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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Discurso do Papa Pio XII sobre o Rosário


Rosário

São Domingos de Gusmão
O rosário, segundo a etimologia própria da palavra, é uma coroa de rosas; encantadora coisa, que em todos os povos representa uma oferta de amor e um sinal de alegria. Mas estas rosas não são aquelas das quais se adornam apressadamente os ímpios, dos quais fala a Sagrada Escritura "Coroemo-nos de rosas - exclamam eles -, antes que murchem". As flores do rosário não se envilecem; o seu frescor é incessantemente renovado pelas mãos dos devotos de Maria, e a diversidade das idades, dos países e das línguas dá àquelas rosas a variedade de suas cores e de seus perfumes.

Queremos que aumente a devoção ao Santo Rosário de Maria, devoção a que a piedade ligou-se por tantas recordações e que se harmoniza tão bem com todas as circunstâncias da vida doméstica, com todas as necessidades e disposições de cada membro da família.

Rosário dos novos esposos, que um ao lado do outro recita na aurora da nova família, diante da vida que se abre com as suas alegres previsões mas também com os seus mistérios e com as suas responsabilidades. É tão doce na alegria destes primeiros dias de intimidade total colocar em tal modo esperanças e propósitos do futuro sob a proteção de Virgem toda pura e potente, da Mãe amante e misericordiosa, cujas alegrias, dores e glórias passam diante dos olhos da alva devota, enquanto se seguem as dezenas de ave-marias, rememorando os exemplos da mais santa das famílias!

Rosários das criançasrosário dos pequenos, que tendo entre os seus minúsculos dedos ainda inexperientes os grãos da coroa, repetem lentamente, com aplicação e esforço, mas também com amor, os pai-nossos e ave-marias, que a mãe pacientemente lhes ensinou, errando, é verdade por vezes hesitem, confundem-se; mas é tão confiante o candor de seus olhares que fixam sobre a Imagem de Maria, daquela na qual já sabem reconhecer a sua grande Mãe do céu! Pois será o rosário da primeira comunhão, que tem um lugar a parte entre as recordações daquele grande dia; belo, mas não tanto quanto, por vezes devem ser. Belo rosário, mas não apenas um vão objeto de luxo, mas pelo contrário o instrumento que ajuda a orar e lembra, tornando presente ao pensamento: Maria.

Rosário da jovem, já grande, alegre e serena, mas, ao mesmo tempo, séria e pensativa do seu futuro; que confia a Maria, Virgem Imaculada, prudente e benigna, os desejos de dedicação e o dom de si, que ela sente desabrochar no coração; ora por aquele jovem, ainda desconhecido para ela mas conhecido por Deus, que a Providência lhe destina, e ela queria semelhante a si cristão fervoroso e generoso.

Este rosário, que ama recitar aos domingos, juntamente com as suas companheiras, devera durante a semana recitá-lo talvez entre os cuidados da casa, ao lado da mãe, ou entre as horas de trabalho no escritório ou no campo; quando tiver um momento para ir à humilde igreja mais próxima.

Rosário do jovem, aprendiz, estudante, agricultor, que se prepara, trabalhando corajosamente, para ganhar um dia o pão para si e para os seus, coroa que ele conserva preciosamente, como uma proteção daquela pureza que quer levar intata ao altar no dia das núpcias; rosário que recita sem respeito humano nos momentos livres para o recolhimento e a oração; que o acompanha sob o uniforme militar, em meio das fadigas e das lutas da guerra, que aperta uma última vez, no dia em que a pátria talvez lhe peça o supremo sacrifício, e que os seus companheiros de armas encontrarão comovidos entre os seus dedos frios e sangrando.

Rosário da mãe de famíliada operária ou da camponesasimples, sólido usado já desde muito tempo, que ela não poderá talvez pegar senão à tarde quando, bem cansada de sua jornada, encontrará ainda em sua fé e no seu amor a força de recitá-lo, lutando com o sono, para todos os seus caros, por aqueles especialmente que sabe mais expostos a perigos da alma ou do corpo que teme tentados ou aflitos, que vê com tanta tristeza se afastarem de Deus. Rosário da mulher do mundo, talvez mais rica, mas muitas vezes carregada de preocupações e de angústias ainda mais pesadas.

Rosário do pai de famíliado homem trabalhador e enérgico, que jamais esquece de trazer consigo a sua coroa, juntamente com a caneta-tinteiro e o caderninho de notas; que, grande professor, renomado engenheiro, célebre clínico, advogado eloqüente, genial artista, agrônomo experiente, não se envergonha de recitá-lo com devota simplicidade nos breves momentos arrancados à tirania do trabalho profissional, para ir retemperar a alma de cristão na paz de uma igreja, aos pés do tabernáculo.

Rosário dos velhosvelha vovó, que faz incansavelmente correr as contas entre os dedos enrugados, no fundo da igreja, até quando ela para ali puder arrastar-se com suas pernas enrijecidas, ou durante as longas horas de forçada imobilidade sobre a cadeira, ao lado do fogãoVelha tia, que todas as suas forças consagrou ao bem da família, e agora, aproximando-se o término de sua vida, toda empregada em boas obras, alterna, inexaurivelmente, em sua dedicação, os pequenos serviços que ainda pode prestar, com as numerosas dezenas de ave-marias, que diz sem cessar, com o seu terço.

Rosário do moribundonas horas extremas, como um último apoio apertado em suas mãos trementes, enquanto ao lado os seus caros o recitam em voz baixa; rosário que permanecerá sobre o peito dele, juntamente com o crucifixo, para atestar a sua confiança nas misericórdias divinas e na intercessão da Virgem, da qual estava pleno aquele coração que cessou de bater.

Rosário, finalmente, da família inteirarecitado em comum por todos, pequenos e grandes; que reúne à tarde, aos pés de Maria, aqueles que o trabalho do dia tinha separado e disperso; que os reúne com os ausentes e os desaparecidos; a recordação se reaviva em uma oração fervorosa, que consagra deste modo a ligação que os reúne todos sob o cuidado materno da Imaculada Rainha do Santíssimo Rosário.

Em Lourdes, como em Pompéia, Maria quis mostrar, com inumeráveis graças, quanto Lhe é agradável esta oração, à qual Ela convida Sua confidente Santa Bernadette, acompanhando as ave-marias da criança, com o lento correr de seu belo rosário, reluzente como as rosas de ouro que brilhavam sobre seus pés (1).

(1) Discurso aos esposos, 24 de novembro e 8 de outubro, 1941.

Fonte: Livro Pio XII e os problemas do mundo moderno, tradução e adaptação do Padre José Martins, 1959. 



Fonte:

 
VISTO EM:http://osegredodorosario.blogspot.com/

domingo, 4 de dezembro de 2011

Il quarto segreto di Fatima

Il quarto segreto di FatimaIl 13 maggio del 2000 il Vaticano rivela al mondo, con una ufficialità senza precedenti nella storia della Chiesa, il Terzo segreto di Fatima: la visione di un ‘vescovo vestito di bianco’ che sale in mezzo ai cadaveri verso una croce, dove viene ucciso da alcuni soldati. Subito collegato all’attentato del 13 maggio 1981, l’annuncio tanto atteso delude molti.
Possibile che un messaggio tenuto nascosto così a lungo, e con tanta cura, si riferisca a un evento già accaduto? Perché allora aspettare quasi altri vent’anni prima di comunicarne il contenuto? Chi è realmente il vescovo vestito di bianco? Perché quel lungo silenzio e quell’isolamento imposti a suor Lucia dal 1960? E come si spiegano certe sue parole? C’è un Papa martire nel futuro prossimo della Chiesa? Perché tanti particolari della ricostruzione ufficiale sono stati contestati? Pian piano le domande imbarazzanti cominciano ad accumularsi e molti indizi delineano un altro quadro, un’altra scottante verità: forse una parte del messaggio della Madonna non è mai stata pubblicata perché troppo sconvolgente. E’ la parte che inizia con una famosa frase della Santa Vergine che suor Lucia ha lasciato in sospeso. In questo libro si tenta di ricostruire queli possono essere i contenuti di questo discorso della Madre di Dio che tanto ha sconvolto chi lo ha letto e che rimane tuttora segreto.
Il 5 luglio 2006 Solideo Paolini, un giovane intellettuale cattolico marchigiano, autore di un libro su Fatima che abbiamo spesso citato, che si dedica da anni allo studio dell’apparizione portoghese, si reca a Sotto il Monte, in provincia di Bergamo. Nel paesello di papa Roncalli trascorre la vecchiaia, dopo alcuni anni di episcopato, quello che fu il segretario personale di Giovanni XXIII, cioè monsignor Loris Capovilla. L’appuntamento fra i due è per le ore 19 presso l’abitazione del prelato.
Dopo alcuni ricordi relativi agli anni trascorsi da Capovilla a Loreto, come vescovo, Paolini avanza una domanda: “Eccellenza, il motivo della mia visita deriva dal fatto che sono uno studioso di Fatima. Siccome Lei è una fonte di primissimo piano , vorrei porLe alcune domande…”. Il vescovo inizialmente si schermisce: “No guardi, anche per evitare imprecisioni, visto che nel 2000 è stato rivelato ufficialmente (il Terzo Segreto, nda), io mi attengo a quanto è stato detto. Anche se potrei sapere pure dell’altro, bisogna attenersi a quanto detto nei documenti ufficiali”. Poi sorridente aggiunge una promessa: “Lei mi scriva le domande e così io le rispondo, vado a vedere tra le mie carte – se le ho ancora, perché io ho donato tutto al museo – e le mando qualcosa, magari una frase… Lei scriva”.
Una frase? In che senso manderà “una frase”? Cosa avrà voluto dire, si chiede il giovane studioso? Intanto monsignor Capovilla continua a esternare alcuni suoi pensieri. Paolini racconta: “Il vescovo continuava a parlare toccando vari argomenti: il rischio di prendere per manifestazioni soprannaturali quelle che sono fantasie passate per la mente; il rischio che in certe situazioni si possa diventare monomaniaci, il rischio anche di montarsi la testa. Io tacevo, ascoltavo e fra me” confida Paolini “pensavo alla povera suor Lucia… Altro che ‘incline’ a quel tipo di fenomeni: per mesi, pur dopo averne ricevuto l’ordine, non riusciva a scrivere il testo del terzo segreto, tanto ne era atterrita!”.
Intanto il vescovo Capovilla continuava a parlare e cominciò a biasimare “la facilità con cui si prendono per indemoniate persone che potrebbero avere semplicemente delle malattie mentali, da cui l’imprudenza – che lui a Loreto non ebbe – di buttarsi immediatamente sugli esorcismi quando, sia pure senza escluderli come eventuale ultima possibilità, ci sarebbe invece bisogno di confessione, Messa, comunione e, se si vuole, di una bella preghiera com’è il Rosario”. Seguirono anche alcuni aneddoti e valutazioni sui papi.
Tornato a casa, sabato 8 luglio Paolini invia al prelato le sue domande scritte, come da precedente accordo. Il 18 luglio arriva in risposta un plico. “A fianco delle mie domande circa l’esistenza di un testo inedito del Terzo Segreto che non sarebbe ancora stato rivelato, verso il quale portano tanti indizi, monsignor Capovilla (che com’è noto ha letto il Terzo Segreto) aveva scritto testualmente: ‘Nulla so’. Quella risposta” confida Paolini “mi ha sorpreso. Infatti se il testo misterioso e mai svelato fosse una balla, il prelato, uno fra i pochi a conoscere il segreto, avrebbe potuto e dovuto rispondermi che è un’idea completamente campata per aria e che tutto è già stato rivelato nel 2000. Invece risponde: ‘Nulla so’. Un’espressione che immagino volesse ironicamente evocare una certa omertà siciliana…”.
Forse era quella la “frase” promessa. Ma in realtà c’era dell’altro. Nel plico di monsignor Capovilla era contenuto anche un curioso biglietto autografo, dall’apparenza normalissima che recitava:
“14.VII.2006 A.D.
Saluto cordialmente il dr. Solideo Paolini. Gli trasmetto alcuni fogli del mio archivio. Lo consiglio di procurarsi ‘Il Messaggio di Fatima’, pubblicazione della Congregazione per la dottrina della Fede, Edizione Città del Vaticano, anno 2000. Cordialità benedicenti Loris F. Capovilla”.
Era curioso che il vescovo consigliasse a uno studioso di Fatima di procurarsi la pubblicazione ufficiale del Vaticano sul terzo segreto. Era ovvio che la possedesse già. Non sarà stato allora un invito a leggere qualcosa in particolare di quella pubblicazione in relazione ai documenti inviati dallo stesso Capovilla? Così l’ha interpretato Paolini e infatti ha trovato il punto, o meglio: “la frase”.
“Confrontando appunto tale opuscolo con le carte d’archivio che il segretario di Giovanni XXIII mi ha mandato, balza agli occhi” dice Paolini “principalmente questa contraddizione: nelle sue ‘Note riservate’ con tanto di timbro, si certifica che papa Paolo VI lesse il segreto nel pomeriggio di giovedì 27 giugno 1963; mentre il documento ufficiale vaticano afferma: ‘Paolo VI lesse il contenuto con il sostituto Sua Ecc.za monsignor Angelo Dell’Acqua, il 27 marzo 1965, e rinviò la busta all’Archivio del Sant’Uffizio, con la decisione di non pubblicare il testo’. Mi chiedo dunque: 27 giugno 1963 o 27 marzo 1965 ?”.
Potrebbe forse trattarsi di un errore? O la discrepanza nasconde la soluzione del giallo che fin qui abbiamo indagato? Con queste stesse domande Paolini prende il telefono e quello stesso giorno, alle ore 18.45, chiama direttamente monsignor Capovilla. Dopo alcuni saluti “gli faccio presente” racconta lo studioso “il contrasto tra le sue ‘Note riservate’ e quanto asserito nel ‘Messaggio di Fatima’, cui egli stesso mi aveva rinviato. Risposta: ‘Ah, ma io le ho detto la verità. Guardi che sono ancora lucido!’. ‘Per carità, Eccellenza, ma come si spiega questa certificata discrepanza?’. A questo punto mi risponde con delle considerazioni che sembrano far riferimento a eventuali lapsus della memoria, interpretazioni di quanto si intendeva dire, al fatto che non stiamo parlando di Sacra Scrittura… Obietto: ‘Sì, Eccellenza, ma il mio riferimento è a un testo scritto (il documento ufficiale vaticano), chiaro e, a sua volta, basato su appunti d’Archivio!’. Monsignor Capovilla: ‘Ma io giustifico, forse il plico Bertone non è lo stesso del plico Capovilla…’. E io subito, interrompendolo: ‘Quindi entrambe le date sono vere perché del terzo segreto ci sono due testi?’. Qui c’è stata una breve pausa di silenzio, poi monsignor Capovilla riprese: ‘Per l’appunto!’ ”.
Nota
Monsignor Capovilla non solo era presente al momento in cui Giovanni XXIII, nel 1959, fece aprire e leggere il terzo segreto, ma fu addirittura l’estensore materiale della sentenza (di “condanna”) emessa dallo stesso papa Roncalli. E’ stato inoltre, nel corso degli anni, un importante testimone per ricostruire alcuni particolari relativi all’atteggiamento dei papi sul terzo segreto. In qualche modo – per il suo legame personale con Giovanni XXIII – è lui stesso un protagonista di questa vicenda.
Cronologia
13 maggio 1917: a Fatima (in Portogallo) la Madonna appare a tre bambini
13 luglio 1917: nel corso della terza apparizione la Madonna consegna ai bambini il Segreto
1942 : vengono rivelate la prima parte (la visione dell’inferno) e la seconda del Segreto che prediceva la rivoluzione sovietica, la seconda guerra mondiale, l’espansione del comunismo e le persecuzioni alla Chiesa. La terza parte del Segreto rimane avvolta nel mistero.
1957 : il Vaticano fa inviare la busta con il Terzo Segreto a Roma.
1959 : Giovanni XXIII legge il Terzo Segreto e decide di segretarlo mentre la Madonna aveva chiesto di rivelarlo pubblicamente nel 1960.
2000 : Giovanni Paolo II rivela il Terzo Segreto (la visione del “vescovo vestito di bianco”). Ma da allora sono cresciuti i dubbi sull’interezza del Segreto rivelato

http://www.antoniosocci.com/libri/il-quarto-segreto-di-fatima/

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Roma: discurso de Dom Manoel Pestana Filho, bispo emérito de Anápolis, em conferência sobre Fátima.

Roma, 7 de maio de 2010. Dom Manoel Pestana Filho discursa em conferência sobre Fátima e apresenta o livro de Monsenhor Gherardini - Concilio Vaticano II, un discorso da fare.
Roma, 7 de maio de 2010. Dom Manoel Pestana Filho discursa em conferência sobre Fátima e apresenta o livro de Monsenhor Gherardini - Concilio Vaticano II, un discorso da fare.
Apresentamos nossa transcrição do discurso proferido por Sua Excelência Reverendíssima Dom Manoel Pestana Filho, bispo emérito de Anápolis (Goiás), no “The Fatima Challenge Conference”, em Roma, no último dia 7. De antemão agradecemos as possíveis correções feitas ao nosso trabalho.
* * *
Excelências, irmãos padres, religiosos e religiosas,
Não esperem muito de mim, pois sou baixinho, mas, em suma, devo falar alguma coisa e me pediram que, ao menos,  eu me comunicasse com vocês.
Roma, 7 de maio de 2010. Dom Manoel Pestana Filho discursa em conferência sobre Fátima e apresenta o livro de Monsenhor Gherardini - Concilio Vaticano II, un discorso da fare.
Roma, 7 de maio de 2010. Dom Manoel Pestana Filho discursa em conferência sobre Fátima e apresenta o livro de Monsenhor Gherardini - Concilio Vaticano II, un discorso da fare.
Algo que me parece sempre incerto é a questão do Concílio Vaticano II. Na última sessão, da qual participei, uma comissão foi até a Irmã Lucia, em Coimbra, e eu lhe encaminhei uma pergunta por escrito. Minha pergunta foi a seguinte: o terceiro segredo de Fátima tem alguma relação com o Concílio Vaticano II? A Irmã Lucia respondeu — não a mim, mas a um padre que fora com a comissão — “não estou autorizada a responder esta pergunta”. Isso é muito interessante. [...] é um sinal de alguma reserva no terceiro segredo e esta reserva tinha alguma relação com o Concílio Vaticano II.
Mas, como reversas com o Concílio Vaticano II? Estudei aqui em Roma, estudei Teologia, e isso me impressionava muito. Eu também tinha lido dois livros sobre Fátima, um do padre Marc, e um outro de um padre português, que tinha sido diretor espiritual num seminário brasileiro. E uma coisa interessante para mim era entender esta razão. E nesse meio tempo, soube que o Santo Padre Pio XI desejava reabrir o Concílio do Vaticano. O Cardeal Billot o advertiu: “Santidade, me parece que isso é um perigo, porque estamos no tempo dos modernistas e esses modernistas criaram muita confusão na Igreja. Se o concílio for aberto agora, todos estarão em condição de participar, porque muitos também eram hierarcas da Igreja e creio que isso seria uma magnífica confusão entre os teólogos, sacerdotes, religiosos e até o povo, porque todas estas questões que já haviam sido esclarecidas e algumas condenadas pela Igreja desde Pio X e também um pouco por Bento XV, estas questões estariam livres para discussão e creio que não seria bom para a comunicação e para a opinião católica”. Soube que o Papa levou em consideração o que havia dito o Cardeal Billot – o Cardeal Billot foi retirado do cardinalato alguns anos depois, mas esta é outra questão – mas o Papa teria dito sim, [o Cardeal] tem razão.
Soube também que Pio XII teve uma idéia [sobre um concílio] – estudei quatro anos em Roma quando ele era Pontífice – mas estas razões [mesmas] lhe fizeram pensar e naqueles anos ele havia escrito uma carta encíclica Humani Generis, onde ele condena aberta e duramente todas as posições modernistas, citando, inclusive, muitos teólogos de seu tempo. Eu depois fiz [...] um trabalho [...] sobre esta encíclica e situei muitas de suas citações [de autores] que eram anônimas, mas eram citações, nesta encíclica. Por exemplo, Padre Congar, por exemplo, Padre Schillebeecxs, e outros. [...], mas o Santo Padre havia denunciado muitos teólogos que depois fariam sucesso com os seus escritos.
E por isso creio que o Papa Bento XVI, com sua prudência e sabedoria, não tenha citado nas obras do Papa Pio XII esta encíclica. É interessante, pois me perguntaram uma vez: por que o Papa não cita a Humani Generis? Pensei, pensei, e disse: creio que se o Papa tivesse citado esta encíclica ele criaria um ambiente de oposição a Pio XII por parte de teólogos famosos que continuam tendo muita influência nas questões da Igreja e haviam sido grandes homens famosos, aplaudidos, no Concílio Vaticano II. Para mim foi uma decisão de muita prudência e sabedoria [...]. Depois, quando a questão da canonização tivesse avançado, eles tomariam certamente outra posição.
Mas retornemos. Seria possível que Nossa Senhora tivesse dito que não era de seu gosto, que não lhe agradava uma realização do Concílio? Eu não sei, mas se pode pensar. Com isso eu não quero dizer que o Concílio Vaticano não seja legítimo… e não seja também uma benção para a Igreja.
Não sei se vocês conhecem este livro de Brunero Gherardini, Concilio Vaticano II – Un discorso da fare – publicado pelos Franciscanos da Imaculada, aquela congregação fundada pelo padre Manelli, que é interessantíssimo… terrível este livro… mas mantém uma posição muito justa, muito bem fundamentada. Ele diz que no Concílio foram ditas muitas coisas  que não são boas. Um comentarista francês dizia que era necessário distinguir aquilo que foi dito no Concílio, e foram ditas tantas coisas tolas, por exemplo, quando se discutia – e com todo respeito – a maternidade divina de Maria e também Maria mãe da Igreja; um bispo mexicano, Méndez Arceo, provocou risos, muitos risos, quando disse: “isso não me agrada, pois, se Maria é mãe da Igreja, e se a Igreja é nossa mãe, Maria não será nossa mãe, mas nossa avó”. Uma piada fora de lugar, mas, em suma, tudo era possível, e era uma Excelência que falava. E outras coisas que foram ditas; evidentemente, num ambiente de discussão, pode-se dizer tanta coisa tola [...] o delito que o homem usa e abusa de dizer o que pensa. Portanto, é necessário compreendê-lo.
Mas é ainda mais interessante que muitos daqueles que foram condenados por Pio XII – De Lubac, De Le Blond, Danielou, Congar, etc – eram homens do dia, atuais, durante o Concílio.
Mas, verdadeiramente, eu soube de uma coisa interessante: um professor da  Universidade Gregoriana, que fora responsável pela comissão para os textos preliminares para o Concílio – Padre Tromp – um teólogo magnífico… Falei com ele um pouco antes de sua morte. Ele era meu professor na Gregoriana e eu até fiz um curso especial com ele. E eu perguntei como ele avaliava esta situação e ele me respondeu o seguinte: o Concílio foi um concílio bastante difícil, muito difícil, tanta energia desperdiçada, mas, em suma, uma coisa que se deve dizer é que o Concílio Vaticano II, com todas estas discussões, declarações, documentos, etc, etc, é também a indicação dada por João XXIII de ser um concílio pastoral. Até hoje não se compreende bem este sentido, sentido bem profundo de concílio pastoral. Mas sabemos que não era um concílio de definições, que terminava assim: “todos que disserem o contrário sejam anátemas, etc, etc,” como era praxe. Mas era um concílio que tratava questões católicas, religiosas e mesmo questões não religiosas, mas não concluía mais como os outros concílios, com condenações, excomunhões. Não era um concílio dogmático.
Este sacerdote, que fora nomeado chefe da comissão de redação dos textos preliminares por João XXIII, me disse: “É incrível que um Concílio assim, complexo, heterogêneo, no final das contas tenha contribuído para um dos documentos mais seguros, fundamentais da Igreja. Sim, e ele aludia ao Capítulo 8º da Lumen Gentium. Para o Padre Tromp, este documento seria um dos maiores documentos de toda a história da Igreja.
Bem, nesse Concílio havia um homem que eu admirava muito, muitíssimo, tinha lido várias vezes um de seus livros: “Teologia do Apostolado”, Cardeal Suenens e que, em suma, me fez sofrer[...]. Ele tomou a posição de comando, um comando externo, dos bispos da Alemanha e Holanda. Mas, em suma, ele era um mariólogo, um devoto de Maria e certamente ele é quem inspirou e acompanhou a redação do capitulo 8º. Bem, por que digo isso? Porque quando Suenens disse: “Santidade, não somos crianças [...]”. Recebemos uma carta, para logo ler e assinar. Nós somos bispos, nós somos sucessores dos apóstolos. Sabemos o que fazemos. [... ]. Temos que ler os esquemas e depois vamos discuti-los.
E João XXIII, vocês sabem disso, se amedrontou e disse: “sim sim, faremos um Concílio pastoral” Não há Constituições Dogmáticas num Concílio Pastoral. Faremos um Concílio para discutir as questões do momento, e não as questões de sempre, e dar a resposta convencida pela prudência e sabedoria evangélica.
O estudo feito por Gherardini considera todas essas questões e diz claramente: o Concílio é uma grande graça para o mundo, e também é este concílio, tantas coisas são ditas, mas não há nenhum peso dogmático. [..] Há coisas que podemos chamar de incertas… até alguns teólogos depois do Concílio Vaticano II disseram que a linguagem da teologia de hoje é uma linguagem de incertezas, não há nenhuma certeza em suas declarações.
Assim, me parece que isso explica que tantas coisas tenham chegado a nós com muito pouco fruto. Pelo contrário. Vejamos. Dentro do Concílio Vaticano II, não nas reuniões, foram feitos acordos com os representantes da Rússia para que não se falasse do comunismo, não se falasse de Rússia. Mas isso é o contrário da mensagem de Fátima. O centro da mensagem [...] era a Rússia, da qual virão grandes males para a Igreja e para o mundo. Mas fizeram um acordo. Ah sim! Porque havia bispos ortodoxos [para participar do Concílio]. E nós sabemos hoje que muitos bispos não só na Rússia, mas na Polônia e outros lugares, para não terem obstáculos da parte do governo comunista, faziam vistas grossas a certas coisas. Por exemplo: nós sabemos que este escândalo ocorreu na Polônia de um arcebispo que fora nomeado e que no momento de tomar posse da diocese ele simplesmente disse: “não, não posso tomar posse, porque encontraram um documento assinado por mim que me permitia sair da Polônia para estudar em Roma com a condição de colaborar com o governo sobre as coisas da Igreja que lhe interessavam.”. Este é o problema. [...] O arcebispo de Kiev, que era um homem que se aproximou muito de João Paulo I, na última audiência, morreu lá diante do Papa. Ele não era ninguém menos que um chefe da KGB e era arcebispo de Kiev. Coronel da KGB. [...] É um trabalho de muito tempo de infiltração na Igreja Católica, e se pode dizer que também o fato de Judas fazer parte do colégio apostólico, não disse nada contra Cristo, e no último momento quis lhe trair: “amigo, a que viestes?”. [...] Há momentos extremos de traição e por isso o Senhor tem muitos e muitos caminhos. [...]
Por outro lado, por exemplo, nós sabemos da influência da maçonaria no último Concílio não foi pouca, porque o próprio Monsenhor encarregado da liturgia – Bugnini – tinha escrito uma carta ao chefe da maçonaria italiana, dizendo que pela liturgia havia feito tudo que era possível; tudo aquilo, segundo recebeu instruções, mais não poderia ser feito. [...]  Um padre polonês que encontrou este ofício o levou imediatamente a Paulo VI, que o mandou para fora de Roma, na nunciatura no Irã. Até Monsenhor Benelli, que era o braço direito do Papa, também foi retirado de Roma e estranhamente ambos morreram pouco depois em circunstâncias misteriosas. Dizíamos que era uma queima de arquivo. Entendem, não?
Quero dizer que mesmo os inimigos estando presente dentro da Igreja, isso não deve nos atemorizar, pois o próprio Cristo já contou aquela parábola [...] do trigo e do joio juntos e o Senhor disse “deixai crescer”, depois, na hora da colheita se separará os dois. Pois os maus, como diz Santo Agostinho, ou existem para se converter ou para nos santificar. E isso é verdade. [...] O Senhor, no antigo testamento, deixava os povos bárbaros e desumanos presentes e próximos do povo eleito para garantir a sua fidelidade e seu espírito de sacrifício. E por isso não devemos de maneira alguma pensar que estes problemas possam abalar a nossa fé. Absolutamente!
Uma vez, quando disse um pouco dessas coisas num encontro de bispos, um deles se levantou e me disse: “Você não crê no Espírito Santo?”. Eu disse: “Creio sim, e por isso estou aqui, porque creio no Espírito Santo e sei que as portas do inferno não prevalecerão”. “Eu estarei convosco até o fim do mundo”, tenhamos esta certeza absoluta, não podemos duvidar daquilo que Cristo disse. Isso seria um suicídio religioso. Se não creio em Cristo, em que acreditaria? Em meu pai, em minha mãe, em meu amigo, no Papa? Se não creio em Cristo… e por isso estou seguro, seguro com armas, com sofrimentos, com sangue, sim, sim, é verdade. Quando penso, por exemplo, no Pe. Gruner, vejo nele um mártir da Igreja moderna, sem dúvida. Não se pode compreender a sua vida sem a palavra de Deus que diz: “o reino dos céus é sofre violência, e são os violentos que o alcançam”.
Creio que poderia dizer – digo como uma palavra minha — e suspeitar que o Concílio Vaticano II está relacionado [...] com o terceiro segredo de Fátima. Alguns de vocês me dirão: “mas isso não é atual”. Mas é atual sim, pois se nós publicamos isso, teremos que enfrentar o temor de nossos fiéis que dirão: “O que? Vocês não acreditaram?”… Porque me dirão que eu fui fraco, que eu fui estúpido… essas não são justificativas para que eu possa dizer: “não sou responsável” ou “não estava nessas coisas”.
[...] victoria quae vincit mundum: fides nostra. A nossa fé é a vitória que vence o mundo. Que vence o mundo! Eu estarei convosco até a consumação dos séculos. As portas do inferno com ela. Nem a maçonaria que é o corpo místico de Satanás, nem as heresias são realmente a lepra da nossa Igreja, mas que encontram sempre na graça de Maria e no amor de Cristo um remédio salutar para todos os males, nada disso me deve fazer perder a coragem ou deixar de lutar.
Um dia eu falava na conferência dos bispos do Brasil contra o aborto, porque eu trabalho muito – poderia e deveria ter trabalhado ainda mais. E um bispo me disse: “Mas Dom Pestana, o senhor tem que entender que não podemos perder tempo [...] com uma batalha perdida. O aborto vem! Como veio para quase todas as nações. Não se pode perder tempo com essas coisas”. E eu disse: “Excelência, Deus não te julga se ganhamos ou não a batalha, mas se lutamos e se lutamos bem”. E assim penso que vocês estão fazendo, e por isso estou aqui com a alma renovada, encorajado [...] mesmo com o meu joelho com duas placas de metal.
Deve-se pensar nisso: eu devo lutar. [...]. Sempre recordo de uma estória, e gosto de contar estorinhas [...] para ensinar o catecismo. Um elefante corria na África e, de repente, uma formiga na sua orelha lhe diz: “Elefante, olhe para trás, veja quanta poeira estamos fazendo”. Nós estamos fazendo. E pensamos que somos nós que estamos fazendo. E por isso o personalismo no apostolado é um grande perigo. É Deus quem faz, e só quando os homens se convencerem que Deus faz aquilo que nós fazemos é que acreditarão em nós. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, Amém.
* * *
http://fratresinunum.com/tag/crise-pos-conciliar/page/2/

sábado, 29 de outubro de 2011

MENSAGEM DE MARIA SANTÍSSIMA EM PARIS, FRANÇA (1830)

 
 
"Minha filha, a cruz será tratada com desprezo, eles a derrubarão por terra e a calcarão aos pés".
— Maria Santíssima à Catarina Labouré, profetizando os trágicos acontecimentos que sobreviriam para a França e se desdobrariam para o mundo todo.
Uma das últimas coisas que se esperava em meio a fúria social sem precedentes da França revolucionária em 1830, era a repentina e estranha tendência a um retorno à Fé e à Igreja de Cristo.

A medalha milagrosa

Revolução francesa
Em meio a fúria social da França revolucionária, em 1830 ocorre uma repentina e estranha tendência a um retorno à Fé e à Igreja de Cristo
Esse retorno é mencionado na maioria dos livros da história, embora os historiadores evitem citar os motivos dessa nova eclosão de fé.
E a razão desse retorno à fé deu-se devido à circulação de uma medalha cunhada a partir de uma importante aparição de Maria Santíssima.
Em consequência das inumeráveis graças alcançadas tornou-se conhecida popularmente como “medalha milagrosa”. A essa devoção atribuiu-se milagres espantosos, conversões eloquentes, sobretudo, curas notáveis por ocasião da terrível epidemia de cólera, proveniente da Europa oriental, que atingira Paris entre março a julho de 1832.
Rapidamente e sem explicação, essa medalha passou a ser sinal de união entre os que a possuíam e a traziam consigo. Foi a medalha religiosa mais difundida de todos os tempos.

Com Seus pés virginais, a Mãe do Verbo esmaga a cabeça da infernal serpente

Nossa Senhora das Graças
Maria Santíssima com os braços estendidos, derramando graças, ao mesmo tempo esmaga, com Seus pés virginais, a cabeça da infernal serpente
Naquele momento tão conturbado e decisivo, que determinaria a história da França e, posteriormente de todo o mundo, a Medalha Milagrosa surgia como um sacramental repleto de riquíssimo simbolismo cristão.
Numa das faces da Medalha, vê-se Maria Santíssima com os braços estendidos, derramando Suas graças, simbolizadas por raios de luz sobre os fiéis. Ao mesmo tempo esmaga, com Seus pés virginais, a cabeça da infernal serpente. Em redor, emoldurando a Virgem, a oração "Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós".
Na face oposta, figuram a letra M encimada pela Cruz, e abaixo os Sagrados Corações de Jesus e de Maria. Circundando esse conjunto, doze estrelas que aludem claramente a célebre passagem do Apocalipse:
"Uma mulher vestida de sol, e a luz debaixo de seus pés, e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça" (Ap 12,1).
Convém refletirmos que, em plena apoteose anticlerical e exarcebado endeusamento da razão sobre a Fé, a Mãe do Verbo, em pessoa, vem revelar Sua identidade através de um pequeno objeto, uma medalha, destinada a todos sem distinção.
Desde os primeiros tempos da Igreja a identidade de Maria era objeto de controvérsia entre teólogos. Em 431, o Concílio de Éfeso tinha proclamado o primeiro dogma marial: Maria é mãe de Deus.
A partir de 1830, a invocação “Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós”, que sobe ao céu, milhares e milhares de vezes repetida por milhares e milhares de corações de cristãos do mundo inteiro, a pedido da própria Mãe de Deus, revela-se como claro e determinante desígnio do Céu em resposta ao voluntário afastamento do homem ocidental às suas milenares raízes cristãs.
A despeito de sua humanidade, mas sob o influxo do Espírito Santo, é fato histórico incontestável que o Ocidente vinha sendo cristianizado, até então, pelo esforço heróico e paciente da Igreja Católica. (Cf. 16.- O que realmente significa a expressão “idade das trevas”).

A Santíssima Virgem prenuncia graves calamidades que sobreviriam sobre a França e a Igreja

Catarina Labouré
Catarina Labouré, humilde instrumento de Maria Santíssima na França
Detalhes dessa aparição de Maria Santíssima e o conteúdo da mensagem permaneceram ocultos. O pleno reconhecimento deu-se algum tempo depois da morte da vidente, uma noviça chamada Catarina Labouré, em 1876 — 46 anos depois de ocorrida a aparição.
As profecias de Maria Santíssima feitas à Catarina Labouré, grande parte delas referentes à França de então, cumpriram-se à risca.
Entre essas profecias, a de que “graves calamidades” sobreviriam sobre a França e a Igreja, além de que a cruz seria outra vez “calcada aos pés” concretizaram-se quarenta anos depois.

"Desde agora, sereis Vós a minha Mãe!"

Catarina Laboure
Pediu à Virgem que substituísse a mãe que acabava de perder: "Desde agora, sereis Vós a minha Mãe!"
Mas para compreendemos os desígnios de Deus com essa grande intervenção celestial na história, além do contexto histórico político e social, convém conhecermos a infância e a formação de sua principal protagonista, Catarina Labouré, a quem a Mãe do Verbo revelou essa devoção.
Nascida em 1806, em Fain-les-Moutiers, província francesa da Borgonha, Catarina era filha de Pierre Labouré, dono de uma pequena propriedade rural. Sua mãe, Madeleine Gontard, pertencia a uma família distinta, relacionada com a nobreza da região.
Ainda era criança quando perdeu sua mãe aos 9 anos de idade. Imersa em grande desolação, a pequena subiu a um móvel que havia na casa, abraçou uma imagem de Nossa Senhora que lá se encontrava e, chorando, pediu à Virgem que substituísse a mãe que acabava de perder: "Desde agora, sereis Vós a minha Mãe!".
Como veremos a seguir, essa inocente consagração da pequena órfã obteve de Deus a graça de ganhar a predileção da Santíssima Virgem —a Mãe do Céu.

"Minha filha, agora tu foges de mim, mas um dia me procurarás. Deus tem seus desígnios sobre ti, nunca te esqueças disso"

Casa de Catarina Labouré
Entrada da propriedade rural em que Santa Catarina Labouré nasceu
Maria Luísa, irmã mais velha de Catarina, ingressou na Congreção das Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo em 1817. Desde então, apesar de menina, Catarina assumia as responsabilidades da casa juntamente com Maria Antonieta, sua irmã dois anos mais nova.
Aos 18 anos teve um misterioso sonho que dizia respeito à sua vocação. Sonhou que estava na igrejinha de Fain-les-Mountiers assistindo a uma missa que era celebrada por um sacerdote idoso, com um olhar que lhe causava forte impressão. Concluída a celebração, o sacerdote a chamou. Temerosa, hesitou em aproximar, mas sentiu-se fascinada pelo extraordinário brilho daquele olhar.
Ainda nesse mesmo sonho, reencontrou-se com o bondoso sacerdote que lhe disse: "Minha filha, agora tu foges de mim, mas um dia me procurarás. Deus tem seus desígnios sobre ti, nunca te esqueças disso".
Catarina somente foi entender esse incompreensível sonho quando, algum tempo depois, viu um quadro de São Vicente de Paulo na residência das Filhas da Caridade de Châtillon-sur-Seine, aonde fora estudar. Na figura daquele quadro a jovem reconhecia o misterioso personagem que se lhe apresentara em sonho.

Primeiras visões sobrenaturais

São Vicente de Paulo
Viu um quadro de São Vicente de Paulo na residência das Filhas da Caridade de Châtillon-sur-Seine, aonde fora estudar. A jovem reconheceu nele o misterioso personagem que se lhe apresentara em sonho
Aos 23 anos de idade Catarina ingressava na Congregação das Filhas da Caridade, em Châtillon-sur-Seine, depois de uma longa resistência de seu pai. Em abril de 1830 transferia-se como noviça para uma casa da Congregação, localizada na Rue du Bac, em Paris.
Naqueles dias de sua chegada, um magnifício relicário de prata peregrinava com o corpo prodigiosamente conservado de S. Vicente de Paulo, que falecera 170 anos antes. Catarina estava presente na cerimônica realizada com a participação do Arcebispo de Paris, Mons. de Quélen, de oito Bispos e do próprio Rei Carolos X.
Foi então que poucos dias depois, Catarina teve suas primeiras visões sobrenaturais.
Ela mesma narra:
"O coração de São Vicente me apareceu três vezes de modo diferente, três dias seguidos: claro, cor de carne, o que anunciava paz, calma, inocência e união. Depois o vi vermelho cor de fogo, o que devia inflamar a caridade nos corações. Parecia-me que toda a comunidade devia se renovar e se estender até os confins do mundo. Por fim o vi vermelho-negro; o que me punha a tristeza no coração; vinham-me tristezas que eu tinha dificuldade em superar. Não sabia porque nem como, essa tristeza se relacionava com a mudança de governo".
Essa visão de Catarina que conclui com uma tristeza relacionada com a mudança de governo é extremamente interessante no contexto do nosso estudo, conforme veremos.

Estava claro para Catarina que a visão sobrenatural aludindo à queda do rei correspondia a uma vitória das forças do mal na conturbada França

Abade Aladel
Abade Aladel, diretor espiritual de Catarina
Ao revelar essas visões ao seu diretor espiritual, o cauteloso Pe. João Maria Aladel, recebeu dele o desencorajador conselho: "Não escuteis essas tentações. Uma Filha da Caridade foi feita para servir aos pobres, não para sonhar". Mais tarde, Catarina revelaria que durante o tempo de seu noviciado, ela tinha o privilégio de ver Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento. Mas seu confessor a desestimulava sobre esses relatos, mantendo rígida postura sobre o que ele interpretava como suposta "ilusão". O que resultou em grande provação para a religiosa.
Catarina conta que numa dessas visões, "Nosso Senhor me apareceu como um Rei, com a cruz sobre o peito, no Santíssimo Sacramento. Foi durante a Santa Missa, no momento do Evangelho. Pareceu-me que a Cruz escorregava para os pés de Nosso Senhor. Pareceu-me que Nosso Senhor era despojado de todos os seus ornamentos. Tudo caiu por terra. Foi então que tive os mais negros e tristes pensamentos de que o Rei da Terra seria perdido [destronado] e despojado de suas vestes reais".
Essa visão ocorreu no dia da Santíssima Trindade, a 6 de junho de 1830, sete semanas antes de se inciarem as agitações que culminaram na deposição do Rei Carlos X. Estava claro para Catarina que a queda do rei correspondia a uma vitória das forças do mal na conturbada França de então. Seu confessor, mais uma vez, não deu importância ao aviso. Afinal, o trono de Carlos X parecia mais do que nunca consolidado. A Monarquia francesa acabara de conquistar a cidade de Argel, no Norte da África.

"Vejo um menino vestido de branco, de mais ou menos quatro a cinco anos, e ele me diz: Levantai-vos logo e vinde à Capela: a Santíssima Virgem vos espera!"

Aparição da Santíssima Virgem
O menino me conduziu ao presbitério, ao lado da cadeira de braços do Sr. Diretor. Ali me pus de joelhos, e o menino permaneceu de pé todo o tempo (...) Por fim, chegou a hora, o menino me advertiu: Eis a Santíssima Virgem"
A primeira vez que Catarina vê Maria Santíssima foi na noite de 18 para 19 de julho de 1830, festa de S. Vicente de Paulo. A comovente descrição dessa visão é relatada por ela com grande beleza e simplicidade:
"Haviam-nos distribuído um pedaço do roquete de linho de São Vicente. Eu cortei a metade e a engoli, e adormeci com o pensamento de que São Vicente me obteria a graça de ver a Santíssima Virgem.
"Afinal, às onze e meia da noite, ouvi me chamarem pelo nome: Irmã Labouré! Irmã Labouré! Acordando, olhei para o lado de onde vinha a voz, que era o lado da passagem. Corro a cortina e vejo um menino vestido de branco, de mais ou menos quatro a cinco anos, e ele me diz: Levantai-vos logo e vinde à Capela: a Santíssima Virgem vos espera! (...)
"Vesti-me depressa e me dirigi para o lado do menino, que tinha ficado de pé, sem avançar além da cabeceira de minha cama. Ele me seguiu, ou melhor, eu o segui, com ele sempre à minha esquerda, levando claridade pelos lugares onde passava. Por todos os lugares onde passávamos, as luzes estavam acesas, o que me espantava muito. Porém, muito mais surpresa fiquei quando entrei na Capela: a porta se abriu mal o menino a tocara com a ponta do dedo. Mas minha surpresa foi ainda maior quando vi todas as velas e castiçais acesos, o que me fazia lembrar a missa de meia-noite.
"Entretanto, não via a Santíssima Virgem. O menino me conduziu ao presbitério, ao lado da cadeira de braços do Sr. Diretor. Ali me pus de joelhos, e o menino permaneceu de pé todo o tempo (...) Por fim, chegou a hora, o menino me advertiu: Eis a Santíssima Virgem".

"Então, olhando para a Santíssima Virgem, dei um salto para junto dEla, pus-me de joelhos sobre os degraus do altar, com as mãos apoiadas sobre os joelhos da Santíssima Virgem"

Nossa Senhora das Graças
"Ali se passou o mais doce momento de minha vida"
Catarina prossegue sua narração descrevendo o momento mais intenso de sua vida humilde de Filha de Caridade. Sob a orientação de seu anjo de guarda, que se apresenta na forma de um menino vestido de branco, a jovem religiosa se depara frente a frente com a Mãe de Jesus:
"Ouvi então um ruído, como um frufru de vestido de seda, que vinha do lado da tribuna, junto ao quadro de São José, e que pousava sobre os degraus do altar, do lado do Evangelho, sobre uma cadeira semelhante à de Sant'Ana...
"Então, olhando para a Santíssima Virgem, dei um salto para junto dEla, pus-me de joelhos sobre os degraus do altar, com as mãos apoiadas sobre os joelhos da Santíssima Virgem.
"Ali se passou o mais doce momento de minha vida. Não me seria possível dizer tudo o que senti. Ela me disse como eu devia me conduzir em relação ao meu diretor espiritual, e várias coisas que não devo dizer; a maneira de me conduzir em meus sofrimentos; vir lançar-me ao pé do altar (e me mostrava com a mão esquerda o pé do altar) e ali abrir o meu coração. Ali receberia todas as consolações de que tivesse necessidade. Então eu lhe perguntei o que significavam todas as coisas que eu tinha visto, e Ela me explicou tudo".
Esse maravilhoso encontro com o Céu prolongou-se por cerca de uma hora e meia.

"Dizei tudo com simplicidade e confiança, não temais"

Santa Catarina Labouré
Catarina nunca revelou a ninguém que era ela a mensageira que Maria Santíssima escolhera para revelar ao mundo a devoção da Medalha Milagrosa
Num manuscrito posterior, Catarina foi mais explícita e revelou algo mais do que ouviu da Santíssima Virgem sobre a missão que Deus lhe confiava e sobre as dificuldades que encontraria para cumpri-la. Recomendou ainda para que contasse tudo ao seu confessor, orientando-se como devia se portar com relação a ele: (1)
“Minha filha, o bom Deus quer encarregar-vos de uma missão. Tereis muito que sofrer, mas superareis esse sofrimentos pensando que o fareis para a glória de Deus. (...) Sereis contraditada. Mas tereis a graça, Não temais. Dizei tudo [a vosso confessor] com confiança e simplicidade. Tende confiança, não temais”.
Realmente, Catarina revelaria um heroísmo incomum. Desde 1831, quando fora transferida para a Rue du Bac, para o Asilo Enghien, no bairro parisiense de Reuilly, prosseguiria oculta e apagada em seus afazeres, cuidando dos pobres, como uma freira comum. Nunca revelou a ninguém, nem deu a entender que era ela a mensageira que Maria Santíssima escolhera para revelar ao mundo a devoção da Medalha Milagrosa.

"O trono será novamente derrubado"

Carlos X
Carlos X, rei de França (Versalhes, 9 de outubro de 1757 - Gorizia, 6 de novembro de 1836)
Confirmando a visão sobrenatural que Catarina tivera de Jesus que Se apresentava como Rei sendo destronado, a Mãe do Verbo profetizou:
“Os tempos serão maus. Os males virão precipitar-se sobre a França. O trono será derrubado. O mundo inteiro será transformado por males de toda a ordem. (A Santíssima Virgem tinha um ar muito triste ao dizer isso). Mas vinde ao pé deste altar. Aqui as graças serão derramadas sobre todas as pessoas, grandes e pequenas, que as pedirem com confiança e fervor”.
Essa revelação sobre a queda do trono da França, considerada a nação filha primogênita da Igreja, deixa claro que o fim da "cidade de Deus", no dizer de Agostinho abriria caminho para a "cidade do Homem", com sua cultura de morte, desencadeadora de eventos cruciantes nos anos que se seguiriam.
De fato, o espírito revolucionário dessa época exerceu grande influência na formação do que atualmente se denomina "civilização pós-cristã".

Solicitudes maternais com relação a comunidade religiosa de Catarina

Catarina Labouré
A Mãe do Verbo revelou Seus cuidados maternais, para com as duas comunidades fundadas por São Vicente de Paulo
Prevendo a gravidade desses tempos, a Mãe do Verbo revela Seus cuidados maternais, fazendo recomendações sobre a comunidade das Filhas da Caridade, a que pertencia Catarina, e dos Sacerdotes da Congregação da Missão (Lazaristas), também fundados por São Vicente de Paulo:
"Minha filha, eu gosto de derramar graças sobre a comunidade em particular. Eu gosto muito dela, felizmente. Sofro, porém, porque há grandes abusos em matéria de regularidade. As Regras não são observadas. Há grande relaxamento nas duas comunidades. Dizei-o àquele que está encarregado de vós, ainda que ele não seja o superior. Ele será encarregado de uma maneira particular da comunidade. Ele deve fazer tudo o que lhe for possível para repor a regra em vigor. Dizei-lhe, de minha parte, que vigie sobre as más leituras, as perdas de tempo e as visitas".
Tais solicitudes maternais de Maria Santíssima para com as congregações religiosas são comuns na história da Igreja ao longo desses dois milênios. (Cf. 17.- MENSAGEM DE MARIA SANTÍSSIMA EM QUITO, EQUADOR, (1594) e também 59.- MENSAGENS DE MARIA SANTÍSSIMA EM LAUS, FRANÇA (1664)).

"Este convento terá a proteção de Deus"

Nossa Senhora das Graças
Essa aparição de Maria Santíssima foi reconhecida pela Igreja Católica sob a invocação de Nossa Senhora das Graças
Prometendo Sua incessante proteção, a Virgem prosseguiu:
"Conhecereis minha visita de e a proteção de Deus, e a de São Vicente, sobre as duas comunidades. Tende confiança! Não percais a coragem. Eu estarei convosco. Mas não será assim com outras comunidades".
E realmente não foi.
Os acirrados ataques anticlericais motivados pelos falsos ideais da Revolução Francesa e do comunismo nascente culminariam em terríveis conflitos.
No entanto, no momento dessa mensagem, tudo parecia calmo e ninguém poderia imaginar o que se seguiria num futuro próximo.
O sopro anárquico e libertário novamente se difundiria pelo tempo e pela história, a partir de então, até a Revolução de maio de 1968 na Sorbonne, Paris.

"A cruz será tratada com desprezo, eles a derrubarão por terra e a calcarão aos pés"

Darboy
O arcebispo de Paris, dom Georges Darboy, (1813 - 1871), mais tarde tornou-se acirrado inimigo da mensagem de La Salette
Antevendo em 40 anos os terríveis acontecimentos que viriam com as agitações da Comuna e o assassinato do Arcebispo de Paris, Maria Santíssima promete Sua especial proteção aos filhos e às filhas de S. Vicente de Paulo.
Expressando infinita tristeza, a Mãe do Verbo profetiza claramente os horrores
"Haverá vítimas (ao dizer isto, a Santíssima Virgem tinha lágrimas nos olhos). Para o Clero de Paris, haverá vítimas: Monsenhor, o Arcebispo (a esta palavra, lágrimas de novo) morrerá.
"Minha filha, a Cruz será desprezada e derrubada por terra. O sangue correrá. Abrir-se-á de novo o lado de Nosso Senhor. As ruas estarão cheias de sangue. Monsenhor, o Arcebispo, será despojado de suas vestes (aqui a Santíssima Virgem não podia mais falar; o sofrimento estava estampado em seu rosto).
A Santíssima Virgem estava referindo-Se ao arcebispo dom Georges Darboy, que mais tarde se oporia à mensagem de La Salette e ao próprio papa.
Realmente o bispo Darboy caiu vítima da fúria maçônica da Comuna. A caminho do muro de fuzilamento, ele protesta, alegando que sempre defendera a liberdade. Ao que um dos verdugos lhe responde: “Cala-te! A tua liberdade não é a nossa!” Tal foi o triste fim do arcebispo de Paris, naquele 24 de maio de 1871. (2) (Cf. 27.- O APOCALIPSE DE LA SALETTE: “O CORAÇÃO DAS MENSAGENS DE MARIA” (1846) ).

"Minha filha, o mundo todo estará na tristeza"

Capela
A intervenção de Maria ocorrida na Rue du Bac está intrinsecamente ligada às outras intervenções mariais ocorridas no desenrolar desse período
Prometendo graças especiais à Sua escolhida, e recomendando-lhe sobre a necessidade da oração, com grande pesar, a Mãe do Verbo despede-Se deixando claro que uma grande desolação espiritual se abateria sobre o mundo a partir de então:
"Minha filha, me dizia Ela, o mundo todo estará na tristeza. A estas palavras, pensei quando isso se daria. E compreendi muito bem: quarenta anos".
Como veremos em nosso estudo, a aparição de Maria Santíssima à Catarina Labouré, ocorrida na Rue du Bac, estará intrinsecamente ligada às outras intervenções mariais ocorridas no desenrolar desse período que engendraria o que hoje temos a desdita de conhecer sob a denominação de "civilização pós-cristã".
(Cf. 27.- O APOCALIPSE DE LA SALETTE: “O CORAÇÃO DAS MENSAGENS DE MARIA” (1846), 41.- MENSAGEM DE MARIA SANTÍSSIMA EM LOURDES, FRANÇA (1858), 32.-Citações interessantes sobre o terceiro segredo de Fátima).

Maria Santíssima intervém e reaviva a Fé nos momentos críticos em que a civilização cristã se encontra ameaçada

Renascença
A Revolução Francesa já principiara muito antes, com uma lenta e gradual preparação dos espíritos. Se remontarmos às suas causas mais remotas e profundas, iremos até a decadência da Idade Média, quando uma explosão de orgulho e sensualidade produziu, numa primeira fase, a chamada Renascença, e mais adiante a Pseudo-Reforma de Lutero, o qual preparou o terreno para, em fins do século XVIII, eclodir a Revolução Francesa
Sobre o contexto histórico desse período, citamos Armando Alexandre dos Santos. "As sucessivas transformações políticas na França do século XIX foram determinadas, em última análise, por uma filosofia revolucionária profundamente anticatólica. Costuma-se situar a tomada da Bastilha, ocorrida em 14 de julho de 1789, o início da Revolução Francesa, que tanta e tão má inflência haveria de desempenhar até os nossos dias".
"Na realidade, prossegue o autor, a Revolução Francesa já principiara muito antes, com uma lenta e gradual preparação dos espíritos. Se remontarmos às suas causas mais remotas e profundas, iremos até a decadência da Idade Média, quando uma explosão de orgulho e sensualidade produziu, numa primeira fase, a chamada Renascença, e mais adiante a Pseudo-Reforma de Lutero, o qual preparou o terreno para, em fins do século XVIII, eclodir a Revolução Francesa. Se quisermos seguir o curso da História depois disso, chegaremos ao comunismo e, ultimamente, a novas formas ainda mais requintadas do mesmo espírito revolucionário: o hippismo, o neo-tribalismo ecologista, etc".
De fato, tudo isso é historia. E aqui chamamos atenção para o fato de que os embriões desse espírito revolucionário, determinantemente anticlerical e mesmo anticristão, foram gestados à sombra das sociedades secretas. E, a partir delas, sutilmente, tornou-se o estopim incitador das massas através de suas doutrinas, filosofias e hábeis propagandas de mobilização de opinião, que resultaram na alteração de valores e padrões comportamentais milenarmente consolidados sobre o cristianismo. (Cf. 18.- Alguns atuais vestígios da nociva influência das sociedades secretas).
Portanto, Maria Santíssima intervém e reaviva a Fé nos momentos críticos, em que a civilização cristã se encontra ameaçada e dissociada de seus reais valores, fragilizada pelas imposturas do governo oculto. (Cf. 22.- Estranhas conexões).

Graças especiais serão concedidas a todos que as pedirem, mas é preciso rezar

Nossa Senhora das Graças
Em 27 de novembro de 1830, Maria Santíssima apresenta-Se à Catarina flutuando envolta em gloriosa luz dourada
Em 27 de novembro de 1830, quatro meses depois da primeira aparição, mais uma vez Maria Santíssima, agora flutuando envolta em gloriosa luz dourada, apresenta-Se à Catarina.
A própria vidente relata:
“Vi a Santíssima Virgem à altura do quadro de São José. A Santíssima Virgem, de estatura média, estava de pé, vestida de branco, com um vestido de seda branco-aurora (...) com um véu branco que Lhe cobria a cabeça e descia de cada lado até em baixo. Sob o véu, vi os cabelos lisos repartidos ao meio e por cima uma renda de mais ou menos três centímetros de altura, sem franzido, isto é, apoiada ligeiramente sobre os cabelos. O rosto bastante descoberto, bem descoberto mesmo, os pés apoiados sobre uma esfera, quer dizer, uma metade de esfera (...) tendo uma esfera de ouro, nas mãos, que representava o globo. Ela tinha as mãos elevadas à altura do cinto de uma maneira muito natural, os olhos elevados para o Céu (...) seu rosto era magnificamente belo. Eu não saberia descrevê-lo (...) E depois, de repente, percebi anéis nos dedos, revestidos de pedras, mais belas umas que as outras, umas maiores e outras menores, que despendiam raios mais belos uns que os outros. Partiam das pedras maiores os mais belos raios, sempre alargando para baixo, o que enchia toda a parte de baixo. Eu não via mais os seus pés (...) Nesse momento em que estava a contemplá-La, a Santíssima Virgem baixou os olhos, olhando-me. Uma voz se fez ouvir, e me disse estas palavras:
"—A esfera que vedes representa o mundo inteiro, particularmente a França (...) e cada pessoa em particular (...)
"Aqui eu não sei exprimir o que senti e o que vi: a beleza e o fulgor, os raios tão belos (...)
"É o símbolo das graças que derramo sobre as pessoas que pedem, fazendo-me compreender quanto era agradável rezar à Santíssima Virgem e quanto Ela era generosa para com as pessoas que rezam a Ela, quantas graças concedia às pessoas que rezam a Ela, que alegria Ela sente concedendo-as (...)"

"As graças serão abundantes para as pessoas que usarem a Medalha com confiança"

Medalha milagrosa
Apenas em 1895, foram concedidos à Medalha Milagrosa missa e ofício próprios dentro da liturgia católica romana
Nesse momento, em torno da Santíssima Virgem, forma-se o quadro vivo que seria cunhado na singela devoção da Medalha Milagrosa.
"Formou-se um quadro em torno da Santíssima Virgem, um pouco oval, onde havia, no alto, estas palavras: Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós, escritas em letras de ouro. A inscrição, em semicírculo, começava à altura da mão direita, passava por cima da cabeça e acaba na altura da mão esquerda (...)
"Então uma voz se fez ouvir, e me disse: Fazei, fazei cunhar uma medalha com este modelo. Todas as pessoas que a usarem receberão grandes graças, trazendo-a ao pescoço. As graças serão abundantes para as pessoas que as usarem com confiança...".
"Nesse instante, pareceu-me que o quadro se virava e vi o reverso da medalha: um grande M encimado por uma barra e uma cruz; abaixo do M estavam os corações de Jesus e Maria, um coroado de espinhos, o outro traspassado por uma espada.”

"Esses raios são o símbolo das graças que derramo sobre os que as pedem"

Convento na Rue Du Bac
Convento na Rue Du Bac, Paris, local da primeira aparição da Virgem
Não sei explicar o que senti ao ouvir isso, o que vi, a beleza e o fulgor dos raios deslumbrantes.
'Eles [os raios] são o símbolo das graças que derramo sobre os que as pedem. As pedras que não emitem raios são as graças que as almas se esquecem de pedir.'
A esfera dourada desapareceu no brilho dos feixes de luz que irrompiam de todos os lados; as mãos voltaram-se para fora e os braços inclinaram-se sob o peso dos tesouros de graças obtidas.

Conversões e curas milagrosas

Princesa Isabel e seu neto D. Pedro II
A Princesa Isabel, grande devota da Medalha Milagrosa. Nesta foto com seu neto e sucessor, D. Pedro Henrique de Orleans e Bragança
Dois anos depois, as Irmãs de Caridade da ordem de Catarina começaram a dar a medalha aos doentes e pobres de quem cuidavam. Imediatamente entendeu-se que a origem da medalha era santa.
Em breve, alguns pacientes relatavam conversões e curas milagrosas.
A partir de então, a medalha passou a ser conhecida não apenas em Paris, mas em todo o mundo, como a Medalha Milagrosa. Até os dias de hoje, curas e conversões semelhantes continuam a ocorrer.
Algumas conversões chamavam atenção, como a do jovem banqueiro judeu, Alphonse Charles Tobias Ratisbonne, aparentado com a riquíssima família Rotschild. Em viagem a Roma, sem esconder sua antipatia pela Fé Católica, converteu-se subitamente na Igreja de Santo André delle Fratte.

Uma espetacular conversão que comoveu toda a aristocracia européia e teve repercussão mundial

Alphonse Charles Tobias Ratisbonne
Alphonse Charles Tobias Ratisbonne, judeu que se converteu ao Cristianismo por intervenção da Maria Santíssima
Segundo a imprensa da época noticiou com grande surpresa e admiração, Alphonse afirmou corajosamente que a Virgem Santíssima havia lhe aparecido com as mesmas características da medalha milagrosa. "Ela nada disse, mas eu compreendi tudo", afirmou.
Naquele mesmo ano Alphonse Ratisbonne, logo após ter sido agraciado com a visita da Mãe do Verbo, rompeu um promissor noivado e se tornou noviço jesuíta. Mais tarde se ordenou sacerdote e prestou relevantes serviços à Santa Igreja, sob o nome de Padre Afonso Maria Ratisbonne.
Soube-se que quatro dias antes de sua feliz conversão, o jovem israelita aceitara, por bravata, a imposição de seu amigo, o Barão de Bussières: prometera rezar todo dia um "Lembrai-vos" (conhecida oração composta por São Bernardo) e levar ao pescoço uma Medalha Milagrosa. E ele a trazia consigo quando Nossa Senhora lhe apareceu.
Essa espetacular conversão comoveu toda a aristocracia européia e teve repercussão mundial, tornando ainda mais conhecida, procurada e venerada a Medalha Milagrosa. (3)

Em 1876, ano da morte de Catarina, mais de 1 bilhão de medalhas havia se espalhado pelo mundo para o providencial reavivamento da Fé cristã

Nossa Senhora das Graças
Catarina Labouré distribuindo a medalha milagrosa para soldados da Comuna, em 1871
De acordo com as fontes mais antigas, apesar de todo ceticismo e resistência de seu confessor por aquelas experiências místicas, é interessante o fato de que a própria Virgem tenha solicitado a Catarina que se cunhasse uma medalha com Sua imagem e com os dizeres por Ela apresentados na visão.
De fato, Pe. Aladel, seu diretor espiritual, somente sentiu-se encorajado após contar ao Arcebispo de Paris, Mons. de Quélen as visões de Catarina, ocultando-lhe o nome da vidente.
O Arcebispo, diferentemente da atitude cética de Aladel, imediatamente soube reconhecer a intervenção celestial e aprovou a iniciativa, incentivando a confecção da medalha. Finalmente, o Papa Gregório XVI recebeu um lote de medalhas, e passou a distribui-las a pessoas que o visitavam, embora sem saber quem era a freira privilegiada que recebia as visitas da Mãe da Igreja.
Registros oficialmente aceitos mencionam que os primeiros inquéritos sobre a autenticidade da aparição só se realizaram em 1836, mas a circulação da medalha foi aprovada em 1832. Em 1836, dois milhões de medalhas haviam se espalhado pelo mundo para o providencial reavivamento da fé cristã numa época tão conturbada e revolucionária.
Em 1876. ano da morte de Catarina, mais de 1 bilhão de medalhas já circulavam pelos cinco continentes, e os registros de milagres chegavam de todos os lados: Estados Unidos, Polônia, China, Etiópia.

O instrumento de Maria Santíssima, uma humilde cozinheira do asilo Enghien

Santa Catarina Labouré
Em obediência à espiritualidade de São Vicente de Paulo, Catarina viveu o Evangelho santamente, legando-nos uma bela devoção à Maria Santíssima
Ao longo de sua vida, toda passada no cuidado de crianças, pessoas idosas e doentes, Catarina provou ser uma amável companheira de suas irmãs e uma excelente guardiã dos necessitados. Viveu com excelência a espiritualidade de seu pai espiritual, S. Vicente de Paulo, agindo sempre como uma verdadeira Filha da Caridade.
Jamais revelou a qualquer pessoa as suas visões, salvo ao seu Confessor e, no final de sua vida, à sua Superiora, sempre por ordem da própria Imaculada.
Após a última aparição Catarina foi imediatamente designada para ser cozinheira no asilo de Enghien, na cidade de Reully.
O pesquisador Swann lembra que, com essa ocupação humilde, o instrumento de Maria Santíssima viveu no asilo os 46 anos seguintes, guardando silêncio voluntário sobre aqueles seus contatos com o Céu. (4)
No último dia do ano de 1876, Catarina entregou sua puríssima alma a Deus. Seu corpo foi sepultado em 3 de janeiro de 1877. Ao ser exumado em 1933, mostrou-se incorrupto, conservado íntegro e flexível.
"O médico que procedeu à exumação, vendo o corpo tão flexível, teve a idéia de levantar as pálpebras de Santa Catarina, e recuou imediatamente, estarrecido pelo pródígio: não apenas as pálpebras se abriram sem dificuldade, mas os olhos azuis que haviam contemplado Maria Santíssima conservavam-se límpidos e belos". (5)
Em 1894, a Igreja instituiu, a 27 de novembro, a festa litúrgica de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa, com Missa e Ofício próprios.
O processo de beatificação de Catarina, introduzido em 1907, foi concluído em 28 de maio de 1933. Da Basílica Vaticana, Pio XII solenemente declarou-a Bem-Aventurada. Catorze anos depois, em 27 de julho de 1947, Pio XII canonizou-a.
Catarina Laboure
Em 1933, o corpo de Catarina, que havia muito tempo sepultado, foi exumado e o exame médico considerou-o em perfeito estado de conservação, com os olhos ainda azuis (sabe-se que depois da morte os olhos sempre escurecem e se decompõem rapidamente). O corpo de Catarina foi trasladado para capela do convento da rue du Bac, onde, durante algum tempo, pôde ser visto através de um vidro protetor. Atualmente, o corpo está sob o altar construído no lugar da primeira aparição da Virgem Santíssima na capela do convento. Em média, recebe mais de mil visitantes por dia, maravilhados e cheios de veneração
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Fontes de consulta:
1 -               SANTOS, Armando Alexandre dos. A verdadeira história da Medalha Milagrosa. Artpress Indústria Gráfica e Editora Ltda. 1998.
2 -               CESCA, Olivo. A Profetiza dos tempos finais. p. 22. Editora Myrian, 1998.
3 -               DIAS, João Clá.  A Medalha Milagrosa. História e celestiais promessas. http://www.joaocladias.org.br/livros.asp
acesso em 12/01/2009.
(Cf. Mémorial des Apparitions de la Vierge dans l’Église, Fr. H. Maréchal, O. P., Éditions du Cerf, Paris, 1957.
L’itinéraire de la Vierge Marie, Pierre Molaine, Éditions Corrêa, Paris, 1953.
Vie authentique de Catherine Labouré, René Laurentin, Desclée De Brouwer, Paris, 1980.
Catherine Labouré, sa vie, ses apparitions, son message racontée a tous, René Laurentin, Desclée De Brouwer, 1981.)
4 -               SWANN. op. cit. pp. 81-82. (Cf. ENGLEBERT, Omer. Catherine Labouré and the modern apparitions of Our Lady. New York, P. J. Kennedy & Sons, 1958; LAURENTIN, René. Catherine Labouré. Paris, Desclée de Brower, 1981).
5 -                SANTOS. op. cit. pp. 38-39.
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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O PODER DO SANTO ROSÁRIO.


São Luís Maria Grignion de Montfort (1673 –1716), grande apóstolo de Maria Santíssima, escreveu:
“A Santíssima Virgem revelou ao Bem-aventurado Alain de la Roche que, depois do Santo Sacrifício da Missa, que é o primeiro e mais vivo memorial da Paixão de Jesus Cristo, não havia devoção mais excelente e meritória que o Rosário, que é como que um segundo memorial e representação da vida e da Paixão de Jesus Cristo”.
Assim sendo, depois da Santa Missa o Santo Rosário é a mais poderosa arma de eficácia comprovada contra Satanás e seus sequazes, que procuram perder as almas.
É um meio de salvação dos mais poderosos e eficazes que nos foi oferecido pela Divina Providência.
O Rosário soluciona inúmeros problemas, assegura a salvação eterna e antecipa a implantação no mundo do Reino do Imaculado Coração de Maria.
O Rosário, Instrumento de Salvação.
(Extraído do livro: A eficácia maravilhosa do Santo Rosário,
de São Luís Maria Grignion de Montfort)
A Santíssima Virgem revelou ao Beato Alano que, quando São Domingos pregou o Rosário, pecadores endurecidos foram tocados e choraram amargamente seus crimes, e até crianças fizeram penitências incríveis.
O fervor foi tão grande, por toda a parte onde ele pregava, que os pecadores mudaram de vida e edificaram todo o mundo por suas penitências.
Se vós sentis vossa consciência carregada de pecados, tomai o Rosário e rezai uma parte dele em honra de alguns dos mistérios da vida, da paixão ou da glória de Jesus Cristo.
Convencei-vos de que, enquanto estiverdes meditando e honrando esses mistérios, no céu Ele mostrará suas chagas sagradas ao Pai, tomará a vossa defesa e obterá a contrição e o perdão dos vossos pecados. Ele mesmo disse um dia ao Beato Alano: "Se esses míseros pecadores rezassem frequentemente o Rosário, participariam dos méritos da minha paixão e Eu, como seu advogado, aplacaria a Justiça divina".
Nossa vida é uma guerra e uma tentação contínuas, na qual não temos que combater inimigos de carne e de sangue, mas as próprias potências do inferno.
Armai-vos, pois, com a arma de Deus que é o santo Rosário. Esmagareis assim a cabeça do demônio e permanecereis inabaláveis diante de todas as suas tentações.
É por isso que o Rosário, ainda que considerado materialmente, é tão terrível ao demônio, e os Santos dele se serviram para expulsá-lo dos corpos de possessos, como testemunham muitas narrativas.
O Beato Alano atesta que livrou grande número de possessos colocando o Rosário em seu pescoço.
Santo Agostinho assegura que não há exercício mais frutuoso e mais útil para a salvação do que pensar frequentemente nos sofrimentos de Nosso Senhor.
Santo Alberto Magno, mestre de São Tomás, soube por revelação que a simples lembrança ou meditação da paixão de Jesus Cristo é mais meritória ao cristão do que jejuar a pão e água todas as sextas-feiras de um ano inteiro, ou tomar a disciplina até o sangue todas as semanas, ou recitar todos os dias os cento e cinqüenta Salmos.
O Padre Dorland conta que a Santíssima Virgem declarou ao venerável Domingos, cartuxo devoto do santo Rosário, que residia em Trèves no ano de 1481, que "todas as vezes que um fiel recita o Rosário com as meditações dos mistérios da vida e da paixão de Jesus Cristo em estado de graça, ele obtém plena e inteira remissão de todos os seus pecados".
Ao Beato Alano, Ela disse: "Grande quantidade de indulgências foram concedidas ao meu Rosário, mas fica sabendo que Eu acrescentarei ainda muitas mais, aos que rezarem o terço em estado de graça, de joelhos e devotamente. E a quem nas mesmas condições perseverar nessa devoção, Eu lhe obterei no fim da vida, como recompensa por esse bom serviço, a plena remissão da pena e da culpa de todos os seus pecados".
Por que Nossa Senhora insiste tanto na Oração do Rosário?
Em 1945 os americanos lançaram a bomba atômica sobre duas cidades japonesas: Nagasaki e Hiroshima. Nesta última, num raio de um quilômetro e meio do centro da explosão, ficou tudo arrasado e todos os habitantes morreram carbonizados. A casa paroquial, com oito moradores jesuítas, que distava apenas 800 metros da explosão, ficou de pé e os seus moradores ficaram ilesos.
O Pe. Hubert Shiffer era um deles e tinha então 30 anos. Depois viveu mais 33 completamente com saúde e nenhum dos moradores da casa sofreu as conseqüências da radioatividade. Ele contou a sua experiência no Congresso Eucarístico da Filadélfia (EUA) em 1976. Então todos os membros daquela comunidade ainda viviam.
O Pe. Shiffer foi examinado e interrogado por mais de 200 cientistas e não puderam explicar como, no meio de milhares de mortos, ele e seus companheiros tinham podido sobreviver. O Pe. Shiffer afirmou que centenas de cientistas e pesquisadores por vários anos continuaram a investigar por que a casa paroquial não foi atingida quando tudo ao redor ficou arrasado. E o padre explicou, dizendo: "Naquela casa se rezava todos os dias, em comum, o Santo Rosário. Por isso, foi protegida por Nossa Senhora".
Nossa Senhora, a partir principalmente de Lourdes, dá uma ênfase toda especial à oração do Rosário. Em Lourdes aparece sempre com o ROSÁRIO. Em outras aparições, pede sempre que se reze o Rosário. Em Fátima, em cada uma das aparições, ela insiste: "Rezem o ROSÁRIO DIARIAMENTE".

O Papa, no 80º aniversário das aparições em Fátima, disse: "Caríssimos irmãos, rezai o Rosário todos os dias! Peço vivamente aos pastores para rezar o Rosário nas suas comunidades cristãs. Ajudai o povo de Deus a retornar à oração cotidiana do Rosário".
A Origem da Ave-Maria
É bom lembrar que, a segunda parte da Ave-Maria ("Santa Maria, Mãe de Deus"), foi introduzida na oração por ocasião da vitória sobre a heresia nestoriana, deflagrada no ano de 429.
O bispo Nestório, Patriarca de Constantinopla, afirmava ser Maria mãe de Jesus e não Mãe de Deus. O episódio tomou feições tão sérias que culminou no Concílio de Éfeso convocado pelo Papa Celestino I. Sob a presidência de São Cirilo (Patricarca de Alexandria), a heresia foi condenada e Nestório, recusando a aceitar a decisão do conselho, acabou sendo excomungado. (Leia o artigo XVI do livro Oriente para saber mais sobre a heresia nestoriana).
Conta-se que no dia de encerramento do Concílio, onde os Padres Conciliares exaltaram as virtudes e as prerrogativas especiais da VIRGEM MARIA, o Santo Padre Celestino ajoelhou-se diante da assembléia e saudou Nossa Senhora, dizendo: "SANTA MARIA, MÃE DE DEUS, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém."
Na continuidade dos anos, esta saudação foi unida àquela que o Arcanjo Gabriel fez a Maria, conforme o Evangelho de Jesus segundo São Lucas 1,26-38 "Ave cheia de graça, o Senhor está contigo!" e também, a outra saudação que Isabel fez a Maria, para auxiliá-la durante os últimos três meses de sua gravidez: "Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre." (Lucas1, 42) Estas três saudações deram origem a AVE MARIA.
Como surgiu a oração do Santo Rosário
A oração do Santo Rosário surge aproximadamente no ano 800 à sombra dos mosteiros, como Saltério dos leigos. Dado que os monges rezavam os salmos (150), os leigos, que em sua maioria não sabiam ler, aprenderam a rezar 150 Pai Nossos. Com o passar do tempo, se formaram outros três saltérios com 150 Ave Marias, 150 louvores em honra a Jesus e 150 louvores em honra a Maria.
Posteriormente fez-se uma combinação dos quatro saltérios, dividindo as 150 Ave Marias em 15 dezenas e colocando um Pai nosso no início de cada uma delas. Em 1500 ficou estabelecido, para cada dezena a meditação de um episódio da vida de Jesus ou Maria, e assim surgiu o Rosário de quinze mistérios.
Rosa das rosas, Rainha das rainhas.
A palavra Rosário vem do latim Rosarium, que significa 'Coroa de Rosas'.
Nossa Senhora é a Rosa Mística (como é invocada na Ladainha Lauretana), e em sua homenagem o nome Rosário, que vem de Rosas. A Virgem Maria revelou a muitas pessoas que cada vez que rezam uma Ave Maria lhe é entregue uma Rosa espiritual, e por cada Rosário completo, lhe é entregue uma Coroa de Rosas.
A rosa é a rainha das flores, Rosa das rosas, como é a Rainha das rainhas. sendo assim o Rosário a Rosa de todas as devoções e, portanto, a mais importante.
O Santo Rosário é considerado a oração perfeita porque junto com ele está a majestosa história de nossa salvação. Com o rosário, meditamos os mistérios de gozo, de dor e de glória de Jesus e Maria. É uma oração simples, humilde como Maria. É uma oração que podemos fazer com ela, a Mãe de Deus. Com o Ave Maria a convidamos a rezar por nós. A Virgem sempre nos dá o que pedimos. Ela une sua oração à nossa. Portanto, esta é mais poderosa, porque Maria recebe o que ela pede, Jesus nunca diz não ao que Sua Mãe lhe pede. Em cada uma de suas Aparições, nos convida a rezar o Rosário como uma arma poderosa contra o maligno, para nos trazer a verdadeira paz.
São Domingos e o Santo Rosário.
A difusão e posterior expansão do Rosário, a Igreja atribui à São Domingos de Gusmão (século XII), conhecido como o "Apóstolo do Rosário", cuja devoção propagou aos católicos como arma contra o pecado e contra a heresia albigense , que assolava Toulose (França).
Segundo respeitosa tradição, Nossa Senhora numa Aparição revelou a devoção ao Rosário a São Domingos de Gusmão, em 1214, como meio para salvar a Europa de uma heresia.
Eram os albigenses, que, como uma epidemia maldita, contagiavam com seus erros outros países, a partir do norte da Itália e da região de Albi, no sul da França. De onde o nome de albigenses atribuído a esses hereges, conhecidos também como cátaros (do grego: puros), pois assim soberbamente se auto nomeavam.
Eram lobos disfarçados com pele de ovelha, infiltraram-se nos meios católicos para melhor enganar e captar simpatia. Tais hereges pregavam, entre outros erros, o panteísmo, o amor livre, a abolição das riquezas, da hierarquia social e da propriedade particular — salta aos olhos a semelhança com o comunismo.
Várias regiões da Europa do século XIII ficaram infestadas pela heresia albigense, e toda a reação católica visando contê-la mostrava-se ineficaz. Os hereges, após conquistar muitas almas, destruir muitos altares e derramar muito sangue católico, pareciam definitivamente vitoriosos.
São Domingos (mais tarde fundador da Ordem Dominicana) intrepidamente empenhou-se no combate à seita albigense, não conseguindo, porém, sobrepujar o ímpeto dos hereges, que continuavam pervertendo os fiéis católicos. E os que não se pervertiam eram massacrados.
Desolado, São Domingos suplicou à Virgem Santíssima que lhe indicasse uma eficaz arma espiritual capaz de derrotar aqueles terríveis adversários da Santa Igreja.
A Aparição da Santíssima Virgem
Quando tudo parecia perdido, Nossa Senhora interveio nos acontecimentos para salvar a Cristandade desse mal.
O Bem-aventurado Alain de la Roche (1428 – 1475), célebre pregador da Ordem Dominicana, no livro Da dignidade do Saltério, narra a aparição de Nossa Senhora a São Domingos, em 1214. Nessa aparição, Ela ensina aquele Santo a pregar o Rosário (também chamado Saltério de Maria, em lembrança dos 150 salmos de Davi) para salvação das almas e conversão dos hereges.
Na obra de São Luís Grignion de Montfort acima citada, ele transcreve tal narração:
Vendo São Domingos que os crimes dos homens criavam obstáculos à conversão dos albigenses, entrou em um bosque próximo a Toulouse e passou nele três dias e três noites em contínua oração e penitência, não cessando de gemer, de chorar e de macerar seu corpo com disciplinas para aplacar a cólera de Deus, até cair meio morto.
A Santíssima Virgem, acompanhada de três princesas do Céu, lhe apareceu e disse:
— Sabes tu, meu querido Domingos, de que arma se serviu a Santíssima Trindade para reformar o mundo?
— Ó Senhora! – respondeu ele – Vós o sabeis melhor do que eu, porque depois de vosso Filho Jesus Cristo, fostes o principal instrumento de nossa salvação’.
Ela acrescentou:
— Saiba que a peça principal da bateria foi a saudação Angélica, que é o fundamento do Novo Testamento; e portanto, se queres ganhar para Deus estes corações endurecidos, reza meu Saltério.
Rosário esmaga heresia albigense
O Santo se levantou muito consolado e abrasado de zelo pelo bem daquela gente; entrou na igreja catedral; no mesmo momento os sinos tocaram, pela intervenção dos anjos, para reunir os habitantes. No princípio da pregação, formou-se uma espantosa tormenta; a terra tremeu, o sol se obscureceu, os repetidos trovões e os relâmpagos fizeram estremecer e empalidecer os ouvintes; e aumentou seu terror ao ver uma imagem da Santíssima Virgem, exposta em lugar proeminente, levantar os braços três vezes ao Céu para pedir a Deus vingança contra eles, se não se convertessem e não recorressem à proteção da Santa Mãe de Deus.
O Céu queria por esses prodígios aumentar a nova devoção do santo Rosário e torná-la mais notória.
A tormenta cessou por fim, pelas orações de São Domingos. Ele continuou seu sermão, e explicou com tanto fervor e entusiasmo a excelência do santo Rosário, que os moradores de Toulouse (um dos principais focos da heresia) o abraçaram quase todos e renunciaram a seus erros, vendo-se em pouco tempo uma grande mudança na vida e nos costumes da cidade.
Melhor artilharia contra o demônio e sequazes.
Empunhando a potente arma do Rosário, São Domingos retornou ao combate, pregando incansavelmente na França, Itália e Espanha a devoção que a própria Senhora do Rosário lhe ensinara, e por todas as partes reconquistava as almas: os católicos tíbios se afervoravam, os fervorosos se santificavam; as ordens religiosas floresciam; convertia os hereges, que, abjurando seus erros, voltavam à Igreja aos milhares; os pecadores se arrependiam e faziam penitência; expulsava os demônios de possessos; operava milagres e curas. Somente na Lombardia, o ardoroso cruzado do Rosário converteu mais de 100 mil hereges albigenses.
Tudo por meio da melhor artilharia contra o demônio e seus seguidores: o Santo Rosário.
O herói Conde Simão de Montfort.
Mas restavam ainda aqueles hereges empedernidos, que não se convertiam de nenhum modo, e procuravam reverter a derrota fazendo estragos em alguns outros países. Para resolver o problema, Nossa Senhora, além do heróico São Domingos, suscitou outro herói para erradicar da Europa a heresia: o admirável Conde Simão de Montfort. O primeiro empunhou como arma o Rosário, o segundo empunhou a espada. Uma combinação perfeita: o espírito de oração com o espírito de cruzada em defesa da Fé Católica.
A história de Simão de Montfort é, além de admirável, extensa. Citemos a propósito, apenas de passagem, um trecho extraído do livro de São Luís Grignion de Montfort (o sobrenome de ambos é o mesmo, embora, segundo parece, não fossem parentes – pelo menos não há dados concludentes a respeito):
Quem poderá contar as vitórias que Simão, Conde de Montfort, obteve contra os albigenses sob a proteção de Nossa Senhora do Rosário? Foram tão notáveis, que jamais se viu no mundo coisa parecida. Com quinhentos homens, desbaratou um exército de dez mil hereges.
Outra vez, com trinta homens, venceu a três mil. Depois, com mil infantes e quinhentos cavaleiros, fez em pedaços o exército do rei de Aragão, composto de cem mil homens, perdendo somente oito soldados de infantaria e um de cavalaria.
Livre a França da heresia albigense, a devoção ao Santo Rosário atravessou as fronteiras. São Domingos pregou incansavelmente, até o fim de seus dias, esta milagrosa e eficientíssima devoção nos países vizinhos, colhendo neles semelhantes frutos. Atravessou não somente as fronteiras européias, mas os continentes e também os séculos, uma vez que, até os presentes dias, o Rosário é rezado com grande fruto em todos os países do mundo.
Os Papas recomendam o Rosário
Pio IX: “Assim como São Domingos se valeu do Rosário como de uma espada para destruir a nefanda heresia dos albigenses, assim também hoje os fiéis exercitando o uso desta arma — que é a reza cotidiana do Rosário — facilmente conseguirão destruir os monstruosos erros e impiedades que por todas as partes se levantam” (Encíclica Egregiis, de 3 de dezembro de 1856).
Leão XIII: “Queira Deus — é este um ardente desejo Nosso — que esta prática de piedade retome em toda parte o seu antigo lugar de honra! Nas cidades e aldeias, nas famílias e nos locais de trabalho, entre as elites e os humildes, seja o Rosário amado e venerado como insigne distintivo da profissão cristã e o auxílio mais eficaz para nos propiciar a divina clemência” (Encíclica Jucunda semper, de 8 de setembro de 1894).
São Pio X: “O Rosário é a mais bela e a mais preciosa de todas as orações à Medianeira de todas as graças: é a prece que mais toca o coração da Mãe de Deus. Rezai-o todos os dias”.
Bento XV: “A Igreja, sobretudo por meio do Rosário, sempre encontrou nEla a Mãe da graça e a Mãe da misericórdia, precisamente conforme tem o costume de saudá-La. Por isso, os Romanos Pontífices jamais deixaram passar ocasião alguma, até o presente, de exaltar com os maiores louvores o Rosário mariano, e de enriquecê-lo com indulgências apostólicas”.
Pio XI: “Uma arma poderosíssima para pôr em fuga os demônios .... Ademais, o Rosário de Maria é de grande valor não só para derrotar os que odeiam a Deus e os inimigos da Religião, como também estimula, alimenta e atrai para as nossas almas as virtudes evangélicas” (Encíclica Ingravescentibus malis, de 29 de setembro de 1937).
Pio XII: “Será vão o esforço de remediar a situação decadente da sociedade civil, se a família, princípio e base de toda a sociedade humana, não se ajustar diligentemente à lei do Evangelho. E nós afirmamos que, para desempenho cabal deste árduo dever, é sobretudo conveniente o costume do Rosário em família” (Encíclica Ingruentium malorum, de 15 de setembro de 1951).
João XXIII: “Como exercício de devoção cristã, entre os fiéis de rito latino, .... o Rosário ocupa o primeiro lugar depois da Santa Missa e do Breviário, para os eclesiásticos, e da participação nos Sacramentos, para os leigos” (Carta Apostólica Il religioso convegno, de 19 de setembro de 1961).
Paulo VI: “Não deixeis de inculcar com toda a diligência e insistência o Rosário marial, forma de oração tão grata à Virgem Mãe de Deus e tão freqüentemente recomendada pelos Romanos Pontífices, pela qual se proporciona aos fiéis o mais excelente meio de cumprir de modo suave e eficaz o preceito do Divino Mestre: ‘Pedi e recebereis, buscai e achareis, batei e abrir-se-vos-á’ (Mt. 7, 7) (Encíclica Mense maio, de 19 de abril de 1965).
João Paulo II: “O Rosário, lentamente recitado e meditado — em família, em comunidade, pessoalmente — vos fará penetrar pouco a pouco nos sentimentos de Jesus Cristo e de sua Mãe, evocando todos os acontecimentos que são a chave de nossa salvação (Alocução de 6 de maio de 1980).
Inimigos internos e externos vencidos pelo Rosário
Como acabamos de ver, São Domingos, com a cruzada de orações que empreendeu por meio do Rosário, derrotou os inimigos internos da Igreja vencendo a seita albigense infiltrada entre os católicos. Veremos agora um exemplo histórico de como o Santo Rosário derrotou inimigos externos da Cristandade.
No século XVI, o poderio otomano (sobretudo o Império turco, de religião muçulmana) crescia espantosamente e tudo empreendia para aniquilar e dominar a Europa cristã. Os turcos já haviam conquistado Constantinopla e ocupado a ilha de Chipre, de onde pretendiam marchar em direção ao Ocidente.
Em face do iminente perigo para a Cristandade, o Sumo Pontífice de então, o Papa São Pio V, conclamou os príncipes europeus a se unirem numa frente comum contra o inimigo. Reuniu uma pequena esquadra composta com o apoio de Felipe II da Espanha, das Repúblicas de Veneza e de Gênova e do Reino de Nápoles, além de um contingente dos Estados Pontifícios.
São Pio V não desanimou ante a desproporção das forças, pois confiava mais na proteção de Deus e de sua Santíssima Mãe. Entregou ao generalíssimo D. João d’Áustria o comando da esquadra e deu-lhe um estandarte com a imagem de Nossa Senhora, pedindo-lhe que partisse logo ao encontro do inimigo.
Na batalha de Lepanto: A vitória salvadora.
Há 436 anos, em 7 de outubro de 1571, a esquadra católica, composta de aproximadamente 200 galeras, concentrou-se no golfo de Lepanto. D. João d’ Áustria mandou hastear o estandarte oferecido pelo Papa e bradou: “Aqui venceremos ou morremos”, e deu a ordem de batalha contra os seguidores de Maomé. Os primeiros embates foram favoráveis aos muçulmanos, que, formados em meia-lua, desfecharam violenta carga. Os católicos, com o Terço ao pescoço, prontos a dar a vida por Deus e tirar a dos infiéis, respondiam aos ataques com o máximo vigor possível.
Mas, apesar da bravura dos soldados de Cristo, a numerosíssima frota do Islã, comandada por Ali-Pachá, parecia vencer. Após 10 horas de encarniçado embate, os batalhadores católicos receavam a derrota, que traria graves conseqüências para a Civilização Cristã européia. Mas, ó prodígio! Ficaram surpresos ao perceberem que, inexplicavelmente e de repente, os muçulmanos, apavorados, bateram em retirada...
Obtiveram mais tarde a explicação: aprisionados pelos católicos, alguns mouros confessaram que uma brilhante e majestosa Senhora aparecera no céu, ameaçando-os e incutindo-lhes tanto medo, que entraram em pânico e começaram a fugir.
Logo no início da retirada dos barcos muçulmanos, os católicos reanimaram-se e reverteram a batalha: os infiéis perderam 224 navios (130 capturados e mais de 90 afundados ou incendiados), quase 9.000 maometanos foram capturados e 25.000 morreram. Ao passo que as perdas católicas foram bem menores: 8.000 homens e apenas 17 galeras perdidas.
Vitória alcançada pelo Rosário.
Enquanto se travava a batalha contra os turcos em águas de Lepanto, a Cristandade rogava o auxílio da Rainha do Santíssimo Rosário. Em Roma, o Papa São Pio V pediu aos fiéis que redobrassem as preces. As Confrarias do Rosário promoviam procissões e orações nas igrejas, suplicando a vitória da armada católica.
O Pontífice, grande devoto do Rosário, no momento em que se dava o desfecho da famosa batalha, teve uma visão sobrenatural, na qual ele tomou conhecimento de que a armada católica acabara de obter espetacular vitória. E imediatamente, exultando de alegria, voltou-se para seus acompanhantes exclamando: “Vamos agradecer a Jesus Cristo a vitória que acaba de conceder à nossa esquadra”.
A milagrosa visão foi confirmada somente na noite do dia 21 de outubro (duas semanas após o grande acontecimento), quando, por fim, o correio chegou a Roma com a notícia. São Pio V tinha meios mais rápidos para se informar...
Em memória da estupenda intervenção de Maria Santíssima, o Papa dirigiu-se em procissão à Basílica de São Pedro, onde cantou o Te Deum Laudamus e introduziu a invocação Auxílio dos Cristãos na Ladainha de Nossa Senhora. E para perpetuar essa extraordinária vitória da Cristandade, foi instituída a festa de Nossa Senhora da Vitória, que, dois anos mais tarde, tomou a denominação de festa de Nossa Senhora do Rosário, comemorada pela Igreja no dia 7 de outubro de cada ano.
Ainda com o mesmo objetivo, de deixar gravado para sempre na História que a Vitória de Lepanto se deveu à intercessão da Senhora do Rosário, o senado veneziano mandou pintar um quadro representando a batalha naval com a seguinte inscrição: “Non virtus, non arma, non duces, sed Maria Rosarii victores nos fecit”. (Nem as tropas, nem as armas, nem os comandantes, mas a Virgem Maria do Rosário é que nos deu a vitória).
Milagre: tropas soviéticas retiram-se da Áustria
Expulsos pelo Rosário Sem armas e sem sangue, Áustria se liberta dos comunistas.
Após a II Guerra Mundial, parte do território austríaco ficou sob domínio comunista. Tudo foi feito para que os russos se retirassem, todos os meios diplomáticos foram empregados. Contudo parecia impossível obter a retirada dos tiranos soviéticos que oprimiam o país católico.
Através da recitação do Rosário, a nação austríaca inteira implorou a libertação a Nossa Senhora de Fátima, pois só um milagre a salvaria.
Foi constituído um movimento chamado Rosenkranzsühnekreuzzug (Cruzada Reparadora do Santo Rosário), por iniciativa do Padre capuchinho Petrus Pavlicek (1902 – 1982). Em todas as cidades, vilas e aldeias crescia o número de pessoas que aderiam ao movimento, comprometendo-se a rezar o Rosário numa determinada hora. De tal modo que, 24 horas por dia, sempre havia austríacos rezando, rogando à Virgem Santíssima pela libertação do país do jugo comunista.
Muitas procissões foram organizadas nessa intenção. A maior delas talvez tenha sido a realizada em 12 de setembro de 1954: uma enorme procissão “aux flambeaux” (com tochas) em homenagem a Nossa Senhora de Fátima, da qual participaram muitas autoridades.
500 mil austríacos já haviam aderido a essa Cruzada de orações em 1955. A Senhora do Rosário atendeu as insistentes súplicas, e o impossível – naturalmente falando – ocorreu: em maio de 1955 as tropas soviéticas abandonaram o território austríaco. Um autêntico milagre!
O que é o Terço ?
Cada Terço corresponde (a terça parte de um Rosário) e compõe-se de cinco Mistérios, ou cinco dezenas; cada dezena corresponde a um Pai-Nosso, dez Ave-Marias e um Glória ao Pai (é aconselhável que se reze após o Glória a oração: “Ó meu Jesus perdoai-nos...”, que Nossa Senhora em Fátima recomendou aos três pastorinhos de Fátima).
Antes de iniciar cada dezena, enuncia-se o Mistério correspondente e nele devemos MEDITAR, ou seja, PENSAR, enquanto rezamos as Ave-Marias. No final de cada Terço (que equivale a 50 Ave-Marias), é recomendável rezar uma Salve Rainha ou um Lembrai-Vos.
O Terço e também o Rosário inicia-se com a recitação do Credo (resumo das principais verdades cristãs, nas quais todo católico deve crer), mas antes de começar a rezá-lo convém enunciar as intenções pelas quais estamos pedindo. Pode-se colocar quantas intenções se desejar, bem como pedir a graça de orar com piedade, fervorosamente e sem distrações.
Qual é o conteúdo do Rosário?
O Rosário se organizou tendo como referência os 150 salmos contidos na Sagrada Escritura. A cada salmo, corresponde a uma Ave-Maria. A cada dezena de Ave-Marias, intercalou-se um fato da vida de Jesus, um “mistério”. Mistérios da alegria, da dor e da glória. Portanto 15 Mistérios ou 15 dezenas, equivale a 150 Ave-Marias (lembram os 150 salmos — poemas religiosos — de Davi, como já se mencionou acima). Assim o Rosário é a soma dos três Terços.
Quando rezar o Rosário, pode-se — e por vezes é até conveniente — recitar os três Terços separadamente, como, por exemplo, rezando um Terço no período da manhã, outro à tarde e o terceiro à noite. No final recomenda-se recitar a Ladainha lauretana.
No primeiro Terço contemplam-se os Mistérios Gozosos (as alegrias da Virgem Santíssima), no segundo os Mistérios Dolorosos (as dores de Nosso Senhor Jesus Cristo na Paixão e Morte) e no terceiro os Mistérios Gloriosos (os triunfos de Nosso Senhor e de Nossa Senhora).
Quando a pessoa reza apenas um Terço (e não o Rosário inteiro), o costume é, nas segundas e quintas-feiras, meditar os Mistérios Gozosos; nas terças e sextas-feiras os Dolorosos; e nas quartas, sábados e domingos os Gloriosos.
Esses 15 Mistérios correspondem aos principais acontecimentos da Vida, Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor e aos principais acontecimentos da vida de sua Santíssima Mãe.
A simbologia do Rosário.
O próprio Rosário é um símbolo. Ele forma um círculo. Sua saída coincide com a chegada. Lembra o que Jesus falou: saí do Pai e volto ao Pai (Jo 16, 28). Nós também viemos do Pai e devemos voltar a Ele. A forma de fazê-lo é seguir Cristo, que se declarou nosso caminho (Jo 14, 8) e convida a cada um a segui-lo (Mt 19,21).
Pelo Rosário, meditamos na peregrinação que Jesus fez por este mundo unindo-nos pelo fio da fé. Sem a fé, os dias de nossa vida viram um amontoado de contas perdidas no chão, como acontece com as contas do terço quando se quebra o fio que as mantém unidas.
O centro do Rosário é Cristo crucificado. Tendo-o nas mãos, recorda que nossa vida e nossa oração devem ter seu centro em Cristo, em união com a Mãe de Deus e Nossa Mãe, Maria Santíssima.
O Pai-Nosso.
O Rosário ensinado diretamente por Nossa Senhora compõe-se das mais sublimes orações. A começar pelo Pai-Nosso, ensinado pelo próprio Nosso Senhor Jesus Cristo aos Apóstolos, quando estes pediram: “Ensinai-nos a rezar” (Lucas 11, 1). O Divino Redentor pronunciou as palavras do Pai-Nosso, indicando-nos o meio de glorificar a Deus. É claro que Ele não deixará de ouvir-nos, uma vez que suplicamos com as próprias palavras que Ele nos ensinou.
A Ave-Maria.
Sem dúvida, uma das mais belas orações é a Ave-Maria, composta com a saudação do Arcanjo São Gabriel, “Ave, ó cheia de graça, o Senhor é contigo”; com as palavras de Santa Isabel, “Bendita sois Vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre”; e com o acréscimo inserido pela Igreja, “Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém”. Em poucas palavras essa oração encerra as principais grandezas de Nossa Senhora.
Diz São Luís Grignion de Montfort:
“A saudação angélica resume na mais concisa síntese toda a teologia cristã sobre a Santíssima Virgem. Há nela um louvor e uma invocação: encerra o louvor da verdadeira grandeza de Maria; a invocação contém tudo que devemos pedir-Lhe e o que de sua bondade podemos alcançar”.
Este mesmo santo, e grande apóstolo do Rosário, conta que os hereges têm horror à Ave-Maria. Eles podem até aprender a recitar o Pai-Nosso, mas nunca a Ave-Maria: “Todos os hereges que são filhos do diabo.... prefeririam carregar sobre si uma serpente antes que um rosário”.
Não há graças que Deus não nos possa alcançar por meio de Maria a quem peça por meio do Rosário. No entanto é bom lembrar que devemos nos preparar para alcançar as graças que tanto pedimos.
Como devemos nos preparar.
Fazendo uma boa confissão a um Sacerdote com um arrependimento profundo e repeti-la periodicamente ao menos uma vez por mês, receber a Santíssima Eucaristia sempre que possível e que estivermos preparados para a receber, rezar o Creio que é a profissão de Fé nas verdades católicas.
Rezar nas intenções do Santo Padre o Papa. Ao menos 01 Pai Nosso 01 Ave Maria e 01 Glória ao Pai.
Também procurar estar dentro dos 7 Sacramentos da Igreja, próprio da condição de cada um, e observar os 10 Mandamentos da Lei de Deus.
Há inúmeros documentos pontifícios exaltando a excelência do Santíssimo Rosário. Neles os Papas recomendam empenhadamente essa devoção. Devemos nos preparar para receber estas graças (indulgências), pois o Rosário foi enriquecido ao longo dos séculos pelos Pontífices com inúmeras indulgências.
Perseverar, em todos os dias na Oração, para que Maria interceda a Jesus que na Sua infinita Misericórdia nos conceda os meios de alcançar estas graças.
O que é rezar ?
Rezar é falar com Deus. Se dirigir a Deus, se expressar; seja com o pensamento ou com a voz.
Como rezar bem.
Agora que já tomamos conhecimento da importância do Santo Rosário, de sua maravilhosa história e em que orações consiste, veremos não apenas como rezá-lo — o que é muito fácil —, mas como rezar bem, o que não é muito difícil, bastando um pouco de atenção.
Rezar bem o Rosário é simples e está ao alcance de todos. Não é necessário ser um sábio ou um doutor em teologia. Além das singelas orações acima indicadas, precisamos apenas contemplar os mistérios e as palavras da cada oração, algo que até crianças podem fazer.
Oração vocal e oração mental.
A oração vocal é a recitação piedosa das cinco dezenas de Ave-Marias (no caso do Terço), ou das 15 dezenas (no caso do Rosário). No início de cada conjunto de 10 Ave-Marias reza-se o Pai-Nosso, e no final o Glória ao Pai.
Em que consiste a oração mental ?
Enquanto se pronuncia as orações, em PENSAR OU CONTEMPLAR os Mistérios (pode-se também MEDITAR, PENSAR nas palavras da Ave-Maria, do Pai-Nosso ou do Glória).
O Rosário é um colóquio (uma conversa) com Deus e Nossa Senhora. Enquanto com a voz Os louvamos, com o PENSAMENTO MEDITAMOS nos sublimes mistérios, pois, sendo o homem composto de corpo e alma, com a boca e com a mente deve glorificar seu Criador. O que equivale ao nosso dito popular: “Não falar só da boca pra fora”, ou seja, sem amor, sem coração, sem meditação. Se isso não acontecer poderá ser em vão nossa oração.
Claro que tanto mais eficácia terá essa arma quanto maior nosso envolvimento e devoção a utilizarmos. Assim, evitar de rezar o Rosário despachadamente e distraído; procurar recitá-lo piedosamente e com atenção, se possível de joelhos diante do Tabernáculo (sacrário) ou de uma imagem de Jesus e/ou Nossa Senhora, vestido decentemente (homens e mulheres e crianças) com respeito máximo e humildade a quem se dirige como a Santa Igreja antigamente e hoje sempre ensinou.
Pode-se, porém, rezá-lo também sentado ou de pé — até mesmo deitado, em caso de enfermidade, muito cansaço ou outra causa proporcionada —, mesmo andando, mas evitando o quanto possível as distrações. Devemos criar condições ambientais para facilitar nossa concentração no que estamos fazendo.
Por isso Jesus levantava de madrugada para rezar. Subia as montanhas para buscar o silêncio. Saía das cidades para rezar. Muitos santos faziam isso.
Nós podemos nos fechar no quarto, no escritório ou nas Igrejas em qualquer lugar em que ajude a nos concentrar; tirar tempo para Deus.
Entretanto, a distração involuntária, mesmo freqüente, não invalida o valor da oração. Nunca se deve deixar de rezar o Terço por causa de distrações. Pelo contrário, se temos dificuldade de rezar com perfeição, rezemos ainda mais, para compensar um tanto pela quantidade o que faltou à qualidade. Nosso Senhor elogia no Evangelho a oração insistente.
O demônio inventará artifícios para nos distrair com bobagens, mas precisamos rejeitá-las e concentrar nossa atenção. Se fizermos esforços para rezar bem, ainda que não o consigamos inteiramente, isto já é agradável a Nossa Senhora.
Rezar com Fé.
Fé significa acreditar, ter confiança que algo se realizará, ter confiança no que estamos fazendo.
Quando rezamos (pedimos, agradecemos, louvamos) temos a CERTEZA ABSOLUTA que Deus com a Santíssima Virgem e todo os Céus está nos ouvindo e vendo tudo. Pode Deus por intercessão de Maria não nos conceder aquilo que pedimos, mas pode nos conceder outras graças que não as pedimos e que são mais importantes para nós naquele momento. Pode também não nos conceder quando desejamos, mas sim quando realmente necessitamos.
As vezes para testar nossa fé e perseverança pode demorar um pouco em nos atender, mas é de ABSOLUTA CERTEZA que nos atenderá, só não o sabemos quando; pode ser na hora ou mais adiante...
Devemos lembrar: rezamos todos os dias no Pai Nosso seja feita a TUA VONTADE...
“Quem reza se salva, quem não reza se condena”.
Que oração será a mais eficaz a fim de alcançar toda espécie de graças para nós, tão necessitados? E para a humanidade, tão depravada? Os Papas, os Santos e a Igreja em geral incentivam de todos os modos esta devoção, que a própria Medianeira de todas as graças nos ensinou.
Rezar o Santo Rosário é ser atendido com segurança, pois o Divino Filho de Maria Santíssima sempre ouve os rogos de sua Mãe. Boníssima Mãe nossa, que é também a Mãe do Juiz que nos julgará em nosso último dia. Assim sendo, nada melhor que termos como advogada Aquela que nos obterá toda espécie de graças para chegarmos bem diante do supremo Juiz.
Está portanto em nossas mãos a arma para a salvação, tanto nossa como deste caótico e desmoralizado mundo de hoje.
As Indulgências.
Devoção tão recomendada pelos Papas e tão aprovada pela Igreja, é o Rosário da Virgem Santíssima cumulado de indulgências.
Indulgência é uma remissão da pena temporal dos pecados. Com a confissão que fazemos de nossos pecados, somos perdoados de nossas culpas, mas permanecem as penas temporais devidas ao pecado.
O cumprimento da penitência imposta pelo sacerdote, após a absolvição, satisfaz parcialmente as penas temporais. Os sofrimentos que padecemos ajudam também a pagar tais penas. Contudo podem ainda aliviar as penas temporais as indulgências que a Igreja concede às almas em estado de graça, pelos méritos de Nosso Senhor e de Sua Santíssima Mãe e dos santos.
Mas as indulgências são concedidas, sob certas condições, por determinados atos de piedade. Um deles é a recitação do Rosário. Quando o rezamos em igreja, em oratório público ou em família, ou ainda em comunidade religiosa, lucramos uma indulgência plenária (libera no todo a pena temporal), e quando rezamos o Rosário em outras circunstâncias, lucramos indulgência parcial (libera em parte a pena).
Mesmo rezando apenas um Terço do Rosário podemos lucrar a indulgência plenária, mas as cinco dezenas devem ser recitadas (oração vocal) sem interrupção e meditando (oração mental) cada um dos cinco mistérios.
Nossa Senhora do Rosário, terror dos demônios.
Por imposição de Deus, o próprio demônio, em algumas circunstâncias, foi obrigado a confessar — muito a contragosto em alguns exorcismos... — que a Santíssima Virgem era sua maior inimiga, pois Ela conseguia salvar almas que estavam já em suas garras, praticamente condenadas ao inferno.
Nossa Senhora é o Terror dos demônios, Aquela que esmaga a cabeça da serpente infernal, como é representada em muitas de suas imagens – na Medalha Milagrosa, por exemplo. Em seu famosíssimo Tratado da Verdadeira Devoção, São Luís Maria Grignion de Montfort escreve: "Maria é a mais terrível inimiga que Deus armou contra o demônio”.
E, ainda nesse mesmo sentido: “Armai-vos, pois, com estas armas de Deus, armai-vos do santo Rosário e esmagareis a cabeça do demônio, e vivereis tranqüilos contra todas suas tentações. Daí vem que o Rosário, mesmo o objeto material, seja tão terrível ao diabo, que os Santos se tenham servido dele para encadear o demônio e expulsá-lo do corpo dos possessos, segundo testemunham várias histórias”.
De onde se vê que é excelente ter sempre consigo o Terço no bolso, durante o dia, e à noite ao pescoço ou sob o travesseiro.
Uma arma por excelência da vitória sobre o mal.
Depois da Santa Missa o Rosário é a arma secreta mais poderosa que Deus coloca nas mãos de seus fiéis soldados, na luta contra Satanás e seus sequazes que andam pelo mundo para perder as almas. Esta poderosíssima arma está à disposição de todos os católicos devotos do Rosário da Santíssima Virgem. Com ela receberemos proteção nos assaltos do demônio e estaremos prontos a enfrentar todas as dificuldades desta vida.
Quem nos garante isto é o próprio São Luís Grignion de Montfort:
“Ainda que vos encontrásseis à beira do abismo ou já tivésseis um pé no inferno; ainda que tivésseis vendido vossa alma ao diabo, ainda que fôsseis um herege endurecido e obstinado como um demônio, cedo ou tarde vos converteríeis e salvaríeis, desde que (vos repito, e notai as palavras e os termos de meu conselho) rezeis devotamente todos os dias o Santo Rosário até a morte, para conhecer a verdade e obter a contrição e o perdão de vossos pecados”.
Benefícios e graças que podemos conseguir rezando o Santo Rosário com a meditação dos mistérios:
> Eleva-nos insensivelmente ao perfeito conhecimento de Jesus Cristo;
> purifica nossas almas do pecado;
> permite-nos vencer a nossos inimigos;
> facilita-nos a prática das virtudes;
> abrasa-nos no amor de Jesus Cristo;
> habilita-nos a pagar nossas dívidas para com Deus e os homens;
> por fim, obtém-nos de Deus toda espécie de graças.
São Luís Grignion de Montfort
(Obras de San Luis Maria Grignion de Montfort, El secreto admirable del Santissimo Rosario, Biblioteca de Autores Cristianos, Madrid, 1954, p. 353).
As orações do Rosário.
Credo. (Creio)
“Creio em um só Deus, Pai todo poderoso, Criador do Céu e da terra, de todas as coisas visíveis e invisíveis. Creio em um só Senhor, JESUS CRISTO, Filho Unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, luz de luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Por ele todas as coisas foram feitas. E por nós, homens, e para nossa salvação desceu dos Céus. E se encarnou pelo ESPÍRITO SANTO, no seio da Virgem MARIA e se fez homem. Também por nós homens, foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as escrituras; e subiu aos Céus, onde está sentado à direita do PAI. De novo há de vir em Sua Glória, para julgar os vivos e os mortos; e o Seu Reino não terá fim. Creio no ESPÍRITO SANTO, Senhor que dá a vida, e procede do PAI e do FILHO. Com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: ELE que falou pelos profetas. Creio na Igreja uma, santa, católica e apostólica. Professo um só batismo para a remissão dos pecados. E espero a ressurreição dos mortos, e a vida do mundo que há de vir. Amém.”
Pai-Nosso.
Pai nosso que estais no Céu, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade assim na Terra como no Céu.
O pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai as nossas dívidas, assim como nós perdoamos os nossos devedores; e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Ave-Maria.
Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois Vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.
Santa Maria, Mãe de Deus e nossa mãe, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.
Glória.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Assim como era no princípio, agora e sempre e por todos os séculos dos séculos. Amém.
Ó meu bom Jesus... (oração ensinada na Aparição de Fátima - Portugal.)
Ó meu bom Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o Céu, principalmente as que mais precisarem.
Salve Rainha.
Salve, Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve! A vós bradamos, degredados filhos de Eva. A vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas. E, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei, e depois deste desterro mostrai-nos Jesus, bendito fruto de vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria.
Rogai por nós, Santa mãe de Deus.
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo. Amém.
Lembrai-Vos.
Lembrai-Vos, ó puríssima Virgem Maria, que nunca se ouviu dizer que algum daqueles que têm recorrido à Vossa proteção, implorado a Vossa assistência e reclamado o Vosso socorro fosse por Vós desamparado. Animado eu, pois, de igual confiança, a Vós, ó Virgem entre todas singular, como a Mãe recorro, de Vós me valho, e gemendo sob o peso de meus pecados, me prostro a Vossos pés. Não desprezeis as minhas súplicas, ó Mãe do Filho de Deus humanado, mas dignai-Vos de as ouvir propícia e de me alcançar o que Vos rogo. Assim seja. Amém.

OS 15 MISTÉRIOS DO SANTO ROSÁRIO

Para rezar o Rosário:

Inicia-se com o sinal da Cruz; ato de contrição (pedido de perdão a Deus), uma invocação ao Divino Espírito Santo (Vinde Espírito Santo... coloca-se as intenções por quem que é oferecido); reza-se o Creio...; 1 Pai Nosso 3 Ave-Marias e 1 Glória ao Pai...; anuncia-se o Mistério e segue com 1 Pai Nosso e 10 Ave-Marias em cada, até completar os 15 Mistérios; termina com uma Salve Rainha.
No final de cada Mistério reza-se a Jaculatória ensinada por N.Senhora em Fátima, (Ó Meu Bom Jesus Perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno levai as almas todas para o céu e socorrei principalmente as que mais precisarem.)
A reza de cada dez Ave-Marias está acompanhada pela meditação do mistério respectivo.

Mistérios Gozosos

Segundas e Quintas

Primeiro Mistério Gozoso: A Anunciação do Anjo Gabriel à Maria. (São Lucas 1:28)
Segundo Mistério Gozoso: A Visita de Maria à sua prima Isabel. (São Lucas 1:41,42)
Terceiro Mistério Gozoso: O Nascimento de Jesus (São Lucas 2:7)
Quarto Mistério Gozoso: A Apresentação do Menino Jesus no templo (São Lucas 2:22-23)
Quinto Mistério Gozoso: O Encontro de Jesus no templo (São Lucas 2:46)

Mistérios Dolorosos

Terças e Sextas

Primeiro Mistério Doloroso: A Oração de Jesus no Horto (São Lucas 22:43-44)
Segundo Mistério Doloroso: A Flagelação de Jesus Cristo (São João 19:1)
Terceiro Mistério Doloroso: A Coroação de Espinhos (São Mateus 27:28-29)
Quarto Mistério Doloroso: Jesus Cristo leva a Cruz (São João19:17)
Quinto Mistério Doloroso: A Crucificação e Morte de N.S.J.C. (São Lucas 23:46)

Mistérios Gloriosos

Quartas, Sábados, e Domingos

Primeiro Mistério Glorioso: A Ressurreição de N.S.J.C, (São Marcos 16:6)
Segundo Mistério Glorioso: A Ascensão de Jesus Cristo ao Céu. (São Marcos 16:19)
Terceiro Mistério Glorioso: A Vinda do Divino Espírito Santo (Atos dos Apóstolos 2:4)
Quarto Mistério Glorioso: A Assunção da Virgem Maria (Judite 15:10-11)
Quinto Mistério Glorioso: A Coroação de Maria Santíssima (Apocalipse 12:1)
A Virgem Santíssima em Fátima e o pedido ao Santo Rosário.
Quando Lúcia perguntou à Santíssima Virgem, na aparição de 13 de outubro de 1917, em Fátima, o que desejava, Ela respondeu:
“Quero dizer-te que façam aqui uma capela em minha honra; que sou a Senhora do Rosário; que continuem sempre a rezar o Terço todos os dias”.
“Rezar o Terço todos os dias” — Que conselho mais excelente que este? Que criatura mais elevada que a Virgem Santíssima poderia transmiti-lo? Sendo que a própria Mãe de Deus – e também nossa Mãe – nos faz esse pedido, como poderemos recusá-lo? Impossível seria! Atendendo-A, seremos atendidos e alcançaremos todas as graças que suplicarmos com fé e confiança.
Em várias outras aparições Nossa Senhora recomendou a devoção ao Rosário, mas especialmente em Fátima Ela insistiu nessa prática marial como meio para se obter a conversão do mundo.
Apresentando-se como a Senhora do Rosário, Ela veio alertar o mundo para os terríveis castigos que ocorreriam caso não se desse uma conversão geral; caso os homens não deixassem de ofender a Deus com seus pecados e não houvesse uma reparação por esses pecados.
Isto se passou no início do século XX. Neste início do século XXI, quem se atreveria a dizer que tais pedidos foram atendidos? Claro que ninguém! Basta olhar um pouco em torno de nós, para ver justamente o contrário: a decadência moral acentua-se dia a dia; os Mandamentos de Deus são abandonados; os pecados aumentam; as ofensas a Nosso Senhor tornam-se ainda mais agressivas. Basta abrir os jornais, para constatar a alarmante dissolução da família, as modas imorais, o nudismo, o aborto, a prostituição, as drogas, o homossexualismo etc.
Em vista disso, a Senhora de Fátima pede-nos “oração, penitência e reparação”. Insiste na recitação diária do Rosário, para a conversão das almas pecadoras e do mundo.