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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Discurso do Papa Pio XII sobre o Rosário


Rosário

São Domingos de Gusmão
O rosário, segundo a etimologia própria da palavra, é uma coroa de rosas; encantadora coisa, que em todos os povos representa uma oferta de amor e um sinal de alegria. Mas estas rosas não são aquelas das quais se adornam apressadamente os ímpios, dos quais fala a Sagrada Escritura "Coroemo-nos de rosas - exclamam eles -, antes que murchem". As flores do rosário não se envilecem; o seu frescor é incessantemente renovado pelas mãos dos devotos de Maria, e a diversidade das idades, dos países e das línguas dá àquelas rosas a variedade de suas cores e de seus perfumes.

Queremos que aumente a devoção ao Santo Rosário de Maria, devoção a que a piedade ligou-se por tantas recordações e que se harmoniza tão bem com todas as circunstâncias da vida doméstica, com todas as necessidades e disposições de cada membro da família.

Rosário dos novos esposos, que um ao lado do outro recita na aurora da nova família, diante da vida que se abre com as suas alegres previsões mas também com os seus mistérios e com as suas responsabilidades. É tão doce na alegria destes primeiros dias de intimidade total colocar em tal modo esperanças e propósitos do futuro sob a proteção de Virgem toda pura e potente, da Mãe amante e misericordiosa, cujas alegrias, dores e glórias passam diante dos olhos da alva devota, enquanto se seguem as dezenas de ave-marias, rememorando os exemplos da mais santa das famílias!

Rosários das criançasrosário dos pequenos, que tendo entre os seus minúsculos dedos ainda inexperientes os grãos da coroa, repetem lentamente, com aplicação e esforço, mas também com amor, os pai-nossos e ave-marias, que a mãe pacientemente lhes ensinou, errando, é verdade por vezes hesitem, confundem-se; mas é tão confiante o candor de seus olhares que fixam sobre a Imagem de Maria, daquela na qual já sabem reconhecer a sua grande Mãe do céu! Pois será o rosário da primeira comunhão, que tem um lugar a parte entre as recordações daquele grande dia; belo, mas não tanto quanto, por vezes devem ser. Belo rosário, mas não apenas um vão objeto de luxo, mas pelo contrário o instrumento que ajuda a orar e lembra, tornando presente ao pensamento: Maria.

Rosário da jovem, já grande, alegre e serena, mas, ao mesmo tempo, séria e pensativa do seu futuro; que confia a Maria, Virgem Imaculada, prudente e benigna, os desejos de dedicação e o dom de si, que ela sente desabrochar no coração; ora por aquele jovem, ainda desconhecido para ela mas conhecido por Deus, que a Providência lhe destina, e ela queria semelhante a si cristão fervoroso e generoso.

Este rosário, que ama recitar aos domingos, juntamente com as suas companheiras, devera durante a semana recitá-lo talvez entre os cuidados da casa, ao lado da mãe, ou entre as horas de trabalho no escritório ou no campo; quando tiver um momento para ir à humilde igreja mais próxima.

Rosário do jovem, aprendiz, estudante, agricultor, que se prepara, trabalhando corajosamente, para ganhar um dia o pão para si e para os seus, coroa que ele conserva preciosamente, como uma proteção daquela pureza que quer levar intata ao altar no dia das núpcias; rosário que recita sem respeito humano nos momentos livres para o recolhimento e a oração; que o acompanha sob o uniforme militar, em meio das fadigas e das lutas da guerra, que aperta uma última vez, no dia em que a pátria talvez lhe peça o supremo sacrifício, e que os seus companheiros de armas encontrarão comovidos entre os seus dedos frios e sangrando.

Rosário da mãe de famíliada operária ou da camponesasimples, sólido usado já desde muito tempo, que ela não poderá talvez pegar senão à tarde quando, bem cansada de sua jornada, encontrará ainda em sua fé e no seu amor a força de recitá-lo, lutando com o sono, para todos os seus caros, por aqueles especialmente que sabe mais expostos a perigos da alma ou do corpo que teme tentados ou aflitos, que vê com tanta tristeza se afastarem de Deus. Rosário da mulher do mundo, talvez mais rica, mas muitas vezes carregada de preocupações e de angústias ainda mais pesadas.

Rosário do pai de famíliado homem trabalhador e enérgico, que jamais esquece de trazer consigo a sua coroa, juntamente com a caneta-tinteiro e o caderninho de notas; que, grande professor, renomado engenheiro, célebre clínico, advogado eloqüente, genial artista, agrônomo experiente, não se envergonha de recitá-lo com devota simplicidade nos breves momentos arrancados à tirania do trabalho profissional, para ir retemperar a alma de cristão na paz de uma igreja, aos pés do tabernáculo.

Rosário dos velhosvelha vovó, que faz incansavelmente correr as contas entre os dedos enrugados, no fundo da igreja, até quando ela para ali puder arrastar-se com suas pernas enrijecidas, ou durante as longas horas de forçada imobilidade sobre a cadeira, ao lado do fogãoVelha tia, que todas as suas forças consagrou ao bem da família, e agora, aproximando-se o término de sua vida, toda empregada em boas obras, alterna, inexaurivelmente, em sua dedicação, os pequenos serviços que ainda pode prestar, com as numerosas dezenas de ave-marias, que diz sem cessar, com o seu terço.

Rosário do moribundonas horas extremas, como um último apoio apertado em suas mãos trementes, enquanto ao lado os seus caros o recitam em voz baixa; rosário que permanecerá sobre o peito dele, juntamente com o crucifixo, para atestar a sua confiança nas misericórdias divinas e na intercessão da Virgem, da qual estava pleno aquele coração que cessou de bater.

Rosário, finalmente, da família inteirarecitado em comum por todos, pequenos e grandes; que reúne à tarde, aos pés de Maria, aqueles que o trabalho do dia tinha separado e disperso; que os reúne com os ausentes e os desaparecidos; a recordação se reaviva em uma oração fervorosa, que consagra deste modo a ligação que os reúne todos sob o cuidado materno da Imaculada Rainha do Santíssimo Rosário.

Em Lourdes, como em Pompéia, Maria quis mostrar, com inumeráveis graças, quanto Lhe é agradável esta oração, à qual Ela convida Sua confidente Santa Bernadette, acompanhando as ave-marias da criança, com o lento correr de seu belo rosário, reluzente como as rosas de ouro que brilhavam sobre seus pés (1).

(1) Discurso aos esposos, 24 de novembro e 8 de outubro, 1941.

Fonte: Livro Pio XII e os problemas do mundo moderno, tradução e adaptação do Padre José Martins, 1959. 



Fonte:

 
VISTO EM:http://osegredodorosario.blogspot.com/

domingo, 4 de dezembro de 2011

Il quarto segreto di Fatima

Il quarto segreto di FatimaIl 13 maggio del 2000 il Vaticano rivela al mondo, con una ufficialità senza precedenti nella storia della Chiesa, il Terzo segreto di Fatima: la visione di un ‘vescovo vestito di bianco’ che sale in mezzo ai cadaveri verso una croce, dove viene ucciso da alcuni soldati. Subito collegato all’attentato del 13 maggio 1981, l’annuncio tanto atteso delude molti.
Possibile che un messaggio tenuto nascosto così a lungo, e con tanta cura, si riferisca a un evento già accaduto? Perché allora aspettare quasi altri vent’anni prima di comunicarne il contenuto? Chi è realmente il vescovo vestito di bianco? Perché quel lungo silenzio e quell’isolamento imposti a suor Lucia dal 1960? E come si spiegano certe sue parole? C’è un Papa martire nel futuro prossimo della Chiesa? Perché tanti particolari della ricostruzione ufficiale sono stati contestati? Pian piano le domande imbarazzanti cominciano ad accumularsi e molti indizi delineano un altro quadro, un’altra scottante verità: forse una parte del messaggio della Madonna non è mai stata pubblicata perché troppo sconvolgente. E’ la parte che inizia con una famosa frase della Santa Vergine che suor Lucia ha lasciato in sospeso. In questo libro si tenta di ricostruire queli possono essere i contenuti di questo discorso della Madre di Dio che tanto ha sconvolto chi lo ha letto e che rimane tuttora segreto.
Il 5 luglio 2006 Solideo Paolini, un giovane intellettuale cattolico marchigiano, autore di un libro su Fatima che abbiamo spesso citato, che si dedica da anni allo studio dell’apparizione portoghese, si reca a Sotto il Monte, in provincia di Bergamo. Nel paesello di papa Roncalli trascorre la vecchiaia, dopo alcuni anni di episcopato, quello che fu il segretario personale di Giovanni XXIII, cioè monsignor Loris Capovilla. L’appuntamento fra i due è per le ore 19 presso l’abitazione del prelato.
Dopo alcuni ricordi relativi agli anni trascorsi da Capovilla a Loreto, come vescovo, Paolini avanza una domanda: “Eccellenza, il motivo della mia visita deriva dal fatto che sono uno studioso di Fatima. Siccome Lei è una fonte di primissimo piano , vorrei porLe alcune domande…”. Il vescovo inizialmente si schermisce: “No guardi, anche per evitare imprecisioni, visto che nel 2000 è stato rivelato ufficialmente (il Terzo Segreto, nda), io mi attengo a quanto è stato detto. Anche se potrei sapere pure dell’altro, bisogna attenersi a quanto detto nei documenti ufficiali”. Poi sorridente aggiunge una promessa: “Lei mi scriva le domande e così io le rispondo, vado a vedere tra le mie carte – se le ho ancora, perché io ho donato tutto al museo – e le mando qualcosa, magari una frase… Lei scriva”.
Una frase? In che senso manderà “una frase”? Cosa avrà voluto dire, si chiede il giovane studioso? Intanto monsignor Capovilla continua a esternare alcuni suoi pensieri. Paolini racconta: “Il vescovo continuava a parlare toccando vari argomenti: il rischio di prendere per manifestazioni soprannaturali quelle che sono fantasie passate per la mente; il rischio che in certe situazioni si possa diventare monomaniaci, il rischio anche di montarsi la testa. Io tacevo, ascoltavo e fra me” confida Paolini “pensavo alla povera suor Lucia… Altro che ‘incline’ a quel tipo di fenomeni: per mesi, pur dopo averne ricevuto l’ordine, non riusciva a scrivere il testo del terzo segreto, tanto ne era atterrita!”.
Intanto il vescovo Capovilla continuava a parlare e cominciò a biasimare “la facilità con cui si prendono per indemoniate persone che potrebbero avere semplicemente delle malattie mentali, da cui l’imprudenza – che lui a Loreto non ebbe – di buttarsi immediatamente sugli esorcismi quando, sia pure senza escluderli come eventuale ultima possibilità, ci sarebbe invece bisogno di confessione, Messa, comunione e, se si vuole, di una bella preghiera com’è il Rosario”. Seguirono anche alcuni aneddoti e valutazioni sui papi.
Tornato a casa, sabato 8 luglio Paolini invia al prelato le sue domande scritte, come da precedente accordo. Il 18 luglio arriva in risposta un plico. “A fianco delle mie domande circa l’esistenza di un testo inedito del Terzo Segreto che non sarebbe ancora stato rivelato, verso il quale portano tanti indizi, monsignor Capovilla (che com’è noto ha letto il Terzo Segreto) aveva scritto testualmente: ‘Nulla so’. Quella risposta” confida Paolini “mi ha sorpreso. Infatti se il testo misterioso e mai svelato fosse una balla, il prelato, uno fra i pochi a conoscere il segreto, avrebbe potuto e dovuto rispondermi che è un’idea completamente campata per aria e che tutto è già stato rivelato nel 2000. Invece risponde: ‘Nulla so’. Un’espressione che immagino volesse ironicamente evocare una certa omertà siciliana…”.
Forse era quella la “frase” promessa. Ma in realtà c’era dell’altro. Nel plico di monsignor Capovilla era contenuto anche un curioso biglietto autografo, dall’apparenza normalissima che recitava:
“14.VII.2006 A.D.
Saluto cordialmente il dr. Solideo Paolini. Gli trasmetto alcuni fogli del mio archivio. Lo consiglio di procurarsi ‘Il Messaggio di Fatima’, pubblicazione della Congregazione per la dottrina della Fede, Edizione Città del Vaticano, anno 2000. Cordialità benedicenti Loris F. Capovilla”.
Era curioso che il vescovo consigliasse a uno studioso di Fatima di procurarsi la pubblicazione ufficiale del Vaticano sul terzo segreto. Era ovvio che la possedesse già. Non sarà stato allora un invito a leggere qualcosa in particolare di quella pubblicazione in relazione ai documenti inviati dallo stesso Capovilla? Così l’ha interpretato Paolini e infatti ha trovato il punto, o meglio: “la frase”.
“Confrontando appunto tale opuscolo con le carte d’archivio che il segretario di Giovanni XXIII mi ha mandato, balza agli occhi” dice Paolini “principalmente questa contraddizione: nelle sue ‘Note riservate’ con tanto di timbro, si certifica che papa Paolo VI lesse il segreto nel pomeriggio di giovedì 27 giugno 1963; mentre il documento ufficiale vaticano afferma: ‘Paolo VI lesse il contenuto con il sostituto Sua Ecc.za monsignor Angelo Dell’Acqua, il 27 marzo 1965, e rinviò la busta all’Archivio del Sant’Uffizio, con la decisione di non pubblicare il testo’. Mi chiedo dunque: 27 giugno 1963 o 27 marzo 1965 ?”.
Potrebbe forse trattarsi di un errore? O la discrepanza nasconde la soluzione del giallo che fin qui abbiamo indagato? Con queste stesse domande Paolini prende il telefono e quello stesso giorno, alle ore 18.45, chiama direttamente monsignor Capovilla. Dopo alcuni saluti “gli faccio presente” racconta lo studioso “il contrasto tra le sue ‘Note riservate’ e quanto asserito nel ‘Messaggio di Fatima’, cui egli stesso mi aveva rinviato. Risposta: ‘Ah, ma io le ho detto la verità. Guardi che sono ancora lucido!’. ‘Per carità, Eccellenza, ma come si spiega questa certificata discrepanza?’. A questo punto mi risponde con delle considerazioni che sembrano far riferimento a eventuali lapsus della memoria, interpretazioni di quanto si intendeva dire, al fatto che non stiamo parlando di Sacra Scrittura… Obietto: ‘Sì, Eccellenza, ma il mio riferimento è a un testo scritto (il documento ufficiale vaticano), chiaro e, a sua volta, basato su appunti d’Archivio!’. Monsignor Capovilla: ‘Ma io giustifico, forse il plico Bertone non è lo stesso del plico Capovilla…’. E io subito, interrompendolo: ‘Quindi entrambe le date sono vere perché del terzo segreto ci sono due testi?’. Qui c’è stata una breve pausa di silenzio, poi monsignor Capovilla riprese: ‘Per l’appunto!’ ”.
Nota
Monsignor Capovilla non solo era presente al momento in cui Giovanni XXIII, nel 1959, fece aprire e leggere il terzo segreto, ma fu addirittura l’estensore materiale della sentenza (di “condanna”) emessa dallo stesso papa Roncalli. E’ stato inoltre, nel corso degli anni, un importante testimone per ricostruire alcuni particolari relativi all’atteggiamento dei papi sul terzo segreto. In qualche modo – per il suo legame personale con Giovanni XXIII – è lui stesso un protagonista di questa vicenda.
Cronologia
13 maggio 1917: a Fatima (in Portogallo) la Madonna appare a tre bambini
13 luglio 1917: nel corso della terza apparizione la Madonna consegna ai bambini il Segreto
1942 : vengono rivelate la prima parte (la visione dell’inferno) e la seconda del Segreto che prediceva la rivoluzione sovietica, la seconda guerra mondiale, l’espansione del comunismo e le persecuzioni alla Chiesa. La terza parte del Segreto rimane avvolta nel mistero.
1957 : il Vaticano fa inviare la busta con il Terzo Segreto a Roma.
1959 : Giovanni XXIII legge il Terzo Segreto e decide di segretarlo mentre la Madonna aveva chiesto di rivelarlo pubblicamente nel 1960.
2000 : Giovanni Paolo II rivela il Terzo Segreto (la visione del “vescovo vestito di bianco”). Ma da allora sono cresciuti i dubbi sull’interezza del Segreto rivelato

http://www.antoniosocci.com/libri/il-quarto-segreto-di-fatima/

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Roma: discurso de Dom Manoel Pestana Filho, bispo emérito de Anápolis, em conferência sobre Fátima.

Roma, 7 de maio de 2010. Dom Manoel Pestana Filho discursa em conferência sobre Fátima e apresenta o livro de Monsenhor Gherardini - Concilio Vaticano II, un discorso da fare.
Roma, 7 de maio de 2010. Dom Manoel Pestana Filho discursa em conferência sobre Fátima e apresenta o livro de Monsenhor Gherardini - Concilio Vaticano II, un discorso da fare.
Apresentamos nossa transcrição do discurso proferido por Sua Excelência Reverendíssima Dom Manoel Pestana Filho, bispo emérito de Anápolis (Goiás), no “The Fatima Challenge Conference”, em Roma, no último dia 7. De antemão agradecemos as possíveis correções feitas ao nosso trabalho.
* * *
Excelências, irmãos padres, religiosos e religiosas,
Não esperem muito de mim, pois sou baixinho, mas, em suma, devo falar alguma coisa e me pediram que, ao menos,  eu me comunicasse com vocês.
Roma, 7 de maio de 2010. Dom Manoel Pestana Filho discursa em conferência sobre Fátima e apresenta o livro de Monsenhor Gherardini - Concilio Vaticano II, un discorso da fare.
Roma, 7 de maio de 2010. Dom Manoel Pestana Filho discursa em conferência sobre Fátima e apresenta o livro de Monsenhor Gherardini - Concilio Vaticano II, un discorso da fare.
Algo que me parece sempre incerto é a questão do Concílio Vaticano II. Na última sessão, da qual participei, uma comissão foi até a Irmã Lucia, em Coimbra, e eu lhe encaminhei uma pergunta por escrito. Minha pergunta foi a seguinte: o terceiro segredo de Fátima tem alguma relação com o Concílio Vaticano II? A Irmã Lucia respondeu — não a mim, mas a um padre que fora com a comissão — “não estou autorizada a responder esta pergunta”. Isso é muito interessante. [...] é um sinal de alguma reserva no terceiro segredo e esta reserva tinha alguma relação com o Concílio Vaticano II.
Mas, como reversas com o Concílio Vaticano II? Estudei aqui em Roma, estudei Teologia, e isso me impressionava muito. Eu também tinha lido dois livros sobre Fátima, um do padre Marc, e um outro de um padre português, que tinha sido diretor espiritual num seminário brasileiro. E uma coisa interessante para mim era entender esta razão. E nesse meio tempo, soube que o Santo Padre Pio XI desejava reabrir o Concílio do Vaticano. O Cardeal Billot o advertiu: “Santidade, me parece que isso é um perigo, porque estamos no tempo dos modernistas e esses modernistas criaram muita confusão na Igreja. Se o concílio for aberto agora, todos estarão em condição de participar, porque muitos também eram hierarcas da Igreja e creio que isso seria uma magnífica confusão entre os teólogos, sacerdotes, religiosos e até o povo, porque todas estas questões que já haviam sido esclarecidas e algumas condenadas pela Igreja desde Pio X e também um pouco por Bento XV, estas questões estariam livres para discussão e creio que não seria bom para a comunicação e para a opinião católica”. Soube que o Papa levou em consideração o que havia dito o Cardeal Billot – o Cardeal Billot foi retirado do cardinalato alguns anos depois, mas esta é outra questão – mas o Papa teria dito sim, [o Cardeal] tem razão.
Soube também que Pio XII teve uma idéia [sobre um concílio] – estudei quatro anos em Roma quando ele era Pontífice – mas estas razões [mesmas] lhe fizeram pensar e naqueles anos ele havia escrito uma carta encíclica Humani Generis, onde ele condena aberta e duramente todas as posições modernistas, citando, inclusive, muitos teólogos de seu tempo. Eu depois fiz [...] um trabalho [...] sobre esta encíclica e situei muitas de suas citações [de autores] que eram anônimas, mas eram citações, nesta encíclica. Por exemplo, Padre Congar, por exemplo, Padre Schillebeecxs, e outros. [...], mas o Santo Padre havia denunciado muitos teólogos que depois fariam sucesso com os seus escritos.
E por isso creio que o Papa Bento XVI, com sua prudência e sabedoria, não tenha citado nas obras do Papa Pio XII esta encíclica. É interessante, pois me perguntaram uma vez: por que o Papa não cita a Humani Generis? Pensei, pensei, e disse: creio que se o Papa tivesse citado esta encíclica ele criaria um ambiente de oposição a Pio XII por parte de teólogos famosos que continuam tendo muita influência nas questões da Igreja e haviam sido grandes homens famosos, aplaudidos, no Concílio Vaticano II. Para mim foi uma decisão de muita prudência e sabedoria [...]. Depois, quando a questão da canonização tivesse avançado, eles tomariam certamente outra posição.
Mas retornemos. Seria possível que Nossa Senhora tivesse dito que não era de seu gosto, que não lhe agradava uma realização do Concílio? Eu não sei, mas se pode pensar. Com isso eu não quero dizer que o Concílio Vaticano não seja legítimo… e não seja também uma benção para a Igreja.
Não sei se vocês conhecem este livro de Brunero Gherardini, Concilio Vaticano II – Un discorso da fare – publicado pelos Franciscanos da Imaculada, aquela congregação fundada pelo padre Manelli, que é interessantíssimo… terrível este livro… mas mantém uma posição muito justa, muito bem fundamentada. Ele diz que no Concílio foram ditas muitas coisas  que não são boas. Um comentarista francês dizia que era necessário distinguir aquilo que foi dito no Concílio, e foram ditas tantas coisas tolas, por exemplo, quando se discutia – e com todo respeito – a maternidade divina de Maria e também Maria mãe da Igreja; um bispo mexicano, Méndez Arceo, provocou risos, muitos risos, quando disse: “isso não me agrada, pois, se Maria é mãe da Igreja, e se a Igreja é nossa mãe, Maria não será nossa mãe, mas nossa avó”. Uma piada fora de lugar, mas, em suma, tudo era possível, e era uma Excelência que falava. E outras coisas que foram ditas; evidentemente, num ambiente de discussão, pode-se dizer tanta coisa tola [...] o delito que o homem usa e abusa de dizer o que pensa. Portanto, é necessário compreendê-lo.
Mas é ainda mais interessante que muitos daqueles que foram condenados por Pio XII – De Lubac, De Le Blond, Danielou, Congar, etc – eram homens do dia, atuais, durante o Concílio.
Mas, verdadeiramente, eu soube de uma coisa interessante: um professor da  Universidade Gregoriana, que fora responsável pela comissão para os textos preliminares para o Concílio – Padre Tromp – um teólogo magnífico… Falei com ele um pouco antes de sua morte. Ele era meu professor na Gregoriana e eu até fiz um curso especial com ele. E eu perguntei como ele avaliava esta situação e ele me respondeu o seguinte: o Concílio foi um concílio bastante difícil, muito difícil, tanta energia desperdiçada, mas, em suma, uma coisa que se deve dizer é que o Concílio Vaticano II, com todas estas discussões, declarações, documentos, etc, etc, é também a indicação dada por João XXIII de ser um concílio pastoral. Até hoje não se compreende bem este sentido, sentido bem profundo de concílio pastoral. Mas sabemos que não era um concílio de definições, que terminava assim: “todos que disserem o contrário sejam anátemas, etc, etc,” como era praxe. Mas era um concílio que tratava questões católicas, religiosas e mesmo questões não religiosas, mas não concluía mais como os outros concílios, com condenações, excomunhões. Não era um concílio dogmático.
Este sacerdote, que fora nomeado chefe da comissão de redação dos textos preliminares por João XXIII, me disse: “É incrível que um Concílio assim, complexo, heterogêneo, no final das contas tenha contribuído para um dos documentos mais seguros, fundamentais da Igreja. Sim, e ele aludia ao Capítulo 8º da Lumen Gentium. Para o Padre Tromp, este documento seria um dos maiores documentos de toda a história da Igreja.
Bem, nesse Concílio havia um homem que eu admirava muito, muitíssimo, tinha lido várias vezes um de seus livros: “Teologia do Apostolado”, Cardeal Suenens e que, em suma, me fez sofrer[...]. Ele tomou a posição de comando, um comando externo, dos bispos da Alemanha e Holanda. Mas, em suma, ele era um mariólogo, um devoto de Maria e certamente ele é quem inspirou e acompanhou a redação do capitulo 8º. Bem, por que digo isso? Porque quando Suenens disse: “Santidade, não somos crianças [...]”. Recebemos uma carta, para logo ler e assinar. Nós somos bispos, nós somos sucessores dos apóstolos. Sabemos o que fazemos. [... ]. Temos que ler os esquemas e depois vamos discuti-los.
E João XXIII, vocês sabem disso, se amedrontou e disse: “sim sim, faremos um Concílio pastoral” Não há Constituições Dogmáticas num Concílio Pastoral. Faremos um Concílio para discutir as questões do momento, e não as questões de sempre, e dar a resposta convencida pela prudência e sabedoria evangélica.
O estudo feito por Gherardini considera todas essas questões e diz claramente: o Concílio é uma grande graça para o mundo, e também é este concílio, tantas coisas são ditas, mas não há nenhum peso dogmático. [..] Há coisas que podemos chamar de incertas… até alguns teólogos depois do Concílio Vaticano II disseram que a linguagem da teologia de hoje é uma linguagem de incertezas, não há nenhuma certeza em suas declarações.
Assim, me parece que isso explica que tantas coisas tenham chegado a nós com muito pouco fruto. Pelo contrário. Vejamos. Dentro do Concílio Vaticano II, não nas reuniões, foram feitos acordos com os representantes da Rússia para que não se falasse do comunismo, não se falasse de Rússia. Mas isso é o contrário da mensagem de Fátima. O centro da mensagem [...] era a Rússia, da qual virão grandes males para a Igreja e para o mundo. Mas fizeram um acordo. Ah sim! Porque havia bispos ortodoxos [para participar do Concílio]. E nós sabemos hoje que muitos bispos não só na Rússia, mas na Polônia e outros lugares, para não terem obstáculos da parte do governo comunista, faziam vistas grossas a certas coisas. Por exemplo: nós sabemos que este escândalo ocorreu na Polônia de um arcebispo que fora nomeado e que no momento de tomar posse da diocese ele simplesmente disse: “não, não posso tomar posse, porque encontraram um documento assinado por mim que me permitia sair da Polônia para estudar em Roma com a condição de colaborar com o governo sobre as coisas da Igreja que lhe interessavam.”. Este é o problema. [...] O arcebispo de Kiev, que era um homem que se aproximou muito de João Paulo I, na última audiência, morreu lá diante do Papa. Ele não era ninguém menos que um chefe da KGB e era arcebispo de Kiev. Coronel da KGB. [...] É um trabalho de muito tempo de infiltração na Igreja Católica, e se pode dizer que também o fato de Judas fazer parte do colégio apostólico, não disse nada contra Cristo, e no último momento quis lhe trair: “amigo, a que viestes?”. [...] Há momentos extremos de traição e por isso o Senhor tem muitos e muitos caminhos. [...]
Por outro lado, por exemplo, nós sabemos da influência da maçonaria no último Concílio não foi pouca, porque o próprio Monsenhor encarregado da liturgia – Bugnini – tinha escrito uma carta ao chefe da maçonaria italiana, dizendo que pela liturgia havia feito tudo que era possível; tudo aquilo, segundo recebeu instruções, mais não poderia ser feito. [...]  Um padre polonês que encontrou este ofício o levou imediatamente a Paulo VI, que o mandou para fora de Roma, na nunciatura no Irã. Até Monsenhor Benelli, que era o braço direito do Papa, também foi retirado de Roma e estranhamente ambos morreram pouco depois em circunstâncias misteriosas. Dizíamos que era uma queima de arquivo. Entendem, não?
Quero dizer que mesmo os inimigos estando presente dentro da Igreja, isso não deve nos atemorizar, pois o próprio Cristo já contou aquela parábola [...] do trigo e do joio juntos e o Senhor disse “deixai crescer”, depois, na hora da colheita se separará os dois. Pois os maus, como diz Santo Agostinho, ou existem para se converter ou para nos santificar. E isso é verdade. [...] O Senhor, no antigo testamento, deixava os povos bárbaros e desumanos presentes e próximos do povo eleito para garantir a sua fidelidade e seu espírito de sacrifício. E por isso não devemos de maneira alguma pensar que estes problemas possam abalar a nossa fé. Absolutamente!
Uma vez, quando disse um pouco dessas coisas num encontro de bispos, um deles se levantou e me disse: “Você não crê no Espírito Santo?”. Eu disse: “Creio sim, e por isso estou aqui, porque creio no Espírito Santo e sei que as portas do inferno não prevalecerão”. “Eu estarei convosco até o fim do mundo”, tenhamos esta certeza absoluta, não podemos duvidar daquilo que Cristo disse. Isso seria um suicídio religioso. Se não creio em Cristo, em que acreditaria? Em meu pai, em minha mãe, em meu amigo, no Papa? Se não creio em Cristo… e por isso estou seguro, seguro com armas, com sofrimentos, com sangue, sim, sim, é verdade. Quando penso, por exemplo, no Pe. Gruner, vejo nele um mártir da Igreja moderna, sem dúvida. Não se pode compreender a sua vida sem a palavra de Deus que diz: “o reino dos céus é sofre violência, e são os violentos que o alcançam”.
Creio que poderia dizer – digo como uma palavra minha — e suspeitar que o Concílio Vaticano II está relacionado [...] com o terceiro segredo de Fátima. Alguns de vocês me dirão: “mas isso não é atual”. Mas é atual sim, pois se nós publicamos isso, teremos que enfrentar o temor de nossos fiéis que dirão: “O que? Vocês não acreditaram?”… Porque me dirão que eu fui fraco, que eu fui estúpido… essas não são justificativas para que eu possa dizer: “não sou responsável” ou “não estava nessas coisas”.
[...] victoria quae vincit mundum: fides nostra. A nossa fé é a vitória que vence o mundo. Que vence o mundo! Eu estarei convosco até a consumação dos séculos. As portas do inferno com ela. Nem a maçonaria que é o corpo místico de Satanás, nem as heresias são realmente a lepra da nossa Igreja, mas que encontram sempre na graça de Maria e no amor de Cristo um remédio salutar para todos os males, nada disso me deve fazer perder a coragem ou deixar de lutar.
Um dia eu falava na conferência dos bispos do Brasil contra o aborto, porque eu trabalho muito – poderia e deveria ter trabalhado ainda mais. E um bispo me disse: “Mas Dom Pestana, o senhor tem que entender que não podemos perder tempo [...] com uma batalha perdida. O aborto vem! Como veio para quase todas as nações. Não se pode perder tempo com essas coisas”. E eu disse: “Excelência, Deus não te julga se ganhamos ou não a batalha, mas se lutamos e se lutamos bem”. E assim penso que vocês estão fazendo, e por isso estou aqui com a alma renovada, encorajado [...] mesmo com o meu joelho com duas placas de metal.
Deve-se pensar nisso: eu devo lutar. [...]. Sempre recordo de uma estória, e gosto de contar estorinhas [...] para ensinar o catecismo. Um elefante corria na África e, de repente, uma formiga na sua orelha lhe diz: “Elefante, olhe para trás, veja quanta poeira estamos fazendo”. Nós estamos fazendo. E pensamos que somos nós que estamos fazendo. E por isso o personalismo no apostolado é um grande perigo. É Deus quem faz, e só quando os homens se convencerem que Deus faz aquilo que nós fazemos é que acreditarão em nós. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, Amém.
* * *
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