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segunda-feira, 30 de abril de 2012

Meditações Preparatórias - Mês de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento



MEDITAÇÕES EXTRAÍDAS DOS ESCRITOS DO BEM-AVENTURADO
PEDRO JULIÃO EYMARD


Meditação preparatória

O mês de Maria é o mês das bênçãos e das graças, porque, como assegura São Bernardo, e com ele muitos santos, todas as graças nos vêm por Maria. É uma festa de trinta e um dias em honra da Mãe de Deus e uma preparação ao belo mês do Santíssimo Sacramento.

I. A profissão especial que fazemos de honrar a Eucaristia não deve diminuir a nossa devoção para com a Santíssima Virgem. Longe disso! Proferiria uma blasfêmia quem dissesse; Basta-me o Santíssimo Sacramento; não preciso de Maria! — Mas, onde encontraremos Jesus na terra senão em seus braços?
Não foi Ela que nos deu a Eucaristia? Foi o seu consentimento à Encarnação do Verbo no seu seio que iniciou o grande mistério de reparação para com Deus e de união conosco que Jesus realizou durante sua vida mortal e continua agora no Santíssimo Sacramento.
Sem Maria não poderíamos ir a Jesus, porque Ela O possui em seu coração: aí encontra Ele as suas delícias, e todos que quiserem conhecer as virtudes íntimas de Jesus, seu amor recôndito e privilegiado, devem procurá-los no Coração de Maria; os que amam esta boa Mãe encontram Jesus em seu coração tão puro.
Oh! jamais separemos Jesus de Maria; não poderíamos ir a Ele sem passar por Ela. Ouso mesmo afirmar que quanto mais amarmos a Eucaristia, tanto maior será nosso amor para com a Santíssima Virgem; amamos tudo quanto ama um nosso amigo; ora, existe por ventura uma criatura mais amada de Deus, mãe que tenha sido mais ternamente querida por seu filho do que foi Maria por Jesus?
Oh! sim, Nosso Senhor teria grande pesar se nós, servos de sua Eucaristia, não honrássemos deveras a Maria, porque Ela é sua Mãe; Nosso Senhor tudo lhe deve na ordem de sua Encarnação e de sua natureza humana; foi pela carne que d'Ela recebeu que Ele tanto glorificou a seu Pai, que nos salvou e que continua a alimentar e salvar o mundo no Santíssimo Sacramento.
Nosso Senhor quer que A honremos tanto mais agora quanto em sua vida mortal Ele pareceu ter se descuidado de fazer. Sem dúvida Ele A honrou em sua vida particular; porém, em público, deixou-A na sombra; antes de tudo tinha que afirmar e sustentar a sua dignidade de Filho de Deus.
Mas hoje Nosso Senhor quer que de algum modo indenizemos à Santíssima Virgem de tudo quanto Ele não pôde fazer exteriormente por Ela; e somos obrigados, no interesse de nossa salvação, a honrá-l'A como Mãe de Deus e como nossa própria Mãe.

II. Visto que somos consagrados de uma maneira especial ao serviço da Eucaristia, e que somos adoradores, é nessa qualidade que devemos um culto particular a Maria.
Religiosos do Santíssimo Sacramento, Servas do Santíssimo Sacramento. Agregados do Santíssimo Sacramento, somos, pelo nosso estado, adoradores da Eucaristia; é o nosso belo título, abençoado por Pio IX. Que quer dizer adoradores? Quer dizer que somos ligados à Pessoa adorável de Nosso Senhor vivendo na Eucaristia. Mas, se pertencemos ao Filho, também pertencemos à Mãe; se adoramos o Filho, devemos honrar a Mãe, e somos obrigados, para entrar plenamente na graça de nossa vocação, e nela permanecer, a prestar um culto especial à Santíssima Virgem como Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento.
Esta devoção não está muito espalhada, e este culto ainda não foi explicitamente adotado pela Igreja. É que o culto de Maria segue o de Jesus; segue-lhe as fases e o desenvolvimento. Quando honramos Nosso Senhor na Cruz, oramos a Nossa Senhora das Dores; quando meditamos a vida submissa e retirada de Nazaré, tomamos por modelo Nossa Senhora da vida oculta; a Santíssima Virgem acompanha todos os estados de seu Filho.
Maria ainda não tinha sido saudada com esse belo título de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento. Eis que o culto da Eucaristia se propaga; jamais, como em nossos dias, foi êle tão grande, tão universal; espalha-se por toda parte.
É a graça trazida ao mundo pela Imaculada Conceição. Sem dúvida, a devoção ao Santíssimo Sacramento não é nova; mas, presentemente, há uma outra manifestação da Eucaristia: o Deus oculto sai de seu Tabernáculo; por toda parte, dia e noite, faz-se a Exposição do Santíssimo Sacramento; a Eucaristia vai se tornar uma fonte de salvação para este século; o culto da Eucaristia será a sua glória e grandeza. Pois bem; a devoção a Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento crescerá com o culto da Eucaristia.
Ainda não encontrei esta devoção explicada em livro algum; jamais ouvi falar nela, a não ser nas revelações da Madre Maria de Jesus, onde li alguma coisa da Comunhão de Maria, e nos Atos dos Apóstolos, em que vemos Maria no Cenáculo.

III. Que fez a Santíssima Virgem no Cenáculo? Adorou; foi a Rainha e a Mãe dos adoradores; foi, numa palavra, Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento. Vossa ocupação durante este mês será honrá-lA sob este belo título, meditar o que Ela fazia, e procurar compreender como Nosso Senhor aceitava as Suas adorações; descobrireis a perfeita união desses dois corações: o de Jesus e o de Maria, perdidos num só amor, em uma única e mesma vida. É necessário que a vossa piedade levante o misterioso véu que esconde a vida adoradora de Maria.
Ficamos admirados de que os Atos dos Apóstolos nada nos digam a respeito, e se contentem em deixar Maria no Cenáculo. Ah! é que toda a sua vida aí foi unicamente uma vida de amor e de adoração.
Como descrever o amor e a adoração? Como exprimir esse reinado de Deus na alma, e esta vida da alma em Deus? Não se pôde explicar; a linguagem não tem expressões para interpretar as delícias do céu, e assim acontece com a vida de Maria no Cenáculo.
São Lucas apenas nos diz que ali Nossa Senhora vivia e orava. Compete à meditação e ao amor estudar o interior desta vida. Tudo o que nos for possível avaliar de potência no amor, e de santidade e perfeição nas virtudes, podemos atribuir a Maria; mas, porque Ela viveu ali de união ao Santíssimo Sacramento, durante mais de vinte anos, todas as suas virtudes se revestiam do caráter eucarístico, alimentadas que foram pela comunhão, pela adoração, por uma constante união a Jesus Eucaristia. As virtudes da Santíssima Virgem atingiram no Cenáculo o apogeu de sua perfeição, uma perfeição ilimitada, por assim dizer, e somente ultrapassada pela perfeição das virtudes de Jesus Cristo.
Pedi a Nosso Senhor que vos revele o que se passava no Cenáculo entre Ele e sua Mãe; Ele vos dirá, certamente, algumas dessas maravilhas; não todas, porque não poderíeis entendê-las, porém uma parte, e isso fará a vossa felicidade.
Quanto me sentiria feliz se pudesse compor um mês de Maria adoradora! Para isto é necessário rezar e meditar muito; é preciso compreender a ação de graças do amor de Maria. Eis o que eu desejo ardentemente; mas, para consegui-lo, é mister maior preparação. (1)

IV. Efetivamente, todos os mistérios da vida de Nossa Senhora revivem no Cenáculo. Se meditardes o nascimento de seu Filho em Belém, completai o Evangelho, e vereis o nascimento eucarístico deste mesmo Filho no altar. A fuga para o Egito? Não vedes que Nosso Senhor ainda está no meio de bárbaros e de estranhos em tantas cidades e aldeias nas quais se fecham as Igrejas e onde ninguém vai visitá-lO? E sua vida oculta em Nazaré? Não está Ele ainda mais escondido aqui? Completai pela Eucaristia todos os mistérios e meditai a parte que Nossa Senhora tem neles.
O essencial é procurar praticar uma das virtudes da Santíssima Virgem; escolhei, de preferência, as mais humildes, as mais pequeninas; já as conheceis; depois, gradualmente, chegareis até as suas virtudes interiores, até o seu amor.
Ademais, oferecei todo dia um sacrifício; vede o que mais vos há de custar; há sacrifícios que podemos prever, como tal pessoa a visitar, certa coisa a fazer. Oferecei, pois, esse sacrifício, que há de contentar a Santíssima Virgem e será mais uma flor acrescentada na coroa que Ela deseja oferecer em vosso nome a seu Filho no dia de sua festa, a bela festa do Corpo de Deus.
Se não puderdes prever sacrifícios particulares, conservai-vos pelo menos no propósito firme e generoso de aceitar todos os que Deus vos enviar; cuidai em apanhar em pleno voo esse pássaro do céu. Há mensageiros de Deus que nos trazem graças ocultas em uma coroa de espinhos. Deveis recebê-los bem. Um sacrifício pressentido dá lugar à reflexão, e o raciocínio diminui-lhe o valor; ao passo que os sacrifícios imprevistos, feitos generosamente, sem exame, são mais meritórios. Deus nos quer surpreender, e nos diz apenas: "Estai preparados!" E a alma fiel está disposta para tudo que Deus quiser. O amor gosta de surpresas. Não deixeis passar tais ocasiões. Para isso, é bastante ser generoso.
Oh! quanto é bela a alma generosa! Deus é por ela glorificado; e referindo-se a esta alma, o Senhor repete, com um sentimento de júbilo e admiração, o que dissera de Job: "Viste meu servo Job?..." Quem ama não deixa passar esses sacrifícios; está sempre alerta, e ao sentir que se aproxima uma cruz, prepara-se para recebê-la bem.
Vamos, honrai a Santíssima Virgem por um sacrifício cotidiano; ide a Jesus por Maria; segui-lhe os passos, abrigai-vos sob seu manto; revesti-vos de suas virtudes; sede apenas uma sombra de vossa Mãe; oferecei a Nosso Senhor todas as suas virtudes, seus méritos e ações; para isto, nada mais tendes a fazer do que tomá-los de Maria e dizer a Jesus: "A vós ofereço as riquezas adquiridas por minha boa Mãe." E Nosso Senhor ficará contente convosco.

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(1) 0 Bem-aventurado pôs mãos à obra; deixou-nos algumas meditações sobre a vida adoradora de Maria. Penetrou no íntimo da vida de Nossa Senhora e procurou nos revelar os sentimentos de seu coração, a intensidade do seu amor. São estas as meditações que se encontram no presente volume. Afim de apresentar diariamente, no mês de maio, uma delas, reunimos todas as instruções do Bem-aventurado sobre a SSmn. Virgem, nas quais, sem excepção, ele nos apresenta Maria unida a Jesus Cristo e d'Ele recebendo ou a Ele referindo todas as suas graças e perfeições; e visto que a Eucaristia é o próprio Jesus Cristo, a Santa Virgem é, consequentemente, nestas meditações, Nossa Senhora do SSmo. Sacramento.

O capelão de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento

Nossa Senhora recebe a Santa Comunhão de São João Evangelista

Sentimos necessidade de um modelo, um patrono, um guia, em nossa devoção a Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento. Escolheremos São João Evangelista. Jesus lhe confiou sua Mãe, e São João celebrava diariamente a Santa Missa em presença de Maria; era ele que, tomando de sobre o altar o Pão divino, o depunha nos lábios da Santíssima Virgem: "Mãe, eis vosso filho!" Ecce filius Tuus! ó meu Deus! que palavra e que momento! São João foi testemunha das adorações de Maria; foi o confidente de seu amor; e se ele conseguiu falar tão divinamente da Eucaristia, se entoou esse belo cântico de ação de graças que o seu Evangelho encerra, foi porque, além de o haver recolhido dos próprios lábios de Jesus, escutou a Santa Virgem repeti-lo. "O Salvador deu São João à Maria, diz M. Olier, não somente para que ele ficasse em seu lugar de filho, mas ainda para que proporcionasse a sua Mãe Santíssima, pelos santos mistérios que celebrava para Ela, e segundo suas intenções, o meio de lhe satisfazer os anelos ardentes do coração quanto ao estabelecimento da Igreja; e também o meio de se consolar da ausência de seu Filho, que era a felicidade de se nutrir diariamente de seu divino Corpo." (Vida de M. Olier, tomo II, 3ª. parte, p. 207).
Haveis de nos ensinar, ó glorioso Capelão do Cenáculo, a conhecer os mistérios da vida de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento; fazei que possamos partilhar as suas disposições, todas às vezes, que, a seu exemplo, recebermos ou adorarmos o Deus da Eucaristia.

PRÁTICA — Cumprir todos os deveres eucarísticos em união a Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento.
JACULATÓRIA — Salve, ó Maria, de quem nasceu Jesus-Hóstia!
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Excertos do livro: Mês de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento extraídas dos escritos do Bem-Aventurado(*) Pedro Julião Eymard, o fundador da Congregação do Santíssimo Sacramento, 1946
(*) Sua canonização se deu em dezembro de 1962

sábado, 21 de abril de 2012

FILME SOBRE AS APARIÇÕES DE FÁTIMAREALIZADO EM 1991

o Terço é oração eucarística segundo a Irmã Lúcia

http://osegredodorosario.blogspot.pt/2012/04/irma-lucia-o-terco-e-oracao-eucaristica.html

Irmã Lúcia: o Terço é oração eucarística!





A oração do Rosário ou Terço é, depois da Sagrada Liturgia Eucarística, a que mais nos une com Deus, pela riqueza das orações de que se compõe, todas elas vindas do Céu, ditadas pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo.

A Glória, que rezamos em todos os mistérios, foi ditada pelo Pai aos Anjos, quando os enviou a cantá-la junto do Seu Verbo recém-nascido, e é um hino à Trindade.

O Pai-Nosso foi-nos ditado pelo Filho, e é uma oração dirigida ao Pai.

A Ave-Maria é, toda ela, impregnada de sentido Trinitário e Eucarístico: As primeiras foram ditadas pelo Pai ao Anjo, quando O enviou a anunciar o mistério da Encarnação do Verbo.

“Ave-Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco”: Sois cheia de graça porque em Ti reside a fonte da mesma Graça. É pela Tua união com a Santíssima Trindade, que Tu és cheia de graça.

Movida pelo Espírito Santo, disse Santa Isabel: “Bendita sois Vós, entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus”: Se sois bendita, é porque é bendito o fruto do vosso ventre, Jesus.

A Igreja, também movida pelo Espírito Santo, acrescentou: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte”: Isto é também uma oração, dirigida a Deus através de Maria: Porque sois Mãe de Deus, roga por nós.

É oração trinitária, sim, porque Maria foi o primeiro Templo vivo da Santíssima Trindade: “O Espírito Santo descerá sobre Ti, — O Pai Te cobrirá com a Sua sombra, — E o Filho, que de Ti nascer, será chamado o Filho do Altíssimo”.



Maria é o primeiro Sacrário vivo onde o Pai encerrou o Seu Verbo. O Seu Coração Imaculado é a primeira custódia que O guardou. O Seu regaço e os Seus braços foram o primeiro altar e o primeiro trono sobre o qual o Filho de Deus, feito homem, foi adorado. — Aí O adoraram os Anjos, os Pastores e os sábios da terra. Maria é a primeira que tomou em Suas mãos, puras e imaculadas, o Filho de Deus; o conduziu ao Templo, para oferecê-Lo ao Pai, como vítima pela salvação do mundo.

Assim, a oração do Terço é, depois da Sagrada Liturgia Eucarística, a que mais nos introduz no mistério íntimo da Santíssima Trindade e da Eucaristia; a que mais nos traz ao espírito os mistérios da Fé, da Esperança e da Caridade.

Ela é o pão espiritual das almas; Quem não ora, definha e morre. É na oração que nos encontramos com Deus, e é nesse encontro que Ele nos comunica a Fé, a Esperança e a Caridade: virtudes estas sem as quais não nos salvaremos.

O Terço é a oração dos pobres e dos ricos, dos sábios e dos ignorantes; Tirar às almas esta devoção, é tirar-lhes o pão espiritual de cada dia. O Terço é a que sustenta a pequenina chama da Fé, que ainda de todo se não apagou em muitas consciências. Mesmo para aquelas almas que rezam sem meditar, o simples ato de tomar o Terço para rezar é já um lembrarem-se de Deus, do Sobrenatural. A simples recordação dos mistérios, em cada dezena, é mais um raio de luz a sustentar, nas almas, a mecha que ainda fumega.

Por isso o demônio lhe tem feito tanta guerra! E o pior é que tem conseguido iludir e enganar almas cheias de responsabilidade, pelo lugar que ocupam!



Trecho do Pequeno tratado da Irmã Lúcia, sobre a natureza e recitação do Terço