam a apostasia em referência aos efeitos do Concílio. (A.Socci, Carta Aberta ao Cardeal Bertone).
Portanto, o terceiro segredo fala de uma “grande apostasia” – expressão apocalíptica — e apostasia que será promovida pela mais alta cúpula da Igreja.
Seria por um Papa?
E não há que esquecer que na Sagrada Escritura, a vinda do Anticristo é precedida pela “Grande Apostasia”...
 
Uma pergunta vem imediatamente à mente: não teria sido, então, o Concílio Vaticano II essa “grande apostasia”?
Certo é que muitos constataram que o Vaticano II aprovou as teses modernistas condenadas por São Pio X. Pois, então, a Virgem de Fátima anunciou antecipadamente essa grande apostasia realizada pelos neo modernistas no Vaticano II.
Se é assim,-- e tudo indica que é assim mesmo -- era bem natural que João XXIII e Paulo VI tivessem escondido o Terceiro Segredo de Fátima.
João XXIII falou contra os “profetas de desgraças” que viam a Igreja em perigo de ruínas e de apostasia... Foi para Nossa Senhora e para as videntes de Fátima que ele disse isso, ou ele visava só os acreditavam em Fátima?
      Se Nossa Senhora tivesse feito a menor alusão elogiosa à Nova Igreja Conciliar que ia nascer do Concílio Vaticano II, os dois Papas conciliares a teriam trombeteado bem alto. Não trombetearam. Esconderam o segredo de Fátima. Logo, o Terceiro Segredo era contrário aos objetivos dos que propugnavam a instalação de uma Nova Igreja Conciliar.   
No ano 2000, quando da visita de João Paulo II a Fátima, o Vaticano anunciou a publicação do Terceiro Segredo de Fátima. Na verdade, publicou apenas uma visão referente ao Terceiro Segredo: um Bispo de branco, saindo de uma cidade arruinada, atrás de uma procissão iniciada por Cardeais, Bispos, padres, religiosos e povo, e que o Bispo de branco — o Papa – seguia titubeante. Eles subiam uma montanha, e lá, o Papa e todos os demais que estavam com ele eram mortos a tiros e flechadas, por soldados uniformizados.
O Cardeal Sodano se cobriu de ridículo aplicando essa visão ao atentado de Agca contra João Paulo II, atentado em que ninguém morreu -- nem o Papa — enquanto que, na visão, todos morrem.
Era muita a vontade do bem suspeito Cardeal Sodano de querer enganar, de modo bem grosseiro, o mundo inteiro.
      Agora, nasceu na Itália uma polêmica que está tomando vulto inesperado: o jornalista Antonio Socci, que era contrário á tese de que o Terceiro Segredo fazia referências à crise atual da Igreja, voltou a estudar o assunto, e acabou por aceitar a tese de que o Terceiro Segredo de Fátima não foi totalmente publicado:

O já falecido Padre Joaquin Alonso (+1981), que por dezesseis anos foi o arquivista oficial em Fátima, o qual entrevistou Irmã Lúcia por diversas vezes, nos dá o seguinte testemunho:
“É, portanto, completamente provável que o texto faça referências concretas à crise de fé dentro da Igreja e à negligência dos próprios pastores [e as] brigas internas no seio mesmo da Igreja e de grave negligência pastoral da alta hierarquia...
"No período precedente ao grande triunfo do Imaculado Coração de Maria, coisas terríveis estão previstas para acontecer. Essas coisas formam o conteúdo da Terceira parte do Segredo. O que são elas? Se ‘em Portugal o dogma da Fé sempre será preservado, ’… pode-se claramente deduzir daí que em outras partes da Igreja esses dogmas tornar-se-ão obscuros ou se perderão totalmente...
"O texto não publicado menciona circunstâncias concretas? É bem possível que mencione não apenas uma crise real da fé na Igreja durante este interstício, mas, por exemplo, à semelhança do segredo de La Sallete, haja mais referências concretas às brigas internas de Católicos ou à queda de sacerdotes e religiosos. Talvez o texto faça até referência aos erros da alta hierarquia da Igreja”.
 
Antonio Socci contará que o atual Cardeal Bertone foi enviado pelo Cardeal Ratzinger a conversar com Irmã Lúcia, três vezes sucessivas em 2.000, 2001 e 2.003.
Se a publicação da visão da procissão e morte de um “Bispo vestido de branco” era tudo o que havia no Terceiro Segredo, se não havia um texto de Nossa Senhora explicando essa visão, para que o atual Cardeal Bertone foi três vezes falar com Irmã Lúcia, em Coimbra?
Falar com ela sobre o quê, se tudo já fora publicado?
O que se tem, então, é um texto bem claro do Cardeal Pacelli, datado de 1936 dizendo que Nossa Senhora em Fátima profetizou um suicídio da Igreja pela mudança de sua teologia e de sua liturgia. Ora, no Concílio Vaticano II se mudou a Teologia da Igreja, e desse Concílio nasceu a Missa Nova de Paulo VI. Depois disso, Paulo VI declarou que havia um misterioso processo de auto demolição da Igreja. E o Cardeal Ciappi disse que o Terceiro segredo falava de uma grande apostasia...
Uma Igreja que se auto demole, é suicida. Logo, em Fátima, no Terceiro Segredo, Nossa Senhora previu o Concílio Vaticano II e a Missa Nova e os qualificou de suicidas.
O Vaticano II e a Missa Nova, nós o vemos na prática, foram atos suicidas que acarretaram a atual grande apostasia.
E quem seria o Bispo vestido de branco – um Papa -- que fará a restauração da Missa de sempre?
O Cardeal Ratzinger foi perito do Concílio Vaticano II.
Depois... mudou muito...
É certo que ele leu o Segredo de Fátima. Teria ele compreendido, afinal, à luz do segredo, o que deveria ser feito?
Rezemos pelo Papa, Bispo vestido de branco.
Rezemos pelo Papa
E que Deus guarde a Santa Igreja!

São Paulo, 28 de Maio de 2007

fonte:http://www.fimdostempos.net/3segredo_concilio3.html

quarta-feira, 23 de junho de 2010

A devoção reparadora dos cinco primeiros sábados do mês


A devoção reparadora dos cinco primeiros sábados do mês

Padre Fabrice Delestre

Preâmbulo http://www.capela.org.br/Artigos/convidados/delestre1.htm

Os dois pedidos de 13 de julho de 1917.

A 13 de junho de 1917, a Santíssima Virgem disse à Lúcia: “Jesus quer estabelecer no mundo a devoção do meu Imaculado Coração”. Depois os três pastorzinhos viram Nossa Senhora tendo em sua mão direita um coração cercado de espinhos. Compreenderam que era o Coração Imaculado de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, que pedia reparação.

No dia 13 de julho, a rainha do céu repetiu as mesmas palavras e as esclareceu fazendo dois pedidos concretos e precisos: “Se fizerem o que vou vos dizer, muitas almas serão salvas e haverá paz. [...] Voltarei para pedir a consagração da Rússia ao meu Coração Imaculado e a devoção reparadora dos primeiros sábados (do mês).”

De fato, Nossa Senhora realizou perfeitamente sua promessa:

- Ela veio pedir expressamente a consagração da Rússia à irmã Lúcia, em Tuy, na Espanha, em 13 de junho de 1929:

É chegado o momento em que Deus pede para o Santo Padre fazer, em união com todos os bispos do mundo, a consagração da Rússia a meu Imaculado Coração, prometendo salvá-la por este meio. São tantas as almas que a Justiça de Deus condena pelos pecados contra mim cometidos, que venho pedir reparação: sacrifica-te por esta intenção e ora.

- Quanto à devoção reparadora dos primeiros sábados do mês, Nossa Senhora veio explicar à Lúcia, no dia 10 de dezembro de 1925, em Pontevedra na Espanha, onde a vidente era jovem postulante à vida religiosa, nas irmãs dorotéias. Em dezembro de 1927, irmã Lúcia, por ordem de seu confessor, escreveu um relatório dessa aparição, mas por humildade, escreveu este texto na terceira pessoa:

Dia 10 de dezembro de 1925, apareceu-lhe a Santíssima Virgem e, ao lado, suspenso em uma nuvem luminosa, um Menino. A Santíssima Virgem pondo-lhe no ombro a mão, mostrou-lhe ao mesmo tempo um coração que tinha na outra mão, cercado de espinhos. Ao mesmo tempo disse o Menino: “Tem pena do Coração de tua Santíssima Mãe que está coberto de espinhos, que os homens ingratos a todos os momentos Lhe cravam, sem haver quem faça um ato de reparação para os tirar”. Em seguida, disse a Santíssima Virgem: Olha, minha filha, o Meu Coração cercado de espinhos, que os homens ingratos a todos os momentos Me cravam com blasfêmias e ingratidões. Tu, ao menos, vê de Me consolar, e dize que todos aqueles que durante cinco meses, no primeiro sábado, se confessarem, recebendo a Sagrada Comunhão, rezarem um Terço, e Me fizerem quinze minutos de companhia, meditando nos quinze mistérios do Rosário, com o fim de me desagravar, Eu prometo assistir-lhes, na hora da morte com todas as graças necessárias para a salvação dessas almas.”

Notemos que se o ato de consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria depende diretamente da boa vontade da autoridade hierárquica da Igreja (papa e bispos), a devoção reparadora dos primeiros sábados do mês foi pedida a todos os católicos. Desta prática depende a salvação de muitas almas e mesmo a paz do mundo. Daí a importância de todo aquele que é batizado, saber exatamente em que ela consiste.

Mas antes, vejamos como a divina Providência preparou as almas para receber esta devoção.

Premissas de uma devoção

Nossa Senhora, quando pediu à irmã Lúcia, em 10 de dezembro de 1925, em Pontevedra, a prática da devoção reparadora dos cinco primeiros sábados do mês, não estava inovando: este pedido celeste aparece como o apogeu de um movimento de piedade nascido muito tempo antes e encorajado pela Santa Sé desde de 1889.

Sábado, dia consagrado especialmente à Santíssima Virgem

Esta tradição imemorável data, com toda certeza, dos primeiros séculos da Igreja: a presença da Missa de Nossa Senhora nos Sábados,[1] no missal romano de São Pio V, de 1570, mostra a antigüidade desta prática que consiste em honrar especialmente a Santa Mãe de Deus nesse dia da semana, depois de ter consagrado o dia da sexta feira para comemorar a paixão de Nosso Senhor e os sofrimentos de seu Sagrado Coração.

Foi apoiando-se nesta piedosa tradição que os membros das Confrarias do Rosário habituaram-se a consagrar especialmente à Nossa Senhora, quinze sábados consecutivos de cada ano litúrgico: durante esses quinze sábados, eles se aproximavam dos sacramentos e cumpriam exercícios de piedade particulares em honra dos quinze mistérios do santo rosário. Em 1889, o papa Leão XIII concedeu a todos os fiéis uma indulgência plenária a ser ganha durante um desses quinze sábados.

O primeiro sábado do mês

Foi com o grande papa São Pio X que a devoção dos primeiros sábados do mês foi aprovada e encorajada por Roma.. Em 10 de julho de 1905, ele indulgenciou pela primeira vez esta devoção:

“Todos os fiéis que, no primeiro sábado ou primeiro domingo de doze meses consecutivos, consagrarem algum tempo com a oração vocal ou mental em honra da Virgem Imaculada em sua Conceição ganham, cada um desses dias, uma indulgência plenária. – Condições: confissão, comunhão e oração nas intenções do soberano pontífice”.

A devoção reparadora dos primeiros sábados do mês.

Em 13 de junho de 1912, São Pio X concedia novas indulgências à devoção dos primeiros sábados do mês, insistindo muito na intenção reparadora com a qual esta devoção devia ser praticada:

“A fim de promover a devoção dos fiéis para a gloriosa e imaculada Mãe de Deus, e para favorecer o piedoso desejo de reparação dos fiéis (et ad fovendum pium reparationis desiderium) diante das blasfêmias execráveis proferidas contra o seu augusto nome e as celestes prerrogativas desta mesma bem-aventurada Virgem, Pio X, papa pela divina Providência, dignou-se conceder uma indulgência plenária, aplicável às almas dos defuntos, no primeiro sábado de cada mês, por todos aqueles que, nesse dia, se confessarem, comungarem, cumprirem exercícios particulares de devoção em honra da bem-aventurada Virgem Maria, em espírito de reparação como indicado acima (in spiritu reparationis, ut supra) e rezarem nas intenções do soberano pontífice.[2]

Notemos a providencial coincidência das datas: 13 de junho de 1912, são cinco anos, dia por dia antes da segunda aparição de Nossa Senhora em Fátima, durante a qual os três pastorinhos testemunharam a primeira grande manifestação do Imaculado Coração de Maria vendo-o “cercado de espinhos que pareciam enterrados nele”. “Compreendemos, escreveu Lúcia sobre isto em 1941, na sua quarta Memória, que era o Imaculado Coração de Maria ultrajado pelos pecados da humanidade que queria reparação”.

Os termos empregados por São Pio X anunciam quase exatamente os termos do pedido de Nossa Senhora em Pontevedra, em 1925: nos dois casos, é sublinhada a extrêma importância da intenção reparadora, única capaz de afastar e apaziguar a cólera de Deus.

Em Fátima e em Pontevedra, Nossa Senhora não é, pois, inovadora: ela veio dar a ratificação do Céu e um novo impulso a um movimento de piedade mariano enraizado na mais pura tradição católica, para encorajar a todos nós, a participarmos dele.

A intenção reparadora, chave desta devoção.

Respondamos, primeiramente, a uma objeção que muitas vezes escutamos da parte de pessoas pouco esclarecidas no domínio da fé. Essas pessoas contestam esta devoção afirmando que ela se opõe à perseverança na vida cristã: com efeito, dizem, bastaria praticar uma só vez na vida a devoção reparadora para ter assegurado sua salvação eterna; depois, as almas poderiam fazer o que quisessem, deixar a prática religiosa e cair nos piores pecados, pois estariam de qualquer maneira salvos para a eternidade! É fácil refutar esta objeção: uma alma que cumprir a devoção reparadora com tal espírito não obteria a graça da perseverança final, ligada por Nossa Senhora a esta prática, já que ela não a faria com reta intenção (condição indispensável a todos nossos atos religiosos e de devoção, para receber as bênçãos e graças de Deus) nem com o cuidado de reparar e consolar o Coração de Maria! Tal prática equivaleria, ao contrário, em abusar gravemente da misericórdia de Deus, utilizando a promessa da salvação eterna feita por Nossa Senhora para legitimar todos os pecados que fossem cometidos em seguida; isto é o pecado de presunção de sua salvação que é um dos sete pecados contra o Espírito Santo!

Reparar pelos pecadores.

As almas que querem praticar a devoção dos primeiros sábados do mês conforme a vontade do Céu, devem fazê-la na intenção geral de reparar e consolar Nossa Senhora, em substituição dos pobres pecadores que ultrajam e blasfemam contra ela: trata-se, por caridade fraterna, de “implorar o perdão e a misericórdia em favor das almas que blasfemam contra Nossa Senhora porque, a essas almas, a misericórdia divina não perdoa sem reparação”.[3] Foi isso que afirmou Nosso Senhor a Lúcia em 29 de maio de 1930, depois de ter revelado as cinco espécies de ofensas e de blasfêmias que se trata de reparar (infra):

“Eis, minha filha, porque motivo o Imaculado Coração de Maria me inspirou para pedir esta pequena reparação e em consideração a ela, comover minha misericórdia para perdoar às almas que tiveram a infelicidade de ofendê-lo. Quanto a ti, procure sem cessar, por tuas orações e teus sacrifícios, comover minha misericórdia em relação às pobres almas.”

Esta intenção reparadora, movida pela caridade fraterna, deveria nos dar um grande zelo para cumprir a devoção dos primeiros sábados não apenas cinco vezes em nossa vida, para assegurar a salvação pessoal, mas cada primeiro sábado, a fim de permitir a salvação eterna do maior número possível de pecadores. Porque aí está um dos grandes objetivos da devoção reparadora ao Imaculado Coração de Maria: “salvar almas, muitas almas, todas as almas”. [4]

Ora, o conjunto de acontecimentos sobrenaturais de Fátima, Pontevedra e Tuy nos mostra claramente e repetidas vezes, que são muitas as almas condenadas à eternidade:

- A 13 de julho de 1917, os três pastorinhos têm a visão do inferno, que está longe de ser um lugar vazio:

Nossa Senhora mostrou-nos um grande mar de fogo [...]. Mergulhado nesse fogo, os demônios e as almas [...] almas flutuavam no incêndio, levadas pelas chamas, que delas mesmas saíam, com nuvens de fumo caindo para todos os lados, semelhante ao cair das fagulhas nos grandes incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e de desespero que horroriza e fazia estremecer de pavor. [5]

- A 19 de agosto de 1917, no fim da aparição, Nossa Senhora diz aos três videntes:

Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios pelos pecadores; que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas. [6]

- A 13 de junho de 1929, na aparição de Tuy, Nossa Senhora concluiu a teofania trinitária com a qual Lúcia foi gratificada, por essas terríveis e surpreendentes palavras:

São tantas as almas que a Justiça de Deus condena por pecados contra mim cometidos que venho pedir reparação. Sacrifica-te por esta intenção e reza.

Irmã Lúcia sempre afirmou que o número de almas danadas era muito grande. Ela conclui assim sua carta para um jovem, tentado a abandonar o seminário: “Não se surpreenda se falo tanto do inferno. Esta é uma verdade que é necessária lembrar muito nos tempos presentes, porque é esquecida: é um turbilhão de almas que caem no inferno. Então, o senhor não acha que são bem empregados todos os sacrifícios que é preciso fazer para não ir para lá e para impedir que muitos outros caiam lá?”. [7] E ao Padre Lombardi que, em outubro de 1953, a interrogou sobre o inferno, ela respondeu: “Padre, numerosos são aqueles que são condenados.[...] Padre, muitos, muitos se perderão.”

Obter a conversão de um pecador

É também louvável e frutífero praticar esta devoção para obter a conversão desse ou daquele grande pecador de nossas relações. A carta da irmã Lúcia ao bispo titular de Gurza, de 27 de maio de 1943, já citada, esclarece muito bem sobre o poder e eficácia sobrenatural da devoção aos Santíssimos Corações de Jesus e Maria:

“Os Santíssimos corações de Jesus e Maria amam e desejam este culto [para com o Coração de Maria] porque dele se servem para atrair todas as almas a eles e isto é tudo o que desejam: salvar as almas, muitas almas, todas as almas”. Nosso Senhor me dizia, há alguns dias: “Desejo ardentemente a propagação do culto e da devoção ao Coração de Maria porque este Coração é o ímã que atrai as almas para mim, a fornalha que irradia na terra os raios de minha luz e de meu amor, fonte inesgotável de onde brota na terra a água viva de minha misericórdia”.

Pondo toda sua confiança no Imaculado Coração de Maria, muitos católicos portugueses praticaram a devoção reparadora dos cinco primeiros sábados em favor de um próximo, grande pecador e bem afastado da vida cristã. Entre outros, este belo testemunho de uma senhora de Guimarães (norte de Portugal), publicado no boletim de agosto de 2001 da Cruzada Eucarística das crianças de Portugal: esta mulher conta que ela tinha um irmão repatriado de Moçambique, que era um revoltado e um blasfemador. Tinha abandonado a esposa legítima para viver com outra mulher, da qual tinha dois filhos. Para obter do Imaculado Coração de Maria a sua conversão, sua irmã fez por ele e em seu lugar, a devoção dos cinco primeiros sábados do mês:

“No começo de agosto de 1981, meu irmão estava muito mal. Quando lhe perguntaram se queria ver um padre, proferiu blasfêmias contra os padres. Como a doença se agravava, deu entrada em um hospital de Braga. Os outros doentes diziam que ele não tinha um momento de repouso, nem de dia, nem de noite e que não deixava ninguém em paz. Para grande estupefação de todos, em 18 de agosto de 1981, pediu várias vezes um padre. Dois padres vieram administrar os últimos sacramentos. Imediatamente depois que eles saíram inclinou a cabeça para o lado e morreu. Sem dúvida, foi o Coração Imaculado de Maria que salvou meu pobre irmão, que fora tão pecador. Não queria olhar para ele depois de morto, temendo ver seu rosto deformado como o tinha durante sua doença. Mas não pude resistir e me aproximei durante a missa, que teve lugar na capela do hospital. Ele não parecia o mesmo homem! Estava tão bonito, sorridente. Parecia que sua amargura se transformara em alegria”.

O que é preciso fazer

Uma alma cristã que deseje realizar perfeitamente a devoção reparadora dos primeiros sábados do mês deve fazer, durante cinco primeiros sábados consecutivos, na intenção geral de reparar seus próprios pecados e os de toda a humanidade, junto ao Coração Imaculado de Maria, quatro atos diferentes de piedade:

1 - A confissão, que pode ser antecipada, até mesmo mais de oito dias, se for impossível ou muito difícil se confessar no primeiro sábado. O mais importante é ter a intenção, se confessando, de reparar o Coração Imaculado de Maria. (É preciso também, naturalmente, estar em estado de graça no primeiro sábado do mês a fim de fazer uma boa e frutífera comunhão.) A intenção reparadora deve ser dita ao confessor? Irmã Lúcia nunca mencionou se é preciso dizer alguma coisa ao padre. Uma formulação interior, puramente mental, é suficiente. Nosso Senhor até mesmo acrescentou que aqueles que esquecessem de formular a intenção reparadora “poderão formulá-la na confissão seguinte, aproveitando a primeira ocasião que tiverem para se confessar.” [8]

2 – Recitação do terço: Nossa Senhora, em Fátima, insistiu muito na recitação quotidiana do terço. Foi esse o único pedido que ela repetiu para as crianças em todas as seis aparições, de 13 de maio a 13 de outubro de 1917: nesse dia revelou aos pastorinhos sua identidade: “Sou Nossa Senhora do Rosário”. Não é, pois, de espantar que a recitação do rosário seja encontrada na devoção reparadora dos primeiros sábados . Além disso, como não existe oração vocal mais mariana do que o terço, convém que este seja integrado a essa devoção já que se trata de reparar as ofensas feitas à Nossa Senhora e a seu Coração Imaculado.

3 – Os 15 minutos de meditação sobre os 15 mistérios do rosário: Trata-se de “fazer companhia a Nossa Senhora durante15 minutos, meditando sobre os 15 mistérios do rosário, em espírito de reparação”. Isto não quer dizer que se deva meditar todo primeiro sábado sobre os 15 mistérios em sua totalidade, passando um minuto em cada mistério. Ao contrário, cada alma está livre para organizar seu quarto de hora de meditação como entender, desde que o objeto da meditação seja os mistérios do rosário. Algumas almas preferirão meditar o mesmo mistério durante vários primeiros sábados, outras um mistério diferente cada primeiro sábado, outras ainda três mistérios cada primeiro sábado (cinco minutos por mistério), etc. Sendo as almas diferentes umas das outras, é normal que tenham gostos e necessidades espirituais diferentes; é por isso que a Igreja sempre teve o cuidado de deixar aos fiéis uma grande amplidão para cada um organizar sua vida espiritual.

4 – A comunhão, que é o ato essencial da devoção reparadora. Para compreender bem toda sua importância, convém colocá-la em paralelo com a comunhão das nove primeiras sextas-feiras do mês, pedidas pelo Sagrado Coração em Paray-le-Monial e com a comunhão milagrosa dos três pastorinhos de Fátima, no outono de 1916: o Anjo da Guarda de Portugal deu então a esta comunhão um espírito eminentemente reparador, repetindo seis vezes com as crianças (três vezes antes da comunhão e três vezes depois) as palavras que são chamadas a segunda oração do Anjo:

“Santíssima Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, eu vos adoro profundamente e vos ofereço o preciosíssimo Corpo, Sangue Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e indiferenças com que ele mesmo é ofendido; e pelos méritos infinitos de seu Sacratíssimo Coração e do Imaculado Coração de Maria, peço-vos a conversão dos pobres pecadores.”

No contexto da atual crise da Igreja é certo que esta intenção reparadora toma uma nova dimensão: quantas irreverências, sacrilégios são causadas pela reforma litúrgica de Paulo VI: não apenas pela comunhão dada na mão, como também distribuída a todos os assistentes sem nunca lembrar a necessidade do estado de graça; pela supressão das marcas de adoração ao Santíssimo Sacramento, etc. Hoje, a comunhão dos primeiros sábados deve ser feita para reparar todas essas profanações.

Um último ponto importante: a prática da devoção reparadora em seu conjunto “será aceita no domingo que segue o primeiro sábado, quando meus padres, por motivos justos, o permitirem às almas.” [9] É pois, aos padres, e não à consciência individual de cada um, que Jesus confia o cuidado de conceder esta facilidade suplementar, tão misericordiosa. Por essa concessão, talvez Nosso Senhor fizesse alusão a estes tempos em que estamos, onde não é sempre fácil aos fiéis assistir à verdadeira missa no sábado. Em todo caso, esta disposição torna mais fácil a prática da comunhão reparadora para os católicos fiéis de hoje.

Disposições requeridas

É muito simples praticar a devoção reparadora dos primeiros sábados do mês. Está ao alcance de toda alma que põe um mínimo de generosidade na base de sua vida cristã, ainda mais que o Céu deu uma grande amplidão para a confissão e a comunhão. Infelizmente, muitas vezes, a ignorância, a moleza espiritual e a negligência se conjugam para afastar as almas, mesmo as mais fiéis, desta prática que, no entanto, é tão salutar, já que Nossa Senhora a ligou à perseverança final e à salvação eterna: “Prometo assisti-las na hora da morte com todas as graças necessárias à sua salvação.” [10]

A desproporção entre a pequena devoção pedida (os primeiros sábados de cinco meses consecutivos, uma só vez na vida!) e a graça prometida (a salvação eterna de sua alma) ilustra de maneira estrondosa o grande poder de intercessão concedido à Virgem Maria para a salvação de nossas almas: Nossa Senhora é verdadeiramente, em virtude de sua maternidade divina, nossa advogada e nossa medianeira junto ao coração de Deus. Padre Alonso, claretiano espanhol que foi o grande especialista de Fátima até sua morte em 1982, escreveu sobre este assunto:

“A grande promessa [da salvação eterna] não é nada mais do que uma nova manifestação deste amor de complacência da Santíssima Trindade para com a Virgem Maria. Para aquele que compreende isto é fácil admitir que a humildes práticas estejam ligadas maravilhosas promessas. Ele se entrega então filialmente à elas com um coração simples e confiante na Virgem Maria.” [11]

Em algumas linhas o Padre Alonso nos desvenda algumas boas disposições necessárias para fazer bem esta devoção:

- uma grande simplicidade e humildade de coração;

- uma devoção marial inteiramente filial e cheia de confiança.

O Menino Jesus, aparecendo à irmã Lúcia em 15 de fevereiro de 1926, nos dá a terceira disposição necessária:

- um fervor profundo.

Com efeito, nesse dia, irmã Lúcia dirigiu estas palavras ao Menino Jesus:

“Mas meu confessor dizia em sua carta que esta devoção não fazia falta ao mundo porque já havia muitas almas que vos recebia todo primeiro sábado, em honra de Nossa Senhora e dos quinze mistérios do rosário”.

O Menino Jesus lhe respondeu:

“É verdade, minha filha, que muitas almas começam, mas poucas vão até o fim; e aquelas que perseveram, não fazem para receber as graças que estão prometidas. As almas que fazem os cinco primeiros sábados com fervor e com o fim de reparar o Coração de tua Mãe do Céu me agradam mais do que aquelas que fazem quinze, sem ardor e indiferentes”.

Para falar agora da quarta disposição requerida para esta prática é preciso lembrar que o Céu nos pede cinco primeiros sábados de cinco meses consecutivos, e não nove, doze ou quinze. Porque este número? Lúcia perguntou a Nosso Senhor durante uma Hora Santa, em 29 de maio de 1930, em Tuy, e lhe foi respondido:

“Minha filha, o motivo é simples. Há cinco espécies de ofensas e de blasfêmias proferidas contra o Coração Imaculado de Maria:

1 – as blasfêmias contra a imaculada conceição da Virgem Maria;

2 – as blasfêmias contra sua virgindade;

3 – as blasfêmias contra sua maternidade divina, recusando ao mesmo tempo reconhecê-la como mãe dos homens;

4 – as blasfêmias daqueles que procuram publicamente por no coração das crianças a indiferença ou o desprezo, ou mesmo o ódio em relação a esta Mãe imaculada;

5 – as ofensas dos que a ultrajem diretamente nas suas santas imagens.

Ai está, minha filha, o motivo pelo qual o Coração Imaculado de Maria me inspirou para pedir esta pequena reparação”.

Como, hoje em dia, não pensar nos ataques à dignidade, aos privilégios, às honras devidas à Virgem Maria, perpetradas pelos próprios homens da Igreja? Lembremos o que se passou no concilio Vaticano II, onde, longe de definir a mediação universal e a corredenção de Nossa Senhora, como muitos pediam, os bispos progressistas conseguiram fazer rejeitar o esquema sobre a Virgem Maria para pô-lo como simples anexo no esquema sobre a Igreja e isto para agradar aos protestantes; triste concílio, onde nem mesmo um só texto cita o terço como devoção a ser encorajado junto aos fiéis. Seguiu-se uma diminuição considerável do culto mariano em toda a Igreja. A impiedade da nova religião para com Nossa Senhora é certamente para ser incluída na intenção reparadora daqueles que praticam a devoção dos primeiros sábados.

Notemos que as três primeiras espécies de blasfêmias que se trata de reparar vão contra três dogmas de fé definidos. Pode-se então acrescentar uma quarta disposição às três já citadas:

- convém fazer esta devoção reparadora com espírito de fé e para pedir a Nossa Senhora a insigne graça de conservar a verdadeira fé católica em nossas almas, até a hora da nossa morte, no meio da apostasia geral do mundo que nos cerca, nutrido por utopias malsãs, de revoltas e de impiedade.



Tomemos a peito reparar a honra de Nossa Senhora, tão ultrajada pela ingratidão dos homens e para isso utilizemos a devoção que ela mesmo veio nos indicar, pedindo-lhe com insistência e perseverança as boas disposições de alma para bem praticá-la.

Revista Le Sel de la Terre, nº 53

Nota: Nas nossas capelas, a missa do 1º Sábado do mês é celebrada:

- 7:30 da manhã, na Capela São Miguel - Rio de Janeiro

- 18:30 na Capela Nossa Senhora da Conceição - Niterói



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[1] De Beata Maria Virgine in sabbato.

[2] - AAS, t. 4, 1912, p 623.

[3] Carta de irmã Lúcia de 31 de março de 1929.

[4] Carta de irmã Lúcia em 27 de maio de 1943 ao bispo titular de Gurza

[5] Terceira Memória de irmã Lúcia, 31 de agosto de 1941

[6] Quarta memória, 8 de dezembro de 1941.

[7] Citado por A. M. MARTINS, Cartas da Irmã Lúcia, Porto. 1979, p.122.

[8] - Aparição de Nosso Senhor a irmã Lúcia em 15 de fevereiro de 1926

[9] - Aparição de Nosso Senhora a irmã Lúcia , na noite de 29 para 30 de maio de 1930.

[10] - De Nossa Senhora à irmã Lúcia em 10 de dezembro de 1925.

[11] - Padre Joaquim Maria ALONSO, La gran promesa Del corazon de Maria en Potevedra, Madri, Centro Mariano, 1977, p.45.
fonte:http://confrariadesaojoaobatista.blogspot.com/

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Algo importante ocurrió en Fátima

 Transcribimos parte de la entrevista realizada por el periódico Voz da Verdade de Portugal (30/05/2010) al especialista en cuestiones vaticanas, Jean-Marie Guénois, sobre el modo que el mundo vio el viaje de Benedicto XVI a Portugal. El vaticanista, del diario francés Le Figaro, afirmó que el viaje quedará en la historia del papado como un punto de virada.
Se trata de un análisis sutil de la realidad profunda del sentir de la opinión pública mundial y, en especial, del pueblo católico, con relación a la Iglesia Católica.
El periódico portugués pregunta:
– “Varios especialistas internacionales consideran que la peregrinación a Portugal abrió una nueva etapa en este pontificado…”

La calidad estaba en el fervor de la multitud

El periodista responde:
“Lejos de mí el querer ‘ reducir’ el viaje a la crisis de pedofilia en la Iglesia. Pero el hecho es que este viaje a Portugal –gracias a la movilización de los portugueses– marca una ruptura en la historia de esa triste polémica mundial.
… “en la misa del 13 de mayo, en Fátima, donde hubo medio millón de fieles, la diferencia fue hecha. Ellos ‘votaron con los pies’, como se dice en Francia, para decir que la Iglesia no es la crisis de pedofilia y que el Papa está lejos de encontrarse aislado. Eso impresionó en Francia y cambió la imagen del Papa.
“Me parece que este viaje va a quedar en la historia del papado como un punto de virada. No marca el fin de la crisis de los padres pedófilos, sino el fin de la duda. Hizo volver a la Iglesia Católica a lo esencial, que está compuesto principalmente por los fieles y por sus sacerdotes y obispos. Una iglesia que no puede ser reducida a algunos sacerdotes desviados.
– El periódico vuelve a preguntar:
“¿Tuvo impacto mundial el mensaje del Papa en Portugal? ¿Cuáles fueron los ecos de esta visita en la prensa internacional?
Responde el especialista:
“El impacto fue mundial, sin duda, precisamente por causa del contexto y de la capacidad de respuesta del pueblo portugués (…) No podemos decir que la multitud no fue al encuentro de Fátima. En el fondo, el llamado a la misión de los cristianos en la sociedad, lanzado por Benedicto XVI en Portugal, me parece algo completamente inédito en su intensidad. No es como un retorno al pasado, sino como un redescubrimiento de la alegría de los primeros tiempos del cristianismo“.
En un artículo escrito en el mismo sentido para el periódico Le Figaro, el vaticanista agrega: “Medio millón de personas en un país de 10 millones, es mucho. Ciertamente la cantidad no es la calidad, pero ésta estaba precisamente en el fervor de la multitud“.
fonte:http://www.accionfamilia.org/

sábado, 12 de junho de 2010

Hoje 12 de Maio , Festa do Imaculado Coração de Maria

 
Festa do Imaculado Coração de Maria
No dia 31 de outubro de 1942, data do encerramento solene do Jubileu das Aparições de Fátima, o Papa Pio XII enuncia, por meio de uma rádio, a consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria atendendo ao pedido de nossa Mãe do Céu. Este gesto importante foi por ele renovado no dia 8 de dezembro do mesmo ano.

Em 1944, em plena guerra mundial, o mesmo soberano pontífice consagraria, igualmente, todo o gênero humano ao Imaculado Coração de Maria, colocando-o sob a Sua poderosa proteção. Durante a mesma cerimônia, o sumo pontífice decretou que a Igreja inteira celebraria uma festa, a cada ano, em honra ao Imaculado Coração de Maria, para que fosse obtida, por meio da intercessão da Santíssima Virgem "A paz das nações, a liberdade da Igreja, a conversão dos pecadores, o amor à pureza e a prática das virtudes".
Ele fixou a data desta festa para o dia 22 de agosto, oitavo dia da festa da Assunção.



Por Fim o Meu o Meu Imaculado Coração TrinunfaráHomilia do Cardeal Patriarca de Lisboa

Queridos peregrinos,''Foi assim desde o princípio. Logo na aparição do Anjo, ficou claro que tudo o que Nossa Senhora ia dizer, tudo o que Ela pedia, tudo o que ia acontecer na linha da conversão dos corações, só teria sentido porque partia da força do amor de Deus e se transformava em louvor de Deus, Trindade Santíssima, Pai, Filho e Espírito Santo.


Deus é sempre Trindade, mesmo que eu me aproxime d’Ele através da ternura de Maria, mesmo que eu a toque na pessoa do seu Filho Jesus feito homem comigo e tornado pão do meu alimento na Eucaristia, mesmo que eu O reconheça no coração dos meus irmãos. Ele é sempre Trindade. E só assim eu O descubro e O experimento como mistério de amor, fonte de amor, voragem de amor.


Há noventa anos, Nossa Senhora pediu aos pastorinhos que lhe fizessem aqui um templo, uma capela, uma igreja…. Um templo. Foi a primeira concretização material das recomendações da Senhora. Construiu-se, humilde, modesta, uma primeira capela a que o povo com ternura, desde o início, chamou a Capelinha, que aliás foi cedo vandalizada, alertando-nos que esta erupção do reino de Deus entre nós, que esta presença do Céu na Terra, que este desafio de amor, terá sempre quem O rejeite: ao mistério da piedade contrapõe-se sempre o drama do pecado.


Mas esse desejo da Senhora, de certo modo, completamo-lo hoje. A primeira concretização foi a Capela, a Capelinha como nós lhe chamamos, que ficou para todo o sempre a morada da Virgem na sua imagem primeira. É lá que a encontramos, é de lá que ela parte para peregrinar connosco, para receber as nossas saudações e o nosso amor, é lá que regressa sempre à nossa espera, é lá que a encontramos quando passamos, quando vimos, quando peregrinamos.


A seguir construiu-se esta Basílica que, não podia deixar de ser, era dedicada à Senhora com a designação que ela própria indicou: "Quem é Vossemecê?" perguntou-lhe a Lúcia. E Ela disse: " Eu sou a Senhora do Rosário". (...) Mas faltava o completar desta expressão do mistério de Fátima na realização deste desejo da Senhora: um templo, um santuário onde tudo partisse do Deus, Uno e Trino, onde tudo se transformasse em louvor do Deus, Uno e Trino.


A oração do Rei Salomão aquando a dedicação do Templo, o primeiro templo de Jerusalém. Os judeus acreditavam que ali vivia o Deus Santo, e o rei começa assim a sua dedicação: "Senhor, vós sois o Deus Santo e altíssimo. Como é que alguém sequer pode ousar, sequer supor, que Tu vens habitar no meio de nós, numa casa construída por nós?" E o rei faz uma prece humilde: "Ao menos Senhor, faz desta casa um sítio onde Tu vais ouvir com bondade, as orações dos teus filhos". Salomão ainda não previra toda a maravilha do desejo de Deus estar conosco.


Há 90 anos, o Céu tocou aqui a Terra: "Eu sou do céu", disse Nossa Senhora. Ela exprimiu, na sua missão de mensageira, a grande novidade de Nosso Senhor Jesus Cristo: Deus connosco, Deus como nós, Deus a habitar no meio de nós, Deus a desejar ser nosso íntimo, nosso amigo.


Sempre que eu ouço a sua palavra, é uma palavra de amor que me toca o coração, sempre que eu celebre a sua Páscoa, eu sinto ao vivo que naquele momento Deus irrompe na nossa história, irrompe na nossa vida, torna-se presente, um Deus amoroso, um Deus bondoso, um Deus que chega ao cume de exprimir o seu amor através do nosso amor humano, através de nosso amor de homens e mulheres com a fragilidade da nossa natureza e da nossa história.


Deus connosco; não basta saber que Ele existe, não basta recorrer a Ele quando precisamos, temos que abrir o nosso coração a este viver com Ele, fazer d´Ele o nosso íntimo, o nosso confidente, o nosso amigo.


Salomão não tinha visto tudo; sim, é possível, apesar da santidade infinita de Deus, que Ele habite no meio de nós. Aí, em cada um desses momentos, em cada uma de essas expressões de que Ele está connosco, manifesta-se o mistério do Deus amor, do Deus comunhão, do Deus voragem de amor, porque aquilo que caracteriza Deus é ser uma fonte intensíssima de amor que atrai.

A Santíssima Trindade exprime-se em Nosso Senhor Jesus Cristo: tudo o que o Senhor fez quando falava, sobretudo no alto da cruz, quando se oferece, é a Trindade e o amor trinitário que está a exprimir-se: "Pai faça-se a Tua vontade e não a minha". Mas nós estamos num santuário, construído por vontade de Nossa Senhora onde Ela nos aparece como uma das mais intensas presenças de Deus no coração de uma criatura, como Cristo, a seguir a Cristo.


S. Bernardo, fazendo uma homília sobre a anunciação do Anjo, diz que o Anjo foi enviado mensageiro do amor de Deus, de Deus Pai, e que vem com uma mensagem de amor porque o que ele diz a Maria é "Deus está encantado por ti". Mas diz S. Bernardo que o Anjo ficou muito admirado porque ele vinha de Deus com uma mensagem de amor divino e encontrou Maria envolta numa grande intimidade com o Deus que o tinha enviado. Esse é o mistério de Maria, uma resposta contínua, num coração humano, um coração de mulher, aberta à infinita atracção do amor de Deus.


Há 90 anos, Nossa Senhora deixou-nos uma mensagem, mensagem de vida, alerta para a actualidade do evangelho. Eu penso que o ponto chave que resume toda a sua mensagem é quando ela nos diz e promete "O meu Imaculado Coração triunfará". Porque o seu Imaculado Coração é a plenitude do amor de Deus Uno e Trino, no coração de uma mulher.


Ele triunfará se atrair, se tocar, se comover; ele triunfará em todos aqueles e aquelas que passarem aqui e partirem com o desejo da renovação da sua vida; ele triunfará quando aqui se suscita o amor; ele triunfará quando as nossas dissenções, as nossas desavenças, as nossas violências se transformarem aqui em desejo de harmonia e de paz.


"O meu Imaculado Coração triunfará" porque há-de triunfar o amor e essa, meus irmãos e irmãs, queridos peregrinos, é a mensagem deste dia, é a mensagem deste aniversário.


Nossa Senhora pediu aqui um Santuário, Capelinha, Senhora do Rosário, Igreja da Trindade, são apenas marcos físicos que acentuam algo de muito mais belo: é que em nós aqui reunidos, no coração de cada um de nós, Deus quer fazer o Seu templo, o Seu santuário e isso acontecerá quando nos deixarmos envolver pelo amor que Deus é. O Senhor disse um dia: "Eu, quando for elevado da terra atrairei todos a mim".


Essa atração passa hoje, esta noite, pelo coração d’Ela que nos comunica a mensagem, a beleza do amor de Deus. Façamos desta Vigília um momento de grande intimidade com Maria por Seu Filho Jesus Cristo, na unidade do Pai, do Filho, do Espírito Santo.

† JOSÉ, Cardeal-Patriarca
fonte:http://flordocarmelo.blogspot.com

domingo, 6 de junho de 2010

María en la vida de San Marcelino Champagnat


Paul Sester, fms
Cuadernos maristas n. 8 enero 1996 p. 29 - 38


No faltan estudios sobre la devoción mariana de Marcelino Champagnat y uno se pregunta si es útil añadir otros que repitan lo mismo. Sin embargo, un mismo tema se puede tratar de diversos modos, desde diferentes puntos de vista que, al completarse entre sí, lo perfilan mejor.

Este estudio que presentamos, más que tratar de lo que comúnmente se entiende por devoción, intenta captar las relaciones íntimas entre d fundador de los Hermanos maristas y la que él llamaba habitualmente la "Buena Madre".

Nos ponemos pues en una perspectiva psicológica. Es una tarea ardua pues M. Champagnat no nos ha dejado prácticamente nada de su vida interior pero, al confrontar unos documentos con otros y con las circunstancias que los provocaron, aparecen algunas pistas. el trato prolongado con su persona, fruto de las investigaciones llevadas a cabo en diferentes aspectos, nos permite ir más allá de lo que las palabras expresan.

También hay que tener en cuenta la evolución pues, ciertamente, las relaciones del Fundador con María al inicio de su ministerio no fueron las mismas que al ocaso de su vida. Esta evolución se produjo gracias a una serie de acontecimientos, algunos muy dolorosos, acaecidos durante su vida. Más que de una transformación podemos hablar de la profundización en los elementos recibidos durante sus anos de formación, de la interiorización de prácticas externas más o menos formalistas hacia una intimidad cada vez más estrecha.

Devoción externa

Me refiero aquí a todas esas prácticas que su biógrafo, y muchos otros después, han desarrollado ampliamente: prácticas devocionales que fijó para sí mismo y sus discípulos. Esas prácticas no son nada originales. Son, por una parte, eco de la devoción popular vivida en su familia y en su parroquia natal y después, lo que el reglamento del Seminario proponía. En un seminario sulpiciano, por ejemplo, "no hay actividad que no empiece por una actividad mariana y casi todas concluyen con el Sub tuum praesidium. Cada día se reza el rosario en. comunidad para honrar a María en .sus diversos misterios y se celebran sus fiestas con la mayor solenidad posible... El mes de ayo le esta consagrado de modo particular (J.H.Icard Tradiciones del Seminario de S. Sulpicio, p. 266) ¿Cómo imaginar que M. Champagnat no conociera la vida de M. Olier y que, como seminarista responsable, no hubiera intentado tomar como modelo al fundador de los seminaristas sulpicianos? Éste consideraba a "la santísima Virgen como inspiradora, única y verdadera superiora y base del seminario de San Sulpicio". (ibid p. 265)

Con estos materiales, M. Champagnat pone los cimientos definitivos de su vida mariana. No busquemos en otros lugares la inspiración de ciertas prácticas o las ideas que propondrá más tarde a sus Hermanos para que centren su vida en María. Algunas situaciones comprometidas le sugirieron añadir talo cual plegaria, como la Salve Regina por la noche, de estilo monacal, o por la mañana, que se convirtió pronto en una tradición, aunque puede dar la impresión de robarle a Dios las primicias del nuevo día.

La práctica de las novenas, dirigidas casi todas a Maria, ocupa sin duda un lugar importante en la devoción del Fundador. Ésta era ciertamente una costumbre de las parroquias de su época, pero la frecuencia con la que insiste es una prueba de su fervor personal y de sus deseo de facilitar la práctica de la devoción mariana a personas sencillas y, generalmente, muy atareadas. Más que oraciones largas y rebuscadas, lo que esta gente necesita son fórmulas sencillas, fáciles de recordar, siempre al alcance cuando el corazón se ve asaltado por algún sufrimiento.

Está claro que, para M. Champagnat, todo esto no son sino manifestaciones externas de una actitud más profunda que nos lleva a vivir la confianza en María con sencillez, familiaridad, como un niño en relación con su madre.

Presencia de María

No hay duda de que Marcelino Champagnat vivía una devoción mariana de esta naturaleza. Basta hojear sus cartas para darse cuenta de la familiaridad que existe en su trato con María. La carta del 20 de julio de 1839, doc, 259, nos da el tono general: "Aparte de lo que podemos decir a Jesús, ¿qué no tendremos derecho a decir a María?... Dile pues a María que el honor de su sociedad exige que te conserve casto como un ángel". Nótese que el autor escribe a menos de un ano de su muerte y que el destinatario es un hermano joven hostigado por la tentación. Ocho anos antes, el 4 de febrero de 1831, animando al H. Antonio, utiliza una expresión un tanto chocante: "Después de haber hecho todo lo posible, dile a María que peor para ella si sus asuntos no van bien". De un tono parecido son las expresiones "nuestra buena Madre, "nuestra Madre común" repetidas tantas veces en sus cartas. Nada parece obstaculizar sus relaciones con María. Y cuanto más cercano se siente a ella, más nota su presencia, como si fuera una persona viva.

No se trata de la presencia de quien espera honores y alabanzas, sino de una presencia activa; no de quien viene con regalos o a deslumbrar con manifestaciones extraordinarias o milagrosas, sino una presencia que ofrece colaboración, que no nos dispensa de actuar y de hacer lo posible por acertar y por implorar su ayuda. "María, nuestra Madre común, te echará una mano" promete al H. Antonio en relación con el H. Moisés. Y durante sus gestiones en París para obtener la autorización legal de su obra, escribe: "Con la ayuda de María moveremos cielo y tierra" (al H. Francisco, 20 de Mayo de 1838, LPC, p. 390)

Esta frase no debe hacernos pensar que considera a María a su servicio; al contrario, su función es servir, estar a su servicio, no ser más que su siervo. "Sabes que soy tu esclavo" (Vida p. 20), le dice a María en sus resoluciones de 1815. No tiene esto nada que ver con la espiritualidad de Grignon de Montfort cuyo "Tratado de la verdadera devoción" no había sido publicado todavía; es más bien fruto de la formación del Seminario mayor dirigido por el sulpiciano Gardette. ¿Cómo imaginar que M. Champagnat no conociera la vida de M. Olier y que, como seminarista responsable, no hubiera intentado tomar como modelo al fundador de los seminaristas sulpicianos? Éste consideraba a "la santísima Virgen como inspiradora, única y verdadera superiora y base del seminario de San Sulpicio" (ibid p. 265). En efecto, sabemos que este último pretendía que los planos del seminario, de cuya construcción estaba encargado, le habían sido inspirados por la Santísima Virgen. Por eso consideraba ese edificio como "la obra de María" quien debía ser" consejera, superiora, tesorera, reina y todo" (ibid. p. 265)

Cuando el constructor de la casa de Nuestra Señora del Hermitage habla sin cesar de la "obra de María" ¿no son sus palabras un eco de las del gran sulpiciano? el matiz objetivo que separa una obra material de una obra orgánica resulta aquí más aparente que real pues, al hablar de "obra" M. Olier no alude sólo al edificio sino a la vida cuyo funcionamiento normal está animado por esa estructura. Tanto de un punto de vista como del otro, lo que se evoca es la acción concreta de María entre sus fieles.

Para M. Champagnat esta acción resulta evidente: lo muestra la insistencia con la que habla de ello. Hay cinco cartas en las que la palabra "obra" se repite nueve veces sin ninguna connotación (doc. 6, tres veces; doc 11, dos veces; doc. 44, dos veces; doc. 45a y 45b). Otras tres cartas hablan explícitamente de la "obra de María". Esta expresión se refiere sobre todo al conjunto de la Sociedad de María. Cuando M. Champagnat escribe que el Sr Courveille hubiera podido provocar la ruina de la "obra si la divina María no la hubiera sostenido con toda la fuerza de su brazo", (doc. 30, p.84) alude concretamente a la Sociedad de María. ¿Quiere esto decir que excluye a la congregación de los Hermanos, como parece deducirse de la frase que escribe al Sr Cattet (doc. 11, p. 46): "La sociedad de los Hermanos no puede ser verdaderamente considerada como la obra de María sino sólo como una rama posterior de esa sociedad?" al precisar que la intervención de María va orientada hacia los Padres y no a los Hermanos, que no están viviendo dificultades de ese tipo, no quiere decir que María no intervenga en favor de éstos sino que sustituye desafortunadamente la expresión "obra de María" por "Sociedad de María". En la carta de agradecimiento al Sr Dumas, párroco de St-Martin-la-Sauveté, por el envío de un postulante, su pensamiento no se presta a equívocos: "Le agradezco también -dice- el interés que muestra por la obra de María (doc.142, p.282). Aún más explícita es esta frase de la carta al H. Hilarión: "Digámosle a María que su obra es mucho mejor que la nuestra" (doc. 181, p. 368)

Esta afirmación merece además una atención particular pues hace una distinción entre la acción de María y la nuestra. Puestas en paralelo, esta dos actividades apuntan a la misma obra y de hecho están subordinadas una a otra; así lo sugiere la frase que precede: "tengamos firme confianza y oremos sin cesar: ¿qué no consigue la oración fervorosa y perseverante?" Concluimos pues que, en este caso, M. Champagnat colabora: con los planes de María. Esta idea de ser el instrumento del que María se sirve para realizar su obra es una convicción hondamente arraigada en su corazón. No surge en esta época (1838) sino que data del momento en que se concibió la obra de la Sociedad de María. Parece que este proyecto había nacido de una inspiración recibida por el Sr Courveille en la basílica del Puy. Cuando, a fuerza de insistir para que también haya una rama de Hermanos, el grupo encarga a M. Champagnat quien recibe esta misión como venida del cielo. Aunque sus compañeros tengan luego dudas sobre el éxito, dada la limitación de los medios a su alcance, él, por el contrario, reconoce su indigencia, se dirige a Dios y se pone a su servicio: "Aquí estoy, Señor, para hacer tu voluntad" (vida, p. 160) En esta relación María no está ausente. M. Champagnat, aunque nunca lo explicita, parece darle un papel intermedio entre el hombre y Dios. Así parece desprenderse de esta frase dirigida al primer miembro del Instituto: "¡Ánimo! Dios te bendecirá y la Santísima Virgen te traerá compañeros. (ibid. p. 162)

Este papel atribuido a María en la obra del Instituto sólo lo tenía entonces a nivel de ideas. Pronto una serie de acontecimientos lo irán grabando en su ser y en su actuar con una certeza indestructible. El primero es la llegada de ocho postulantes que considera enviados por María, después de muchas oraciones y novenas. "No me atrevo a decir que no a los que se presentan, pues los considero enviados por María", escribirá más tarde a Mons. de Pins (doc. 56, p. 140) Luego viene la construcción de la casa del Hermitage que finalizó sin accidentes personales ni agobios económicos.
También fue María quien';~ respuesta a su súplica ferviente, le salvó de la muerte una noche invernal cuando, por temeridad, estuvo a punto de perecer en la nieve, preservando a la congregación, por el mismo hecho, de la ruina segura. Igualmente, dos veces al menos se retiraron las amenazas de supresión de la congregación por parte de la curia diocesana. Y, finalmente, el éxito de un proyecto en el que la osadía pasaba por encima de la prudencia humana justificada, dada la pobreza de medios con que contaba. "(No es un milagro -dice- que Dios se haya servido de tales hombres para empezar esta obra? Para mí es un prodigio que muestra a las claras que esta comunidad es obra suya" (Vida p. 408)

Estas palabras no son un texto de literatura piados a ni hay que considerar las como un acto deliberado de humildad pues llevan el peso del recuerdo de experiencias vividas con todo tipo de dificultades. Y si la obra logró salir a flote fue por la intervención del cielo. De esta constatación surge una consecuencia lógica: la confianza plena en María, el reflejo de recurrir siempre a ella, la recomendación insistente en hacer lo mismo en los menores detalles.
Va incluso más lejos poniendo en manos de María toda su obra, su actividad de cada instante y su misma persona, contentándose con ser un instrumento. De ahí la conclusión que expresa en su lecho de muerte: El hombre es sólo un instrumento, o mejor no es nada. Dios lo hace todo" (Vida p. 232) Sin embargo, según la continua experiencia de fe de M. Champagnat, Dios quiere pasar por María y por eso hace suyo el lema "Todo a Jesús por María y Todo a María para Jesús", una expresión que no es original suya, pero que impregna profundamente su pensamiento.


Imitación de María

No acaba aquí su relación mariana. Si la obra está en manos de María, el instrumento del que ella se sirve será tanto más eficaz cuanto más se adapte a ella. Ciertamente M. Champagnat no concibe la necesidad de imitar a María siguiendo ese razonamiento. Muchos autores espirituales antes que él habían recomendado tal práctica. Pero es probable, no obstante, que sus relaciones frecuentes con María hayan justificado y fortalecido sus convicciones al respecto.

AI recorrer los diferentes textos del Fundador, no tanto las citas literales sino intentando captar el eco interior de esas palabras, podemos descubrir algo de su personalidad. Se nos desvela un hombre cada vez más consciente de sus limitaciones, comprometido en una aventura que excede a sus capacidades naturales pero que está convencido del acierto gracias a circunstancias exteriores.
Su corazón es sincero cuando no se atribuye la gloria a sí mismo sino a ella, cuyo auxilio ha implorado siempre y cuya inspiración ha seguido lo más fielmente posible. ¿Qué le queda ya por hacer sino poner toda su persona a un servido cada vez más desinteresado? Así, sintiéndose servidor, se ve en la misma actitud que ella, la sierva del Señor. Como la Virgen de la Anunciación toda su razón de ser es convertirse en instrumento que Dios quiere utilizar para completar lo que falta a la obra de la Redención (Cfr. Col. 1,24)

De este modo María se le ofrece con una nueva perspectiva: como modelo, como luz que alumbra su ruta. Por eso el tema de la imitación de María se repite frecuentemente, como sabemos, en sus pláticas. Este aspecto de su devoción mariana goza de un especial aprecio como condición de eficacia para el tipo de apostolado propio de su congregación.

Esta manera de presentar la imitación de María, como en general toda la devoción mariana de M. Champagnat, no coincide totalmente con su biógrafo. Para el H. Juan Bautista, el Fundador consideraba la imitación de María como el "complemento del culto dado a María", como algo que "hay que añadir a las prácticas establecidas en el Instituto para honrar a la Madre de Dios" (Vida p. 347)

El desacuerdo está sobre todo, en la manera de entender el vocablo "devoción". Para San Francisco de Sales, "la devoción no añade nada, por así decir, al fuego de la caridad; es como la llama que mantiene la caridad despierta, activa, diligente..." (Introducción a la vida devota, final del capo 1).
Sería como un estímulo que se traduce en prácticas: devociones, oraciones. el H. Juan Bautista entiende la devoción en este sentido. Aquí, por el contrario hay que entender la devoción en su acepción más amplia, que nos sugiere el lugar que ocupa María en la vida de M. Champagnat.

Por otra parte, y para evitar el reproche de sentimentalismo, es preferible insistir en el lado positivo de la devoción: como un medio puesto a nuestro alcance para consolidar la relación que nos une a Dios que, a fin de cuentas, es la única meta de toda espiritualidad. Vista así, la devoción cobra un cariz de entrega; equivale a entregarse a algo o a alguien; salir de sí mismo y orientarse hacia Dios, única fuente de crecimiento de todas las criaturas. Cantar las glorias de María, dedicarle un amor platónico esperando pasivamente su ayuda, es algo sin duda excelente, pero aún es mejor vivir en intimidad con ella para acceder más fácilmente a la intimidad con su Hijo. En tercer lugar, el H. Juan Bautista describe la devoción desde fuera, mientras que este estudio intenta abordaría desde dentro, recurriendo a la psicología. Ahora bien, en este campo toda parcelación es teórica. Sería irreal querer separar la imitación de la devoción. Así pues, desde esta perspectiva, el desacuerdo estaría sólo en la forma de enfocar las cosas.

En ese mismo párrafo, el biógrafo indica lo que los Hermanos deben imitar, según el Fundador. Cita, ante todo y de manera global, las virtudes de María y luego concreta: El amor de los Hermanos hacia María los llevará a copiar su espíritu y a imitar su humildad, su modestia, su pureza y su amor por Jesucristo. Sin detenernos en el hecho de que "el espíritu" no es una virtud, ni en el orden en que coloca las virtudes, lo lógico sería empezar por el amor a Jesús, insistir en la humildad y terminar con el espíritu...

Dos razones motivan a los Hermanos para imitar el amor de María, Madre y Educadora de Jesús. Una, porque este amor es la fuente de toda vida espiritual y medio necesario para llevar a cabo la misión apostólica con eficacia. Decía M. Champagnat: "Amar a Dios y trabajar por darlo a conocer y hacerlo amar: tal debe ser la vida del Hermano" (Vida p. 502) Y en otro lugar leemos: "Para educar bien a los niños hay que amarlos" (ibid. p. 550) A la primera de esta frases el biógrafo añade: "Con estas breves palabras, y sin saber10, M. Champagnat se describió a sí mismo y reflejó su propia andadura" . Manifiesta, en efecto, ese mismo amor por sus Hermanos. Los quiere con el mismo cariño que María cuando les inspiró la idea de entrar en su sociedad. Nadie duda de que está en sintonía con la Madre de Jesús, cuyo ejemplo "educando y sirviendo al Niño Jesús" (Reglas comunes, 1852, p.16) lo convierte en norma para los Hermanos. Se refiere aquí, más que al amor maternal de María, al que ella tenía por el Redentor. Le gustaba considerar a sus Hermanos como obreros "que María había colocado en su propio jardín" (doc.10, p.45) para prepararlos a su misión. Este amor, como el de María por su Hijo, está lleno de respeto por la personalidad de cada uno; lo prueba la confianza que sabía depositar en cada uno de los Hermanos.

Así fue como suscitó en la comunidad del Hermitage ese peculiar espíritu mariano de apertura, de sencillez, de autenticidad en las relaciones y de vida de familia, convencido de que tal era el espíritu de la Sagrada Familia. Cuando regaña a los novicios por meter mucha bulla en los recreos, les recuerda que la Santísima Virgen vivía siempre modesta y recogida, incluso durante los momentos de esparcimiento exigidos por la propia naturaleza. (Vida p. 72)

Pero la virtud en la que más insistía y en la que más quería parecerse a María es, sin duda alguna, la humildad. Este punto es tan importante que merece un examen detallado de la manera como nuestro Fundador, según mi parecer, la entendió y la practicó.

Ante el ejemplo de la Sierva del Señor, no se deja llevar, ciertamente, de ese aire apocado y melífluo que inspiró a los autores espirituales que estaban de moda en su tiempo. Veía la humildad de Belén y de Nazaret, sobre todo, como apertura, verdad, sencillez. María, plenamente consciente de la misión que se le confiaba, que no había escogido sino aceptado por amor al Señor, estaba en el lugar que le correspondía, sin tenerse por más o por menos de lo que era. Dios humilla a los orgullosos y ensalza a los humildes (Cfr Magnificat). Dios le pide una colaboración muy especial a la obra redentora: las circunstancias le irán revelando el cómo. Y María se adecuará con todo su ser, atenta a los menores signos. "María guardaba todos estos acontecimientos y los meditaba en su corazón" (Lc 2, 19) Siempre obediente, se inclina ante el hijo adolescente que tiene que "ocuparse de los asuntos de su Padre", ante el hijo adulto para quien todavía "no ha llegado la hora" (Jn 2,4) y, en el cenáculo, ante los apóstoles escogidos por el Salvador. Pero María no permanece inactiva; forma parte del drama en el que está en juego la salvación del mundo y está presente en el cenáculo donde los apóstoles están reunidos en espera del Espíritu Santo (Hechos 1, 13-1 ; 2, 1-4).

En la “Vida de M. Champagnat el hermano Juan Bautista escribe: "La Santísima Virgen sobresalió en todas las virtudes pero destacó sobre todo por su humildad... Por eso el Fundador quiso que la humildad, la sencillez y la modestia fuesen e! sello distintivo de este nuevo instituto (p. 408). Luego el autor se recrea en una enumeración más literaria que real: "La primera lección" que daba a los postulantes era una "lección de humildad". "El primer libro que ponía en sus manos era el Libro de oro o Tratado sobre la humildad". "El orgullo era e! primer vicio en cuya eliminación se afanaba". Esto no debe llevarnos a pensar que el amor a Dios quedaba postergado. Junto a sus resoluciones tenemos una oración que dice: "Aléjame del trono del orgullo, no sólo porque resulta insoportable a los hombres sino porque desagrada a tu santidad” (OME, doc 6(17) p. 38). De aquí se deduce que, para M. Champagnat la humildad empieza por acoger a Dios y ocupar espontáneamente su puesto de criatura ante el Creador, con todo lo que eso conlleva. Conocemos también su desprecio por todo tipo de vanidad o de fanfarronería boba y ridícula. Hemos de aceptamos como somos, parece recordamos cuando en la oración antes citada confiesa: "Reconozco, Señor, que no me conozco". Nunca las alabanzas le llevaron al engreimiento ni las humillaciones le hicieron perder su dignidad. Hubo, seguro, combates en su interior, como parecer desprenderse de sus resoluciones que, a pesar de todo, no consiguen eliminar sus impulsos naturales. Sin embargo, al ser tímido por temperamento, le resultaba fácil quedarse en segundo plano, pero sin abandonar las exigencias de su misión. Era capaz de plantar cara a un obispo o a un alcalde. al sentirse llamado a trabajar con gente pobre y sencilla, sabía ponerse a su nivel, respetando a cada persona y ayudándoles a reconocer la propia dignidad, independientemente de su condición social.

Este comportamiento de M. Champagnat puede parecer connatural; fue sin embargo el cariño que sentía por la Sierva del Señor lo que le permitió mantenerse en esa línea de conducta y poner todo esmero en su crecimiento espiritual, bebiendo en las fuentes del ser y no en la búsqueda de la promoción y del tener. En este campo, M. Champagnat estaba protegido por la pobreza, de la que nunca quiso separarse de la modestia de su condición social, familiar y personal, aceptadas sin pesar ni resquemor; y, finalmente, la confianza que le hizo caminar sin miedo y acertar. (Cfr Vida, 2a parte, cap. 3)

Espíritu de María

La perfección de la humildad, a juzgar por el modelo de María, no está tanto en el anonadamiento espectacular cuanto en el estilo apacible, sereno, discreto, equilibrado y natural con que se practica. Se puede hablar de espíritu, o mejor de espíritu de María, cuando el juicio modera la relación entre el amor y la humildad.

El espíritu, según el diccionario, es un "conjunto de disposiciones, de modos habituales de actuar" (Petit Robert, p. 619, co1.2). al aplicar esta definición a María podemos deducir las características siguientes: abandono total, sereno y confiado, con la certeza en el amor indefectible de Dios que quiere la felicidad plena de cada persona; el afecto mutuo que lleva a ponerse en actitud de servicio hasta agotar todas las posibilidades, sin retener nada para sí; la serenidad que es fruto de un gozo inalterable y que hace desvanecer las penas más amargas; el respeto lleno de gratitud por toda criatura salida de las manos generosas del Creador; la sumisión alegre a la voluntad del Señor que todo lo dispone con amor.

María, arquetipo del género humano, se nos presenta como la persona en la que el actuar, el corazón y todo su ser pertenecen a Dios; a él le confía las proyectos propios y su realización. María, por tanto, lejos de usurpar el puesto o el rango de otras personas, sólo está preocupado por el bien de sus semejantes, con sus particularidades individuales, pues esa es la gloria del Creador. Por eso María es el enemigo intrínseco del mal, tomado en su sentido esencial de destructor del ser.

Aunque M. Champagnat no describió la figura de la Virgen con estos rasgos ni con esta perspectiva sí que podemos decir que la intuyó en esta línea al intentar imitarla. Las ideas-fuerza que su biógrafo destaca, aunque en diferente contexto, son las de abandono total a Dios, celo por abrir a todos los caminos de la salvación y para comprometerse en esta senda, desapareciendo luego discretamente para respetar la libertad de decisión de cada uno. Las cartas de M. Champagnat son un testimonio de entrega total a su obra y de amor desinteresado por sus Hermanos. "No hay sacrificio que no esté dispuesto a aceptar por esta obra" (L.44, p.119). En los momentos más difíciles, su reacción no es la de abandonar a sus Hermanos sino "compartir con ellos hasta el último mendrugo de pan" (L.30, p. 84). Sólo aspira, como María, a la felicidad celestial: "Pido a nuestra Madre común que nos obtenga una santa muerte para que, después de habernos amado mutuamente en la tierra, nos queramos eternamente en el cielo" (L.79, p.191). ¿Hay algo mejor que se pueda hacer que "parecerse a ella para que todo, en la persona yen los actos, evoque a María, refleje el espíritu y las virtudes de María" (Vida, p.347).

Sólo este espíritu pudo crear en la casa del Hermitage esa atmósfera de familia hecha de autenticidad, de sencillez, de afecto mutuo, sincero y viril, de tranquilidad serena, de alegría, de moderación. Todo esta queda reflejado en unas líneas entusiastas, verdadero himno de alabanza a María, contenidas en la carta del27 de mayo de 1838 a Mons. Pompallier: "María protege visiblemente la casa del Hermitage. ¡Qué fuerza tiene el santo nombre de María! ¡Qué felices nos sentimos arropados por ella! Hace tiempo que no se hablaría de nuestra sociedad si no fuera por ese santo nombre, ese nombre milagroso. ¡María es todo para nuestra sociedad!" (L.194, p.393). ¿Quién ignora que "nombre" significa persona y que "sentirse arropados" quiere decir estar bajo su protección? Estas licencias retóricas son expresión de su gozo y también de su gratitud y de su amor. Nos hablan de cómo la Madre de Dios colma su existencia y cuán ardiente es su deseo de que María siga ocupando el mismo puesto entre los que continúan su obra.
fonte:congregación obispo hudal